Zilennial? | BEDA #14

Nasci em 1997. Cronicamente online, passei a adolescência em meio aos millenials nas redes sociais. Apesar de ter vivido bem mais a época de redes sociais como Tumblr, We Heart It e o início (bons tempos) do Instagram, também usei o MSN, tive fake no Orkut, conheci o MySpace e o Fotolog. Tudo isso antes dos dez anos e sem muita supervisão? Sim, mas são detalhes. 

Essa convivência virtual sempre me deixou com uma dúvida: eu era millenial também? Não por acaso, minha pequena bio aqui do blog faz uma piada com isso. 

Foi só nos últimos anos, principalmente a partir da pandemia, que comecei a entender melhor que eu era a primeira safra da geração Z. Nós, nascidos no final dos anos 90, conseguimos pegar o melhor (e o pior) das duas gerações.

Uma das minhas características millenial é não conseguir resolver nada extenso pelo celular. Conheço pessoas que desenrolam essa parte super bem, e nem precisam mais de um computador ou notebook em casa. Conheço estudantes que até optam por comprar um tablet ao invés de um notebook, o que eu acho absurdo. Postar no blog, por exemplo, é algo que precisa ser feito do notebook. Foi por isso que hoje, depois de um dia cheio e muito cansada da semana, enquanto pensava que queria continuar conseguindo postar todos os dias em agosto, driblei minha preguiça de postar aqui decidindo escrever o post direto do celular. Foi legal. 

Acho até que meu fluxo de pensamentos tá sendo melhor? A tela do notebook traz uma seriedade pro processo que nem precisava. 

Dia desses comentei na terapia que comecei o BEDA, sem nem ter me planejado pra isso, só porque vi como a ideia do Entreblogs estava legal e fiquei com FOMO. Meu psicólogo fez do limão a limonada e aproveitou pra me mostrar como a minha rotineira mania de controle, sempre confundida com responsabilidade e organização, vinha me fazendo mal. Tive que concordar.

Passei os últimos meses sem conseguir escrever. Apareço aqui uma vez por ano praticamente. E no fim eu só precisava me desprender da ideia de que meu blog importa tanto. De que eu sou tão importante. Levar as coisas um pouco menos a sério. 


É engraçado que eu sequer sei dizer o porquê de tamanha pretensão com meu blog e com minha escrita. Acho que na adolescência a escrita era tudo o que eu tinha, e por isso eu a via como um processo sagrado. É preciso escrever sobre questões sérias. É preciso citar autores. É preciso escrever todas as palavras da forma correta. Não existem espaços para erros. 

Cresci em uma casa em que erros não eram exatamente punidos, mas também não eram perdoados. Um olhar diferente. A mudança no tom de voz. A inconformidade com a ação do segundo passado, apesar do avanço do tempo e da ainda não descoberta da ciência de como voltar ao passado. 

Foi só recentemente que eu descobri que se derrubo algo no chão é só limpar. Não preciso surtar com isso. Quebrou? Conserta, compra outro, tantas possibilidades. 

Às vezes ainda me trato mal quando as coisas não saem como deveriam. Mas hoje eu escrevi sentada no sofá, direto do meu celular.

Chupa millenials.


Só acontece comigo #98 | BEDA #13

Outros episódios: mapeamento de cadeiras no trabalho & o cargo de assistente que na verdade era de recepcionista com pitadas de diretora de marketing & diagnóstico de rosácea & um perdido para o exame admissional & dengue na primeira semana de trabalho. 

[NEW] Linha do tempo dos acontecimentos atualizada: terminei a faculdade em 2023 > em abril de 2024, entrei no emprego do cargo de assistente que era recepcionista, onde tive o diagnóstico de rosácea e com um mês de contratação, dei o perdido para fazer o exame admissional em outra empresa > em junho de 2024, comecei na nova empresa, a mesma do mapeamento de cadeiras no trabalho, onde tive dengue na primeira semana de trabalho. Após 09 meses, fui chamada por uma empresa com salário e benefícios melhores, e mudei novamente de emprego, sendo este o local do Só Acontece Comigo de hoje. 

Pois muito que bem. Passamos anos na Universidade, com U maiúsculo, ouvindo como somos a nata da Academia, com A maiúsculo, e como o mercado de trabalho valoriza quem tem nosso Diploma, com D maiúsculo. Até que no mercado de trabalho a gente descobre que independente disso, tudo é uma Merda, com M maiúsculo. 

