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5 motivos para ler Os Sete Maridos de Evelyn Hugo


Se te perguntassem qual o melhor livro de todos os tempos, você saberia responder? A mybest Brasil, um site de recomendações de produtos e serviços onde é possível encontrar guias de compra completos preparados com a ajuda de especialistas, rankings e indicações dos produtos favoritos de influenciadores de diferentes áreas, convidou eu e mais 29 produtores de conteúdo literário para responder essa questão, e em menos de cinco minutos, eu já sabia a minha resposta: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, da autora Taylor Jenkins Reid. Quer saber o por quê? No post oficial da mybest Brasil, eu explico o porquê! Clique aqui para ler o artigo.

Ainda não se convenceu? Então senta aí que eu vou te dar mais 5 motivos para ler o livro que já foi confirmado como novo filme da Netflix.

1. Representatividade LGBTQIA+: em uma época em que as relações homoafetivas enfrentavam ainda mais preconceitos, Reid mostra através de seus personagens que o amor não tem relação com valores morais empregados por ideais diferentes.

2. Personagens complexos: mesmo aqueles que aparecem brevemente na história possuem aprofundamentos maiores (alguns ganharam até um outro livro para falar mais deles).

3. Discussões sobre o patriarcado: pode parecer um assunto muito teórico, e até difícil, quando falado assim, mas Evelyn Hugo discute mais de uma vez a respeito da sociedade machista em que ainda vivemos e como ela modifica as vidas das mulheres, mesmo quando consideradas "fortes" (já percebeu como as ditas mulheres fortes são sempre aquelas com quem ninguém nunca está satisfeito?).

4. Ambientação rica: ao se passar em Hollywood, Os Sete Maridos de Evelyn Hugo não deixa a desejar e nos mostra muitos detalhes do condado do entretenimento, com descrições de gravações de filmes, festas, entrevistas e momentos íntimos.

5. Final imprevisível: por mais que com o avanço da leitura possa parecer que sabemos para onde a autora está nos levando, os momentos finais de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo são realmente surpreendentes (eu nunca imaginei aquele plot final!).

Não é por acaso que o livro já tem adaptação garantida  e que Evelyn Hugo deu vida a personagens que reaparecem em Daisy Jones & The Six e Malibu Renasce. Por aqui, foi uma leitura 5 estrelas e favoritada.

As Brumas de Avalon | Rata de Biblioteca

As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, é uma série de livros publicada pela primeira vez em 1982, com a obra introdutória nomeada de A Senhora da Magia. Nela, conhecemos os personagens por trás do planejamento e execução da futura ascensão do Rei Arthur, com foco principal nas mulheres das lendas arturianas, como, por exemplo, a conhecida Morgana, retratada comumente como uma bruxa infeliz com o reinado de Arthur, mas que nas mãos de Marion ganha desenvolvimento próprio, sendo uma mulher destinada à Ilha de Avalon. Além de Morgana, conhecemos mais a fundo quem são Igraine, Gorlois, Viviane, e Morgause. 


Viviane, a Senhora do Lago e sacerdotisa de Avalon, é uma poderosa mulher capaz de prever e ajustar, através de seus atos mágicos, o destino da Ilha, que sofre com a ascensão do cristianismo ao seu redor, ameaçando sua existência e a perpetuação de suas crenças. É ela, ao lado de Gorlois, quem prevê o nascimento de Arthur e as consequências deste, fazendo o possível para que sua irmã o tenha e o entregue para cuidados longe do reinado, até sua idade certa para governar, momento que até o final do primeiro livro, é planejado e ponderado. 


É digno de nota a construção de cada personagem, retratadas como mulheres de muita força, mas ao mesmo tempo, de uma forma que não retira tal característica delas em momento algum, sensíveis e cientes de como a sociedade cristã as vê e tudo o que isso implica para suas vidas. Mesmo em seu primeiro livro, As Brumas de Avalon dá às personagens tons profundos e pouco falados em outras obras, mais focadas nos homens das lendas. 


:・゚✧*:・゚✧ POR QUE LER MAIS UM LIVRO SOBRE as lendas arturianas? *:・゚✧*:・゚

Como dito anteriormente, As Brumas de Avalon se difere ao retratar mais profundamente quem são as mulheres envolvidas na ascensão do Rei Arthur e o que as envolve, tornando-se, dessa forma, oposto a outras obras sobre as lendas. 


*:・゚✧*:・゚✧ POR QUE NÃO LER "as brumas de avalon: a senhora da magia"? *:・゚✧*:・゚✧

Se sua preocupação é não ter tido contato prévio com as lendas de Arthur, o mesmo não se faz necessário para leitura do livro. Eu mesma o li sem ter tido nenhum tipo de contato anterior, além do conhecimento prévio de quem era Arthur. No entanto, se você não estiver disposto/não gostar muito de fantasias medievais, talvez a leitura não seja para você.


Pra quem é dos filmes: o livro possui um filme homônimo, de 2001, que na época, foi exibido pela TNT na televisão como uma minissérie. Se assistido como longa, sua duração chega a três horas. 
Pra quem é da Netflix: Cursed, A Lenda do Lago, série lançada pelo serviço de streaming em 2020, pode ser uma boa para quem gostar do universo arturiano e quiser se aventurar mais por ele. 
Pra quem é dos livros: a série em questão, Cursed, é baseada em um livro homônimo. 
Pra quem é dos textos: no Querido Clássico, explorei um pouco mais a questão da relação entre o cristianismo e o paganismo, e como o patriarcado coexistente aos ideais cristãos silenciou as mulheres da Ilha de Avalon. 


Em um quote: 

“[…] pelo pensamento criamos o mundo que nos cerca, novo a cada dia.”


A Menina Que Roubava Livros | Rata de Biblioteca.


A Menina que Roubava Livros, do autor Markus Suzak, é narrado em terceira pessoa, não pela menina, nem por alguém que rouba livros, mas pela Morte, com M maiúsculo mesmo. Vivendo na Alemanha nazista, a pequena Liesel Meminger se depara sem saber com a narradora constantemente, e o contraste dado a cada detalhe da escrita se torna ainda mais vivo ao ser contado por quem só conhece -- literalmente -- como é o fim da vida, nunca o inicio. Além disso, a Morte só descobre uma maneira de "ser vida" quando encontra Liesel três vezes, em diferentes momentos, e em todos eles, não a leva consigo. A partir dessas três coincidências, a Ceifadora de Almas passa a dizer como se sente precisando levar tantas pessoas em tão pouco tempo, e suas observações sobre o fascismo e suas formas de domínio são mais conscientes do quaisquer opiniões expressadas pelos adultos da obra: é a Morte quem nos fala das cores do céu em um mundo transformado em cinzas pelos seres humanos. Como uma piada irônica, Liesel carrega consigo para cima e para baixo, como lembrança de um dos seus encontros com a Morte, o livro O Manual do Coveiro. 


