Só acontece comigo #57



O ser humano é o único animal racional, e isso, junto à sua capacidade de comunicação com o outro da mesma espécie por meio da fala, é magnífico. Tal união nos permitiu registrar anos e anos de vida na Terra por meio das palavras, e uma das características delas que mais gosto é a chance de transformar algo em uma hipótese. Por exemplo, se eu começo um post dizendo que somos seres racionais com capacidade de comunicação através da fala, surge a possibilidade de a linha de raciocínio lógico em conjunto com o diálogo ser um grande fator para mudanças positivas, não é? Tudo muito bonito, tudo muito ótimo.

Exceto pelos bons momentos em que a racionalidade falha e o ser humano BOSTEJA pela boca. 

"Lá vai ela falar mal de alguém", vocês pensam. Não queridos, eu vou compartilhar as minhas próprias BOSTEJADAS aqui, porque se não fosse pra denegrir minha imagem não teria criado um blog. 

Era uma bela tarde, com luzes claras, ar-condicionado e café. Muito café. Quando você convive por mais de 8 horas com determinadas pessoas diariamente, sendo algumas dessas pessoas seus professores, acaba esquecendo que ali, na sala de aula, com relação a quem está te ensinando, por mais que as piadinhas existam e que todos os nomes sejam citados como uma forma de demonstrar intimidade, o ambiente é mais profissional que pessoal.

Quando o ser humano esquece desse pequeno detalhe o que acontece? Bosta né amigos.

Determinada professora costuma ser bem aberta em sala de aula -- Amanda Palmer adoraria conhecê-la, um exemplo de vulnerabilidade -- e estava, pela quarta semana seguida, nos contando os detalhes sobre um professor da escola em que ela leciona. Professor cujos interesses são mais que profissionais, professor que deixa presentinhos escondidos no armário dela todo dia de trabalho, professor que, além da sua parte educadora, possui uma parte apaixonada. 

Era semana santa.

Eu vejo muitos memes.

E eis que a bostejada criou vida.

- Ah gente, mas nem quero nada com ele, só é bom ser paparicada mesmo.
- Fala pra ele que a semana é santa, mas você não.

(Mais de 10 risadas ao fundo e apenas uma pessoa vermelha por não ter pensado antes de falar: eu mesma).

PUES NO SOY IGUAL, PERO SANTA NUNCA FUI.

Ensaio sobre o TAG.



O choro continua entalado, a sensação de fracasso é crescente e o aperto no peito, que dificulta minha respiração, ainda não cessou completamente. 

Me olho no espelho.

Sou o reflexo do que resta depois de uma crise de ansiedade.

Quando tentei - no passado, porque hoje assumo isso como algo que me pertence como completo, e que os outros não precisam entender como se dá - explicar a outras pessoas como me sentia quando um pico se manifestava, sempre ouvi coisas parecidas com "Eu também tenho! Mas porque você estava ansiosa?" e é sempre nesse ponto que descubro que aquela pessoa não tem ansiedade e sim se sente ansiosa, como quando precisamos nos apresentar na frente de muitas pessoas e um calafrio percorre a espinha, para logo em seguida passar. Quando se tem a ansiedade os pensamentos ficam cada vez mais acelerados e de repente já não se sabe mais o que é ou não um raciocínio completo. As pontadas no peito ficam fortes, fortes, fortes e alguém invisível com uma força notoriamente grande parece apertar seu coração com a intenção de transformá-lo em farelos. É quando a respiração falha e você sabe que precisa fazer algo: gritar, chorar, pedir ajudar, beber um copo d'água, contar quantos azulejos a parede têm, mas na maioria das vezes acaba apenas ali, perdida entre o que foi e o que poderá ser, mas nunca no que de fato é. E quando você procura em algum lugar o motivo para aquilo ter acontecido a resposta costuma ser muitas vezes a mesma: nenhum.

O meu dia nem sempre tem 24 horas.

Às vezes uma crise acaba com ele antes mesmo do café da manhã. Antes mesmo de eu conseguir me olhar no espelho e perceber que não é mais o meu reflexo que está ali.

É a ansiedade.