Séries
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Minhas playlists baseadas em personagens | #BEDA 25

Gosto muito de criar playlists temáticas. Ultimamente não tenho gostado muito do algorítmo do Spotify, que não me ajuda muito a conhecer novos artistas, o que me leva a usar menos o app, mas ainda assim, quando posso, estou por lá criando listas de músicas com tópicos em comum. 

Foi assim que, dado o meu envolvimento emocional com The Bear, comecei a criar playlists baseadas em personagens que gosto. Na série, acompanhamos o Chef Carmy, e acima de tudo, suas questões com saúde mental (não por acaso, é uma playlist com mais de uma música do Radiohead). 


Além dessa, criei também uma baseada no personagem Set Cohen, um dos meus personagens preferidos de The O.C.

California, here we come: uma ODE a The O.C | BEDA #07

Para ler ouvindo: 

Esse texto tem alguns spoilers de The O.C, caso você nunca tenha assistido à serie e tenha curiosidade, fica o aviso. 

Só fui assistir The O.C pela primeira vez no final de 2025/início de 2026, com a entrada das temporadas no Prime Vídeo. Em uma maratona que durou dos dias finais de Novembro até o meio de Janeiro, me surpreendi com os comentários que consideravam a quarta temporada ruim, quando para mim, que assisti cada episódio tão próximo um do outro, ela foi a melhor. 

Ryan finalmente conseguiu sair do ciclo da violência, perpetuado por ele ao ser adotado após uma vida de abusos, e que infelizmente, ainda se mantinha presente com o constante envolvimento do personagem com a Marissa. Não a vejo como de todo ruim, muito pelo contrário, ao longo da série é claro o quanto ser criada (ou no caso, não ser criada, já que não existe uma família de verdade ali) por Julie a afetou, mas durante as três primeiras temporadas eu não conseguia achar romântico ou envolvente a relação dela com o Ryan. Era só problemática. Um laço causado pela identificação clara entre os traumas deles, mas ainda assim, um laço que só fazia mal — e ver, na quarta temporada, a evolução do Ryan quando encontra alguém que não o afunda junto a ela, para mim é o suficiente. 



Também gosto de como a temporada explora, para o Seth, o contrário das outras três primeiras. Nelas vemos Ryan sendo a sua "salvação" de uma vida de solidão. Entre a terceira e a quarta temporada, no entanto, começamos a notar como o perfil introvertido e ansioso de Seth não pode ser corrigido pelo seu melhor amigo, e assistimos as consequências disso em sua vida. 



Summer, por outro lado, encontra no ativismo sua paixão e não fica presa no esteriótipo da garota rica, bonita e burra, tão explorado nas primeiras temporadas. 

A série tem muitas problemáticas, é claro, (a forma como o Seth trata a Summer é uma das principais), mas considerando que foi uma série teen dos anos 2000, assistir tantas questões de classe (e diversos comentários políticos, por vezes socialistas — obrigada por isso, Sandy), me surpreendeu MUITO. 



A Million Little Things: a importância de se falar sobre suicídio de forma responsável na TV



A Million Little Things, série que no Brasil está inclusa no serviço de assinatura da GloboPlay, é uma produção da ABC Studios de 2018, criada por DJ Nash. O enredo, desde o primeiro episódio, gira em torno de um tema que mesmo com as constantes tentativas de torná-lo mais discutido pela população, ainda é camuflado por medos e pré-conceitos: o suicídio. 


Atualmente na segunda temporada, com renovação para a terceira já confirmada, a série de drama leve, além de tocar onde quase ninguém tem coragem, consegue o fazer de forma muito responsável. Nela, conhecemos um grupo de amigos que se uniu por acaso, e que agora precisa lidar com a grande perda de um dos seus membros após sua morte inesperada. Além disso, cada personagem tem seus problemas pessoais aprofundados ao longo dos episódios, o que torna a série muito real.


Se algumas produções que retratam o tema costumam falhar ao colocá-lo como única possibilidade de melhora para quem está em sofrimento, A Million Little Things não têm o mesmo problema. Enquanto o primeiro episódio se inicia com a possibilidade de um dos protagonistas optar pelo suicídio, seu término, com a consumação do ato por outro personagem, leva o primeiro a não realiza-lo ao receber a noticia, e a, por fim, comunicar as pessoas próximas sobre como tem se sentido, e, no decorrer da série, buscar ajuda adequada de profissionais. 


Frequentemente comparada a This is Us, da NBC, pela grande presença de carga emocional, a série da ABC é tão boa quanto sua concorrente, assumindo o papel de conscientizadora sobre assuntos não retratados na outra. Alguns exemplos disso: 


A luta contra o câncer. 


