Meu lugar.

Há lugares que nunca mais voltam a ser os mesmos. Um simples momento vivido ali pode torná-lo uma lembrança contínua do passado. Bastam cinco minutos para que sua mente torne uma árvore, uma rua, um banco algo extremamente sentimental. E quão fácil é se perder entre lembranças e sentimentos?

Perder-se. Não se resume apenas em desconhecer o local em que se está e ter de se guiar por um mapa, GPS, ou pedir informação a estranhos. Há maneiras piores de se perder, como por exemplo: perder-se em determinada pessoa.

É tudo uma questão de cautela, antes de conhecer uma pessoa tento colocar uma placa imaginária nela com os dizeres "Cuidado, não se aproxime", mas há pelo menos uma pessoa no mundo todo em que eu mesma ignoro a placa que crio, e ela foi essa pessoa, desrespeitei os limites e me perdi nela. E quando se está perdido, qualquer passo a mais pode te levar ao abismo.

Como diz aquela música: "No abismo que é pensar e sentir". Eu estava nesse abismo, e cair não parecia ser tão ruim, porque lá embaixo eu te encontraria e não cairia no chão. Mas eu me esqueci do principal, não me deixar perder. E me perdi. Caminhei cada vez mais até não sentir o chão abaixo de meus pés. Era o abismo. Eu caia em queda livre. Entregava-me cada segundo mais. E me enganei. Não havia ninguém me esperando no fim da queda, dei de cara com a terra. E o impacto foi grande, seus hematomas não estão mais aqui, mas as cicatrizes ficaram.

Cada vez que passo naquela rua, naquele beco, naquele parque, tenho a impressão de que a cicatriz se abre e volta a ser ferida. A dor retorna e eu me perco outra vez. Mas dessa vez não caminho em direção ao abismo. Não há mais por onde andar. Não há mais como cair. São só lembranças. São sentimentos que teimam em aparecer nos momentos mais inusitados.

Aquele é o meu lugar. O lugar em que eu sempre me verei, em que sempre verei você e seus sorrisos. Aquela sua mania de sorrir e olhar pra baixo. Aquela sua mania de encostar o nariz no meu e ficar de olhos fechados. Tudo sempre vai estar lá. Eu sempre vou estar lá. E você? Você está em algum outro lugar.

Comentários

  1. Gostei do texto. Adoro uma fossa, faz a gente produzir esse tipo de coisa linda e por isso eu confesso que eu gosto de uma dor de cotovelo às vezes, e já estive nesse "abismo" muitas vezes, relembrando lugares, praças, pessoas, cheiros...
    Sorte que isso passa e vc logo estará de volta à superfície :)
    Beijos!
    http://www.canseidesernerd.com

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  2. Que triste, Tati! Sinto que você esteja passando pro essa situação, mas acho que todo mundo um dia já passou ou vai passar por isso. É triste, é desesperador, mas, graças a Deus, passa. E pode parecer bem clichê, porque é mesmo (mas eu adoro clichês), o tempo cura tudo, então daqui a pouco, se você ocupar sua cabeça, sair, for se divertir, vai passar. A gente vale muito pra sofrer por alguém que não dá a mínima pra gente, então se arrume, coloca um sorriso no rosto e vá viver.
    Beijos e fica bem!

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    Respostas
    1. ô mulher!! Acabei de ver teu comentário no blog e como lá não dá pra responder, porque o tema não deixa ( preciso arrumar isso), vou responder por aqui.
      Sei exatamente pelo que você ta passando, mas uma coisa eu lhe juro: passa.
      Pode demorar uns meses; no meu caso, uns anos, mas vai passar, mesmo que devagarinho, sem sentir você já não vai mais passar por aquele lugar e sentir tudo o que você hoje sente. Claro que você vai lembrar, mas vai ser diferente. Tudo vai se ajeitar, você vai ver. Daqui a pouco você vai ta por aí leve e pronta pra outra.
      Beijosssss

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    2. Acho que no meu caso uns anos também, mas espero que lá na frente recompense tanta agonia...

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