06 novembro 2020

Só acontece comigo #87

O ocorrido deste "Só acontece comigo" data de antes do dia 14 de Março de 2020, quando se iniciou o período de quarentena. Se puder, fique em casa. 

O mês era Janeiro. O Brasil ainda era um país minimamente possível de se viver em. Meus amigos que fazem faculdade longe de onde moramos tinham voltado para suas casas, e como regra, sempre nos encontramos durante nossas férias. Nesse dia fomos em um bar, e grande parte deles retornou pra casa depois das 23, mas não eu, o alecrim dourado e diferente, porque acompanhei um outro amigo em uma balada com entrada de graça. Às duas da manhã já estávamos os dois sentados pensando nas nossas camas? Estávamos, mas no ímpeto de aproveitar a juventude ficamos.


Às 04:20 da manhã pensamos: "faltam 20 minutos para abrir o metrô!" e saímos com certa vontade (dores e olheiras) da balada em direção a subida da rua Augusta para a estação Consolação. Estávamos nós, sonolentos, subindo de mãos dadas para prevenir quaisquer assédios, quando uma travesti simplesmente surgiu na nossa frente gritando "que casal bonitoooooo", no que respondemos "não somos um casal" e meu amigo, uma criatura sempre muito alegre, começou a fazer uma espécie de dança com gritinhos com ela, enquanto esta passava a mão na cintura dele. Mais um dia normal em São Paulo. 

Do nada a dança se transformou em briga: a travesti saiu de perto enquanto meu amigo a acusava de ter roubado seu celular, que estava em um bolso muito próximo do local em que ela passou as mãos durante as festividades deles. Eu, que odeio conflitos, e queria muito minha casa, que ainda estava a duas horas dali, perguntei se ele tinha certeza do que estava falando, já que não estávamos nos nossos momentos mais lúcidos, e ele afirmava veementemente que estava sendo roubado.

Assim como a primeira apareceu de repente, duas travestis surgiram do outro lado da calçada com gritos de "EPA, EPA, EPA, QUE QUE TÁ ACONTECENDO AQUI? QUEM TÁ GRITANDO COM  A NOSSA AMIGA?" e meu amigo, no desespero, só dizia que ela tinha roubado o celular dele, enquanto ela dizia que não sabia do que ele estava falando. 

Tudo aconteceu muito rápido.

De repente meu amigo estava agarrado aos cabelos dela.

Ela pedia pra ele não bater nela.

Ele dizia que não ia bater e só queria o celular.

Ela se desiquilibrou na guia da calçada.

Ele também.

Os dois no chão, um em cima do outro.

Uma das amigas dela grita "EU VOU MATAR UM HOJE!" pega uma garrafa de vidro vazia sabe-se de onde e a quebra pela metade na guia. 

Eu pensei: "nossa, como é que eu vou explicar isso pros nossos pais depois no hospital?", já prevendo o pior.

O celular foi devolvido.

Voltamos a subir a rua Augusta.

Ninguém se feriu. Só a garrafa. 


9 comentários

  1. Genteeeeeee! Que história mais louca!!!!
    Eu fiquei chocada, sério mesmo, nunca passei nenhuma situação dessas, glória a deus.
    Fiquei indignada com a cara de pau dessas meninas, não se pode confiar em ngm

    Carol Justo | Justo Eu?!

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  2. Ele queria RIR, mas recebeu CHOQUE

    Meu deus, que perigo! Podia ter acabado muito mal. Eu se fosse ele provavelmente só ia me tocar do celular desaparecido muito tempo depois. Imagina o tanto de celular que ela já roubou assim. Já perdi celular assim num ônubus. Tava no meu bolso da frente, quando desci do ônibus não tava mais. Sei nem em que momento pegaram. Imagino seu desespero acompanhando tudo.

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  3. Comecei a escrever um "HAHAHAHAHA", mas vi os outros comentários e me senti mal. Vim dizer que aconteceu exatamente isso com um amigo meu, só não rolou a briga. Ele ficou sem o telefone mesmo. Ainda bem que ninguém se feriu!

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  4. Na parte da dancinha eu comecei a rir mas depois vi que a coisa ficou séria! Tô passada, mas nossa, ainda bem que a coisa não evoluiu pra algo pior. Seu amigo foi bem corajoso em cobrar o celular de volta, foi perigoso mas pelo menos nesse caso "nada" aconteceu. Espero de verdade que nunca mais vocês passem por isso.

    Abraços!

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  5. Eu certamente não esperava por esse plot twist e estou aqui: chessus. Literalmente pode acontecer de tudo nas ruas de São Paulo, rapaiz!

    Beixinhos! :*

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  6. essa história parece muito de ficcção de conto de comédia ajdiasjiodji muito boa, na hora deve ter sido terrível mas todos os momentos terríveis viram boas histórias. eu ia ter ficado com muito medo de acabar machucada, mas ainda bem que o celular foi recuperado no final de tudo isjaiodjasoid jurava que teu amigo só tava delirando de sono. nunca fui assaltada.

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  7. E é por isso que eu prefiro ficar em casa kkkk sempre que eu saio dá alguma treta, amei o post!

    Beijinhuuuuuuus ヾ(•ω•`)o

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  8. Eu fiquei apreensiva real e doida pra saber como terminava a história. Por sorte ninguém (além da garrafa) se machucou e o celular foi devolvido. Confesso que ri muito, mas com respeito!

    Não sei se lembra de mim. Brendha, do Palavras Alienadas. Bateu saudade, tô pensando em voltar ❤️

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  9. Que loucura... Ainda bem que nem saio de casa hahahaha

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