09 fevereiro 2018

Leiturinhas: 2017|2.



Vocês estão prontos para as leituras do segundo semestre? Para ver as do primeiro, basta clicar aqui.



|Julho|

O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry.

O hype desse livro é um negócio atemporal, né? Eis que o encontrei por 5 reais em uma das máquinas de livro do metrô e decidi pegar ao invés de pagar pela minha passagem. E bom, honestamente, ainda bem que foi barato, heh. Não estou dizendo que achei ruim ou algo do tipo, mas na internet a gente já vê bastante sobre. O carinha tá lá, com a oportunidade de ficar quietinho sem interagir com gente, mas ele quer SENTIR, e ele de fato SENTE, mas eu não senti nada com a história mesmo, desculpa.

A Seleção - Kiera Cass. 

Esse foi o livro mais "parecia inofensiva, mas te dominou" que eu já li porque de fato, parecia inofensivo, mas me dominou e em pouco tempo já tinha lido a trilogia completa. Não é o melhor livro do mundo, mas a história de uma sociedade dividida em castas e que JÁ FOI os Estados Unidos, mas hoje é chamada de Illéia, muito me interessou. As castas são divididas em números, e ninguém é tão rico como a família da realeza, mas de acordo com sua profissão dá pra estar num patamar melhor. A família da principal, America Singer, é formada por artistas que se apresentam em eventos de castas maiores, o que os faz bem pobres. America tem um namorado, Aspen, cuja casta é ainda mais baixa, e por isso ambos escondem seu relacionamento -- mesmo que as duas famílias sejam pobres, casar com uma casta menor que a sua é sempre mal visto.

Da mesma forma que a atual rainha foi escolhida, agora que o príncipe Maxon possui idade, será realizado um reality show para encontrar sua nova esposa. Trinta e cinco garotos de diferentes locais de Illéia são escolhidas para competir e enquanto elas permanecem no castelo, suas famílias recebem apoio financeiro. Por esse motivo, America se candidata com a esperança de além de ajudar sua família, conseguir juntar algum dinheiro para se casar com Aspen. 

Existem sim momentos meio bobos ao longo dele, mas outros aspectos superam muito bem -- e que conto quando for falar dos dois próximos livros.

O Bem-Amado - Dias Gomes.

Peça teatral, O Bem-Amado fez parte da lista obrigatória da Unicamp, mas mesmo assim gostei muito do que li. O enredo se passa em Sucupira, litoral baiano. O prefeito, Odorico se dá conta de um erro grave em sua cidade: não há um cemitério, e toda a promessa de seus discursos pré-eleição acontece em cima da futura construção que ele fará se for eleito -- o que ocorre. 1 ano depois, o cemitério ainda não foi inaugurado por falta de um defunto que o estreie, e é a partir daí que o prefeito eleito comete exageros para que sua obra pare de ser tida como um argumento para a oposição.

Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez.

Tive um pouco de receio para lê-lo por não ter gostado do primeiro livro que peguei do Gabo -- O Amor nos Tempos do Cólera --, mas me vi acariciando a capa de Cem Anos de Solidão depois de terminá-lo e pensando que nunca mais leria algo tão maravilhoso. Foi com ele que Gabriel recebeu o prêmio Nobel de literatura em 1982 e em 2007 foi considerado pelo Congresso Internacional da Língua Espanhola a segunda obra da literatura hispânica, atrás de Dom Quixote. A história gira em torno da família Buendía, fundadores do condado de Macondo, o que em certos momentos vira uma loucura porque eles vivem muito e todas as gerações possuem os mesmos nomes dos seus antecessores -- além da maravilhosa loucura que só o realismo fantástico proporciona. Tem profecias, tem guerra civil, ditadura, revolução e até gente falando com fantasmas. Virou um dos meus livros favoritos da vida, e pretendo protegê-lo pra sempre.

Coração, Cabeça e Estômago - Camilo Castelo Branco. Resenha aqui. 

Felizmente, o Leite - Neil Gaiman. 

Um livro infantil do Neil que peguei para ler durante uma Maratona Literária. Não é bom, não é ruim, é só sobre um pai que sai pra comprar leite, esquece o bendito, volta pra casa sem ele, e inventa toda uma história para os dois filhos em que ele vai parar até na Lua e por isso o perdeu.

A Elite - Kiera Cass.