Maggie Bloom, interpretada pela atriz Alisson Miller, é incluída no enredo ao conhecer Gary Mendez (James Roday Rodriguez), em um grupo de apoio a pacientes em remissão do câncer de mama. Em um primeiro momento a personagem, que posteriormente torna-se par romântico de Gary, tem com ele um atrito, por não entender a razão para um homem estar naquele grupo, sentindo-se desrespeitada. É quando Gary esclarece: homens também possuem câncer de mama, e ele, assim como todas as mulheres presentes, está em remissão do seu. Ao retratar a doença, a série não torna seus personagens apenas pacientes de um grave diagnóstico, demonstrando seus medos e desistências por ela influenciados, mas também como continuam a vida apesar dela, abrindo-se a novas oportunidades de emprego, amizades e relacionamentos amorosos. Ponto importante, tanto para aqueles em tratamento ou em remissão, a série também pontua de forma excelente a importância de um grupo de apoio, seja ele qual for, para aqueles que se encontram abalados com a notícia. 


A depressão e a masculinidade tóxica. 


Rome Howard (Romany Malco) é um homem negro incapaz de falar sobre seus sentimentos e sua depressão. A série investe no tema abordando sua infância e relação com o pai, que desde cedo o incentivou a pressupor que a masculinidade envolve, entre muitas outras coisas, a suspensão de suas emoções, e que por seu histórico de trabalhador, vê na depressão uma desculpa de pessoas pouco motivadas ou, como costuma dizer, "uma doença que brancos ricos possuem". Buscar ajuda para o que sente, falar a respeito com sua esposa e, explicar para seu próprio pai como vem se sentindo, são os principais assuntos aliados ao personagem. Além disso, Rome continuamente aborda o racismo e a dificuldade do homem preto em expressar-se dentro de uma sociedade que mal o aceita.


A retratação da bebida alcoólica como um vício. 


Eddie Salive, personagem do ator David Giuntoli, é um músico afastado dos palcos após seu história de problemas com o álcool. Sóbrio, já casado e com um filho pequeno, Eddie está anos a frente de seu tratamento, e mesmo assim, constantemente apresenta a dificuldade de manter-se longe do vício, tão presente em comemorações e tão fácil de tornar-se um escape para situações dolorosas. Assim como com Maggie e Gary, o grupo de amigos é uma ótima fonte de apoio, sempre respeitando a presença de Eddie ao não incluir bebidas em suas reuniões e ao mesmo tempo, observando-o cuidadosamente para que não volte ao antigo hábito.


A mulher como chefe de família. 


Casada com Eddie, Katherine  Saville (Grace Park) é a principal responsável pelo sustento da família. Sua personagem, encarada como uma mulher forte e emocionalmente fechada no inicio da série, é a retratação fiel da mulher que trabalha, cuida do filho, da casa, e sofre com o distanciamento do marido que não a entende por completo. 


A maternidade aliada a perda do cônjuge. 


Delilah Dixon (Stephanie Szostak), é a viúva do já citado personagem que falece no primeiro episódio (mas que está sempre incluso na série nas memórias encenadas). Com dois filhos adolescentes, Delilah precisa lidar com a perda do marido e a confortar os filhos ao mesmo tempo em que lida com sua própria dor. Além disso, o enredo explora Delilah como, acima de tais características, uma mulher ainda em idade ativa, com desejos e sonhos a realizar. 


A rede de apoio  — que também precisa dele. 



Regina Howard, na vida real, Christina Moses, interpreta a esposa de Rome. É ela sua principal fonte de apoio ao longo da problemática que o envolve, mas é também dela o papel de demonstrar que ser uma rede apoio não significa não precisar de uma. 

Nas duas temporadas já gravadas são muitos os outros bons pontos levantados pela série, e citá-los aqui seria tornar a experiência de assisti-la menos enriquecedora. A Million Little Things é atual, e ao mesmo tempo que dramática por demonstrar a vida como ela realmente é, leve e bem-humorada em não resumi-la a apenas isso. 

Ninguém se importa awards: 2017.

Parece que foi ontem o dia em que cheguei por aqui estendendo o tapete vermelho e anunciando a primeira edição do "Ninguém se Importa awards", a única premiação de melhores do ano cujas categorias são tweets antigos do Neymar e com um total de 0 pessoas que dão importância para ela, e já estamos na edição de 2017, os filhos crescem tão rápido. QUE RUFEM OS TAMBORES!

Para ler a edição de 2016, clique aqui.

Categoria 1 | Séries que você não pode perder.

