Nascer, decidir e morrer.

"Nada é mais difícil, e por isso mais precioso, do que ser capaz de decidir."
- Napoleão Bonaparte.

Dizem que o propósito da vida é nascer, envelhecer e morrer mas eu creio que isso é só mais um jeito de mostrar como somos preguiçosos e queremos encurtar tudo, até porque ninguém te avisa que entre o nascer e o envelhecer muita coisa vai acontecer. E talvez eu esteja na pior fase que existe entre esse nascer e envelhecer, mas da mesma forma que talvez eu esteja na minha pior fase, você que lê isso pode também estar na sua e ser mais novo ou mais velho que eu, o que mostra que cada um tem suas fases em diferentes tempos.

A questão se resume em uma palavra: decisão. Depois do seu nascimento, foi você quem decidiu qual seria a sua primeira palavra, tudo bem que seus parentes ficaram meses em cima de você falando de uma maneira abobalhada e tentando te incentivar a dizer "mamãe" ou "papai" pela primeira vez, mas foi você quem decidiu qual gostaria de dizer primeiro, qual seria mais fácil para você. Depois disso você decidiu quando seus joelhos já doíam demais para engatinhar e resolveu dar seu primeiro passo, ou para os mais evoluídos descartou a possibilidade de se arrastar pelo chão da casa e foi direto querendo andar porque a vida está ai para ser encarada. E a coisa só piorou desde então, decidiu os desenhos que você queria assistir, os brinquedos que você choraria para ter, as crianças com quem você brincaria no recreio, decidiu o nome do seu bichinho de pelúcia, decidiu convencer sua mãe de que seu amigo imaginário precisa ser respeitado e ele ganhou um prato na mesa de jantar, decidiu chamar alguém de amigo ou melhor amigo e sem perceber a infância acabou. Você nasceu e passou pelo seu "primeiro envelhecimento".

Depois disso você decidiu se queria fazer parte de algum grupo do ensino médio, ou decidiu ser você mesmo e adotou a teoria do "quem quiser que me aceite assim", decidiu começar a passar maquiagem, ou começou a dar mais importância para os tênis de marca porque todos os garotos usam e você também quer que as meninas te notem, decidiu "ficar" com tal pessoa, namorar aquela outra, decidiu sua opção sexual, se queria ou não trabalhar desde cedo, decidiu estudar para a semana de provas e se não decidiu se arrependeu ao ver as notas, chegou no fim do ensino médio e decidiu o que você seria daquele dia em diante. Ou simplesmente não decidiu.

Se você leu até aqui, é porque por algum motivo decidiu que leria, e quem sou eu, quem é qualquer pessoa para dizer que suas decisões estão erradas? "Se conselho fosse bom, não seria de graça", isso só deixa claro o quanto as decisões dependem de uma única pessoa: você mesmo. Não é porque a amiga da amiga, a sua prima, seu vizinho ou algum apresentador de TV falou que determinado caminho é melhor do que o que você quer seguir que você deve seguir o outro. "Se eu fosse você faria tal coisa." não é porque deu errado na vida de outra pessoa que na sua também vai dar, o caminho errado dela pode ser o seu certo.
E é por isso que decidir é algo tão difícil. Acredite no que eu te digo, o problema não está em você, está neles, que adoram encher sua cabeça com milhares de conselhos que no fim só servem pra te confundir cada vez mais.

O pior de tudo em uma decisão, é notar que você sabe onde está a resposta final, mas sentir que ela não é o suficiente e passar dias atrás de algo que você sabe estar lá.

4 comentários:

  1. Olá querida! Gostei da sua analogia, realmente a vida é feita destas tais escolhas. Mas preciso discordar em alguns pontos. Peço infinitos perdões se estou te contradizendo e se isto lhe ofende, mas não posso ler um texto tão rico, e ao mesmo tempo amplo e pessoal, e não comentar o que de fato refleti sobre ele. Bom, as escolhas, decisões, são relativas. A infância não é chamada da 'fase de erros' atoa, claro que temos consciência racional, mas ela não é tão desenvolvida quanto a instintiva e intuitiva, sendo assim, não se pode julgar, realmente, as escolhas como sendo erradas, mas não acho coerente dizer que as escolhas da infância são literalmente racionais, sendo que a maior parte delas são feitas por instinto e influência de quem rodeia a criança, por isto crescemos como moldes de nossos criadores. A influência de que está em volta também se aplica durante a vida, até que se atinja a maturidade (e nem sempre para aí rs adultos crianças rs), digo, mesmo tendo consciência racional, e agora, além do instinto, a intuição, e o conhecimento amplo das relações, ainda assim as pessoas podem tomar decisões não viáveis, por influências externas (medo, vergonha, pressão), ou ainda agir instintivamente (tomar decisão por revolta, ódio, mas com esses sentimentos sendo gerados por um sujeito específico). Escrevi pra cacete, desculpa IWQDHIUQHWDUUIUQWD quero dizer que, seu texto está lindo, meu ponto de vista é algo além do necessário, mas na visão ampla da vida e essas decisões, concordo com suas palavras, e a vida é assim, tomar decisões e não se arrepender.

    Até mais *-*
    xoxo
    :)

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  2. Adorei o post, esses dias vi o último X-men e no final fala sobre como as escolhas que fazemos vão alterando todo o rumo da nossa vida, e muitas vezes de outras vidas também. Acredito que a partir do momento que nos é dado a opção de escolher (afinal de contas na infância muitas coisas são impostas pelos nossos pais e querer questioná-las com sete anos de idade não vai necessariamente fazer com que eles mudem de ideia, mas como você exemplificou muitas escolhas também são feitas por nós nessa idade:com quem falar na escola, nome do bichinho, etc, mas ainda acho que nessa idade somos muito "controlados" pelos pais), temos que pensar com muito cuidado, e como você disse, não nos influenciar pelo que deu certo pra outra pessoa, pois você pode acabar fazendo a mesma coisa e obter um resultado completamente diferente poque todo o contexto já é diferente. beijos!

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  3. Nem me fale sobre o quão dificil é escolher. Vc não sabe quantas vezes eu ja ouvi "se eu fosse você faria X". Eu passei muito (muito memo) tempo perdida na vida justamente porque nunca soube escolher. Nunca soube o que eu realmente queria fazer. Eu ia vivendo doa palpites sabe? Meus e dos outros. Mas eu me encontrei grazadeus :)
    E vc tem razão, certos conselhos servem pra nos confundir. Comigo, pelo menos, foi assim.

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  4. Olha, chegou um ponto tão trash da vida que eu queria muito que alguém viesse me falar o que fazer. Parece que depois da primeira decisão "séria" da vida, é só isso que você pode e deve fazer. Já parei pra pensar que de repente nossos pais e avós tinham menos ansiedade porque tinham menos opções dais quais escolher. E as nossas opções parecem tão insatisfatórias, né?
    Mas é, acho que agora é decidir até o fim da vida. Se eu soubesse disso antes ia aproveitar mais a época em que até meu almoço era decidido pela minha mãe. O que prova que meu espírito já tem 80 anos.
    Beijo, Tati

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