MENINAAAAAAAAA, A CONTINUAÇÃO DE A SELEÇÃO, QUE BABADO QUE FOI. Tem menina que é mandada de volta pra casa porque faz basteira, tem rebeldes atacando o castelo porque não estão contentes com o modo como a realeza age com as castas -- e ter um reality show sendo gravado durante os ataques só os tornam mais visíveis para uma população que precisa viver calada. TEM TORTURA EM PRAÇA PÚBLICA. Tem um teste parte da competição em que as meninas precisam julgar e decretar a prisão de homens que cometeram crimes -- função dada à rainha e que portanto, elas terão que realizar ao se casar com Maxon -- e a America quase morre porque sabe como é ser de uma casta baixa e precisar roubar para comer (o que no caso, foi o crime cometido). E AO MESMO TEMPO AINDA TEM CENAS BONITINHAS DE ROMANCE, ALGUÉM DESLIGA MEU CAPS LOOK.

Iracema - José de Alencar.

Li porque a Fuvest me obrigou e só consigo sentir nojo desse livro. Iracema merecia mais, e o maior erro de português foi ter entrado no Brasil, paz.



Morte Súbita - J.K Rowling.

Em vermelho porque não consegui continuar com a leitura, já era a metade do livro e nada acontecia, feijoada. Desisti. 



|Agosto|

A Escolha - Kiera Cass.

A COISA FICA FEEEEEEEEIA. Muitas meninas já foram eliminadas, America precisa decidir entre Maxon e Aspen. Os rebeldes atacam diversas vezes. COISAS ACONTECEM COM A FAMÍLIA SINGER. VÁRIAS TRETAS. E a America com certeza seria chamada de "petista" por grande parte do Facebook por defender as castas mais baixas EM REDE NACIONAL. O "fim" -- existe uma continuação chamada A Herdeira, mas que como o nome diz, fala sobre a filha de Maxon e como ela vai escolher seu futuro príncipe que eu ignorei e não me arrependo -- da trilogia chega e QUEM SERÁ QUE CASA COM O MAXON? AS CASTAS? A AMERICA? VÃO LER EM NOME DE DEUS EU NUNCA PEDI NADAAAAAAAA.

Mayombe - Pepetela. Resenha aqui.

O Espelho - Machado de Assis.

Conto que foi cobrado pela Unicamp, sei que nem todo mundo curte a obra machadiana, mas a ~lição de moral~ por trás dele vale o tempo gasto.

A Máquina do Tempo - H.G Wells.

Viagem no tempo etc um cara considerado doido etc esperava mais por ser um clássico da ficção científica etc mas se eu tivesse continuado minha vida sem nunca tê-lo lido nada teria mudado etc.

Terra Sonâmbula - Mia Couto.

Que. livro. lindo! Assim como Cem Anos de Solidão, entrou para os preferidos. Nele conhecemos o jovem Muidinga e o senhor Tuahir, que vivem juntos dentro de um ônibus abandonado na estrada durante uma Guerra Civil. Eles não possuem qualquer parentesco um com outro, mas Muidinga teve uma doença que o fez esquecer de tudo relacionado ao seu passado e Tuahir, também sozinho, o acolhe da maneira que pode. Dentro do ônibus existem alguns corpos, e um deles chama a atenção pela maleta que o acompanha, nela, um caderno se torna a salvação dos difíceis dias de guerra para Tuahir e Muidinga -- apesar da falta de memória, Muidinga continua sabendo ler, o que faz em voz alta todas as noites para distraí-los, e assim conhecem a vida do falecido Kindzu. Como dito pelo próprio Mia Couto, autor moçambicano, são metáforas para o que esse povo vive com suas guerras, o que torna tudo muito mais bonito.

Vidas Secas - Graciliano Ramos. 

Desse meu texto aqui.

"Em Vidas Secas acompanhamos a história de retirantes sertanejos que vivendo em meio a seca ficam em constante deslocamento para encontrar lugares menos afetados. Nessa família conhecemos Baleia, a cadela, Sinha Vitória, a mãe, Fabiano, o pai e os filhos, sendo um mais novo e um mais velho. Apesar da pobreza, cada personagem demonstra ter um sonho em sua vida, e todos eles são colocados para o futuro, já que o sofrimento do presente faz com que projetem dias melhores para tempos que ainda não conhecem; o de Sinha Vitória é simplesmente ter uma cama de fita de couro para dormir, o de Fabiano é ter o dom das palavras - por não ser alfabetizado, admirava pessoas que sabiam fazer uso das letras, não só da escrita, mas da pra própria comunicação falada - assim como seu filho mais velho. O ponto é: pessoas sempre vão viver em prol de algo para aguentar os problemas do presente, e esse algo sempre será projetado para dias que ainda virão pois a esperança é nada mais nada menos que isso, o que vem depois."