Ou pode, porque cada um tem sua vida e pode escolher ao que assistir.


Foram pouquíssimas as estreias do ano que eu realmente tive tempo de acompanhar, e delas, uma eu até queria encontrar 13 motivos para não ter sido feita (rsrsrsrs #trocadilhos), mas a que entra para o tapete vermelho dessa não solicitada premiação com direito a muitas palminhas antes do discurso é:

Atypical - Netflix.


Sam (Keir Gilchrist) é um adolescente do ensino médio que, como ficamos sabendo nos primeiros momentos do episódio piloto, quer ver peitos. "E EU COM ISSO?", você pensa. Bom, Sam é também uma pessoa que vive com Transtorno do Espectro Autista.

Apesar de o mesmo estar cada vez mais falado na mídia, ainda são poucas as pessoas que possuem convivência com quem o têm ou que entendem minimamente o que é o Espectro, sendo um dos pontos principais -- e positivos -- da série a informação sobre o transtorno e por meio dos erros cometidos pelos próprios personagens, a orientação para confortar e o que fazer diante de situações parecidas.  

O que poderia ser só mais uma série sobre problemas adolescentes e bullyng na escola se abre em um leque amplo, com um papel de conscientização importante e diversos pontos diferentes para se enxergar a questão: a mãe que nunca conseguiu viver a própria vida ou cuidar da outra filha com tanto afinco como cuidou de Sam; o pai que sempre se sentiu por fora da criação do filho e tenta de pouco em pouco reverter o problema; a irmã não-tão-carinhosa, mas que compreende o máximo possível o irmão e suas limitações ajudando-o em tudo que consegue, e por fim, o próprio Sam, podendo dar ao público uma visão mais empática sobre como é enxergar o mundo por esse outro lado e sentir constantemente que as outras pessoas não estão vendo o mesmo que você -- e consequentemente, achar que o erro está do seu lado, quando não há uma posição para se tomar nisso. 

É uma série curta, com apenas oito episódios, e já renovada para a segunda temporada, que mesmo leve consegue ser didática, e une momentos de conforto com alguns de muita vontade de abraçar o travesseiro mais próximo. 


Categoria 2 | Não é Raça Negra, mas serve.


Na edição anterior comentei sobre o quanto o Spotify me auxiliou para descobrir novas bandas/cantores e consequentemente, transformou meu 2016 em um ano extremamente musical. 2017, por outro lado, deixou a desejar, porque se teve algo que não fiz -- e assumo a culpa inteiramente --, foi ouvir música.

Porém, enquanto Neymar dormia ouvindo Raça Negra, eu pegava metrô ouvindo Harry Styles pois sou directioner.

(Para ouvir os álbuns, basta clicar nos nomes.)

Harry Styles - Harry Styles. (EU REALMENTE ADOREI ESCREVER ISSO.)


O álbum que estreou a carreira solo de Harry, e porque não Styles, lançado pela Columbia Records trouxe ao público sons diferentes dos que o mesmo cantava em sua antiga boy band. Não sou nenhuma grande entendedora da música, e me sinto meio farsante tentando falar qualquer coisa sobre o CD que não seja BOM DEMAIS RAPAZ. Então é isso, gostei sim, aprovadíssimo, queria muito fazer uns cafunés na cabeleira do menino. Melhores músicas: Meet me in te Halway, Sign of the Times, Carolina, Sweet Creature, Only Angel, Kiwi e From the Dining Table.


Ao contrário de Harry Styles, o líder da banda nacional O Terno, Tim Bernardes, não precisou encerrar nenhum outro projeto para lançar seu trabalho solo. Acho a união da voz do Tim com o instrumental muito bonita, e suas letras sobre o sentir, os momentos em que tudo acaba -- se é que acaba -- e um leve tapinha sobre os tempos atuais em que tanto faz, como diz o nome da própria música, só colaboram para que as músicas sejam muito mais que o esperado. Melhores músicas: Quis Mudar, Tanto Faz, Pouco a Pouco, Não e Recomeçar. 


Também nacional, Scalene arrisca inovações em Magnetite. Apesar das inovações, uma das coisas que a banda continua trazendo e que eu particularmente gosto muito, desde os trabalhos passados, são as letras que se arriscam a dizer o necessário sobre a atualidade -- assim como fez Tim Bernardes. Melhores músicas: Cartão Postal, Distopia, Fragmento, Heteronomia e Phi.

Categoria 3 | Filmes para ver com a rapaziada.

Logan.

