14 agosto 2018

Be bostra as ibagens: Julho de 2018.

A incrível série de posts "Be bostra as ibagens" ultrapassou a metade do ano, o que é incrível por dois motivos: 1) um semestre todo com coragem de postar minhas fotos aqui; 2) daqui pra frente todo mundo vai notar que eu vou parando de aparecer com fotos bonitas porque é quando eu deixo de sair de casa pra chorar por causa do vestibular.

Tendo os motivos já sido apresentados, acompanhem as incríveis quatro fotos do mês:

Princesa Paçoca, a primeira de seu nome.


Paçoca, a primeira de seu nome, se mostrou contra os movimentos anti-vacina e pra demonstrar seu apoio pela ciência, no auge dos seus três meses tomou sua primeira vacina, ganhando uma coroa de princesa por bom comportamento logo em seguida. Em entrevista, a cachorra disse estar muito honrada e incentivou os seres humanos a buscar conhecimento, "Busquem conhecimento", disse ela. 

Central park.

Minha cidade tem esse lugar chamado Parque Central, e me sinto muito Nova Yorkina nele. Passei um tempo sentadinha próxima ao lago, e consegui capturar dois momentos muito bonitos. No caso, a exata paisagem que eu via...

 
... e o pôr-do-sol, às minhas costas, que deixou o céu todo rosinha.


E essas foram as incríveis quatro imagens do mês. Se até Dezembro eu conseguir ter pelo menos uma foto pra mostrar, tô no lucro. Até o próximo mês!

05 agosto 2018

O Retrato de Dorian Gray | Rata de Biblioteca.



Na mitologia grega, Narciso, filho do deus dos rios Cefiso e da ninfa Liríope, é avisado por um oráculo que no futuro será muito belo, mas que deverá evitar ver o próprio rosto, já que caso isso acontecesse, toda a vida dele estaria amaldiçoada.

Existem muitas versões sobre como as coisas caminham até o ponto final desse mito, mas em todas elas o ocorrido é o mesmo: Narciso morre ao ver-se em um lago, seja afogado, seja definhando por nunca mais sair da frente do seu reflexo.


No livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, o pintor Basil Hallward encontra um jovem tímido, mas com uma beleza estonteante, que o faz ver a arte com outros olhos quando começa a pintar retratos do mesmo. Para Basil, Dorian é um reflexo de quem ele mesmo é, e por achar o rapaz alguém muito puro, o pintor tenta manter a amizade de ambos em segredo, mas um velho amigo seu, Lord Henry Wotton, o visita e se vê fascinado pelo quadro com Dorian como modelo, e naquela mesma tarde, apesar dos alardes de Basil para manter a “santidade” tão bela de Dorian Gray longe de alguém como Lord Henry, conhecido por apreciar a libertinagem humana e questionar os bons costumes de forma extrema, ambos se encontram justamente quando Dorian está posando para Basil.

Lord Henry passa a ser para Dorian o que o oráculo foi para Narciso, mas ao invés de alertá-lo para o bem, faz dele um experimento, o leva a crer em suas ideologias de liberdade acima das normas, mostra descaradamente o quanto o aprecia, e elogia o seu retrato recém-feito com certa inveja de tanta beleza e juventude, falando de forma convincente o suficiente para levar Dorian a fazer um desejo: o de continuar jovem e passar todo seu processo de envelhecimento para o quadro.

Em nenhum momento do livro nos é revelado o porquê ou quem realiza tal desejo, mas os anos passam e Dorian Gray continua com sua imagem intacta, assim como prossegue com sua amizade com Lord Henry, que parece cada dia mais transformar o jovem antes tão comum, em alguém com camadas profundas que marcam a principal obra de Basil a cada imoralidade cometida.

Quando Dorian percebe a relação entre seus pecados e o envelhecimento do retrato, já é tarde demais para mudar qualquer ação anterior sua, o que o leva a esconder a obra e não contar para ninguém o acontecido – mesmo que muitos passem a se afastar dele não só por sua má reputação, mas também pela obviedade com que um homem de mais de trinta anos continua com a aparência de um adolescente. Como o próprio autor escreveu durante o desenrolar do livro, há coisas que são preciosas por não durarem”.


