25 março 2018

Há uma falta em mim.


E há muito tento curá-la. Por montanhas e campos caminhei, mas não a encontrei. Noites mal dormidas, algumas horas investidas e ainda assim o vazio em mim habita. Eu quero tanto, tanto que não cabe nos braços, e nem por isso os deixo cair pelo caminho, carrego. Carrego com toda a força que sou capaz, mas mesmo com todos os passos atrás de passos, com a postura já danificada e os braços tão bem seguros: eu não encontro. 

Não encontro porque não está em nenhuma montanha e porque a distância é mais próxima do que qualquer campo. Não encontro porque as noites mal dormidas querem dizer algo a mais que não me atentei a ouvir, e porque os braços precisam sim do descanso. Não me rendi, mas dessa vez compreendi. A falta não está lá fora, está aqui. Eu sinto falta de quem sei que sou, de tudo que posso ter perdido nesse tempo e não notei e de todas as coisas que ainda estão por vir, mas talvez a busca não me deixe ter. Sinto falta das caminhadas e da mesa ao lado da janela, do sol batendo no meu rosto e do vai e vem de pessoas, dos cheiros e dos gostos, dos risos e dos gritos. Eu sinto a minha falta, e não quero mais sentir.

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Deixar a rotina tirar as pequenas coisas que me fazem bem e estar constantemente priorizando outros levou à essa sensação de estar completamente fora do meu eixo. Pensando nisso, decidi prestar atenção em tudo que mesmo quando comparado a imensidão de tantas outras coisas do dia-a-dia se torna pequeno, é capaz de me fazer sentir mais perto de quem sou.


  • Aprender coisas novas: esse ano comecei um curso de inglês (aliás, se você estudou no ensino público, ou com 50% de bolsa em instituições particulares, a ONG CPM oferece cursos de inglês gratuitos em várias regiões) e com isso, tenho consumido canais ingleses sobre livros -- por ser um assunto que eu particularmente gosto de ouvir sobre --, tento sempre entender as músicas que ouço com o raciocínio já na língua, e pela primeira vez estou lendo um livro em inglês. Apesar de saber muita coisa da língua, aprendê-la com mais compromisso tem me feito muito bem. Além disso, tenho tentando aprender à tocar violão e também tem sido algo bom -- já sei tocar os 10 primeiros segundos de Speak Now, minha carreira artística tem tudo pra ser promissora. 
  • Bullet Journal: gosto muito de trabalhos manuais. Com eles me sinto capaz e são ótimos pra ocupar a mente de uma forma que a distraía de tudo o que se encontra ao redor. Comecei um Bullet improvisado no ano passado, e esse ano criei mais um, o que tem sido ótimo. É nele que desenho, escrevo, faço colagens, acompanho minhas leituras, minhas mudanças de humor e me motivo a ter hábitos melhores -- não bebo refrigerante há quase um ano porque pintar os quadradinhos de dias em que consigo me manter "sóbria" me motiva a não desistir --, é como ter minhas memórias materializadas e eternizadas, e é sempre bom olhar pra momentos anteriores e ver que mesmo com as dificuldades, o passar do tempo permitiu que tudo ficasse bem, pois traz esperança para tudo o que não não anda tão legal assim atualmente melhorar no futuro próximo. 
  • Caminhar: andar sozinha sempre foi um ótimo exercício para aliviar a mente e me deixar feliz sem precisar de muito. Faz muito tempo que não dou longas caminhadas com minha própria companhia e algo me diz que se isso mudar, muita coisa aqui dentro também volta pro lugar. 
  • Dates comigo mesma: sair comigo mesma pra resolver o que preciso ou só para olhar a movimentação no bairro sempre me trouxe auto-confiança e paz, mas tenho passado por uma fase meio tartaruga, quando não em bando, estou dentro do meu casco me escondendo do mundo lá fora.
  • Escrever: tenho tido problemas com minha escrita por sentir vergonha de tudo o que vem dela. Acho meus textos sem nexo, não vejo motivos pra escrever de forma mais pessoal e me expor -- com medo até de afetar alguém próximo que por acaso encontre tudo o que já espalhei por ai -- e sinto que no fundo ninguém está tão interessado assim no que tenho aqui dentro, quando na verdade a escrita deveria ser um exercício para me auto-entender e até uma forma de me entreter e sentir que o que eu tenho para falar importa pra única pessoa que de fato deveria: eu mesma. 
  • Fotografar: não sou a melhor fotógrafa do mundo e nem pretendo ser -- assim como fazer todas as outras coisas que citei não implica que eu tenha talento nelas --, mas por ter uma personalidade mais introspectiva, costumo observar muito os lugares em que estou e gosto de como as fotos são capazes de passar um outro olhar pra quem talvez não tenha reparado nos mesmos detalhes que você, além da capacidade de levar sua mente para aquele mesmo dia e lugar em que foram tiradas. 
  • Ler: livros são uma válvula de escape que conseguem me manter sã na maior parte do tempo, mas ultimamente, creio que por estar passando mais tempo estudando com livros do que com aulas durante o dia, a leitura mesmo ficcional não tem ido pra frente. Voltei a ler livros mais leves e a buscar conforto nos young adults pra ver se essa sensação de cabeça-muito-cheia passa, porque realmente é um pedaço de quem sou que faz muita falta. 

