Muda o mundo ou o mundo te muda?

Para início de tudo, considero a palavra “crença” forte demais para ser usada nesse caso. Crença é nada mais nada menos do que acreditar, e o principal ponto em questão é a minha falta de crença em algo específico, preferi então não a usar como foco, pois seria hipocrisia dizer que creio no que vou escrever quando sei que posso mudar de opinião em breve.

Na minha visão a crença em uma religião tem seu lado bom e seu lado ruim. No positivo, temos exemplos de pessoas que faziam muitas coisas erradas e que ao encontrarem “Deus” se tornaram pessoas boas, mas também temos exemplos ruins de pessoas fanáticas – ou talvez não seja fanatismo pela religião, e sim ignorância – que misturam a mesma com as demais “áreas” de suas vidas, como por exemplo, políticos que parecem desacatar ao que pregam. Se acreditam no governo de Deus, porque querem governar a Terra? Se querem governar a Terra, com pessoas diferentes umas das outras esperando por alguém que respeite suas desigualdades, porque misturam sua religião com questões como a legalização do aborto ou a criminalização da homossexualidade? (Em 38 países africanos, a homossexualidade é considerada crime.)  E inclusive pregam o ódio em seus discursos àquilo que para eles não é certo segundo a vontade de Deus.

O meu achismo (crença, seja lá o que for) na verdade é algo mais simples do que parece. Acredito sim que possa existir um Deus, mas não o idealizo segundo as religiões, ele pode sim ser espiritual e maior que todos nós, mas também pode ser a força que vem de cada um, quem vai dizer o contrário? Não há como realmente provar nada, certo? Sempre gostei de ter minha própria opinião sobre tudo, o que ás vezes me torna crítica demais, mas pelo menos com isso aprendi justamente a não aceitar tudo o que me é dito. E com a crença em aspectos religiosos não foi diferente.

Cresci em um lar cristão, e sempre admirei – e ainda admiro – minha mãe pela fé que possui em Deus e pelo modo como sempre o busca afinal a religião dela é a única que possui coragem para sair de porta em porta. Mesmo que ela não entenda a minha decisão me espelhei nela e resolvi buscar o meu. Não pratico nada que seja errado, mas não acredito que ir a qualquer igreja seja fazer certo. Como então isso poderia ser útil na sociedade em que vivo?

Observo diferentes pessoas com suas diferentes religiões dizendo uns aos outros o que é certo e errado simplesmente porque eles pensam assim e acreditam que todos devem pensar igual, vejo ícones de igrejas que deveriam pregar o amor sendo condenados por desviar dinheiro dos fiéis, por abusar de crianças e por coisas até piores. Vejo pastores usando da fama entre seus fiéis para se promoverem no mundo da política. Como se ainda não fosse o suficiente, vejo meus colegas de classe, trabalho e qualquer outro lugar acreditando que são superiores a quem pensa diferente, a minha falta de crença já foi motivo para acharem que estou desviada, isso pode ser um desabafo, mas eu acredito (e dessa vez eu disse que acredito) que estar desviado é ter uma mente tão fechada a ponto de achar que apenas o seu lado é o correto.

Não quero que sigam meu exemplo, não acho que eu mudaria o mundo com meu achismo-crença, mas talvez se todos parassem de agir como se não existisse uma vida atrás da religião as coisas seriam melhores sim. Não haveriam brigas por esse motivo, não apontariam o dedo a você e diriam que você só pode estar “cego pelo demônio” por ser homossexual, por querer abortar uma criança após sofrer um estupro ou por qualquer outra coisa que fuja do que os líderes dizem para eles.

Se Deus é um só e pai de todos nós, eu creio e todos deveriam crer, que o que eu faço ou não na minha vida só diz respeito a Ele.

Viver com pessoas que fazem algo que deveria ser um ponto de paz se tornar mais um motivo para discussões ridículas me mostra que a falta de crença me livra de uma ignorância absurda.

*Esse texto na verdade é um trabalho de Filosofia, onde eu deveria dizer como a minha crença pode mudar a sociedade em que vivo, mas gostei tanto dele que resolvi fazer mais do que apenas um trabalho escolar.

