28 agosto 2017

Melhor do que parece 4/4 | BEDA #28




Tudo está melhor do que parece
Eu olho e vejo tudo errado
Faz tempo que está tudo certo

Todas as vezes que me perguntaram se eu faria alguma tatuagem, a resposta foi a mesma. O desenho não vem à tona, mas o significado se relaciona muito com quem fui, e com quem diariamente me esforço para vir a ser. Deixar o pessimismo de lado e tentar mudar a minha linha de pensamentos foi um ato de coragem, que até hoje exige muito de mim, por isso, a tinta na minha pele seria responsável por lembrar-me até o fim dos dias que não preciso carregar a mochila pesada, com bolinhas amassadas muito além das minhas, e que tá tudo bem deixar todos os problemas externos de lado um pouco em nome da minha boa postura. 

Acredito que o grande problema do pessimismo e sua influência na minha vida, vem de uma insegurança com o dobro da minha altura, que sempre me causa essa falta de ar que sobe da barriga para o sistema respiratório em menos de 2 segundos e me paralisa por anos. 

Todas as vezes em que pego a caneta em cima da mesa, e começo a usar o papel após aquele traço definitivo que fiz, percebo o quão relativa a ideia do bem-estar pode ser. Em comparação ao passado, as coisas estão realmente melhores do que parecem -- e quanto ao futuro, desse nada saberei --, mas cada vez que as olho me sinto insatisfeita.

Eu não preciso de uma mochila com tantos problemas metaforicamente transformados em bolinhas de papel como fiz aqui; não preciso sempre usar o lápis grafite com a esperança de usar a borracha e o apontador sempre na frente da vontade de estar ali, participando em cada reta. Um dia os papeis podem acabar, mas eu sei que a caneta vai continuar escrevendo. 

*Melhor do que Parece faz parte de uma série de 4 posts semanais, baseada na música de mesmo nome da banda O Terno. Para entender cada parte, é necessário ler a anterior.

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