Você pode (e DEVE) dizer não.

Por
Sandra Muñoz


Sou feminista. Nos últimos meses, a frase ao lado foi responsável por diversas reações dentro e fora da internet. Mesmo me identificando como tal e fazendo do movimento algo extremamente presente em todos os aspectos da minha vida, sempre tomei cuidado para não negar voz a outras garotas, aproveitando a internet para compartilhar ideias que apoio e raramente disseminando as minhas que seriam basicamente as mesmas das minhas amigas.

Nos últimos dias, acompanhamos o caso da apresentadora Ana Hickmann, atacada dentro de um hotel onde estava hospedada por um homem, tarjado como fã obsessivo e por diversas vezes comparado a outros casos de fãs que atacaram seus ídolos. Ao contrário do que se espalhou pela mídia, não consigo vê-lo como um fã obsessivo, vejo como um homem ruim. Um homem que todos os dias cruza com alguma mulher nas ruas, um homem que não aceita quando você diz que não quer mais ter um relacionamento com ele, um homem que você nunca sequer teve algo e mesmo assim se sente no direito de cometer pequenos (ou grandes) abusos contra você. Aquele homem, por vontade própria, quase assassinou alguém que dizia amar. Todos os dias, um homem diz amar uma mulher como desculpa para controla-la, persegui-la, agredi-la física ou verbalmente. Todos os dias, em todos os lugares, alguma mulher sabe exatamente o que a apresentadora em questão sentiu.


A discussão que deveria ser atual, possui pauta longa no nosso movimento: a cultura do estupro no Brasil, e no mundo. Resumidamente, quando abusos sexuais contra mulheres tornam-se normais dentro da sociedade e consequentemente aumentam os números de casos, usamos o termo. Creio não existir nenhuma necessidade de dizer o quanto o ocorrido no Rio de Janeiro se encaixa aqui. Nos comportamentos relacionados a cultura do estupro encontramos:

  • Culpabilização da vítima.  
  • Sexualização da mulher como objeto.
  • Banalização da violência contra a mulher.

O termo surgiu na década de 70, com feministas que lutavam justamente pela conscientização de todos a respeito do tema. Se você tiver acesso a qualquer meio de comunicação, tenho certeza que reconhecerá em cada um deles, um pouco da cultura do estupro. Diante de um estupro coletivo realizado por trinta homens nenhum deles foi capaz de evitar que tal fato acontecesse, mensagens surgiram nas redes sociais em tentativas ignorantes de justificar o ato como castigo para possíveis condutas da menina, pessoas se aproveitaram da situação para disseminar textos anti feministas alegando que o movimento se contradiz por não ter evitado que o pior acontecesse e a única pergunta que permanece ecoando diante de tantas opiniões que vejo na internet é: a cultura do estupro é real para você, ou "nós" vamos continuar ignorando sua existência?


Nessa mesma semana, lidei com um caso onde um homem, até então um "bom homem", se aproximou com o único intuito de tentar algo a mais comigo. Declarações são, para mim, sempre válidas, desde que não abusivas, e eu reconheço todo esforço necessário para se ter a coragem de dizer suas intenções românticas com relação a alguém. A questão é que precisamos ter a ciência de que ao faze-la existem apenas duas possibilidades: sim e não. Se o resultado for positivo, ótimo para ambas as partes, se for negativo, ótimo também. 

Nós não somos obrigadas a corresponder aos sentimentos (ou possíveis sentimentos) de alguém. A reciprocidade pode existir, mas não deve existir. Se você, do sexo masculino, tenta algo com uma garota que no primeiro momento já descarta qualquer possibilidade maior entre vocês, o mínimo que se pode fazer é agradecer pela sinceridade e deixa-la em paz, sentimentos não são forçados a acontecer, ou se tem, ou não e a insistência é nada mais, nada menos do que um abuso. Você não respeita a vontade da mulher, não aceita que ela não tenha o mesmo interesse que você, e usa da insistência seguida da violência verbal para faze-la sentir-se mal por não te corresponder, muitas vezes tentando transformar toda a questão em um "problema psicológico" da mesma. 

Eu disse não, ele insistiu.
Eu disse não, ele ignorou.
Eu disse não, ele me atacou verbalmente.
Eu disse não, eu sou uma péssima garota.
Eu disse não, é melhor nós sermos só amigos mesmo, porque agora que você não me quis, eu percebi que também não te quero.

Eu posso dizer não.
Eu devo dizer não.
E você não pode me impedir. 

Não foi com uma apresentadora, não foi com uma garota do Rio de Janeiro, não foi comigo. Foi com todas nós.

Só acontece comigo #38 | A semana dos close errado.

