A gente precisa conversar sobre o primeiro episódio de Gilmore Girls.

Esse post contém spoilers do Piloto de Gilmore Girls.




Então eu voltei a ver Gilmore Girls. Logo no primeiro episódio, quando Rory ainda estudava na Stars Hollow High School, em uma conversa com Lorelai e Sookie descobre que foi aceita em Chilton, uma escola preparatória cara, cujas mensalidades são responsáveis pela aprovação de todos os seus ex-alunos em universidades como Yale e Harvard. Até então o sonho da Gilmore mais nova era cursar Jornalismo em Harvard, o que torna Chilton um grande passo rumo ao mundo acadêmico.

Quando Rory está limpando seu armário empolgada por contar a novidade para sua melhor amiga Lane, acaba conhecendo Dean, um garoto vindo de Chicago, alto, com jaqueta de couro e uma carinha de bumbum de neném que nenhuma garota aos 16 anos conseguiria controlar seus hormônios diante dela. É esse encontro que uso como ponto para esse texto. 

A tradução do título usada no nosso país não é escolhida à toa. Aqui no Brasil, quando transmitida pelo SBT, Gilmore Girls passou a se chamar Tal Mãe, Tal Filha. E como já explícito, durante as sete temporadas da série vemos que mesmo Lorelai e Rory sendo pessoas diferentes que vivem de maneiras opostas, a mãe e a filha costumam ser bem parecidas quanto ao modo que tomam suas decisões e como suas personalidades se mostram iguais com o passar do tempo - Rory pode até ser um pouco mais pé no chão que Lorelai por ter seguido a risca tudo o que precisava para alcançar seu sonho profissional, mas são vários os momentos em que notamos a sua semelhança com a mãe por agir impulsivamente sem medir as consequências de seus atos - o que já pode ser visto no Piloto da série. 



Depois do encontro com Dean e de perceber que o mesmo estava interessado nela, Rory se fecha com sua mãe que através de outra personagem (Miss Patty) descobre o verdadeiro motivo para sua filha repentinamente não querer mais ir para Chilton (algo que desejava MUITO). Ao contrário do que a garota diz, a mudança não está ligada ao dinheiro que será gasto no processo, nem mesmo as longas viagens de ida e volta diárias. Rory não quer mais ir para Chilton porque conheceu Dean, e para uma garota de 16 anos que nunca foi notada por um cara, descobrir que alguém a quer é capaz de fazê-la deixar para trás muitas coisas. E é essa a cena que nos mostra toda a base da série: uma filha que mesmo sendo diferente de sua mãe quando tinha a mesma idade, por ter uma personalidade muito parecida acaba tomando decisões no mesmo nível, uma mãe que carrega traumas de sua criação e por isso realmente acha que a filha precisa compartilhar tudo o que acontece em sua vida com ela, e uma avó que por sempre ter sido impedida de cuidar da própria filha o faz em todas as brechas que encontra. O que nos leva ao Revival lançado pela Netflix, e esse texto não terá spoilers do mesmo, mas para quem já assistiu: o rumo que a vida da Emily toma, o fato de a Lorelai continuar sendo a birrenta que se recusa a enxergar as coisas boas que seus pais fizeram por ela e o modo como a Rory administra sua própria vida além das quatro últimas palavras estavam esse tempo todo na nossa cara.

Gilmore Girls é uma série sobre pessoas, e pessoas cometem mais erros que acertos, nós sabemos muito bem disso, só é difícil quando a ficção joga essa verdade no nosso colo e não nos deixa outra escolha, né?

Ser.



Você não é o cargo superior na empresa que trabalha, não é o diploma daquela faculdade

Você é a risada que deixou escapar brincando com o cachorro, é o olhar trocado com a pessoa amada, é a noite mal dormida pensando nos problemas

Você não é o dia ao avesso em que fora da cama nada estava certo e por isso xingou todos os seus amigos (mentalmente).

Você é o dia em que ajudou alguém que nem conhecia, é a cumplicidade trocada com quem senta ao seu lado no ônibus ao deixa-lo sair sem precisar dizer nada, é a vez que procurou moedas no fundo da mochila porque queria um sorvete.

Você não é tudo o que sua mente grita sempre que um erro é cometido, você não é o que os outros te dizem que é.

Você é um conjunto da matemática básica com vários elementos pertencentes em união e não um Delta negativo que acaba com toda a equação.

Só acontece comigo #53

Ou: aquele em que eu ganhei uma libra esterlina.
Ou ainda: faz muito frio aqui em London.



Se  você visita o blog com uma determinada frequência sabe que sou adepta assídua do transporte público. Nem sempre por vontade própria, quase sempre por necessidade. E ai que tem todo aquele sistema de troco, né? O motorista sempre precisa me devolver 20 centavos, então eu sempre sei que ou serão duas moedas de 10, ou quatro de 5, ou uma de 10 e duas de 5, de modo que nunca há nenhuma confusão no processo. Olhei o troco em minhas singelas mãos e ali estavam: uma moeda de 10, duas de 5. Segui minha vida? Segui sim, assim como manda o ritual. Cheguei em casa, deixei as moedas na escrivaninha e me distrai com outras coisas. Quando voltei ao meu quarto lembrei de guardar as moedas e notei a existência do que parecia ser uma anomalia ali no meio.

A moeda de 5 centavos não era um simples plebeu, meus amigos. 

É UMA FUCKING LIBRA ESTERLINA!!!!!

Como essa moeda veio parar em um município de São Paulo? Por quais mãos passou? Que histórias presenciou? Estaria sabendo do Brexit? São tantas questões.
© Limonada
Maira Gall