Mais tarde, ainda aprendendo a ler, é justamente no que os nazistas proibiam e queimavam que Liesel encontra uma forma de se manter em meio a guerra. Frequentando casas de autoridades, a garota rouba livros que acha bonitos, e quando em frente às famosas fogueiras alimentadas por obras literárias, se arrisca salvando aquelas que não foram completamente tomadas pelas chamas. 


Em algumas entrevistas, o autor revelou que um de seus principais motivos para escolher a Alemanha nazista como local de construção do enredo tem relação com sua própria infância, momento em que era ouvinte das vivência de seus pais em um dos momentos mais críticos da história mundial. Muito provavelmente é por tal razão que Suzak inova ao dar espaço em seu livro não para os alemães nazistas ou que forçadamente precisaram trabalhar compactuando com tamanho ódio infundado, mas para os alemães que apesar de ali nascidos e sem ter para onde correr, precisavam acatar ordens básicas e seguir com seus segredos contrários ao momento.  


:・゚✧*:・゚✧ POR QUE LER MAIS UM livro sobre o nazismo? *:・゚✧*:・゚

Em tempos em que o neonazismo não só ainda existe, como também cresce no Brasil, e que livros clássicos nacionais e internacionais passam a ser retirados de escolas , A Menina que Roubava Livros é uma leitura mais que necessária. 


*:・゚✧*:・゚✧ POR QUE NÃO LER "A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS"? *:・゚✧*:・゚

Não recomendo a não leitura dele, mas acho que existem momentos certos -- eu mesma tentei lê-lo aos quinze anos, e na época não consegui continuar por não saber o que sei hoje. Se não for sua hora ainda, vale a pena guardar para um futuro próximo.


Pra quem é dos filmes: em 2013 o livro foi adaptado para o universo cinematográfico. 

Em um quote:

Uma definição não encontrada no dicionário.
Não ir embora: ato de confiança e amor, comumente decifrado pelas crianças. 

                                                          Meu skoob

Leituras do II semestre/2019.


Para ver a lista do primeiro semestre, clique aqui. 


|Julho|


Minha História -- Michelle Obama.

Estava com muita vontade de ler um livro mais longo, e quando encontrei esse apostei minhas fichas. É uma autobiografia bem centrada na Michele como uma mulher que por acaso encontrou o futuro presidente dos EUA, e não na esposa-do-presidente. É bem gostoso de ler, apesar de eu ser suspeita por realmente me interessar por autobiografias -- sempre gostei de saber o que as pessoas tem pra narrar sobre si. No entanto, acho que me incomodou como o livro vende aquela velha idealização americana de que todo mundo pode sair do fundo do poço e alcançar o mais alto nível de status social e financeiro, sabe? Não vou dizer que foi proposital -- talvez sim, talvez não --, mas a história de vida da Michele é bem baseada nessa falácia de "corra atrás que o sucesso vem". Tirando essa pequena crítica, foi uma boa leitura e não me arrependo. 


Garoto Encontra Garoto -- David Levithan.

Como comentei no post do semestre passado, consegui comprar um box com três livros do David por R$ 1,50 no Submarino, sendo Garoto Encontra Garoto um deles. O protagonista é Paul, um adolescente gay vivendo uma nova paixão no ensino médio, que sofre com suas inseguranças e seu ex namorado arrependido. Dos três livros, foi o que considerei mais fraco, mas não deixa de ser bom. 


|Agosto|


Guia de Comunicação de Más Notícias -- Aécio Flávio Teixeira de Gois.

Estava eu numa liga acadêmica da faculdade quando fui sorteada para ganhar esse livro -- com direito a foto com o médico autor e tudo, chiquérrimo. É claro que é uma leitura restrita aos profissionais da saúde, mas é bem interessante por ser uma ampla pesquisa sobre a necessidade de se educar os profissionais desde os primeiros anos na faculdade a como dar notícias ruins seja aos familiares ou aos pacientes. O próprio Aécio comentou na aula dada que já teve muita experiência difícil com alunos que em campo de estágio, não sabiam passar a informação da forma correta e até davam a entender que uma pessoa falecida, por exemplo, ainda poderia ser curada. É um tema bem sério, mas que a leitura auxilia muito bem. 


O Conto da Aia -- Margaret Atwood. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Ano passado eu viciei em O Conto da Aia/The Handmaid's Tale. O livro foi resenhado para o Rata de Biblioteca.


Não Me Abandone Jamais -- Kazuo Ishiguro. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Há uns dois anos atrás vi o filme na Netflix e não entendi absolutamente nada. Ai encontrei o livro na biblioteca e decidi que se fosse pra continuar não entendendo, pelo menos seria depois de tê-lo lido, mas a boa notícia é que eu entendi. Acompanhamos as memórias de Kath e sua infância em Hailsham, um internato em que crianças aparentemente sem pais viveram. Sabemos que a narradora já é adulta e que atualmente é cuidadora, mas para entender todo o contexto é preciso muita paciência -- o livro realmente só faz sentido depois de completamente lido. Achei interessante para pensarmos nos limites da ciência e do que somos capazes de aceitar em nome das melhorias na saúde humana. 


|Setembro|

Sem livros lidos.


|Outubro|


O Que é Educação? -- Carlos Rodrigues Brandão.

Lido para uma disciplina da faculdade. Bem curtinho, mas muito interessante -- e basicamente é uma resposta ao nome dado a ele. 


Will e Will -- David Levithan. 

Último livro do box mais barato já visto na Terra. Will é um garoto que encontra por acaso outro Will. As vidas deles são bem diferentes, mas possuem um dilema em comum (além do nome). Pra mim, o melhor personagem na história é na verdade o melhor amigo de um dos Will, e eu inclusive adoraria ler mais sobre ele -- faz essa pra gente, David.


Uma Constelação de Fenômenos Vitais -- Anthony Marra.

