I was doing fine without ya, 'til I saw your face, now I can't erase it.



21/09/2016

Eram muitas pessoas, indo e vindo. Um homem havia acabado de tentar me parar para falar do produto que precisava vender e eu estava assustada com o barulho que minha garrafa d'água fez quando ele encostou seu braço em minha mochila. Continuei caminhando, na mesma direção de todos os dias, e te vi.

Fugi.

Atravessei fora da faixa, abaixei a cabeça, meu coração acelerado, a respiração falhando e as pernas bambas. Dez da noite e o que aconteceu às duas da tarde ainda faz com que eu queira te perguntar o por quê.

Eu nunca vou esquecer a música que tocava no aleatório.

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30/09/2016

Eu tinha escrito outras coisas antes do dia 21, mas hoje, quando entrei aqui, decidi apagá-las. Como sempre, prefiro anular alguns sentimentos ao invés de deixar que isso se torne mais difícil do já tem sido.

Não te culpo, sabe? Sei que no texto anterior pareceu que sim, mas não te culpo mesmo, afinal, se deu errado, foi graças a nós dois. 50% da culpa é minha, 50% é sua. Se eu comecei a reparar em você foi porque quis, se eu comecei a tentar me aproximar foi inteiramente porque senti vontade, e se não deu certo, só me cabe aceitar que nem sempre posso ter o controle de tudo.

Eu já me desculpei com você pela timidez, apesar de achar que não deveria, já que esse é meu jeito, mas eu me desculpo pra quem sabe transformar a culpa em esperança. Eu sei que disse que não ia usar mais vírgulas, mas é inevitável não pensar nisso, então aprendi a controlar meus impulsos de continuar insistindo, mas por favor, não me peça pra controlar o que penso nem o que escrevo, pois só assim vou conseguir compreender de pouco em pouco tudo o que se aloja aqui dentro.

Eu quis muito, por mais que o autocontrole tenha escondido ao máximo. E eu ouvi tudo o que seus amigos disseram e tudo o que você disse. E eu vi todos os seus olhares. Lembro da vez em que você saia da sala e eu entrava. Da vez em que eu estava no ônibus e você na calçada. Da vez que estávamos nós dois na calçada. Da vez em que cheguei e você estava sentado olhando. Da vez em que apontou para os triângulos no meu moletom e perguntou algo ao seu amigo. Da vez que sai da sala e você ficou, com seu amigo dizendo "Olha seu amor indo embora!" e se te conforta saber, de tanto ele fazer pequenos comentários quando eu passava comecei a reparar mais. Da vez que me seguiu até o ponto porque queria se aproximar. Do feriado que seu outro amigo perguntou "É essa?" enquanto eu entrava no ônibus e sim, eu vi você me encarando enquanto o ônibus não dava partida. De todas as encaradas, de todas as tentativas de dizer algo que nunca deram em nada. De como eu estava nervosa quando te chamei pra conversar pela primeira vez. De como eu achei que tinha feito algo de errado e por isso nunca mais fui atrás, até o dia que você me chamou e terminou tudo dizendo que tinha gostado de conversar comigo e eu pensei "SÉRIO? COMIGO? POR QUÊ?", de como eu fico nervosa cada vez que você passa ao meu lado e de como eu pensei em te entregar meu cachecol no dia frio em que você estava encolhido no ponto de ônibus, mas achei que seria brega demais. Lembro de como tentei, e de como você tentou, e de como não deu.


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15/10/2016


Você estragou tudo. Eu não pensava mais nisso, não assimilava as letras das músicas a ninguém e não chorava com filmes românticos. Quando eu soube da sua existência nem notei no que tudo isso daria, nem reparei que com aquela informação em mãos eu poderia desenrolar novos acontecimentos que me levariam para dois extremos: um bom e outro ruim.

Eu sei que se hoje estou aqui um pouco "alta" escrevendo sobre tudo o que não foi (mas deveria, considerando o quanto eu quis que sim), pensando se devo ou não te chamar mesmo depois de dois meses sem trocar nenhuma sílaba com você e me sentindo ridícula por não ter tido coragem de dizer tudo o que eu sentia em tão pouco tempo só significa uma coisa: mesmo que eu negue, mesmo que eu fuja, mesmo que eu faça o possível e o impossível pra não te olhar enquanto você passa só há um motivo para o meu coração bater tão rápido quando te vejo tão presente, tão inteiro, mas ao mesmo tempo tão inalcançável. 

Não quero dizer isso em voz alta, não quero reconhecer que o único motivo pelo qual eu não me permito é o medo, o medo de ser o mesmo do que meus amores antigos, o medo de saber que fazia muito tempo que eu não me sentia tão nervosa por ver alguém e que isso só significa uma coisa que eu não posso dizer, não posso me ouvir falar isso, não posso sentir isso por alguém com quem eu não consigo nem manter uma conversa pessoalmente de tanto nervoso.

Eu só queria ser corajosa o suficiente pra dizer, e pra tomar atitudes como ter te emprestado meu cachecol no dia em que eu quis fazer isso, e ter pedido seu número e ter te chamado pra fazer qualquer coisa comigo e dentro desse qualquer coisa estão todas as coisas que eu já pensei em fazer com você.

No mês passado, quando fiquei "alta" pela primeira vez, foi sobre você que falei naquela mesa de bar, foi aquele desabafo entre xingos que há tanto eu precisava soltar, mas que no fundo, no fundo, não dizia nada sobre as suas atitudes e sim sobre as minhas. 

Eu sempre vou me cobrar por não ter tido a coragem, de ter ido até você mas nunca o suficiente, de ter tentado, tentado, tentado e continuado no mesmo lugar. Eu sempre vou me cobrar por deixar tudo isso sair só quando você não está pra saber.

Não foi você quem estragou tudo, fui eu.

Bolhas.



Todos vivemos em uma, e todas elas de alguma forma servem para nos proteger de problemas externos. Você provavelmente já ouviu aquela frase sobre muita proteção acabar atrapalhando tudo, certo? Com as bolhas não é muito diferente. Uma hora ela vai estourar e o único a cair de cara no chão será você.

Sei que é ruim precisar aceitar que vivemos em um mundo onde graças ao poder, atitudes ruins são mais valorizadas em nome dele, mas quando foi que todos passaram a acreditar que isso havia mudado? Da mesma forma que existem pessoas lutando pelo bem, existem outras vendo a luta como um péssimo ato, e é assim desde que se tem notícia de vida humana na Terra. Não quero convencer ninguém a pensar como eu, defendo muito a ideia de que cada um deve criar sua própria linha de raciocínio e acreditar no que for melhor para si, mas quando esse pensamento ignora acontecimentos óbvios e te dá um tapa na cara por notar que o mundo não mudou em nada, é sinal de que algo de errado tem. 

Hoje, você vive na fantasia ou na realidade? A sua bolha te protege, ou te afeta por não ter notado com antecedência o tamanho da onda que estava vindo enquanto todo mundo tirava suas cadeiras da beira da praia e você os julgava crendo que o bem sempre vence? As pessoas são mesmo sempre boas? Você tem certeza que não existem momentos em que todos precisamos fazer algo ruim e que isso não nos transforma em vilões, mas sim humanos, com acertos e erros? Por que você se assusta tanto com coisas que sempre estiveram em baixo do seu nariz, e principalmente, por que as ignora?

Trago as perguntas e espero que vocês consigam encontrar as respostas.