17 novembro 2019

Leituras do I Semestre/2019.



Uma das minhas coisas preferidas do fim de ano é olhar para as leituras feitas e falar mal ou bem delas. CHEGOU O MOMENTO PRO QUE LI NO PRIMEIRO SEMESTRE!

|Janeiro|

O Menino que Desenhava Monstros -- Keith Donohue. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟


Carcereiros -- Drauzio Varella. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

MINHA CASA E EU SERVIMOS AO DRAUZINHO. O Drazio tem uma série de publicações da Companhia das Letras que falam muito sobre a época em que ele foi médico voluntário do sistema carcereiro de São Paulo. Nesse livro em especial, a visão do que é contado é um pouco diferente, já que a narração é do Drauzio, mas a voz é dos carcereiros, dos olhos do sistema prisional. Tem a história pessoal deles, as histórias daqueles por quem eles foram responsáveis e em uma passagem do livro, um momento muito triste sobre o que foi o ocorrido no Carandiru para quem estava lá dentro trabalhando. Pra quem gosta de não ficção, vale a leitura demais. 

O Diário da Princesa #2: A Princesa Sob os Refletores -- Meg Cabot.

No ano passado eu encontrei o primeiro livro na biblioteca, mas logo em seguida descobri que a série não estava disponível para empréstimo. Lembro que baixei esse ebook e lembro de tê-lo lido no transporte público, mas confesso que lembro pouquíssimo bem de como a história continua. Acho que afinal de contas o segundo livro não me impactou, e fica aí a dúvida se devo continuar insistindo na Mia ou não. 

Sempre Vivemos no Castelo --Shirley Jackson.

Outra leitura que me desapontou, mas que dessa vez eu lembro justamente por não ter gostado. Depois que a Netflix adaptou A Assombração da Casa da Colina, da mesma autora, para série, fiquei interessada em ler algo dela, e como vi que Sempre Vivemos no Castelo também seria adaptado para filme, escolhi enfrentá-lo. Não sei se A Assombração da Casa da Colina é melhor, se a adaptação para série talvez tenha chamado atenção, mas confesso não ter gostado MESMO. Achei parado e quando terminei a leitura fiquei com a sensação de ter perdido tempo. A história gira em torno dessas duas irmãs blá-blá-blá que vivem no castelo "amaldiçoado" da cidade blá-blá-blá uma quer conhecer as pessoas que vivem em volta delas blá-blá-blá e a outra não quer. No fim dá merda. É isso, espero ter resenhado bem.

Ciranda da Pedra -- Ligya Fagundes Telles. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Quando a literatura nacional quer ser boa ela é excelente, né? A construção das relações entre as personagens é boa demais, e teve resenha dele pro Rata de Biblioteca. 

As Coisas que Você Só Vê Quando Desacelera -- Haemin Sunim.

Fui ler com um pé atrás outro na frente, porque não sou acostumada a procurar os tais livros auto-ajuda, mas me surpreendi positivamente. Haemin Sunim é um monge, professor acadêmico (!!!) de budismo (!!!) lá na Coreia do Sul, que já deu -- ou ainda dá, não sei ao certo -- até aula em Harvard. Nesse livro ele traz vários capítulos de temáticas que variam, mas que sempre possuem um laço entre si por tratarem sobre os estresses cotidianos a que somos impostos e como eles nos afetam de forma muito grande. Acho que no fim foi uma boa leitura porque eu tenho real interesse pelo budismo e por meditação, e rendeu muitos trechos em destaque que inclusive saí escrevendo por aí pra encontrar eles sem querer ao longo do ano e pensar melhor nas questões. Se eu pudesse descrever a leitura em uma só palavra, seria alívio.

Dois Garotos se Beijando -- David Levithan.

Sigo um Instagram de promoções/cupons de livros em sites como a Amazon e o Submarino, e numa dessas acabei comprando um box com três livros do David Levithan por R$ 1,50. Entre os livros do box estava Dois Garotos se Beijando, e gente, que sutileza esse autor tem com a escrita, né? Aborda um tema importante e sério demais (as mortes por HIV antes da indústria perceber que talvez fosse bom investir nas pesquisas...), ao mesmo tempo em que mostra a adolescência de jovens que querem se assumir, que já são assumidos e por isso militam pela causa LGBTQ+, ENFIM, é um emaranhado de histórias conectadas em uma só. Sensível, bonito, e ao mesmo tempo uma leitura leve. 

|Fevereiro|

O Orfanato da Srta, Peregrine para Crianças Peculiares #1 -- Ramsom Riggs. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Umas coisas bizarras acontecendo, né? É uma fantasia que eu honestamente acho difícil de explicar pra quem nunca teve contato -- e foi justamente por isso que desisti de falar sobre o livro no Rata de Biblioteca --, mas adianto que vale a pena, que a edição da Intrínseca é muito bonita, e que eu queria encontrar o segundo livro em alguma biblioteca.