Ganhei esse livro de uma amiga, e tenho uma história curiosa com ele (que fica pra uma próxima). A história segue uma linha do tempo, entre 1994 e 2004, cujos personagens vivem com as consequências do conflito russo-checheno. É uma leitura densa por abordar tanto a vida durante uma guerra, mas é excelente pela maneira como o autor conseguiu estabelecer tanta coisa importante sobre a história do local dentro da ficção. 


A Coragem de Ser Imperfeito -- Brené Brown.

Eu só li esse livro de tanto ver a Amanda Palmer falar sobre em A Arte de Pedir. Não vou dizer que gostei, mas também não desgostei. Só não é muito a minha cara mesmo, mas enfim, a Brené é uma pesquisadora importante sobre temas como felicidade e vergonha, aliados a aceitar estar vulnerável o suficiente para demonstrá-los e assim, se livrar de razões para muita ansiedade e estresse no dia-a-dia. Me incomoda um pouco como ela faz parecer algo simples, mas parece ignorar muitas particularidades. 


|Novembro|


A Guerra que Salvou a Minha Vida -- Mariana Serpa Vollmer.

Tão doce e tão dolorido, uma das melhores leituras do ano. Ada e Jaime são irmãos que apesar de viverem com a mãe, se criam sozinhos. Ada tem um dos pés tortos, e por isso é proibida de sair de onde mora -- sua mãe a considera uma aberração, maltratando-a tanto física como psicologicamente. Um dia Ada ouve falar sobre a chegada de Hitler a Londres e sobre como todas as crianças do local precisam se mudar para o interior. Sem pensar, ela pega seu irmão mais novo e saí escondida da mãe, mudando-se com ele e sendo acolhida por uma mulher solitária chamada Susan, que a primeira vista parece não ser a melhor das opções, mas com o tempo cria laços sentimentais enormes com as crianças. Se eu pudesse ler só esse livro pelo resto da vida, leria.


|Dezembro|


Sapiens: Uma Breve História da Humanidade -- Yuval Noah Harari. 

Escrito por um professor de História, Sapiens se tornou best-seller, e mesmo sendo um livro com uma carga densa por falar sobre nossas estruturas sociais e a vida na Terra até os tempos atuais, é uma leitura muito boa de se fazer. Yuval tem muita didática e sabe explicar seus pontos sem precisar de muito. No ano passado, comentei que terminei 2018 com um livro excelente (Nix), e fiquei muito feliz quando notei que em 2019 sem querer segui o mesmo padrão. LEIAM SAPIENS!!! 


Total de livros lidos: 11 (totalizando, com os 20 lidos no primeiro semestre, 31 livros no ano).
Livros emprestados de bibliotecas: 02.
Livros comprados: 03.
Livros que ganhei: 02.
Ebooks: 04.


Que as leituras de 2020 sejam tão boas quanto as de 2019. E vocês, como finalizaram as leituras do ano passado?



Leituras do I Semestre/2019.



Uma das minhas coisas preferidas do fim de ano é olhar para as leituras feitas e falar mal ou bem delas. CHEGOU O MOMENTO PRO QUE LI NO PRIMEIRO SEMESTRE!

|Janeiro|

O Menino que Desenhava Monstros -- Keith Donohue. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟


Carcereiros -- Drauzio Varella. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

MINHA CASA E EU SERVIMOS AO DRAUZINHO. O Drazio tem uma série de publicações da Companhia das Letras que falam muito sobre a época em que ele foi médico voluntário do sistema carcereiro de São Paulo. Nesse livro em especial, a visão do que é contado é um pouco diferente, já que a narração é do Drauzio, mas a voz é dos carcereiros, dos olhos do sistema prisional. Tem a história pessoal deles, as histórias daqueles por quem eles foram responsáveis e em uma passagem do livro, um momento muito triste sobre o que foi o ocorrido no Carandiru para quem estava lá dentro trabalhando. Pra quem gosta de não ficção, vale a leitura demais. 

O Diário da Princesa #2: A Princesa Sob os Refletores -- Meg Cabot.

No ano passado eu encontrei o primeiro livro na biblioteca, mas logo em seguida descobri que a série não estava disponível para empréstimo. Lembro que baixei esse ebook e lembro de tê-lo lido no transporte público, mas confesso que lembro pouquíssimo bem de como a história continua. Acho que afinal de contas o segundo livro não me impactou, e fica aí a dúvida se devo continuar insistindo na Mia ou não. 

Sempre Vivemos no Castelo --Shirley Jackson.

Outra leitura que me desapontou, mas que dessa vez eu lembro justamente por não ter gostado. Depois que a Netflix adaptou A Assombração da Casa da Colina, da mesma autora, para série, fiquei interessada em ler algo dela, e como vi que Sempre Vivemos no Castelo também seria adaptado para filme, escolhi enfrentá-lo. Não sei se A Assombração da Casa da Colina é melhor, se a adaptação para série talvez tenha chamado atenção, mas confesso não ter gostado MESMO. Achei parado e quando terminei a leitura fiquei com a sensação de ter perdido tempo. A história gira em torno dessas duas irmãs blá-blá-blá que vivem no castelo "amaldiçoado" da cidade blá-blá-blá uma quer conhecer as pessoas que vivem em volta delas blá-blá-blá e a outra não quer. No fim dá merda. É isso, espero ter resenhado bem.

Ciranda da Pedra -- Ligya Fagundes Telles. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Quando a literatura nacional quer ser boa ela é excelente, né? A construção das relações entre as personagens é boa demais, e teve resenha dele pro Rata de Biblioteca. 

As Coisas que Você Só Vê Quando Desacelera -- Haemin Sunim.

Fui ler com um pé atrás outro na frente, porque não sou acostumada a procurar os tais livros auto-ajuda, mas me surpreendi positivamente. Haemin Sunim é um monge, professor acadêmico (!!!) de budismo (!!!) lá na Coreia do Sul, que já deu -- ou ainda dá, não sei ao certo -- até aula em Harvard. Nesse livro ele traz vários capítulos de temáticas que variam, mas que sempre possuem um laço entre si por tratarem sobre os estresses cotidianos a que somos impostos e como eles nos afetam de forma muito grande. Acho que no fim foi uma boa leitura porque eu tenho real interesse pelo budismo e por meditação, e rendeu muitos trechos em destaque que inclusive saí escrevendo por aí pra encontrar eles sem querer ao longo do ano e pensar melhor nas questões. Se eu pudesse descrever a leitura em uma só palavra, seria alívio.

