Só acontece comigo #11



 Da série: conversinhas de elevador que deveriam ser evitadas.

Elevador, um lugar muito comum, bom para alguns que odeiam escadas, ruim para outros que sofrem de claustrofobia. Mas gostando ou não todo mundo já encarou um na vida.

Eu particularmente não tenho nada contra, qualquer coisa que me faça andar menos que o necessário é muito bem vinda, mas ai eu tive que começar a fazer uso de elevadores no trabalho, e bom... Não é mais tão legal como antes.

Horário de almoço - pronuncia-se hora de correr - você entra no elevador e no andar seguinte alguém que você nunca viu antes aparece, aperta o botão do andar que irá e você torce o nariz por ser justamente o mesmo andar que o seu. As portas se fecham, o coleguinha te olha e repara que você está de bolsa.

- Mas já vai embora? - observa o relógio de pulso, pensando ser o cara mais engraçado do mundo.
- Não, é meu horário de almoço agora... - tentei dar meu melhor sorriso enquanto perguntava pra Deus porque eu tinha entrado justo no mesmo elevador que aquele cara.
- NÃO ACREDITO QUE VOCÊ ALMOÇA! PENSEI QUE UMA MOÇA SIMPÁTICA DESSA NÃO PRECISAVA NEM COMER!

Não, não amigo. Eu não almoço não, encontrei fontes alternativas de obter energia sabe? Entrei nessa onda de energia ecológica e me alimento da luz solar agora.

Fluente em consumismo.

Desde que me conheço por gente sou o mais controlada possível financeiramente, o que se deve ao fato de eu ter dependido da bufunfa de mamãe por muito tempo. Até que há um ano atrás comecei a trabalhar e neste domingo venho anunciar algo muito difícil de aceitar: me tornei fluente em consumismo.

Há uns sete meses atrás eu diria que a situação estava controlada, mas ontem parei pra refletir (sim meus amigos, Tatiane Ferrari decidiu refletir) e percebi que talvez por um descontrole emocional ou psicológico tenho gasto com coisas como copos de personagens do filme Monstros S.A simplesmente porque achei "fofinho", cadernos de personagens cute cute simplesmente porque achei "fofinho" - detalhe: estão os dois intactos no meu guarda-roupa enquanto eu tento me conformar dizendo que ainda estou esperando o momento certo de usá-los - livros que comprei simplesmente pela capa sem nem me atentar ao que está escrito neles, e tudo o que eu peço é: ME SALVEM DESSE MONSTRINHO CHAMADO CONSUMISMO.

Sobre estourar.



Escondo o que posso em algum lugar que nem eu sei exatamente onde está, só sei que existe. De uns tempos pra cá desconfio que ele tenha o mesmo formato de uma bexiga, isso parece infantil, eu sei, mas é a única teoria que explicaria eu não estar mais conseguindo guardar tudo o que preciso e estar explodindo semanalmente ou diariamente.

Todos falam o que pensam e quando percebem que causou algum tipo de dor no ouvinte pedem desculpas, mas eu sempre fui o contrário disso, guardo cada pensamento que pode ferir ao outro, respiro fundo e evito possíveis discussões ou chateamentos. E é ruim perceber que essa minha mania deixa de afetar a outros para me afetar. Será que vale a pena não machucar a outros e me machucar em dobro? Levo o peso do que queria falar e do que me falam mas ninguém leva o meu peso. Talvez seja melhor estourar essa "bexiga" com um alfinete, talvez eu precise ser um alfinete, talvez eu precise ser egoísta ou talvez eu só precise comprar algum livro de autoajuda.

Se me conheço bem, vou acabar comprando um novo pacote de bexigas para repor cada vez que uma estourar.