Nada para dizer além de QUEM DIRIA QUE EU IRIA CONSEGUIR GOSTAR TANTO DO WOLVERINE POR CAUSA DE UM ÚNICO FILME. E a Laura, ela merece todo amor do mundo.



Mulher-Maravilha.


FILME DE HEROÍNA, FILME DE HEROÍNA, FILME DE HEROÍNA, FILME DE HEROÍNA, FILME DE HEROÍNA, EU JÁ DISSE FILME DE HEROÍNA? É sobre finalmente se sentir parte desse mundo em que só homens pareciam poder estar, sobre sentir que você também pode e sobre como as vulnerabilidades não são ruins porque em todo o roteiro Diana era isso: vulnerável, e ainda assim, a Mulher-Maravilha. 

Extraordinário.


Num ano em que nada além do estresse foi capaz de me fazer chorar, a estreia de Extraordinário foi o cubo de gelo que faltava para o copo transbordar. Esqueci de comentar isso sobre Logan ali em cima, mas é engraçado notar que o que une meus três filmes preferidos do ano é a vulnerabilidade; em Logan, por ele se permitir conhecer Laura e confiar no que ela tem a dizer, em Mulher-Maravilha por ela se mostrar transparente com o que sente mesmo quando as situações podiam a impedir, e em Extraordinário porque como diz o próprio nome: cada um de nós é extraordinário, com direito ao pacote completo cheio de todas aquelas coisas que em um primeiro olhar não são boas. 

A hora de enrolar o tapete e deixá-lo guardado para o ano que vem enfim chegou. Me conta nos comentários quais foram os seus melhores do ano? Vou adorar saber!

Talvez eu seja como a Cristina Yang pescando. | BEDA #17


Apesar de ter parado com minha terapia (longa história), meu atual local de estudos possui uma psicóloga cuja única função é fingir que ali não existe uma sala com 30 pessoas -- cujos cabelos caem em grandes quantidades -- se preparando pro vestibular e por tal motivo, SURTADAS, o que faz com que semanalmente ela venha nos dizendo como é bom ter uma rotina saudável com mais de oito horas diárias de sono, alimentação de 3 em 3 horas, lazer e todas as outras coisas que nenhum de nós de fato tem. Em um desse momentos motivacionais, fizemos uma atividade em grupo que consistia em ficar 5 minutos falando "Quem é você?" para a pessoa do seu lado e esperar a resposta dela. Nesse vai e vem de ficar sem saber como me definir, acabei soltando um: "Uma versão mais nova da Cristina Yang", e meu amigo, que me conhece desde 2014, não se segurou e ao invés de continuar dizendo "Quem é você?", soltou o "HAHAHA TOTALMENTE!" mais sincero e espontâneo que já ouvi na minha vida. 

Prazer, eu sou Cristina Yang. 

Em um dos muitos episódios das muitas temporadas de Grey's Anatomy, existe esse momento da vida da Yang em que as coisas saíram um pouco dos trilhos, porque apesar de todas as falas sarcásticas, da independência e do amor por cardio, Cristina ainda é humana e precisa de um tempo para se recuperar e se encontrar depois de um baque. Depois de muitos episódios "fora de si", em uma pesca ela desata a chorar e aquilo parece ser o fim de uma era: tudo o que aconteceu daquele dia para trás já não importa mais, há uma nova camada de pele para protegê-la.


Na página "Sobre" aqui do blog, até fiz algumas piadinhas dizendo que me esforço pra ser Izzie Stevens e sempre acabo sendo Cristina, mas realmente não vejo isso como algo ruim. É bom me ver em uma personagem muitas vezes egoísta, ambiciosa, sarcástica e saber reconhecer que eu não sou perfeita e nunca vou ser, mas também é ótimo perceber que assim como ela, eu tenho o lado "You're my person", e que realmente me dedico àqueles que amo -- muitas vezes, mais do que deveria/gostaria -- a ponto de acabar sim, com uma arma apontada na cabeça enquanto preciso operar um paciente que por acaso é o marido da minha melhor amiga, e assim como qualquer outra pessoa, Yang percebe que nem sempre o retorno vai existir e que algumas pessoas vão nos empurrar para baixo enquanto tentamos levantar, e que tudo bem você fazer o melhor pra si, porque no fim do dia o que importa é a sua satisfação consigo, e não com os outros -- ou a satisfação dos outros com você. 

Não tenho passado por momentos muito bons atualmente, e mais do que nunca me sinto nessa eterna pesca em que qualquer movimento brusco me faz perder um peixe, mas eu continuo. Continuo porque nem sempre os ventos vão estar a favor do barco, nem sempre a maré vai estar pra peixe, e nem sempre eu vou querer pescar, também. Continuo, e lá na frente talvez eu consiga em meio ao silêncio necessário, no momento certo, pescar da maneira certa e voltar ao meu lugar não como antes, mas mais forte ainda. 