Harry Potter e a Ordem da Fênix - J.K Rowling.

Umbridge insuportáveeeeeeel. Ministério da Magia cada vez mais semelhante ao Temer. E BOM, A ORDEM DA FÊNIX, HEH.

|Setembro|

(É aqui que os vestibulares começam a me engolir e eu passo a ler cada vez menos.)

Dom Casmurro - Machado de Assis. 

Bentinhzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz. Todo dia um macho passando vergonha. Capitu única pessoa possível.

Minha Vida de Menina - Helena Morley. 

Livro tão fofo e ao mesmo tempo tão importante!!! É o diário de uma menina e todas as suas percepções de mundo, mas que marca profundamente o que foi viver no Brasil de 1942. Recomendo.

|Outubro|

Sobre a Escrita - Stephen King.

Achei interessante como tudo parece uma conversa com o King e uma cerveja do lado, mas creio que pequei em tê-lo escolhido como meu primeiro livro do autor. Esperei demais de algo que não tinha toda essa pretensão.

Melancia - Marian Keys. 

Por muito tempo vi a capa desse livro na biblioteca e a achei muito chamativa, mas quando li só consegui sentir raiva mesmo. Não é pra ser um livro atemporal nem nada do tipo, mas me incomodou muito a narrativa da mulher traída que faz de tudo pra mostrar pro ex-marido como está bem sem ele e que é sempre pressionada pela família. Acho que o meu nível de feminismo não me permite mais apreciar algumas coisas sem ver os erros e revirar os olhos.

|Novembro|

Poemas Negros - Jorge de Lima.

Leitura atrasada pra prova da Unicamp hehehehe. Vários poemas, alguns bons, outros que não achei nada mesmo.

|Dezembro|

As Crônica de Gelo e Fogo: A Guerra dos Tronos.

Minha história com o famoso GoT é looonga. Sempre quis ler primeiro os livros pra depois ver a série completa e nunca tive a oportunidade de lê-los. Em 2016 desisti da possibilidade e vi os três primeiros episódios, mas nem continuei. Até que no ano passado o livro chegou em minhas mãos e geeeente, GEEEEEEEENTE. A seguir prints das minhas reações durante a leitura:

(Clique para ampliar.)

Eu não aguento mais falar de livros, e vocês? Hahaha. Mas aceito ler recomendações nos comentários. Até o ano que vem com o próximo "Leiturinhas"!

Meu perfil no Skoob.

03 fevereiro 2018

Ninguém se importa awards: 2017.

Parece que foi ontem o dia em que cheguei por aqui estendendo o tapete vermelho e anunciando a primeira edição do "Ninguém se Importa awards", a única premiação de melhores do ano cujas categorias são tweets antigos do Neymar e com um total de 0 pessoas que dão importância para ela, e já estamos na edição de 2017, os filhos crescem tão rápido. QUE RUFEM OS TAMBORES!

Para ler a edição de 2016, clique aqui.

Categoria 1 | Séries que você não pode perder.

Ou pode, porque cada um tem sua vida e pode escolher ao que assistir.


Foram pouquíssimas as estreias do ano que eu realmente tive tempo de acompanhar, e delas, uma eu até queria encontrar 13 motivos para não ter sido feita (rsrsrsrs #trocadilhos), mas a que entra para o tapete vermelho dessa não solicitada premiação com direito a muitas palminhas antes do discurso é:

Atypical - Netflix.


Sam (Keir Gilchrist) é um adolescente do ensino médio que, como ficamos sabendo nos primeiros momentos do episódio piloto, quer ver peitos. "E EU COM ISSO?", você pensa. Bom, Sam é também uma pessoa que vive com Transtorno do Espectro Autista.

Apesar de o mesmo estar cada vez mais falado na mídia, ainda são poucas as pessoas que possuem convivência com quem o têm ou que entendem minimamente o que é o Espectro, sendo um dos pontos principais -- e positivos -- da série a informação sobre o transtorno e por meio dos erros cometidos pelos próprios personagens, a orientação para confortar e o que fazer diante de situações parecidas.  

O que poderia ser só mais uma série sobre problemas adolescentes e bullyng na escola se abre em um leque amplo, com um papel de conscientização importante e diversos pontos diferentes para se enxergar a questão: a mãe que nunca conseguiu viver a própria vida ou cuidar da outra filha com tanto afinco como cuidou de Sam; o pai que sempre se sentiu por fora da criação do filho e tenta de pouco em pouco reverter o problema; a irmã não-tão-carinhosa, mas que compreende o máximo possível o irmão e suas limitações ajudando-o em tudo que consegue, e por fim, o próprio Sam, podendo dar ao público uma visão mais empática sobre como é enxergar o mundo por esse outro lado e sentir constantemente que as outras pessoas não estão vendo o mesmo que você -- e consequentemente, achar que o erro está do seu lado, quando não há uma posição para se tomar nisso. 

