Eu, escritora. | BEDA #10

Não nasci em uma família leitora, muito menos com tendências para a escrita. Foi natural, intrínseco a minha personalidade. Até os 10 anos foram os diários, que infelizmente joguei fora, mas ainda lembro de um deles, um caderno brochura médio de capa vermelha, em que muito feliz contei para absolutamente ninguém que tinha passado minha roupa pela primeira vez sem minha mãe saber. A roupa que passei era uma meia. 

Apesar das constantes descrições dos meus dias na infância em cadernos espalhados pela casa, a primeira vez que senti como a escrita me fazia bem e o que eu podia fazer com ela foi em uma tarde da quinta série, durante uma aula de Português com uma professora substituta, que passou como tarefa a produção de um texto, podendo ser ficcional ou não, que envolvesse um tema de sustentabilidade. Lembro de ficar desesperada nos primeiros minutos por ver toda a minha sala escrevendo e eu ali, sem nenhuma ideia, até que olhando pra um ponto fixo na mesa a ideia veio e duas páginas foram tomadas com uma história em que o planeta estava em colapso ambiental e um grupo de crianças conseguia salvá-lo. A professora perguntou se por acaso aquilo tinha sido copiado de algum livro, e eu, que na época só tinha lido alguns do Monteiro Lobato e outro chamado As Aventuras de Floribella, respondi muito encabulada que não, a ideia era toda minha. Tenho as duas folhas guardadas até hoje.

Na sexta série, uma professora também de Português, passou a estimular mais a leitura dentro da sala, foi quando li A Droga da Obediência e tive a certeza de que as palavras precisavam fazer mais parte da minha vida. Naquele mesmo ano, um trabalho em grupo tinha como proposta escrever um livro. Com duas colegas de sala, dei vida a minha segunda ficção. Foram mais de 5 folhas de caderno, e uma mãe que precisou digitar tudo reclamando que minha história parecia que nunca ia ter fim. O livro final não ficou comigo, mas minha história impressa continua guardada.

Aos 13 anos descobri as fanfics. Me encantei por esse mundo paralelo virtual e comecei a escrever a minha própria em um caderno, mais tarde passei a digitá-la em um blog, que com o passar do tempo esqueci a senha de login mas vira e mexe ainda visito pra me sentir nostálgica. Ao todo, foram 11 fanfics escritas distribuídas em 5 blogs diferentes.

Logo após o fim do meu blog de fics mais recente, comecei o antigo Novembro Inconstante. Puxando nos arquivos, tenho 202 (com esse, 203) posts aqui publicados. Continuei escrevendo no Trupica, Mas Não Cai, no Wattpad, em um blog privado que uso mais para desabafos, e até no Valkírias já apareci. O antigo costume de fazer diários voltou quando decidi no ano passado, manter um Bullet Journal, e agora, quando olho pra cada letra digitada ou escrita em caligrafia ruim, percebo que sou sim, uma escritora.

Escrever não é sobre ter livros publicados, reconhecidos e premiados. É simplesmente sobre permitir. Deixar que tudo o que já foi, que é e até mesmo aquilo que pode vir a ser, se torne um conjunto de palavras que dizem muito mais do que eu seria capaz de falar em uma conversa pessoalmente. Ser escritora é nada mais que uma consequência da escrita. E eu escrevo.

Escrevo quando a felicidade é grande a ponto de não saber me expressar; quando a vida parece estar um pouco fora do lugar é a escrita que torna tudo mais leve e muitas vezes consegue até mesmo me trazer soluções. Escrevo quando preciso ser. E escrevendo sou.



Comentários

  1. Olha, eu tô até um pouco perdida no que comentar, porque esse texto podia ter sido escrito por mim (exceto pela parte da família, minha mãe sempre leu muito; e a escrita ótima que você tem ♥).
    Eu gosto de escrever porque sinto que faz parte de mim e que me ajuda a me entender melhor.
    Meu maior arrependimento é não ter guardado os textos e historinhas da escola. Queimei todos os meus diários da infância (me arrependo e, ao mesmo tempo, não) e perdi vários arquivos de produção de texto :(
    (e esses gifs da Demi na Fanfic? ♥♥♥♥♥ e eu estou rindo porque você passou a meia #desculpa)

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  2. Também comecei a escrever fanfics com 13 anos! É mágico começar a escrever esse tipo de literatura tão jovem

    Com amor,
    <3 bruna-morgan.blogspot.com <3

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  3. escrever é umas melhoras coisas que exitem, as palavras se não são postas pra fora te sufocam, li uma vez, e as vezes não temos ninguém pra nos ouvir, então a única saída é transmitir esse sentimentos em palavras o que pra mim é bem mais fácil.

    Blog Entre Ver e Viver

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  4. ESSE POST, TATI <3 a identificacao que sinto sempre que alguém fala sobre esses feelings que as palavras provocam em nós é tão gostosa, me sinto representada 100%. Eu amo demais o fato de vc ter tido essa experiência no mundo das fics HAHAHAHAH e me entender nesse universo doido. Ainda bem que a gente escreve e pode ser <3 <3

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