11 junho 2018

Be bostra as ibagens: Maio de 2018.

Vocês acreditam em astrologia? Porque eu não, mas todo mês do meu aniversário a vida parece dizer que o tal do inferno astral existe sim. Pode ser que de tanto eu não gostar do dia os acontecimentos ruins se desenrolem motivados pelo meu mau humor, ou que a maneira como os astros estão nos dias que antecedem a tal data realmente modifiquem algo (fica aí o questionamento). De qualquer forma, o mês de Maio não costuma ser muito bom por aqui, o que se refletiu um pouco nas poucas fotos que tirei. 

Não é exatamente uma fotografia, mas surgiu no Twitter uma brincadeira que consistia em se desenhar no modelo de uma batata, e como vocês podem ver, eu sou uma batata muito hipster:
 

Invasor de residências.



Um belo dia olhei para o meu quintal por volta das 9 horas da manhã e encontrei um gatinho apreciando a paisagem. Ficamos nos encarando por um tempo, tentei uma aproximação amigável, mas o bichano não era de fazer amizade com qualquer um e seguiu sua vida. 

A roda gigante. 



Surgiu essa roda gigante no estacionamento de um shopping da cidade -- ainda não andei, mas QUERO --, que funciona só quando anoitece e muda de cor constantemente. Gostaria de ter tirado uma foto melhor, que valorizasse mais o quanto ela é bonita pessoalmente, mas o tempinho nublado não colaborou. 

Mãe de pet.



Fazia tempo (anos, pra ser mais exata), que pedia um cachorro pra minha mãe e sempre tive o pedido negado, com certa razão até pela rotina da casa. Nos últimos meses ela foi se entregando mais, começamos a procurar por sites e feiras de adoção, até que no dia 20 de Maio fomos despretensiosamente em uma feira pequena e nos deparamos com uma filhote peludinha de quarenta e cinco dias que na mesma hora em que deitou no nosso colo, dormiu. Desde então dona Paçoca está por aqui, me fazendo rir com as coisinhas que de pouco a pouco aprende e levando umas broncas quando se esconde atrás da geladeira ou em baixo do fogão, mas definitivamente me fazendo alguém mais feliz -- e sendo uma ótima observadora enquanto faço xixi ou lavo a louça. 

Termino o mês com esse lado do peito mais quentinho e preenchido por esse montinho de pelos pretos que gosta de correr atrás do meu pé e com um ano a mais nas costas. Até Junho!

28 maio 2018

Ser o entre.


A passagem dos anos no calendário traz consigo a diminuição das nossas células; mesmo as perdendo, a sensação de acúmulo no meu corpo aumenta à cada 11 de Maio porque nessa mesma data -- em 1997, o dia das mães --, estive nos braços de alguém pela primeira vez. Vinte e um anos depois percorri outros, deixei e fui deixada com ambos esticados esperando por abraços que não vieram, perdi tantas e tantas células, roupas, amigos, cabelos, costumes e incontáveis segundos, mas a cada vez que surge a data cuja memória envolve meu nascimento, o peso a perda aumentam.

Pesa por sentir que deveria ser mais quando ainda me sinto tão pouco, sendo cada peso contraditório por sempre estar acompanhado da sensação de ausência de tudo que sei não só ser, como ter sido. Vez ou outra me pego como um animalzinho que ainda não entende muito bem seu próprio corpo: me mordo sem reconhecer que por mais estranho que seja, aquilo também sou eu; corro em círculos em busca de mim sem perceber que estou ali, inteiramente presente naquele giro, mesmo que enjoada e cansada de procurar por um bando que me conforte quando posso muito bem seguir com meus próprios instintos.

No fundo sei que não estive rodando ao longo dos 21 anos que se passaram, lembro bem de carregar certezas e longas caminhadas em linha reta, mas ainda assim me enxergo como o entre. Estou entre as oportunidades de ser quem quero, entre o que fui e o que tento ser, entre os que foram e os que ainda serão, e entre as idades que separam a vida em seu início da sua continuação já determinada. Carrego o peso de ser não sendo e a perda de ter sido. Sou e estou entre. 

20 maio 2018

Be bostra as ibagens: Abril de 2018.

Se você esteve por aqui no mês passado, sabe que comecei um projeto pessoal chamado 'Be Bostra as Ibagens' -- uma piadinha com apresentadores de jornais sensacionalistas --. que envolve compartilhar minhas fotografias amadoras mensalmente com o propósito de permitir que quem as vê saiba mais sobre meu modo de olhar o mundo e dessa forma, enxergar as pequenas coisas boas do dia-a-dia que muitas vezes passam despercebidas.

(Mais uma vez) Av. Paulista e seus arredores.



O medo de todas as fotos durante os meses acabarem se tornando extensões eternas do que é a Avenida Paulista é real, mas ela também é um dos lugares que me tiram um pouco dos dias em que as angústias crescem dentro do peito. A primeira foto foi tirada do vão do MASP, de um prédio que associei com Grey's Anatomy pois sou viciada em sofrer; a partir da segunda, todas as fotos em sentido horário são dentro da Casa das Rosas: um edifício comercial, a janela que faz parte da Casa e não tem motivo especial algum para estar aí além do meu costume de fotografar janelas -- qualquer dia explico qual a minha questão com elas--. e por último meus pezinhos com o fim de um poema em exposição que achei muito bonito. As fotos a seguir são todas do jardim da Casa.




Livros e flores.



Encontrei Agência Nº1 de Mulheres Detetives, do autor Mr. McCall Smith em uma biblioteca pública. No caso, esse é o primeiro de uma série de quinze romances policiais com a protagonista Preciosa Ramotswe, que se arrisca abrindo uma agência de detetive em sua cidade natal, Gaborone, capital de Botsuana, com a herança que recebe do pai. Confesso que quando o peguei estava mais atraída pela ideia de uma agência com mulheres detetives -- e pelos detalhes da capa --, e nem me preocupei em saber muito sobre a história, mas o lendo, encontrei um livro mais interessante do que imaginava, com uma mulher acreditando em si e deixando de lado aqueles que a desincentivam, além do fato de a história ser localizada em Botsuana, o que foi uma surpresa. 


Fora isso, tentei fotografar uma das árvores mais bonitas do meu bairro e fui atrapalhada pelos fios de eletricidade (no terreno dessa árvore ficava uma casa bem antiga que foi demolida para construírem apartamentos no lugar. Quando isso aconteceu, fiquei morrendo de medo que a derrubassem, mas dois anos já se passaram e nada foi construído no lugar). Anualmente meu município realiza um festival de flores -- segunda foto --; e fui presenteada pelo meu namorado com um vaso de Begônias que chamei de Beyoncé pra fazer piada ruim por as duas começarem com "Be", mas no exato momento em que escrevo isso estou olhando para o vaso e vendo um total de zero flores (aceito dicas).

Ah, o texto foi publicado em Maio, mas como o escrevi em Abril também vou deixar aqui, apareci lá no Valkirias em um especial para a semana do trabalho: Paula Proctor e a árdua jornada de trabalho feminina. Se você também assiste Crazy Ex-Girlfriend, espero que te contemple.

Que os bons pequenos momentos continuem, pra vocês e pra mim!
© Limonada.
Maira Gall