Dois Garotos se Beijando -- David Levithan.

Sigo um Instagram de promoções/cupons de livros em sites como a Amazon e o Submarino, e numa dessas acabei comprando um box com três livros do David Levithan por R$ 1,50. Entre os livros do box estava Dois Garotos se Beijando, e gente, que sutileza esse autor tem com a escrita, né? Aborda um tema importante e sério demais (as mortes por HIV antes da indústria perceber que talvez fosse bom investir nas pesquisas...), ao mesmo tempo em que mostra a adolescência de jovens que querem se assumir, que já são assumidos e por isso militam pela causa LGBTQ+, ENFIM, é um emaranhado de histórias conectadas em uma só. Sensível, bonito, e ao mesmo tempo uma leitura leve. 

|Fevereiro|

O Orfanato da Srta, Peregrine para Crianças Peculiares #1 -- Ramsom Riggs. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Umas coisas bizarras acontecendo, né? É uma fantasia que eu honestamente acho difícil de explicar pra quem nunca teve contato -- e foi justamente por isso que desisti de falar sobre o livro no Rata de Biblioteca --, mas adianto que vale a pena, que a edição da Intrínseca é muito bonita, e que eu queria encontrar o segundo livro em alguma biblioteca.

Sem Causar Mal: Histórias da Vida, Morte e Neurocirurgia -- Henry Marsh e Ivar Panazzolo Junior. 

Sem Causar Mal conta vivências do neurocirurgião britânico Henry Marsh. Eu particularmente adorei a leitura porque sou da área da saúde, posso afirmar com tranquilidade,  gosto da área, mas honestamento acho que o livro peca ao usar nomes que só são entendíveis pra quem tem um estudo do corpo humano e ao descrever alguns procedimentos, por exemplo. Mas pra quem tem interesse, é legal ver os pontos de vista do médico com relação a realização das cirurgias, das vulnerabilidades expostas pelos pacientes e pelos acompanhantes, e pelos problemas hospitalares, que sempre são muitos. AH, também não gostei como muitas vezes há uma descrição do Henry como um cara meio explosivo que trata mal a equipe com quem trabalha. Melhore, Henry.

Tudo e Todas as Coisas -- Nicola Yoon. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Tem resenha pro Rata de Biblioteca. Fofinho e bom pra esvaziar a mente. 

|Março|

Quinze Dias -- Vitor Martins.

Ano passado eu estive na Flipop e foi bem legal ver o Vitor de perto (nem sabia que ele existia fora do booktube), apesar de já conhecê-lo e de saber por meio do canal que ele estava investindo na carreira de escritor, foi só depois do evento que procurei por Um Milhão de Finais Felizes, e por fim, nesse ano, li o seu primeiro lançamento, que foi Quinze Dias. Gosto como tem tudo o que eu costumo apreciar em livros de ficção "xófen", e além de tudo é nacional, LGBTQ+, e abre os olhos pra gordofobia.

|Abril| 

Mil Pedaços de Você + Dez Mil Céus Sobre Você + Um Milhão de Mundos com Você -- Claudia Gray.

Assim, não é bom, mas não é ruim, tanto que eu li a trilogia toda em um mês né, hehe. É uma distopia sobre uma adolescente filha de um casal de cientistas que criam o Firebird, um dispositivo que permite a viagem entre as dimensões. Rolam alguns problemas, umas pessoas de um coração não muito bom aparecem interessadas no Firebird e em cada dimensão que a protagonista entra, ela descobre uma nova versão de si e da sua própria família. No final só fica a questão: como que os adolescentes nessas histórias fazem tantas coisas quando nessa idade a gente só falta comer merda, né? Mas foi bom.

Biofísica para Ciências Biológicas -- Plinio Delatorre.

Eu precisava passar em biofísica, gente. Matéria dos infernos, deus me livre. Acho muito engraçado que fui eu quem cadastrou esse livro no Skoob, e até hoje só tem eu nos leitores, hehehe. 

|Maio|

O Clube de Leitura da Jane Austen -- Karen Joy Fowler.

A ideia da autora era contar sobre esse clube de leitura só de obras da Jane Austen e assimilar as vivências de cada integrante dele com as próprias personagens da Jane, mas não rolou pra mim. Outra leitura que terminei com a sensação de "ata".

A Garota que Eu Quero -- Markus Suzak. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Eu nunca tinha lido A Menina Que Roubava Livros (aguardem a continuação do post), e quando vi que esse era do mesmo autor, pensei que seria interessante conhecê-lo por um livro menos popular. Me arrependi. É sobre esse adolescente de uma família humilde apaixonado pela atual do irmão mais velho. Não me conectei com os problemas do personagem e achei ele chato.

A Menina que Roubava Livros -- Markus Suzak. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

MEU DEUS DO CÉU PORQUE EU NUNCA LI ISSO ANTEEEEEEEEEEES. Na verdade eu sei, né. A minha versão de 15 anos encontrou o livro na biblioteca da escola e por algum motivo não gostou nem da primeira página, o que gerou futuros diálogos que duraram anos resumidos a "Já leu A Menina que Roubava Livros?", "Não continuei porque não gostei" e toda uma revolta da pessoa que conversava comigo que hoje em dia eu entendo perfeitamente bem o porquê. Inclusive, é o próximo livro que eu quero falar sobre no Rata de Biblioteca, então vou me abster de maiores comentários. 

|Junho|

Sob Pressão: A Rotina de um Médico Brasileiro -- Marcio Maranhão. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Melhor que a série global, hehehe (eu não gosto da série). Tem muito da dificuldade de conseguir atender o paciente dentro do SUS, não pela falha desse sistema que é maravilhoso e quem não concorda favor sair do meu blog, mas pela falha estatal que negligencia repetidamente a saúde no Brasil. 

O Sol Também é uma Estrela -- Nicola Yoon. 

Depois de ler Tudo e Todas as Coisas quis conhecer mais obras da Nicola e gostei igualmente de ambas. Levinho e "nhomnhomnhom", bom pra esquecer dos problemas. 

Total de livros lidos: 20.
Livros emprestados de bibliotecas: 08.
Livros comprados: 01.
Livros emprestados de outras pessoas: 0.
Ebooks: 11.

As leituras do segundo semestre a gente deixa pra Janeiro. <3


O Conto da Aia | Rata de Biblioteca.