Sem Causar Mal: Histórias da Vida, Morte e Neurocirurgia -- Henry Marsh e Ivar Panazzolo Junior. 

Sem Causar Mal conta vivências do neurocirurgião britânico Henry Marsh. Eu particularmente adorei a leitura porque sou da área da saúde, posso afirmar com tranquilidade,  gosto da área, mas honestamento acho que o livro peca ao usar nomes que só são entendíveis pra quem tem um estudo do corpo humano e ao descrever alguns procedimentos, por exemplo. Mas pra quem tem interesse, é legal ver os pontos de vista do médico com relação a realização das cirurgias, das vulnerabilidades expostas pelos pacientes e pelos acompanhantes, e pelos problemas hospitalares, que sempre são muitos. AH, também não gostei como muitas vezes há uma descrição do Henry como um cara meio explosivo que trata mal a equipe com quem trabalha. Melhore, Henry.

Tudo e Todas as Coisas -- Nicola Yoon. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Tem resenha pro Rata de Biblioteca. Fofinho e bom pra esvaziar a mente. 

|Março|

Quinze Dias -- Vitor Martins.

Ano passado eu estive na Flipop e foi bem legal ver o Vitor de perto (nem sabia que ele existia fora do booktube), apesar de já conhecê-lo e de saber por meio do canal que ele estava investindo na carreira de escritor, foi só depois do evento que procurei por Um Milhão de Finais Felizes, e por fim, nesse ano, li o seu primeiro lançamento, que foi Quinze Dias. Gosto como tem tudo o que eu costumo apreciar em livros de ficção "xófen", e além de tudo é nacional, LGBTQ+, e abre os olhos pra gordofobia.

|Abril| 

Mil Pedaços de Você + Dez Mil Céus Sobre Você + Um Milhão de Mundos com Você -- Claudia Gray.

Assim, não é bom, mas não é ruim, tanto que eu li a trilogia toda em um mês né, hehe. É uma distopia sobre uma adolescente filha de um casal de cientistas que criam o Firebird, um dispositivo que permite a viagem entre as dimensões. Rolam alguns problemas, umas pessoas de um coração não muito bom aparecem interessadas no Firebird e em cada dimensão que a protagonista entra, ela descobre uma nova versão de si e da sua própria família. No final só fica a questão: como que os adolescentes nessas histórias fazem tantas coisas quando nessa idade a gente só falta comer merda, né? Mas foi bom.

Biofísica para Ciências Biológicas -- Plinio Delatorre.

Eu precisava passar em biofísica, gente. Matéria dos infernos, deus me livre. Acho muito engraçado que fui eu quem cadastrou esse livro no Skoob, e até hoje só tem eu nos leitores, hehehe. 

|Maio|

O Clube de Leitura da Jane Austen -- Karen Joy Fowler.

A ideia da autora era contar sobre esse clube de leitura só de obras da Jane Austen e assimilar as vivências de cada integrante dele com as próprias personagens da Jane, mas não rolou pra mim. Outra leitura que terminei com a sensação de "ata".

A Garota que Eu Quero -- Markus Suzak. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Eu nunca tinha lido A Menina Que Roubava Livros (aguardem a continuação do post), e quando vi que esse era do mesmo autor, pensei que seria interessante conhecê-lo por um livro menos popular. Me arrependi. É sobre esse adolescente de uma família humilde apaixonado pela atual do irmão mais velho. Não me conectei com os problemas do personagem e achei ele chato.

A Menina que Roubava Livros -- Markus Suzak. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

MEU DEUS DO CÉU PORQUE EU NUNCA LI ISSO ANTEEEEEEEEEEES. Na verdade eu sei, né. A minha versão de 15 anos encontrou o livro na biblioteca da escola e por algum motivo não gostou nem da primeira página, o que gerou futuros diálogos que duraram anos resumidos a "Já leu A Menina que Roubava Livros?", "Não continuei porque não gostei" e toda uma revolta da pessoa que conversava comigo que hoje em dia eu entendo perfeitamente bem o porquê. Inclusive, é o próximo livro que eu quero falar sobre no Rata de Biblioteca, então vou me abster de maiores comentários. 

|Junho|

Sob Pressão: A Rotina de um Médico Brasileiro -- Marcio Maranhão. 🌟 Livro encontrado em biblioteca. 🌟

Melhor que a série global, hehehe (eu não gosto da série). Tem muito da dificuldade de conseguir atender o paciente dentro do SUS, não pela falha desse sistema que é maravilhoso e quem não concorda favor sair do meu blog, mas pela falha estatal que negligencia repetidamente a saúde no Brasil. 

