Durante muitos anos a história da minha vida cruzou seu caminho com a história da internet. Ainda pequena, por volta dos quatro anos, a incrível máquina branca no canto da sala só era acessada quando meu pai também estava em casa — naquela época ele era como o guardião da honrada chave de acesso, cujo portal atravessava os vastos campos da plataforma IG, tendo como companhia para sua travessia o sinal mudo no telefone e o som estranho que anunciava a conexão —, ou para imprimir desenhos para que eu os pintasse, ou para me deixar jogar no Portal do Sítio Amarelo.
O meu crescimento no mundo real foi acompanhado por diferentes fases dela. Do jogo de guarda-roupas da Turma da Mônica ao Stardoll, das fanfics aos textos em blogs, dos vídeos no Youtube aos vídeos no Tiktok: nunca houve uma fase da minha vida em que realidade e o virtual não estivessem entrelaçados.
Quando criei esse blog, ainda em 2013, com o nome de Novembro Inconstante, estava vivendo uma adultização muito precoce. Aos 16 anos já conciliava uma escala de trabalho 6x1 com as noites na escola, um namoro não muito saudável, e todas as emoções da recém conquistada "vida adulta". Andava sozinha em São Paulo pela primeira vez, ganhava meu dinheiro e decidia como gastá-lo também pela primeira vez. Republicava imagens no Tumblr, acompanhava o blog do Depois dos Quinze, o Around Vanessa, o Wink e o So Contagius. Na internet, todos escrevíamos. Éramos vulneráveis, polêmicos, um pouco dramáticos, mas de alguma forma, estávamos todos o mais conectados possível para a época, sem nem desconfiarmos que em alguns anos, a internet estaria sempre no nosso bolso. Sem desconfiarmos que os blogs virariam nostalgia.
Apesar de ainda ser muito cronicamente online (definitivamente mais do que o saudável), minha postura na internet mudou muito nos últimos anos. Os posts no blog são feitos a cada ano. O Instagram é um perfil privado com pouquíssimas fotos. De alguma forma, a internet continuou seu crescimento, mas deixou de me acompanhar, como sempre o fazia. Ela expandiu, eu diminui. Ainda assim, quando vi o site preparado pela Bá Moretti e pelo Igor Medeiroz para o BEDA desse ano, foi inevitável não querer retornar para cá. Não desejar fervorosamente ainda ser uma adolescente descobrindo a vida sem conseguir não compartilhar seus gostos e desgostos com os outros. Por isso, não garanto que serão 31 dias de posts, mas garanto que de alguma forma, durante agosto, eu vou estar por aqui. Como se ainda estivéssemos em 2010.
Que nostalgia que deu lendo teu post. Naquela época parece que a internet nos conecta de verdade, agora sinto que estamos longe disso. Ter essa volta de blogs e essa comunidade incrivel fazendo com que a mundo dos blogs ainda esteja vivo, dá essa sensação boa de estar vivendo no melhor lado da internet. Boa sorte pra nós nesse Beda! <3
ResponderExcluirque post massa!! eu amava o stardoll kkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirAhhh o discador do IG, que lembrança. Que post gostoso de ler, espero que a vontade de estar nos blog permaneça mesmo pós BEDA <3
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