De todas as coisas difíceis do existir, parar de se enxergar nos seus próprios atos é uma das que mais doem. Que sempre haja tempo para repensar isso e voltar à própria origem. 

7 comentários

  1. Você conseguiu descrever em palavras o que eu venho tentando expressar há muito, muito tempo.. Eu quase chorei aqui, porque eu me vi nisso, sabe? Muito obrigada.. E eu tenho feito coisas parecidas também..
    Eu não acho que você realmente tenha pedido por isso, mas de qualquer forma eu queria dizer que, se algum dia você precisar de um motivo pra escrever, saiba que com textos como esse você pode ajudar pessoas. Me ajudou. Eu realmente tenho dificuldade de me expressar, então eu não consigo te explicar como, mas me ajudou. E eu estou muito grata a você por isso.

    Martina

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    1. Fico muito feliz lendo isso, Martina ❤ espero que você encontre mais meios de sentir isso cada vez menos.

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  2. Muito legal esse registro de coisas novas que você vai aprendendo, além de perceber os novo hábitos!

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  3. Olha, eu tô passando por uma fase muito assim. Um período em que estou me redescobrindo e aprendendo a conviver melhor comigo mesma. Às vezes, parar e fazer uma reflexão sobre isso é o primeiro passo para transformar as coisas.

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  4. mulheeeer, me identifiquei DEMAIS com você nesse post. ele sou eu todinha descrita em alguns parágrafos (inclusive os hábitos) e hoje eu precisava desse auto-reconhecimento, obrigadaaaa <3
    teu blog é lindo!!!!!

    beijos,
    a-mares-ia.blogspot.com

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  5. Sei bem como é essa sensação de se perder na sua própria rotina e essa pausa pro autoconhecimento e estabelecimento de metas são as melhores maneiras de sair dessa sensação vazia. Aprender coisas novas é a melhor coisa, não podemos deixar nossa mente parada nunca! Guria, continua com o violão, depois que aprender a tocar Speak Now inteira tu vai ver que tu não vai querer parar mais hahaha. Eu nunca tive um bujo, mas tenho essa sensação quando tiro um tempo pra cuidar do meu Destrua Este Diário, mesmo assim quero muito um BuJo também pra anotar coisas e tal. Caminhar e sair comigo mesma são coisas que eu também tô querendo fazer mais, dá uma paz <3. E poxa, sei bem como é essa sensação de não gostar de nada que a gente escreve, mas logo passa! Ahhh, quando eu tava lendo os livros do vestibular também não conseguia parar pra ler livros que eu realmente queria, o único que conseguiu me fazer sair desse bloqueio foi Extraordinário (recomendo!), de lá pra cá, tenho voltado com meu ritmo de leitura (graçasadeus porque eu não aguentava mais não conseguir ler o que eu queria haha)
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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  6. Aqueles textos que são tão catárticos para o/a leitor/a quanto para o/a escritor/a...

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