5 fictional girl crushes. | BEDA #05

No BEDA de 2016, impulsionada pelos milagres que as listinhas podem fazer durante uma maratona diária de posts, criei uma que fez sucesso: meus cinco principais crushes ficcionais masculinos. Em meio ao meu planejamento para esse ano, percebi que raramente falamos das mulheres, e me questionei o porque disso, já que MULHERES, né minha gente? Tão belas e tão mais sensatas. Por esse motivo, acompanhem agora não uma, mas cinco, das minhas principais crushes ficcionais femininas. 

5 - Emma Morley.



Não sei se posso classificá-la como crush literária ou cinematográfica, então direi que aqui ela representa o meio termo. Tudo começou mesmo com a leitura de Um Dia, do David Nicholls, lá em 2013. Nesse ano o livro bombou, e depois de ver muitos textos tecendo elogios a ele, me entreguei e descobri uma personagem vivendo coisas parecidas com o que eu tinha na época -- amorosamente falando, claro -- e com uma personalidade que de alguma forma parecia um reflexo meu. Minha história com o livro sempre me deixa muito feliz, porque foi a primeira vez que me reconheci em uma personagem literária, o que sempre foi muito difícil partindo do ponto de vista com que autores (no masculino mesmo que é pra vocês entenderem o recado) costumam criar suas personagens. Além dessa identificação no primeiro ato, um tempo depois assisti o filme, e a Anne Hathaway, né? Se tinha alguém melhor pro papel, ainda bem que não acharam.

4 - Mia Dolan.



Assim que saí da sessão de La La Land eu já sabia que aquele era um dos meus filmes favoritos, já que a vontade de segurar alguém pelos ombros e gritar um "Como é bom viver!", era enorme. Além das cores, do enredo, das músicas e dos rostos bonitos, gosto muito da maneira como a Mia foi construída ao longo dele. É possível vê-la dando cada passo, tomando tapas na cara, achando que vai dar e caindo de novo, pra mesmo assim levantar e continuar. Ela sabe o que ama, sabe o que quer, e não só tem noção como realmente abre mão do que precisar caso necessário.

3 - Robin Scherbatsky.


O final de How I Met Your Mother é doído e a gente concorda muito nisso, mas a Robin, quem em toda essa série foi capaz de ser melhor? Ela é uma mulher independente (mais uma, na verdade, porque todas as aqui citadas são MULHERÕES DA PORRA), assim como a Mia dá muito a cara a tapa, e mesmo quando um c e r t o m a r i d o não se mostra capaz de manter o casamento com ela, não há mudança alguma em sua essência: aquela é ela, e não vai mudar por nenhuma pessoa a não ser ela mesma.

2 - Diana Prince. 



Ainda quero escrever um texto sobre Mulher Maravilha aqui, então vou evitar falar mais. Porém, quem já assistiu o filme ou viu algo sobre, sabe muito bem do que eu estou falando. Por enquanto fiquem só com esse gif e a esperança em um futuro texto com mais informações.

1 - Dr. Addison Montgomery.



Shonda Rhimes é conhecida por matar suas personagens. Ainda bem que não fez isso com minha Addison, mas por outro lado, a levou pra um spin-off que ainda nem sequer consegui assistir. Sempre acho muito chato o modo como a personagem foi inserida no enredo: a-esposa-que-traiu-o-marido-e-merece-tudo-de-ruim, porque realmente acho que com isso muito da personalidade dela foi perdido. Demora um tempo pra ela começar a ser vista como a melhor obstetra dali, e mesmo quando esse reconhecimento passa a surgir constantemente nos episódios, sua própria saída para uma série mais focada nela tem um certo envolvimento com esse passado. Apesar disso, que mulher é Montgomery! A melhor da sua área, não abaixou a cabeça pra macho escroto (todos de Grey's) em nenhum momento, amiga e ouvinte de outras mulheres. Rainha soberana, receba sua coroa de primeiro lugar do meu coração.

A lista acaba aqui, mas vocês podem prestigiar mais mulheres nos comentários. Fico no aguardo.

Ninguém se importa awards: 2016.

Dá medo de começar a falar sobre 2016 e sem querer abrir um portal no universo que sugue todo mundo de volta pra ele? Dá sim, meus amigos, mas a ciência não confirmou nenhum evento parecido e eu estou com esse post feito salvo nos rascunhos e não pretendo desperdiçá-lo.