É uma série curta, com apenas oito episódios, e já renovada para a segunda temporada, que mesmo leve consegue ser didática, e une momentos de conforto com alguns de muita vontade de abraçar o travesseiro mais próximo. 


Categoria 2 | Não é Raça Negra, mas serve.


Na edição anterior comentei sobre o quanto o Spotify me auxiliou para descobrir novas bandas/cantores e consequentemente, transformou meu 2016 em um ano extremamente musical. 2017, por outro lado, deixou a desejar, porque se teve algo que não fiz -- e assumo a culpa inteiramente --, foi ouvir música.

Porém, enquanto Neymar dormia ouvindo Raça Negra, eu pegava metrô ouvindo Harry Styles pois sou directioner.

(Para ouvir os álbuns, basta clicar nos nomes.)

Harry Styles - Harry Styles. (EU REALMENTE ADOREI ESCREVER ISSO.)


O álbum que estreou a carreira solo de Harry, e porque não Styles, lançado pela Columbia Records trouxe ao público sons diferentes dos que o mesmo cantava em sua antiga boy band. Não sou nenhuma grande entendedora da música, e me sinto meio farsante tentando falar qualquer coisa sobre o CD que não seja BOM DEMAIS RAPAZ. Então é isso, gostei sim, aprovadíssimo, queria muito fazer uns cafunés na cabeleira do menino. Melhores músicas: Meet me in te Halway, Sign of the Times, Carolina, Sweet Creature, Only Angel, Kiwi e From the Dining Table.


Ao contrário de Harry Styles, o líder da banda nacional O Terno, Tim Bernardes, não precisou encerrar nenhum outro projeto para lançar seu trabalho solo. Acho a união da voz do Tim com o instrumental muito bonita, e suas letras sobre o sentir, os momentos em que tudo acaba -- se é que acaba -- e um leve tapinha sobre os tempos atuais em que tanto faz, como diz o nome da própria música, só colaboram para que as músicas sejam muito mais que o esperado. Melhores músicas: Quis Mudar, Tanto Faz, Pouco a Pouco, Não e Recomeçar. 


Também nacional, Scalene arrisca inovações em Magnetite. Apesar das inovações, uma das coisas que a banda continua trazendo e que eu particularmente gosto muito, desde os trabalhos passados, são as letras que se arriscam a dizer o necessário sobre a atualidade -- assim como fez Tim Bernardes. Melhores músicas: Cartão Postal, Distopia, Fragmento, Heteronomia e Phi.

Categoria 3 | Filmes para ver com a rapaziada.

Logan.

Nada para dizer além de QUEM DIRIA QUE EU IRIA CONSEGUIR GOSTAR TANTO DO WOLVERINE POR CAUSA DE UM ÚNICO FILME. E a Laura, ela merece todo amor do mundo.



Mulher-Maravilha.


FILME DE HEROÍNA, FILME DE HEROÍNA, FILME DE HEROÍNA, FILME DE HEROÍNA, FILME DE HEROÍNA, EU JÁ DISSE FILME DE HEROÍNA? É sobre finalmente se sentir parte desse mundo em que só homens pareciam poder estar, sobre sentir que você também pode e sobre como as vulnerabilidades não são ruins porque em todo o roteiro Diana era isso: vulnerável, e ainda assim, a Mulher-Maravilha. 

Extraordinário.


Num ano em que nada além do estresse foi capaz de me fazer chorar, a estreia de Extraordinário foi o cubo de gelo que faltava para o copo transbordar. Esqueci de comentar isso sobre Logan ali em cima, mas é engraçado notar que o que une meus três filmes preferidos do ano é a vulnerabilidade; em Logan, por ele se permitir conhecer Laura e confiar no que ela tem a dizer, em Mulher-Maravilha por ela se mostrar transparente com o que sente mesmo quando as situações podiam a impedir, e em Extraordinário porque como diz o próprio nome: cada um de nós é extraordinário, com direito ao pacote completo cheio de todas aquelas coisas que em um primeiro olhar não são boas. 

A hora de enrolar o tapete e deixá-lo guardado para o ano que vem enfim chegou. Me conta nos comentários quais foram os seus melhores do ano? Vou adorar saber!
© Limonada.
Maira Gall