09 março 2021

Sinal de vida


Oi, como vão as coisas aí do outro lado?

Sumi por tantos meses que perdi o costume. Não sei mais como escrever para um blog pessoal. Cheguei a fechar o link por 24 horas (e me surpreendi com duas pessoas que lembraram meu e-mail e vieram perguntar como eu estava. Muito obrigada, mesmo, mesmo, mesmo!), mas passado o "surto", desisti e reabri. 

Em poucos dias completo 1 ano de isolamento social. Nesses 365 dias, às vezes em que saí se resumiram a voltas no meu quarteirão com minha cachorrinha, idas em padarias e mercadinhos próximos, consultas em médicos, e mais recentemente, uma ida à minha faculdade para tomar a primeira dose da vacina. Pois é, estou 50% vacinada. A segunda dose chega no fim desse mês, e foi uma surpresa saber que eu seria vacinada antes de começar meus estágios no hospital. Fiquei com a Coronavac, e pelo menos na primeira dose, não tive nenhuma reação, só o músculo dolorido durante o dia seguinte. 

É claro que reconheço o privilégio de ficar em casa durante a pandemia, o que só aconteceu por conta do EAD da faculdade e dos meus estágios só iniciarem em 2021, mas pelo andar da carruagem, já sei que vou começar a entrar em contato com muitos possíveis contaminados neste ano sem ver, de fato, uma melhora na situação da pandemia no país.

Acho que, afinal de contas, sumi por tanto tempo porque não sinto que tenho algo bom para falar, e os dias já tem sido tão doloridos pra todo mundo, que não vejo motivo pra vir aqui me lamentar.

Ainda tenho alguns "só acontece comigo" nos rascunhos, quem sabe começo a postar eles.

Se eu tiver ideias de posts que não façam a vida parecer um filme da franquia de Jogos Vorazes, também volto aqui.

Qualquer coisa, estou sempre no Twitter.  

Espero que vocês estejam todos bem (dentro do máximo possível). 

06 novembro 2020

Só acontece comigo #87

O ocorrido deste "Só acontece comigo" data de antes do dia 14 de Março de 2020, quando se iniciou o período de quarentena. Se puder, fique em casa. 

O mês era Janeiro. O Brasil ainda era um país minimamente possível de se viver em. Meus amigos que fazem faculdade longe de onde moramos tinham voltado para suas casas, e como regra, sempre nos encontramos durante nossas férias. Nesse dia fomos em um bar, e grande parte deles retornou pra casa depois das 23, mas não eu, o alecrim dourado e diferente, porque acompanhei um outro amigo em uma balada com entrada de graça. Às duas da manhã já estávamos os dois sentados pensando nas nossas camas? Estávamos, mas no ímpeto de aproveitar a juventude, ficamos.


Às 04:20 da manhã pensamos: "faltam 20 minutos para abrir o metrô!" e saímos com certa vontade (dores e olheiras) da balada em direção a subida da rua Augusta para a estação Consolação. Estávamos nós, sonolentos, subindo de mãos dadas para prevenir quaisquer assédios, quando uma travesti simplesmente surgiu na nossa frente gritando "que casal bonitoooooo", no que respondemos "não somos um casal" e meu amigo, uma criatura sempre muito alegre, começou a fazer uma espécie de dança com gritinhos com ela, enquanto esta passava a mão na cintura dele. Mais um dia normal em São Paulo. 

Do nada a dança se transformou em briga: a travesti saiu de perto enquanto meu amigo a acusava de ter roubado seu celular, que estava em um bolso muito próximo do local em que ela passou as mãos durante as festividades deles. Eu, que odeio conflitos, e queria muito minha casa, que ainda estava a duas horas dali, perguntei se ele tinha certeza do que estava falando, já que não estávamos nos nossos momentos mais lúcidos, e ele afirmava veementemente que estava sendo roubado.

Assim como a primeira apareceu de repente, duas travestis surgiram do outro lado da calçada com gritos de "EPA, EPA, EPA, QUE QUE TÁ ACONTECENDO AQUI? QUEM TÁ GRITANDO COM  A NOSSA AMIGA?" e meu amigo, no desespero, só dizia que ela tinha roubado o celular dele, enquanto ela dizia que não sabia do que ele estava falando. 

Tudo aconteceu muito rápido.

De repente meu amigo estava agarrado aos cabelos dela.

Ela pedia pra ele não bater nela.

Ele dizia que não ia bater e só queria o celular.

Ela se desiquilibrou na guia da calçada.

Ele também.

Os dois no chão, um em cima do outro.

Uma das amigas dela grita "EU VOU MATAR UM HOJE!" pega uma garrafa de vidro vazia sabe-se de onde e a quebra pela metade na guia. 

Eu pensei: "nossa, como é que eu vou explicar isso pros nossos pais depois no hospital?", já prevendo o pior.

O celular foi devolvido.

Voltamos a subir a rua Augusta.

Ninguém se feriu. Só a garrafa. 


26 outubro 2020

Uma nova casa para o Projeto Rata de Biblioteca

Quando planejei o Projeto Rata de Biblioteca pela primeira vez, em Julho de 2018, minhas motivações eram duas: falar sobre o quanto as bibliotecas públicas foram boas para mim, por diversos motivos que iam até para além do acesso aos livros gratuitos, e dar um ponto de vista diferente para a discussão (que de tempos em tempos ainda revivem na internet) sobre a pirataria de e-books, já que sempre me incomodou o discurso do "se não pode comprar, não pirateie" enquanto todos os influenciadores literários conhecidos promoviam unboxings gigantes e só falavam de livros recém lançados, muitas vezes com preços acima da possibilidade de gasto com entretenimento da maioria das pessoas. 

Dois anos se passaram desde o início do Projeto, e apesar dos poucos livros que de fato, consegui resenhar, o carinho por ele é enorme e constantemente sou lembrada do que me levou a criá-lo. Nessa quarentena, tento a oportunidade de colocar no papel os livros emprestados de bibliotecas públicas a que já tive acesso e que quero mostrar ser bons para outras pessoas, notei que aquilo que a principio pensei que seria um facilitador para a realização do Projeto estava, na verdade, sendo um ponto que me desmotivava um pouco: mantê-lo aqui no blog. 

O Limonada é um espaço de criação muito amplo por ser um blog pessoal, mas concentrar nele aquilo que fosse feito com o Rata de Biblioteca não estava dando ao Projeto a visibilidade que eu gostaria. Pensando nisso, resolvi o problema criando um espaço só para ele: o site oficial do Projeto.


Os posts já feitos aqui no blog não serão apagados, e foram repostados no site oficial. A partir de agora, as resenhas (e futuros bate-papos que já estou conseguindo organizar!) irão diretamente para o novo endereço. Além do site, continuo no Instagram do Projeto: @rbiblioteca.

É uma ideia que tem muito de mim e dos meus ideais, e me sentir confiante o bastante para fazê-la crescer um pouco me deixa muito feliz. Vejo vocês no outro site. ❣

© Limonada
Maira Gall