Eu consumo muita cultura pop. Amo passar horas falando sobre séries, compartilhar cenas de filmes que me inspiraram com as pessoas e indicar bandas novas pra todo mundo ouvir. Em 2016 esse lado da vida foi muito positivo, e assim como em 2015, quando apareci aqui com uma premiação para os melhores do ano, resolvi ser empreendedora e criei o meu próprio evento digno de tapete vermelho. Senhoras e senhores, hoje nasce o "Ninguém se importa awards", a premiação menos aclamada dos melhores do ano em toda a internet (e a única com tweets antigos do Neymar pra cada categoria) (além de fora de época). APRECIEM!

Categoria 1 | Séries que você não pode perder.


Stranger Things (Netflix).


Stranger Things foi além do que dizem. Todo mundo fala que são crianças bonitinhas e talentosas, e como o próprio nome sugere, que bagulhos estranhos estão acontecendo, mas ninguém te conta a importância de colocarem a solução do problema que aterroriza a todos nas mãos da geração mais nova em um contexto da Guerra Fria: é a próxima geração que vai limpar os restos cuja culpa nunca foi deles, e eles não são só crianças, são CRIANÇAS! Porque nenhum adulto acreditaria em um Demogorgon, em um mundo invertido ou em uma garota com poderes. É uma série sobre coragem e confiança, ambas muito bem representadas pela Eleven, que conhecendo apenas aos homens maus ainda assim consegue confiar em garotos que nunca tinha visto e tem coragem de se sacrificar por eles, porque é isso que amigos fazem, "Amigos não mentem". É uma série tão completa que conseguiu dar conta de tudo em apenas 8 episódios, sem nem precisar ocupar tempo com cenas sem nexo (e se por acaso você ainda não a assistiu por medo, já que o hype foi muito grande, ou por ter ouvido falar que é uma série de terror, larga disso e assiste logo, que nem dá medo mesmo galera, é só um monstrinho).

Gilmore Girls: A Year in the Life (Netflix).


Perco todos os parâmetros racionais pra falar sobre Gilmore Girls porque é a série da minha vida e eu não consigo ser crítica para falar sobre. Foram só quatro episódios para várias gerações de fãs que surgiram desde sua estreia, até o período dos sete anos sem nenhuma novidade sobre Stars Hollow, e apesar do fim meio ????? ou das QUESTÕES que foram muito discutidas entre o público, cada pedacinho das quatro estações das garotas Gilmore me fizeram muito feliz, obrigada. Inclusive deixo aqui um encorajamento pra quem ainda está nas temporadas clássicas: Rory Gilmore deixa de ser o modelo perfeito a ser seguido e finalmente mostra que tá todo mundo mal mesmo. De nada.

Queria falar muito mais coisas sobre ela, mas cometerei o pecado do spoiler se o fizer, então reservo apenas o meu direito ao uso do caps lock: ASSISTAM A YEAR IN THE LIFE!!! AMÉM LOGAN HUNTZBERGER!!! AMÉM JESS MARIANO!!! OS SENTIMENTOS SÃO OS ÚNICOS FATOS!!!

This Is Us (NBC).




Eu podia resumir tudo o que quero falar com MILO VENTIMIGLIAAAAAAAAAAAAAA!!! (E esse gif), mas This Is Us é uma série tão "quentinho no coração" que só o rosto do Milo não é capaz de demonstrar os reais motivos para ela estar aqui. É um drama que tinha tudo pra cair dentro de vários clichês, mas logo no primeiro episódio já consegue provocar um mind-blowing e dele em diante são muitas lágrimas e eternos AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA a cada episódio novo. A série fala sobre família - e sobre como quem mora conosco costuma ser nosso céu e nosso inferno, ao mesmo tempo - sobre relacionamentos e principalmente, sobre SENTIMENTOS!!! Meninas viciadas em sofrer, assistam This Is Us.

Categoria 2 | Não é Raça Negra, mas serve.




Sem exageros, pela primeira vez na vida entendi o que é um bom ano musical. Sempre tive muita dificuldade pra conhecer artistas novos e sofro de uma preguiça acima da média para conseguir ouvir qualquer lançamento até dos artistas que já conheço, mas em 2016 resolvi me entregar de coração e alma ao Spotify versão pobre e tudo ficou mais fácil. Para escutar os álbuns recomendados, basta clicar em seus nomes.

The Ride - Catfish and the Bottlemen.