Em 1985, a canadense Margaret Atwood publicava pela primeira vez sua distopia O Conto da Aia, certamente sem imaginar que mais de trinta anos depois, o livro -- ainda -- estaria entre os mais vendidos em diferentes países, sendo inclusive adaptado para uma série de TV produzida pelo streaming americano Hulu.

A narrativa do livro é feita por Offred, ou June, o que é um ponto interessante de ser ressaltado, visto que todo o enredo é pautado em cima da não liberdade de expressão das mulheres, findada após um golpe de Estado, realizado por homens de cargos poderosos aliados aos chamados Filhos de Jacó, que pôs fim aos Estados Unidos da América transformando-o na República totalitária, patriarcal e voltada para a teocracia, Gilead. 

O mapa da República de Gilead, idealizado pela série The Handmaid's Tale. Recorte feito pelo Site The Handmaid's Tale Brasil. 

Os Filhos de Jacó, fundadores do regime, além de possuírem altos cargos em instituições de poder da antiga América, eram extremistas religiosos unidos em uma conspiração, que a partir das suas interpretações bíblicas, viam as justificativas para seus planos de "salvação" de um país que segundo eles, estava doente ao permitir uniões entre adúlteros, homossexuais, e com famílias cujas esposas que ao contrário da tradição, passavam seus dias trabalhando e deixando as crianças longe de seus cuidados maternos, culpando-as, inclusive, pela drástica queda da taxa de natalidade que abrangeu o país. Após o planejado golpe, as mulheres passaram a ser demitidas de seus empregos, ocorrendo também o bloqueamento de suas contas bancárias -- dadas aos seus maridos --, e em pouco tempo, o suficiente para que as pessoas entendessem o que estava acontecendo e tentassem deixar o país, a Constituição Estadunidense deixou de ser válida e as fronteiras foram bloqueadas. A implantação do regime contou também com um exército próprio nomeado como Guardiões, responsáveis por reprimir quaisquer manifestações contrárias, e na já instituída Gilead, manter a ordem e o funcionamento adequado da República, realizando torturas e o assassinato de ativistas políticos, cientistas, religiosos com crenças diferentes e desertores. 

Consequência das guerras que se sucederam diante da queda constitucional, a nova República nomeou locais com poluição tóxica de Colônias, áreas para onde mulheres traidoras, sem habilidades úteis -- procriação (Aias) ou cuidados caseiros (Marthas) -- são enviadas para que as tornem limpas a partir de seu trabalho escravo. 

Mas afinal de contas, em que parte da narrativa temos a inclusão de Offred? Cada Comandante -- os atuais governantes da República, antigos Filhos de Jacó -- possui em sua casa uma Aia, mulheres férteis que são estupradas em um ritual "bíblico" por seus respectivos Comandantes para que engravidem e deem a luz filhos que serão deles e de suas Esposas, sendo em seguida mandadas para outros postos (maneira como são chamadas as residências em que servem). Tais mulheres possuem a completa perda da própria identidade, como é o caso de Offred, que deixa de ser chamada por seu próprio nome, June, para ser Of-Fred (em tradução livre, do Fred, seu Comandante), além de andarem com um uniforme vermelho, usado para que sejam facilmente identificadas, e uma touca branca que as impede de enxergar os lados. Apesar de tal medida não se restringir somente as Aias, em Gilead as mulheres também são proibidas de ler e consequentemente, escrever, e nenhum tipo de mídia ou comunicação é utilizada pela população -- salvo o uso pessoal, e muitas vezes fora das próprias leis, dos Comandantes.

Em sua narrativa, Offred nos leva de volta ao passado antes de Gilead e aos momentos em que pouco a pouco, o país perdia sua força sem que cogitassem o que estava por trás daquilo, além de relembrar os momentos tenebrosos em que o regime totalitário foi implantado, com seus planejados métodos de silenciamento dos que ali permaneceram, das constantes problemáticas da vida como Aia e de suas próprias observações. O Conto da Aia é um livro muito bem escrito e que infelizmente, ganha força na atualidade pela semelhança dos discursos feitos mundo à fora com os que levaram Margaret Atwood à sua idealização.

*:・゚✧*:・゚✧ POR QUE LER UMA DISTOPIA? *:・゚✧*:・゚✧

Acredito que a única justificativa seja o gosto por esse tipo de enredo. Afinal de contas, pode servir como gatilho para algumas pessoas. No entanto, vejo em O Conto da Aia o potencial ideal para quem quer conhecer o gênero. 

*:・゚✧*:・゚✧ POR QUE NÃO LER "O Conto da Aia"? *:・゚✧*:・゚✧

Como disse acima, se você possui sensibilidade para alguns assuntos, é bom pesquisar mais afundo antes de lê-lo, mas fora isso, não existem motivos pelos quais eu não o recomendaria para alguém. 

Pra quem é dos filmes: em 1990 foi lançado A Decadência de uma Espécie, que não fez sucesso no momento, mas foi a primeira adaptação para as telas de O Conto da Aia. 
Pra quem é dos livros: em Novembro a editora Rocco lançará a continuação intitulada Os Testamentos, sendo que nesta Offred não será mais a narradora. 
Pra quem é das entrevistas: para o El País, quando questionada se ainda se surpreende com o sucesso da obra, a resposta de Margaret Wood foi que "Sua popularidade depende daquilo que está acontecendo no mundo em geral. Nas últimas três eleições nos Estados Unidos, ela subiu, mas nos anos noventa as pessoas diziam: "É coisa do passado, nada disso aconteceu, a Guerra Fria terminou, vamos às compras". Além disso, não fez tanto sucesso quando foi lançado."
Bônus: com a estreia da série e o novo sucesso do livro, a autora também escreveu um novo prefácio para ele, disponível no site do El País, que nomeou como "Maldita Profecia." 
Por fim, infelizmente, os exemplos usados na obra são reais: a autora, em diversas entrevistas -- inclusive no novo prefácio citado acima --, fala sobre como fatos levaram-na à criação de Gilead. Desde o nazismo com sua perda da identidade e uniformes de identificação, a exemplos mal sucedidos do comunismo e do movimento feminista dos Estados Unidos na década de 1980, quando houveram tentativas de silenciar as mulheres. 

