Para ler ouvindo:
Esse texto tem alguns spoilers de The O.C, caso você nunca tenha assistido à serie e tenha curiosidade, fica o aviso.
Só fui assistir The O.C pela primeira vez no final de 2025/início de 2026, com a entrada das temporadas no Prime Vídeo. Em uma maratona que durou dos dias finais de Novembro até o meio de Janeiro, me surpreendi com os comentários que consideravam a quarta temporada ruim, quando para mim, que assisti cada episódio tão próximo um do outro, ela foi a melhor.
Ryan finalmente conseguiu sair do ciclo da violência, perpetuado por ele ao ser adotado após uma vida de abusos, e que infelizmente, ainda se mantinha presente com o constante envolvimento do personagem com a Marissa. Não a vejo como de todo ruim, muito pelo contrário, ao longo da série é claro o quanto ser criada (ou no caso, não ser criada, já que não existe uma família de verdade ali) por Julie a afetou, mas durante as três primeiras temporadas eu não conseguia achar romântico ou envolvente a relação dela com o Ryan. Era só problemática. Um laço causado pela identificação clara entre os traumas deles, mas ainda assim, um laço que só fazia mal — e ver, na quarta temporada, a evolução do Ryan quando encontra alguém que não o afunda junto a ela, para mim é o suficiente.
Também gosto de como a temporada explora, para o Seth, o contrário das outras três primeiras. Nelas vemos Ryan sendo a sua "salvação" de uma vida de solidão. Entre a terceira e a quarta temporada, no entanto, começamos a notar como o perfil introvertido e ansioso de Seth não pode ser corrigido pelo seu melhor amigo, e assistimos as consequências disso em sua vida.
Summer, por outro lado, encontra no ativismo sua paixão e não fica presa no esteriótipo da garota rica, bonita e burra, tão explorado nas primeiras temporadas.
A série tem muitas problemáticas, é claro, (a forma como o Seth trata a Summer é uma das principais), mas considerando que foi uma série teen dos anos 2000, assistir tantas questões de classe (e diversos comentários políticos, por vezes socialistas — obrigada por isso, Sandy), me surpreendeu MUITO.