Catfish é uma banda de rock formada no País de Gales (Reino Unido). Em um belo dia de 2007, o australiano Van McCann - atual vocalista da banda - se uniu aos irmãos Billy Bibby e Benji Blakeway, iniciando a carreira com covers dos  The Beatles, assinaram seu primeiro contrato em 2013 e desde então estão ganhando mais notoriedade. O nome da banda surgiu de uma lembrança da infância de Van relacionada à um artista de rua. Em 2017 a banda esteve em solo brasileiro no festival Lollapalooza. Na minha opinião nada profissional, The Ride é um álbum completo e não consigo dizer quais são as melhores músicas, ouçam tudo por obséquio.

Rogério - Supercombo. 

A banda de rock nacional que ganhou fama depois da participação no Superstar com as músicas do seu álbum Amianto, lançou Rogério, seu quarto disco, no meio do ano. Rogério é o nome dado ao lado sombrio das pessoas e das coisas, o que pode ser muito bem notado em todas as letras dele, de fácil identificação. Melhores músicas: Magaiver, Grão de Areia, Bomba Relógio e Jovem.

Melhor do que Parece - O Terno. 

Assim como Supercombo, O Terno também é uma banda de rock paulista, iniciada em 2009 com covers de bandas como Os Mutantes e The Beatles, atualmente conhecida por seus lançamentos independentes. Melhor do que Parece é um álbum com crises de identidade e apelos românticos, ou seja: MELHOR ÁLBUM NACIONAL DE 2016 SIM! (Tentei ser profissional na descrição, mas falhei). Melhores músicas: Culpa, Nó, Melhor do que Parece e Volta.

Categoria 3 | Filmes para ver com a rapaziada.


Eis aqui a categoria mais PROBLEMÁTICA de ser feita. A maioria dos filmes que eu queria ver no cinema, de fato pude assistir, mas a questão é: eu recomendaria esses filmes para as pessoas?



Por isso, Rogue One - Uma História Star Wars, ganhou total exclusividade nesse post. Nós concordamos que um grupo de rebeldes indo contra um império conservador é bonito demais? Que é um filme sobre a esperança, mesmo nos tempos mais difíceis? Que nascer mulher não significa ser menos, e que mesmo com todas as coisas AVOANDO e os PLANETAS TUDO, a ficção anda bem parecida com nossa realidade e isso deveria ser um baita de um tapa na cara? CONCORDAMOS SIM, RAPAZIADA! EU E MINHA CASA SERVIMOS A JYN ERSO!


Nós, organizadores do Ninguém se importa AWARDS (eu, euzinha e eu mesma), agradecemos a paciência de todos. Os docinhos estão na mesa à direita, a saída se encontra à esquerda. Se estiverem dirigindo, favor não beber. 

Ceia de natal fictícia.



Que o meu Blogmas falhou vocês já perceberam, mas falhar com os posts coletivos é algo que não vai acontecer. Como comentei no post das crushes, me juntei com as meninas (Ana, Manu, Mia, Michas) e até a próxima semana estaremos fazendo posts coletivos em nossos respectivos blogs. Nessa eterna dúvida para saber se é TAG ou meme, digo que montamos um esquema para criar nossa ceia de natal fictícia com convidados especiais de séries ou livros. Segurem os garfos, escolham seus lugares, abram os botões da calça e venham comigo.

Um personagem para preparar a ceia.



Como boa fã de Friends deixo as honras de escolher o que preparar para nosso banquete nas mãos de Monica Geller. A vemos trabalhando como chefe em toda a série, com exceção, é claro, da época em que usou peitos falsos e dançou em cima de um balcão, e baseado nas mesas que a personagem apresentou nos episódios de Ação de Graças tenho certeza que o natal com ela na função será ótimo. Só espero que não convide o Joey para vir junto, pois temos muitos convidados e precisamos dividir a comida. 





Um personagem para ser o anfitrião.

Como anfitrião, não consegui pensar em personagem melhor que Mrs. Darcy. Ele certamente saberia receber todos os convidados de forma honrosa, e o som do piano tocando ao fundo de sua mansão não deixaria a desejar de forma alguma.


Um personagem que pode causar uma cena.


Se antes comentei que Joey poderia ser um problema, mudei completamente de ideia quando pensei que talvez Monica pudesse convidar Will Colbert. Personagem interpretado por Brad Pitt no episódio "The One with the Rumor". Ross com toda certeza tentaria apoia-lo por serem amigos de longa data, acabaria em mais uma discussão com Rachel para saber se eles estavam ou não dando um tempo e tudo isso levaria Mrs. Darcy a educadamente retirar os convidados. Tempo suficiente para Joey comer o peru sozinho. Sem dúvidas uma má ideia.

Um personagem para ser o papai noel.