Em um quote: 
"Nada muda instantaneamente: numa banheira que se aquece gradualmente você seria fervida até a morte antes de se dar conta. Havia matérias nos jornais, é claro. Corpos encontrados em valas ou na floresta, mortos a cacetadas ou mutilados, que haviam sido submetidos a degradações, como costumavam dizer, mas essas matérias eram a respeito de outras mulheres, e os homens que faziam aquele tipo de coisas eram outros homens. Nenhum deles eram os homens que conhecíamos. As matérias de jornais eram como sonhos para nós, sonhos ruins sonhados por outros. Que horror, dizíamos, e eram, mas eram horrores sem ser críveis. Eram demasiado melodramáticas, tinham uma dimensão que não era a dimensão de nossas vidas."


Tudo e Todas as Coisas | Rata de Biblioteca.


Já encontrou um livro que nos primeiros capítulos te deixou com a sensação de que seria uma leitura rápida e sem maiores razões, mas te surpreendeu depois? Tudo e Todas as Coisas, da Nicola Yoon, foi esse tipo de livro pra mim.

Quando o achei na biblioteca, peguei emprestado porque já tinha visto alguns booktubers o elogiarem, mas quando comecei a lê-lo só ficava me perguntando o motivo de tantos bons comentários. Folha vai, folha vem, e finalmente consegui entender. 

A adolescente Madeline Whittier foi diagnosticada ainda criança, pela própria mãe, que é médica, com Imunodeficiência Combinada Grave (IDCG), doença caracterizada pela resistência do corpo em criar sua imunidade, sendo necessário que a pessoa viva em local esterilizado e não tenha contato com o mundo externo. Por isso, a única pessoa com quem Madeline convive além da sua mãe, é sua enfermeira Carla. Seu pai e seu irmão faleceram quando ela ainda era muito pequena, em um acidente de carro. 

Vivendo em uma casa repensada para suas necessidades, Madeline se acostumou a ter professores virtuais e transformou seu hobby, a leitura, em distração. Sempre que finaliza um livro, publica em um Tumblr uma pequena nota que resume todo seu enredo. Os dias seguem essa rotina até o barulho na casa ao lado levá-la a espiar pela janela do quarto e ver pela primeira vez seu novo vizinho, Olly.

Obviamente, o garoto não sabe das condições de vida da casa ao lado, e tenta se aproximar, sem sucesso. A partir disso, os dois adolescentes passam a conversar pela janela de seus quartos com mimicas e desenhos à caneta, até trocarem mensagens pela internet, e porque não... se verem pessoalmente?

Algo que gostei muito na edição da Novo Conceito é a interatividade. Vemos os posts com as resenhas de livros feitos pela Maddie, as mensagens que eles trocam, anotações no diário, tudo de um jeito muito criativo, como mostra a foto à esquerda. 





*:・゚✧*:・゚✧ POR QUE LER UM (mais um) young adult? *:・゚✧*:・゚✧


Tá estressado? Leia um young adult. Quer um clichê? Leia um young adult. Quer achar algo fofo? Leia um young adult. Young adult? Young adult.

*:・゚✧*:・゚✧ POR QUE NÃO LER "Tudo e todas as coisas"? *:・゚✧*:・゚✧


Não vejo motivos para não ler, até porque ele surpreende com o final (se vocês soubessem o tanto que eu me esforcei pra não comentar nada sobre ele aqui...), mas se por acaso você for mais dos filmes, pode ver a adaptação cinematográfica primeiro. 

Pra quem é das curiosidades: atualmente o livro com a capa do filme não é mais publicado pela Novo Conceito. Seus direitos foram vendidos para a editora Arqueiro.
Pra quem é dos filmes: Tudo e Todas as Coisas foi adaptado para os cinemas em 2017.
Pra quem gosta das coincidências: a personagem costuma colocar seu nome em todos os livro que tem. Quando peguei emprestado na biblioteca, encontrei o nome da antiga dona na primeira página, uma coincidência (ou não) que me encantou.



Em um quote:

“[…] eu me esforcei tanto para encontrar aquele momento crucial que fez com que minha vida seguisse esse rumo. O momento que respondesse à pergunta como cheguei até aqui?
Só que esse momento jamais existiu, mas sim uma série de outros acontecimentos. E a sua vida pode se ramificar a partir de um deles de mil maneiras diferentes. Talvez haja uma versão da vida de cada um de nós de acordo com cada escolha que fizemos e com aquelas que deixamos passar. “


                                                              Meu skoob | Instagram @rbiblioteca

Ciranda de Pedra | Rata de Biblioteca.


Ligya Fagundes Telles é uma escritora brasileira, ainda viva, que ao lado de outros nomes consagrados representou a geração modernista da literatura nacional, sendo a única das nossas escritoras a já ter sido indicada para o prêmio Nobel de Literatura, além de atual integrante da Academia Brasileira de Letras. Todos esses fatos apresentados servem apenas para tentar quantificar a imensidão da autora de Ciranda de Pedra, primeiro livro seu com que tive contato.

Ciranda de Pedra, lançado pela primeira vez em 1954, é um romance de formação: acompanhamos o crescimento da personagem principal, Virgínia. No primeiro capítulo, sabemos que ela é apenas uma garota de dez anos, vivenciando os problemas de uma família que se desfez quando a mãe, Laura, decidiu viver um grande amor com o médico Daniel, levando Virgínia consigo e deixando suas duas filhas mais velhas com o ex-marido. Apesar da pouca idade, a personagem não é descrita como representante da inocência infantil, desde o primeiro momento, o leitor é apresentado aos seus pensamentos e dúvidas sobre o que a rodeia -- a mãe, antes considerada uma mulher tão bonita, atualmente passa os dias em um quarto, e é tratadas pelos outros personagens como insana; Daniel, o homem responsável pelo fim da família, é o único além de Virgínia que se preocupa com Laura, além de tratar bem à criança, o que a deixa confusa com relação aos seus sentimentos, que sempre se dividem entre odiá-lo por tudo o que causou ou aceitá-lo como parte da família; a empregada, que como Virgínia bem sabe, é apaixonada por Daniel; o pai, que parece sempre amar suas irmãs, mas nunca à ela; as irmãs, que a tratam com indiferença, e a Conrado, um dos amigos mais próximos de suas irmãs mais velhas, a quem Virgínia secretamente ama.

Após a morte de sua mãe, Virgínia decide viver em uma escola católica, e se na infância sempre sentiu-se à parte do quão boas eram suas irmãs, na adolescência busca o destaque, aprende diferentes línguas, e retorna para a casa do pai com a intenção de impressionar todos aqueles que foram protagonistas da sua infância solitária. Desse momento em diante, o enredo passa a ser sobre a desconstrução, para Virgínia e para o leitor, dos personagens que durante sua infância foram vistos de maneira soberana.