O Sol Também é uma Estrela -- Nicola Yoon. 

Depois de ler Tudo e Todas as Coisas quis conhecer mais obras da Nicola e gostei igualmente de ambas. Levinho e "nhomnhomnhom", bom pra esquecer dos problemas. 

Total de livros lidos: 20.
Livros emprestados de bibliotecas: 08.
Livros comprados: 01.
Livros emprestados de outras pessoas: 0.
Ebooks: 11.

As leituras do segundo semestre a gente deixa pra Janeiro. <3


09 novembro 2019

Só acontece comigo #81


A vida anda corrida, bem mais do que antes, e a única alternativa pra conseguir conciliar as obrigações rotineiras com as que surgem espontaneamente, é a pior de todas: abdicar das horinhas de almoço pra resolver problemas. 

Eis que em uma dessas abdicações, como realmente não queria ir pra outro lugar sozinha, chamei alguns amigos para irem junto comigo por livre e espontânea manipulação sentimental, em um local que ficava à algumas estações do metrô de distância. Para que eles não acabassem tendo que pagar mais de uma passagem, combinei de me esperarem dentro da estação, deixei minha mochila com eles e levei só o que ia precisar. 

Em dez minutos estava de volta e poderíamos retornar para nosso lindo e belo almoço. A não ser pela parte em que eu esqueci meu cartão de passagem dentro da mochila. E eles sumiram. Com a minha mochila.

Rodei a estação inteira, pensei em maneiras de pular a catraca sem ser notada, em gritar o nome deles pro vento, em procurar um banco 24 horas perto da estação pra tirar dinheiro, em sentar no chão e chorar, em ligar pra minha mãe avisando que nunca mais voltaria pra casa, e ai, finalmente, meu lado racional agiu e chamei uma jovem aprendiz do metrô pra me ajudar.

-- Moça... Desculpa... Meus amigos ficaram ai dentro... E eu saí... Mas eles tão com meu cartão e eu tô presa aqui fora... -- a moça perguntou como eles são, olhou pros lados, conversou com um segurança e voltou pro meu lado.
-- Ai, só se você esperar uns quinze minutinhos, não tem como a gente te ajudar...

Passaram-se os quinze minutos em que eu me visualizei nunca mais encontrando minha família outra vez e nenhum sinal dos benditos. Voltei pra perto da funcionária.

-- Oi, então... Eles não apareceram... Não dá pra anunciar o nome não...?
-- Ah, eu posso ver... -- chamou o segurança, que curiosamente era um senhor de bigode grosso que contribuía muito para a comicidade da situação.

Enquanto eu olhava pros dois com desespero, eles fingiam que eu sequer estava ali e começaram o seguinte diálogo:

-- Tem certeza? -- o segurança.
-- Tenho... Não tem ninguém aqui... -- a funcionária.
-- É que às vezes é gangue, né? Perigoso... Tentando entrar na estação...

PORQUE É CLARO QUE EU TOTALMENTE SOU DE UMA GANGUE DE JOVENS QUE MENTIRIA SOBRE ESTAR SEM O CARTÃO PRA FAZER SABE-SE LÁ O QUE NA ESTAÇÃO.

-- Qual o nome do amigo que é pra anunciar? -- falei o nome que por motivos de não tenho advogados para lidar com processos não será exposto. O segurança virou as costas e foi até a cabine do alto-falante. -- Senhora ******, favor procurar um funcionário do metrô.

E EM CINCO SEGUNDOS ME SURGEM OS BENDITOS.
PORQUE ELES TINHAM SENTADO.
ATRÁS DE UM MURO.
DO LADO DA CATRACA.

Nem capacidade de fazer parte de uma gangue a gente tem, sabe? Primeiro que eu esqueci meu cartão na mochila, segundo que eles sentaram no chão, nem vitalidade tem pra fazer parte do crime, pelo amor.

Mas eu voltei pra casa. Tá tudo bem. 

27 outubro 2019

A falta que faz.


  • ☐ Ter auto confiança e disposição suficientes pra passar batom vermelho antes de sair;
  • ☐  Gostar do meu cabelo a ponto de não deixá-lo preso o dia todo;
  • ☐ A minha imagem com lentes de contato (mesmo que os óculos me deixem muito mais confortável);
  • ☐  Me sentir necessária na vida das pessoas por quem tenho carinho;
  • ☐  Ler mais;
  • ☐  Passar o dia no meu lugar favorito;
  • ☐  Ficar confortável ao aparecer em fotos;
  • ☐  Estudar por/com prazer;
  • ☐  Ficar em casa mais tempo;
  • ☐  Caminhar sozinha;
  • ☐  Escrever, escrever e escrever. 


© Limonada.
Maira Gall