Nem na semana do meu aniversário eu tenho o perdão do roteirista da minha vida e aconteceu tanta coisa que eu não vou aguentar contar um caso por post, então vou separar os dias em subtítulos nesse mesmo, que apelidei de: A SEMANA DOS CLOSE ERRADO.

Esse post foi verificado como um close errado pela Ranger Rosa.

Quarta-feira, 11 de Maio - OH HAPPY DAY WHEN TATIANE WAS BORN!


Eu saio de casa no turno da manhã e volto quando as luzes da rua já estão acesas, é bem triste e bem gratificante, triste porque eu queria ficar na minha casa assistindo séries, gratificante porque alguma coisa nessa vida eu estou fazendo direito (ou tentando fazer). E ai que nesse dia eu estava lá resolvendo exercícios porque é assim que se comemora aniversário desse lado da tela quando recebi uma ligação do meu pai informando que gostaria de me ver nessa data querida; nos vimos e ganhei uma carona até o meu local de estudos, onde a coisa começou a desandar. Fui sair do carro com as apostilas em uma mão, a mochila nas costas porém não muito, fechei a porta do veículo e tomei impulso para seguir meu rumo. 

Fui puxada de volta.
A alça da mochila ficou enroscada dentro do carro.
Meu pai não viu. 
Pensei: FODEU. 
Meu pai ligou o motor. 
Pensei: EITA. 
Me desesperei já vendo as manchetes, "Menina é arrastada por veículo do próprio pai no dia do seu aniversário. ENTENDA:" e comecei a bater loucamente na porta.
Do outro lado da rua tinha um taxista, tinha um taxista do outro lado da rua.
O taxista gargalhou.
Gargalhou bem alto.
Eu recolhi minha insignificância pra dentro do cursinho e agradeci por estar passando pela catraca pois há cinco segundos estava correndo risco de vida, não é mesmo?

Quinta-feira, 12 de Maio - Romance é romance, um lance é um lance.


Dessa vez, desprovida de carona, caminhei da biblioteca até o famoso cursinho, o que consiste em passar por uma área comercial com pessoas que não sabem andar em linha reta por todos os lados. Estava ali apenas me concentrando em andar sem tropeçar (nem sempre dá certo) quando duas mãos seguraram meus braços e falaram (a pessoa, não as mãos):

- BOA TARDE MOÇA, POSSO FALAR COM VOCÊ UM MINUTINHO?
- Eu tô atrasada. 
- O dia tem vinte e quatro horas, eu só quero um minutinho da sua atenção é por uma boa causa eu faço parte de uma associação que busca ajudar moradores de rua...

Depois disso eu não prestei atenção em mais nada, apenas concordava e acenava. 

O problema é: o cara não só não tinha soltado meus braços como também falava com o rosto muito perto do meu, e não adiantava me afastar porque o bendito voltava a colocar a respiração dele na mesma área que a minha, acabei me concentrando apenas em tomar cuidado para não ter um breve romance com aquele completo estranho e só fui voltar minha atenção para o que acontecia quando ouvi a palavra dinheiro (DINHEIRO? AONDE? QUERO!) e entendi que eu precisava comprar um livro e um CD de uma igreja cuja grana seria direcionada para a compra de mantimentos que a mesma proporciona aos acolhidos.

- É só cinco reais, moça!
- Ai moço eu não tenho dinheiro, só tenho o cartão do ônibus.
- Nenhuma moedinha, amiga?
- Eu sou estudante, estudante não tem muito dinheiro, né? Mas se eu tivesse ajudava, juro!
- Posso te pedir uma coisa então?
- Claro!
- Me dá um abraço?

Eu tinha outra opção? Até tinha, mas ele ia me segurar se eu corresse? Ia, né.
"Então você abraçou, Tatiane?", abracei.
Não só abracei como depois ouvi um "AI QUE DELICIA!".
Pelo menos tem alguém nesse mundo que demonstrou interesse pelo meu conteúdo, sabe? Achava que era só minha mãe. 

Sexta-feira, 13 de Maio - O dia daquele cujo nome não podemos citar.


Meus almoços de segunda a sexta são muito saudáveis. Você pode substituir o arroz e o feijão por pão com frios, por exemplo. Sei que faz mal e que preciso me monitorar, mas nem sempre a vida nos permite a alegria de ter uma boa alimentação então é o que dá pra fazer por enquanto. Pra completar o combo saúde comprei uma lata de Coca e fui andando até meu local de destino enquanto apreciava todos aqueles gases em meu canudinho. 

Toda cidade tem esse lugar famoso por conter muitas mulheres que prestam certos serviços, e ali estávamos eu e meu refrigerante passando pelo local em questão. Até que um homem obviamente um pouco fora de si passa por mim dizendo:

- ELA NÃO QUER ME AGARRAR!