O nome dado ao livro é um detalhe que não deve passar despercebido: o desejo de Virgínia sempre foi pertencer. Ser amada por suas irmãs, por seu pai, ter a mãe de volta, ter sua família completa outra vez, estar entre os amigos das irmãs sem ser excluída das atividades, sentimentos que são representados por pequenos anões de jardim presentes na casa de seu pai, dispostos em uma roda, como se estivessem em uma ciranda. Virgínia quer fazer parte da roda, mesmo que ela seja de pedra.

A escrita de Lygia é marcada por intensidade e metáforas, com provocações aos costumes da sociedade -- que seguem nos pertencendo, tantos anos após a década de cinquenta --, e grande profundidade psicológica. Como escrito na pequena biografia da autora presente no fim da edição da Companhia das Letras, “Ligya Fagundes Telles já declarou em uma entrevista: “A criação literária? O escritor pode ser louco, mas não enlouquece o leitor, ao contrário, pode até desviá-lo da loucura. O escritor pode ser corrompido, mas não corrompe. Pode ser solitário e triste e ainda assim vai alimentar o sonho daquele que está na solidão.”


:・゚✧*:・゚✧ POR QUE LER UM NACIONAL? *:・゚✧*:・゚✧

A literatura nacional é, infelizmente, vista de maneira elitizada. O pouco contato que se tem com ela costuma ser ainda na escola, com livros de autores como Machado de Assis e outros cobrados pelos vestibulares tradicionais, o que não a torna atrativa para os mais novos. No entanto, a leitura da obra de Ligya Fagundes Telles é certeira para passar a gostar dos nacionais -- além do bônus de ser feita por uma escritora.


:・゚✧*:・゚✧ POR QUE NÃO LER UM NACIONAL? *:・゚✧*:・゚✧

Não vejo pontos negativos na leitura dos nacionais. É enriquecedor se identificar com as gírias, referências, e locais utilizados na narrativa.

Para quem é das curiosidades: Ligya é formada em Direito e em Educação Física pela USP.
Para quem é das amizades: Carlos Drummond de Andrade era amigo íntimo da escritora, com quem trocava muitas cartas, sendo algumas delas, comentários sobre rascunhos dos seus escritos.
Para quem é da TV: Ciranda de Pedra já foi adaptado para novela, na emissora Globo, em 1981 e 2008.

Em um quote:

“O mal maior foi não estar nunca presente, não ver de perto as coisas que assim de longe viraram histórias de semideuses e não de seres humanos inseguros, medrosos. Teria visto tudo com simplicidade, sem sofrimento."

Projeto Rata de Biblioteca: a influência das bibliotecas na formação de novos leitores.


Certo dia, ao comentar no Instagram do Projeto Rata de Biblioteca (@rbiblioteca) a importância de conhecer e ocupar os espaços das bibliotecas públicas, a Natália, do blog Lapsos, sugeriu a criação de um post colaborativo que mostrasse o quanto esses locais podem incentivar o hábito da leitura para aqueles que não possuem condições de comprar livros com frequência, além de proporem atividades culturais e infraestrutura adequada para quem precisa estudar. Comentei sobre a ideia no meu Twitter e de cara recebi mais duas pessoas dispostas a conversar comigo sobre as bibliotecas que frequentam/frequentaram e como elas foram essenciais para transformá-las em leitoras, e foi assim que o IBGT (Instituto Brasileiro de Geografia da Tatiane) voltou a ser acionado. Espero que gostem da conversa, e que ela sirva de incentivo para não abandonarmos os livros que estão disponíveis para todos, em uma época em que o conhecimento e a informação verídica se fazem tão necessários.

Carolina, 20 anos -- Blog Krahe Lake.


Como foi/é sua a experiência com as bibliotecas? De que forma ela te mudou como leitora? Se lembra de como a conheceu?

Moro em frente à biblioteca que ''me criou'', literalmente só preciso atravessar a rua pra chegar nela, e a conheci graças a minha mãe, que me levou lá quando eu ainda era pequeníssima e fez um cadastro pra mim. Desde então, ela é um ponto de referência na minha vida e não há um mês sequer em que eu não a visite. Hoje sou cadastrada em outra biblio, mas descobri minha paixão pela leitura graças à primeira e os livros estão fácil no top 5 das melhores coisas do meu mundo, eles tem um papel significativo na formação da pessoa que sou hoje, então posso dizer que eu não seria ''eu'' se não fosse por ela. Nem consigo precisar muito bem como a biblioteca/os livros me ''mudaram'' porque já nem lembro mais de como era a Carolina antes deles. :)

Lembra de até 3 livros importantes pra você que foram emprestados delas? Por que foram importantes?

Como comprei pouquíssimos livros ao longo da vida (só em 2018 eu passei a ser uma pessoa assalariada, amém), quase tudo o que li é proveniente dessa biblio de que falei, e três livros muito importantes pra mim encontrados nela são:

1- O Jogo do Anjo, que me apresentou ao meu autor favorito da vida, Carlos Ruiz Zafón, que pra mim é a referência suprema da literatura de boa qualidade, criador de livros que eu sempre digo que levaria pro espaço se só tivesse uma chance de mostrar aos aliens o que é literatura. “A justiça é uma questão de perspectiva, não um valor universal.”

2- O Nome do Vento, do Patrick Rothfuss, o primeiro livro da minha trilogia/saga favorita da vida (infelizmente ainda inacabada), A Crônica do Matador do Rei, um calhamaço que eu virei noites lendo e que traz o melhor do que a literatura e a fantasia podem oferecer em termos de entretenimento puro e simples. ''Somos mais do que as partes que nos formam.''

3- Toda Poesia, do Paulo Leminski, o livro de 2018 que fez com que eu me apaixonasse de vez por poesia, depois de uma vida torcendo um pouquinho o nariz e achando que nunca seria pra mim (sou definitivamente uma pessoa mais de prosa). É poesia marginal e foi o pontapé que eu precisava pra começar a ler outros poetas me derretendo de amor.

''ameixas
ame-as
ou deixe-as''

Mia, 25 anos -- Blog Wink.


Como foi/é a sua experiência com as bibliotecas? De que forma ela te mudou como leitora? Se lembra de como a conheceu?