7 comentários:

  1. O problema é que as pessoas em geral tem mania de deturpar tudo ao que lhes convém, infelizmente. Acho que existem inúmeras pessoas boníssimas que nem acreditam em Deus, enquanto existem beato(a)s que nem levantam quando entra um idoso no ônibus. Ter uma religião ou não ter uma, não faz de você uma pessoa superior, o que realmente faz você ser uma pessoa melhor são suas ações. Então, não adianta nada eu passar a semana inteira na igreja aprendendo a amar o próximo e chegar na rua pra pregar discurso de ódio a quem é diferente de mim.

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  2. Volta e meia faço trabalhos que eu acho dignos do blog rs mas acabo nunca postando.
    Bem, teoricamente, fé ajuda muito. As pessoas com fé (as instruídas, lógico) que eu conheço, são muito mais felizes e otimistas do que eu. Os espíritas então, nem se fala. Nunca vi uma religião transformar tanto uma pessoa. Eu nunca conheci, pelo menos ainda não, um espírita filha da puta. é logico que isso não deve ter relação unicamente com a relgião, mas eu acho que, a longo prazo, a fé só ajuda as pessoas a encontrarem esperança e felicidade, e eu realmente invejo um pouco as pessoas que acreditam tanto e nada temem. Porque eu, honestamente, não consigo acreditar em nada.
    É logico que, como eu já disse, estamos falando da positividade da fé na vida de pessoas instruídas. Gente ignorante pode transformar qualquer coisa em desvantagem - e é isso que está acontecendo com essa verdadeira "praga" de igrejas universais por aí. Conheço fiés da igreja universal que são diferentes, que são ate filhos de pastores honestos - mas confesso que são poucos.
    As pessoas não podem ficar tentando moldar todo mundo de acordo com a sua crença. de jeito nenhum.
    Como já diz o ditado clichê: Você tem seus direitos. Mas ele acaba quando começa o direito do outro.

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    1. *mas eleS acabaM - faltou a coerencia entre plurais. rs

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  3. Concordo com a Beatriz ali em cima. O grande problema é que as pessoas deturpam tudo. Jesus, por exemplo, ame ao próximo e tal, teoricamente era uma ideia legal. Afinal, nem foi o cara que escreveu a bíblia. Hoje em dia a quantidade de igrejas cristãs que pregam discursos e ódio à quaisquer minorias por aí é bizarra. Conheço muitos religiosos gente boa, e conheço muita gente de fé cega. Mas a verdade é que se a pessoa for estúpida, não é ser ateu/agnóstico que vai torná-la inteligente.

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  4. Mas menina, você disse tudo que eu penso! hahah Um dia desses, um professor evangélico deu um discurso que eu senti vontade de levantar da carteira e aplaudir, quando um colega o perguntou se sua religião poderia influenciar em seu voto. Resumindo a novela: ele se posicionou a favor tanto da legalização do aborto, quanto do casamento homossexual, pois não acredita em impor sua crença a outras pessoas. Eu espero, esperançosamente, que um dia o resto da humanidade possa enxergar religião dessa forma também. Enfim, texto maravilhoso!

    Um beijo!

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  5. olha, a questão da religião é algo tão complicado de explicar, porque a maioria das pessoas prefere deixar a razão de lado e ignorar fatos importantes (aborto, e etc). e claro, sempre tem algum fanático que tenta te empurrar pra alguma religião. eu acredito que as pessoas devem ser livres para decidirem se creem em algo ou não.

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  6. Que assunto delicado, e putz, a galera falou tudo nesses comentários rs Eu particularmente não tenho crença alguma, vejo a religião e Deus como um pé de coelho, sabe? Mas acho bonito quem acredita (sem exageros e sou totalmente contra religião) em algo maior, as vezes até invejo, mas sou muito livre de influências para conseguir acreditar em algo assim.

    Bom, é mais ou menos isto rs, como eu disse, os comentários assim são diversos e complementam muito do que eu poderia falar, mas foi um belo trabalho e um belo post.


    Isso aí!
    xoxoxo

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