Após um ano do fim da minha graduação, eu já estava no meu terceiro emprego (hoje estou no quarto, mas daqui a pouco falamos sobre isso). Nascida e criada como uma verdadeira geração Z, nunca tive muito apego a empresas. Me assediou? To mandando currículo. Descobri que uma empresa do mesmo setor paga mais? To mandando currículo. To com tédio e vi que abriu vaga nova em outro lugar? To mandando currículo. Se o capitalismo é sobre vender a sua força de trabalho, que eu venda pra quem me pagar melhor etc. 

Foi com essa filosofia de vida que finalmente cheguei no emprego ideal: na área de pesquisa clínica, trabalhando 100% remoto, expectativa de progressão de carreira, salário melhor, benefícios melhores. Tudo ótimo. 

Um belo dia, enquanto eu trabalhava, minha mãe tinha chegado do trabalho dela e me mimou com uma vitamina de abacate. Dia perfeito.

Eu bebo a vitamina. 

Alguns minutos depois, eu sinto que estou com o estômago inchado. 

Mais minutos depois, minha coluna dorsal dói muito. Fica difícil respirar. Sinto muita ânsia, sem vômitos. Nenhuma posição é favorável, deitada ou em pé, eu continuo sem conseguir puxar o ar e sentindo muita dor, que já irradiou entre a dorsal e meu tórax.

Eu me pergunto: estou infartando? É este o meu fim?

Aproveito que estou com menos de um mês de empresa, mas que meu convênio médico já está funcionando, e vou para a emergência. 

O médico receita alguns medicamentos EV, e a dor passa na mesma hora. Até penso que sou feliz de novo. 

O médico me chama de volta ao consultório. 

"Eu preciso te internar, vamos ter que retirar a sua vesícula biliar."

Minha primeira reação? Dizer que eu não posso ser internada porque estou em onboarding.

E aqui uma pausa: não sei se todos sabem, mas é permitido ao paciente evadir de uma internação a qualquer momento. Você só tem que assinar um documento consentindo que é responsável por QUALQUER coisa que te aconteça fora do hospital e que recebeu as orientações do médico responsável. 

Dito isso, o médico, sem muito o que fazer, apenas me aconselha a retornar imediatamente com o gastro, para que eu marque a cirurgia eletiva.

Eu o faço, e ainda aguardo até Maio (estamos em Março), para a cirurgia. 

Após a cirurgia, minha gerente cisma que como a irmã dela, que também retirou a vesícula, só precisou de três dias de atestado, provavelmente será um atestado igual que o médico irá me dar. 

O médico me afasta por quinze dias. 

"Mas você trabalha remoto!!! Peça para ele mudar seu atestado!!!" diz minha gerente. 

Eu não peço. 

Um ano depois, já estava com férias marcadas, uma empresa concorrente me envia uma mensagem no LinkedIn, me convidando para uma vaga. Eu faço o processo seletivo. A proposta salarial é melhor. Eu comunico a gerente. 

O que eu ouço dela?

"Eu só não te promovi porque senti que ainda não era a hora. Mas isso é um problema da geração de vocês mesmo, vocês tem muita pressa. Se fosse alguém mais MADURO, ia esperar aqui na empresa uma promoção. Aliás, você já até ficou quinze dias afastada no início do ano passado, lembra?"

Não pedi desculpas por precisar tirar minha vesícula cheia de PREDAS, mas mais uma vez, troquei de emprego. 

(Agora eu aquietei, tá tudo bem no trabalho novo). 

(Eu tacando minhas pedras biliares em vocês). (Tinham MUITAS). 

3 pequenas alegrias da semana | BEDA #12

1. Terminei minha fisioterapia. Depois de vinte sessões, finalmente acabei. Ainda não sei se vou precisar voltar, por enquanto estou sem dor, vamos ver no que vai dar. 

2. Brigadeiro. Fiz brigadeiro em uma noite, e agora tenho como roubar colheradas todos os dias durante o trabalho. Tem sido bom. 

3. Descobri um curso de línguas gratuíto: Tenho precisado melhorar meu inglês, e queria aprender espanhol também. Coincidentemente, encontrei a Grow Ambassadors, escola totalmente gratuita, e vou tentar participar das aulas. 

© Limonada
Maira Gall