Surge uma mulher do além:

- TÁ QUERENDO AGARRAR A PESSOA ERRADA!

Eu apenas pensei "ué?" e segui minha vida.

Seguir a vida significa entrar em outra cilada.

Passo por dois homens e escuto um sonoro:

- Hmmm me dá um gole dessa Coca ai.

 ***

Me dei a liberdade de passar esse fim de semana inteiro presa em casa pois: os close errado, eles são muitos.

Hoje eu tô só o Joey fazendo trinta anos.

Uma vez a Taylor Swift nos disse que "When you're fifteen and somebody tells you they love you, you're gonna believe them." e como se não bastasse, ainda completou dizendo que "When you're fifteen feeling like
there's nothing to figure out, well count to ten, take in this is life before you know who you're gonna be." e eu apenas concordo, sabe? Quando essa Tatiane de dezenove anos pensa na de quinze e lembra do primeiro casinho mais sério que teve na vida e de como pensou que iria morrer quando não deu certo - mesmo que já estivesse óbvio há muito tempo o quanto eu só estava sendo usada naquilo tudo - acreditei fielmente que era algo recíproco, e foi exatamente nessa época que eu me tornei a adolescente horrível que não ouvia nada do que me diziam porque queridos, vejam bem, EU SEI TUDO, EU TENHO QUINZE ANOS!!! Mais tarde, menina Taylor completou seus vinte e dois e disse que se sentia "Happy, free, confused and lonely at the same time." (me pergunto se ela foi sentir isso só aos vinte e dois ou se ela só esqueceu de falar antes mesmo, porque eu me sinto assim possivelmente desde o útero). Enquanto isso, os caras do Kings of Leon também acharam razoável falar sobre uma garota de dezessete anos que se queixa sobre tudo (estaríamos todos eternamente parados nos nossos dezessete anos? Fica ai a reflexão), mas ninguém, eu disse: NINGUÉM, pensou que existem pessoas fazendo dezenove anos todos os dias e que elas podem querer uma música pra se identificar com o momento.

É eu fiz dezenove anos.
Daqui um ano é vinte.
Dos vinte para os trinta é um piscar de olhos.
Alguém me abraça?

Não venho de uma família com o costume de comemorar aniversários, e eu realmente nunca senti falta disso, me conheço e sei que como pessoa introvertida que sou odiaria ter que receber inúmeros abraços, agradecer por presentes antes mesmo de abri-los e imaginem só aonde eu colocaria minha cara durante os parabéns? Sem falar do ritual de assoprar as velas, consigo visualizar perfeitamente o momento em que eu me desequilibraria e daria de cara com o chantilly daquele bolo de padaria comprado as pressas pois isso é o máximo que quem faz aniversário em uma quarta-feira consegue. Ano passado, por exemplo, quando cheguei mais perto de ter uma comemoração, acabei ganhando uma cotovelada no olho, e por ai vai. Não comemorar meus aniversários me salvou de muitas coisas, como vocês podem notar.

Lembro de uma vez em uma das séries do Ensino Fundamental, meu subconsciente tentava me lembrar de que havia algo muito importante acontecendo naquele momento enquanto eu me perguntava o que precisava fazer naquele dia. Era meu aniversário. Eu só lembrei quando tive que escrever a data no caderno. Já passavam das dez da manhã.

A minha maior dificuldade é me ver com dezenove e sem nenhuma noção do que vai acontecer comigo daqui pra frente, mas como pessoa que já assistiu Friends demais durante a vida e viu alguns personagens não casando, outros começando a planejar seus rumos com trinta anos, e outros que mesmo com trinta ainda não sabiam o que fazer, tento mentalizar que tudo vai dar certo e que independente da idade, sempre é muito cedo pra decidir quem se quer ser.

Fechou Abril.



Pra quem entendeu a mensagem subliminar do título: desculpa, eu tenho problemas psicológicos causados pelo uso excessivo da internet. 

Abril foi o último resquício de esperança que eu tinha, sempre tive a sensação de que o ano pode ser "iniciado" até o quarto mês, depois as coisas parecem perder um pouco o sentido e fica tudo um grande ponto de interrogação, entendem? Nem eu. 

Pela primeira vez não iria ter filme/documentário nenhum para compartilhar aqui, mas a vida, essa caixinha de surpresas, de um dia para o outro me colocou numa sala de cinema com pessoas que eu nem sequer sabia como começar a conversar e foi maravilhoso! Enquanto eu, da minha cadeira iniciava boas novas amizades, na grande tela à minha frente as pessoas não estavam tão amigáveis como deveriam; sim, estamos falando de Guerra Civil.

Capitão América: Guerra Civil.