Como sou de família pobre nunca pudemos comprar livros durante a minha infância. Porém, meus pais sempre incentivaram o hábito da leitura. No início, era com os livros antigos que tinha lá em casa, da época em que eles eram jovens. Depois, quando entrei na escola, já cheguei perguntando onde estava a biblioteca - da qual eu tanto ouvia falar em casa, aparentemente um lugar mágico onde se podia pegar qualquer livro emprestado e conhecer novas histórias. A primeira coisa que fiz ao chegar na escola, na 1ª série, foi ir até a biblioteca e pegar um livro. Como já era alfabetizada, peguei A fada que tinha ideias, da Fernanda Lopes de Almeida. A história da Clara Luz mudou completamente a minha vida porque, além de ser mágica, me introduziu ao hábito de frequentar bibliotecas.

O tempo passou e troquei de escola para frequentar o Ensino Médio. Na nova escola eles não sabiam da proibição à biblioteca, então retomei meu ritmo de leitura e explorei clássicos da literatura dos quais eu nunca havia ouvido falar. Foi maravilhoso.

Quando me formei no Ensino Médio, ingressei em um curso de biblioteconomia porque meu amor por aquele espaço repleto de livros era tão grande que eu queria trabalhar com isso. Apesar de ter cursado, minha veia literária se mostrou mais forte do que minha aptidão para organização de estantes e vim para o jornalismo, curso no qual estou me formando. Porém, nada disso teria acontecido se não fosse a mágica da biblioteca na minha vida. Apesar de ter passado por um período em que fui obrigada a socializar mais com os meus colegas ao invés de ficar lendo, aquele sentimento incrível que só a literatura nos desperta permaneceu e vive até hoje.

Mesmo podendo comprar livros agora, ainda frequento a biblioteca da faculdade e faço propaganda das preciosidades escondidas naquelas estantes para todos os meus colegas. Eu não seria quem eu sou se não houvesse bibliotecas públicas (escolares) que me acolheram quando eu queria conhecer o mundo sem poder sair de casa.

Lembra de até 3 livros importantes pra você que foram emprestados delas? Por que foram importantes?

É difícil escolher apenas três dentre tantos, mas certamente A casa dos espíritos, da Isabel Allende, Contato, do Carl Sagan e A face da guerra, da Martha Gellhorn foram muito importantes para mim porque me fizeram romper barreiras culturais e desenvolver empatia por outras pessoas.

A casa dos espíritos é a saga de uma família chilena desde o século XIX até a terrível ditadura nos anos 1970. Eu nunca teria ouvido falar sobre a ditadura chilena se não fosse por esse livro, o que já o tornaria importante. Mas ele também se destaca por ter me apresentado ao realismo mágico latino-americano, que é uma das coisas mais lindas que existem.

Contato foi o livro que fez com que eu me apaixonasse por ficção científica e percebesse que não é só porque um livro fala de ciência em termos técnicos que eu não possa entendê-lo ou amá-lo. Claro que Sagan é Sagan e tinha toda uma linguagem de divulgação científica única, o que nem sempre se encontra no gênero. Porém, esse foi o livro que fez com que eu buscasse outros e adentrasse no universo do sci-fi.

A face da guerra é uma coletânea de crônicas escritas pela Martha Gellhorn, a correspondente de guerra mais longeva do século XX. Suas crônicas falam sobre pessoas normais, cidadãos comuns, vivendo nos horrores das guerras. São tocantes e reflexivas, o tipo de jornalismo que me inspira e que certamente mudou a minha forma de pensar em texto jornalístico.

Natália, 24 anos -- Blog Lapsos.


Como foi/é a sua experiência com as bibliotecas? De que forma ela te mudou como leitora? Se lembra de como a conheceu?

Aos 7 anos, quando entrei no ensino fundamental, fui estudar em uma escola muito grande e que ficava um pouco longe de casa. Minha mãe me incentivou a procurar a biblioteca de lá e pegar um livro emprestado - lembro que fiquei maravilhada, porque achava que só os funcionários podiam pegar os livros. Também lembro de ter medo de me perder enquanto procurava a biblioteca e não encontrar o caminho de volta para a sala e de ter ficado maravilhada quando a encontrei, porque ela era muito maior e mais organizada do que a biblioteca que eu conhecia. Tive a sorte de estudar em uma escola que recebia verba do município e do governo do estado. A biblioteca tinha uma quantidade excelente de livros - tanto de pesquisa quanto literários - e recebíamos livros novos todos os anos (as vezes alguns famosos).

Saí dessa escola para fazer o ensino médio em um Centro Federal. Outra vez fiquei deslumbrada com a biblioteca, que era ainda maior do que a outra. Eu, que antes eu só ia até a biblioteca para pegar livros emprestados, descobri que a biblioteca era um excelente espaço de estudo. Ela dispunha de algumas salinhas e sempre que podíamos, eu e meus colegas íamos até lá para adiantar os trabalhos e estudar para as provas. Essa biblioteca também assinava revistas e jornais, o que eu achava super chique. Consegui colocar em dia a leitura de diversos exemplares da Mundo Estranho - minha revista preferida.

Não tenho orgulho disso, mas aprendi a burlar o sistema da biblioteca durante a faculdade. Precisávamos de livros didáticos que eram usados por todos os cursos e que sumiam das prateleiras assim que o professor marcava a primeira prova do semestre. Por isso, pegava o livro no início e dividia o uso com uma colega. Devolvia no final do semestre, com um tempo de bloqueio que durava o restante do ano. Enquanto eu estava bloqueada, essa colega pegava os livros e dividia comigo.

Enfim, as bibliotecas fazem parte da minha vida desde sempre. Seja para estuda, para ler, para me divertir, para aprender - e até para tirar um cochilo no meio do caos do final do semestre.

Minha mãe trabalhava em uma escola e sempre pegava livros emprestados na biblioteca de lá para eu ler. Lembro que ela me levava para o trabalho de vez em quando e eu ficava sentada na biblioteca, olhando os livros.

Lembra de até 3 livros importantes pra você que foram emprestados delas? Por que foram importantes?

  1. A árvore que dava dinheiro - Domingos Pellegrini;
  2. O jogo do Camaleão - Marçal Aquino;
  3. Orgulho e preconceito - Jane Austen.
E vocês, possuem algum vínculo com bibliotecas? Lembram de livros que foram importantes na sua formação literária? Me contem!
© Limonada
Maira Gall