*:・゚✧*:・゚✧ Por que ler um livro de 1890? *:・゚✧*:・゚✧

A escrita do Oscar Wilde não é difícil, apesar da diferença de séculos de suas publicações. A história de Dorian Gray é atemporal, e ótima pra repensar a existência humana. Nas partes finais do livro, o suspense e o mistério são muito presentes, bom pra quem gosta da sensação de “O QUE TÁ ACONTECENDO?” enquanto lê.

*:・゚✧*:・゚✧ Por que NÃO ler um livro de 1890? *:・゚✧*:・゚✧

Se você não gosta dos costumes da época, como jantares e conversas sobre filosofia com romances que se resumem a olhares trocados, certamente Dorian Gray não é um bom caminho para começar a conhecer os clássicos das bibliotecas públicas. Outro ponto importante: apesar de ter sido preso por manter um relacionamento homossexual, o escritor Oscar Wilde era – como esperado pra época, vale salientar -- machista, e em O Retrato de Dorian Gray, vemos muitas passagens que diminuem mulheres.

  • Pra quem é retrô: existe um filme de mesmo nome do diretor Albert Lewin, de 1945.
  • Pra quem é atual: existe outro filme de 2009, do Oliver Parker.
  • Pra quem é das séries: a série de terror sobrenatural Penny Dreadful, tinha Dorian Gray como um dos seus personagens!
  • Pra quem gosta de representatividade: dizem por aí que uma versão com uma mulher no lugar de Dorian Gray está pra sair (e o filme também vai ser dirigido por uma moça)!
  • Pra quem é dos memes: o meme do “sou lindo” com o Cristiano Ronaldo é a coisa mais Dorian Gray que a internet já produziu.

Em um quote:

“[…] influenciar uma pessoa é transmitir-lhe a nossa própria alma. Ela já não pensa com seus pensamentos naturais, nem arde com suas paixões naturais. As suas virtudes não são reais para ela. Os seus pecados, se é que existem pecados, são emprestados. Ela se converte em eco de uma música alheia, em ator de um papel que não foi escrito para ela. A finalidade da vida é o desenvolvimento próprio. Realizar completamente a própria natureza é o que devemos buscar. O mal é que, hoje em dia, as pessoas têm medo de si mesmas. esqueceram-se do mais elevado de todos os deveres, o dever para consigo mesmas.”

02 agosto 2018

Só acontece comigo #74

Já disse aqui muitas e muitas vezes, mas reitero: eu sou desastrada. Aliás, não sou SÓ desastrada, acredito que inventei o desastre, porque a coisa é feia.

Dia desses tinha que ir ao centro da cidade resolver algumas coisas, e como sou pobre fitness, fui a pé. O centro é até bem próximo da minha casa, mas é uma boa caminhada, coisa de quarenta minutos em um passo moderado. Lá estava eu, caminhando, abençoada pelos raios de sol, com a brisa salientando a leveza do meu olhar, caminhando docemente... Até o momento em que eu não estava mais. 




Eu não sei se a calçada tava desalinha, se o problema foi meu tênis, se eu que nunca aprendi à andar direito, só sei que em um momento tudo estava bem e no outro nem tanto. Coloquei o braço direito na frente numa tentativa de me segurar, mas só serviu pro meu corpo escorregar pra frente como se eu estivesse fazendo um strike em uma pista de boliche que só eu conseguia ver. Os resultados foram um cotovelo tão machucado que ficou parecendo um pedaço de asfalto, um roxo no joelho esquerdo, outro na cintura, e uma dor na barriga cada vez que eu puxava o ar pra respirar que me levou à pensar que eu poderia estar tendo uma hemorragia interna, segundo meu diploma médico em Grey's Anatomy, mas a tosse com sangue nunca veio e a dor passou, então acho que ainda vou viver por mais um tempo.

Como eu tava sozinha, a moça que estava no farol um pouco à frente do local em que eu caí perguntou se eu estava bem, e outra que vinha atrás também tentou ajudar. Ambas andaram um pedaço do caminho comigo e ainda ficaram falando metáforas de vida como: "se cair levanta!!!", "sendo mulher você vai ver o tanto que ainda vai cair e ter que se reerguer!!!", e eu nunca me senti tão empoderada na vida, apesar de esfolada. 

A outra única razão que vejo, além do desastre, pra eu cair tanto é ser uma criança dentro de um corpo de 20 anos. Fica ai a questão para a ciência.


© Limonada.
Maira Gall