Sou completamente suspeita para falar contra super-heróis (apesar de concordar plenamente com o fato de a representação das heroínas precisar ser mais discutida e colocada na mídia) principalmente os que fazem parte do Universo Marvel (perdão aos fãs da DC, desde já). O filme é exatamente o que se espera: muita treta, muita piada sarcástica, vários vacilos de um c e r t o s u p e r h e r ó i não disse quem, e um Homem Aranha com apenas quinze anos que me fez querer abraça-lo. No geral é um dinheiro bem gasto, que me fez pensar em algumas questões, mas vou poupa-los do textão por enquanto. Assistam!

As séries voltaram para o lugar de sempre: a geladeira. Escolhi acompanhar apenas uma, porque tempo é um luxo por aqui e quanto mais séries acumulo, mais sinto que sou incapaz. Pra lidar com todas as crises que Maio sempre me traz, abri mão de toda série nova que queria assistir e me mantive fiel a Friends.

Friends - sexta temporada.

Se não me engano essa é a quarta vez na minha vida que resolvo assistir a todas as temporadas na ordem certa ao invés de acompanhar os episódios esparramados pela programação da Warner. Como já disse no inicio do post, a vida não anda muito boa e eu preciso encontrar coisas que não me desgastem e que recompensem todas as outras. Friends é sem dúvidas algo que sempre vai fazer eu me sentir melhor diante dos problemas.




Na geladeira:


How I Met Your Mother - segunda temporada.

Travei no episódio dezessete e simplesmente não consigo mais, tentei várias vezes continuar assistindo, mas sempre pauso depois de uns três minutos e começo a fazer outras tarefas que julgo mais importantes. Sinto muito Ted Mosby, nosso relacionamento não foi o que eu esperava.

LOVE - primeira temporada.

No mês passado comentei que a série era "ok", mas já não dava certeza se iria continua-la ou não. Dito e feito: dois episódios e zero coragem de retornar.

Gilmore Girls - sétima temporada.

Amigos, que momento terrível estamos passando por aqui! Entre minhas tentativas de arrumar lacunas na rotina tive que abrir mão de coisas inesperadas e Gilmore Girls foi uma delas. Apesar de ser minha segunda série favorita (perdendo obviamente para Friends) achei melhor aguardar até as férias para termina-la, assim já assisto pelo Netflix e fico com mais esperanças para o Revival, não é mesmo?

Unbreakable Kimmy Schmidt - segunda temporada.

Mês de estreia da segunda temporada e eu já deixei a série de lado? Prazer, euzinha. A primeira temporada já tinha deixado bem claro que Kimmy seria uma série leve e desprenteciosa, mas ainda assim consegui me apegar bastante. Já na segunda temporada, assisti aos seis primeiros episódios com uma cara meio ??? e de tanto ficar ??? decidi que ???

Comecei a ler A Arte de Pedir, da Amanda Palmer, depois de ler muitos textos pela internet sobre as mudanças que esse livro causou na vida de todos. Ainda estou na metade, porque além de estar lendo em PDF (e consequentemente diminuir meu ritmo habitual de leitura) não tenho o costume de ler não-ficção. De qualquer forma é um livro ótimo, que me fez pensar em muitas coisas não-tão-certas na minha vida.

Sinto até vergonha de tentar falar sobre Lemonade, porque a Beyoncé já disse tudo, não é mesmo? Se você não é muito fã do estilo musical da cantora, recomendo que preste atenção nas letras, no mínimo. Por outro lado, meu querido James Bay lançou um clipe de Let It Go, mesmo a música já possuindo um primeiro clipe (James, por quê?). No mesmo o mocinho aparece bem revoltado, quebrando coisas, gritando, sofrendo, mas sem nunca perder a classe, é claro. 

As leituras na internet se resumiram a Newsletters e ironicamente as que eu mais gostei de ler não estão disponíveis nos arquivos, mas recomendo que assinem a No Recreio, da Anna; Amy's House, da Mayra e Meu coração é um Nervo Exposto, da Odhara. O tema da Revista Pólen foi "Mulheres e suas histórias" e como esperado, muitas coisas boas aconteceram: esse texto da Rovena sobre a Malala, essa pessoa que sempre faz meu coração transbordar. A Amanda fez esse texto sobre personagens femininas que nos ajudam a crescer mais seguras de quem somos e do que queremos. A Priscilla e a Rovena me fizeram sofrer com esse texto sobre as mulheres de Star Wars e por fim, me identifiquei muito com esse texto da Marina, sobre ser uma pessoa tímida e encontrar na escrita uma forma de dizer tudo o que fica parado aqui dentro.

As chances de a edição de Maio ser horrível são muito altas, então aproveitem essa (não digam que não avisei!). Contem o que vocês têm feito, é sempre ótimo ver a mágica da troca acontecer nos comentários. Até breve!