Isso tá quase virando um post inteiro sobre Friends? Talvez até esteja, mas fica impossível não pensar no Ross para isso. Se com o Ben ele não pode acertar de primeira e já chegar no apartamento vestido de Papai Noel, espero que com a Emma tudo tenha dado certo.

Um personagem que é super popular.

Rachel Green é pioneira nisso. Tenho certeza que em poucos minutos estaria sentada ao lado da Elizabeth questionando como ela e Mrs. Darcy se conheceram, e provavelmente inventando histórias românticas entre ela e o Ross para contar.



Uma vilã ou vilão que merece um pouquinho de compaixão.

No meu ponto de vista, não é exatamente de uma vilã que vamos falar, mas levando em conta alguns feitiços lançados no passado, creio que Regina, a bruxa má de Once Upon a Time mereça uma cadeira na mesa de jantar e até uns presentinhos por bom comportamento.

Um casal.

Imaginar isso me deixou muito feliz, então decidi convidar Cath e Levi, de Fangirl (Rainbow Rowell). Tenho certeza que a Cath ficaria encantada por estar conhecendo Elizabet e Mrs. Darcy, e imagino uma amizade entre Levi e Joey que daria certíssimo. 

Um herói.



Oportunista que sou, chamaria ninguém menos que o Flash para depois das festas ter quem me ajudar à arrumar todas as coisas de uma maneira rápida e pratica. Juro que em troca colocarei presentes melhores para ele. 

Um personagem que ainda seja criança.

Cocei os dedos para incluir os filhos da Monica e do Chandler nessa parte, mas lembrei que o último episódio foi ao ar em 2004, e se eles nasceram naquele ano, hoje estão com 12 anos e já são pré-adolescentes (imaginem o Chandler lidando com filhos pré-adolescentes!). Sendo assim, criei um universo paralelo onde a Phoebe se tornou mãe de lindas crianças com os cachinhos do Mike que estão correndo por todos os lados e preocupando Mrs. Darcy.

Um personagem subestimado.



Contrariando todo o rumo que a ceia tomou até aqui, escolho citar Ted Mosby, de How I Met Your Mother, apesar de toda a série girar basicamente sobre ele e sua perspectiva, creio que ninguém gostaria da ideia de convidá-lo para o natal. Ele definitivamente é o tio que pega álbuns de fotos com você bebê, pelado na banheiro, e conta para quem estiver do lado sobre como você era fofo até beber muito champagne e começar a refletir sobre a vacuidade da vida em um momento em que todos só querem comer. 

Um personagem de sua própria escolha.

Sem dúvidas Gunther. A essa altura acredito que ele já tenha superado a Rachel, e o convívio deve estar bem mais fácil. Quem sabe ele até não encontrou um novo amor! Depois de tantos cafés servidos, convidá-lo para o natal é um ato muito bonito.

E vocês, como organizariam suas ceias? Me contem nos comentários, e boas festas!

A gente precisa conversar sobre o primeiro episódio de Gilmore Girls.

Esse post contém spoilers do Piloto de Gilmore Girls.




Então eu voltei a ver Gilmore Girls. Logo no primeiro episódio, quando Rory ainda estudava na Stars Hollow High School, em uma conversa com Lorelai e Sookie descobre que foi aceita em Chilton, uma escola preparatória cara, cujas mensalidades são responsáveis pela aprovação de todos os seus ex-alunos em universidades como Yale e Harvard. Até então o sonho da Gilmore mais nova era cursar Jornalismo em Harvard, o que torna Chilton um grande passo rumo ao mundo acadêmico.

Quando Rory está limpando seu armário empolgada por contar a novidade para sua melhor amiga Lane, acaba conhecendo Dean, um garoto vindo de Chicago, alto, com jaqueta de couro e uma carinha de bumbum de neném que nenhuma garota aos 16 anos conseguiria controlar seus hormônios diante dela. É esse encontro que uso como ponto para esse texto. 

A tradução do título usada no nosso país não é escolhida à toa. Aqui no Brasil, quando transmitida pelo SBT, Gilmore Girls passou a se chamar Tal Mãe, Tal Filha. E como já explícito, durante as sete temporadas da série vemos que mesmo Lorelai e Rory sendo pessoas diferentes que vivem de maneiras opostas, a mãe e a filha costumam ser bem parecidas quanto ao modo que tomam suas decisões e como suas personalidades se mostram iguais com o passar do tempo - Rory pode até ser um pouco mais pé no chão que Lorelai por ter seguido a risca tudo o que precisava para alcançar seu sonho profissional, mas são vários os momentos em que notamos a sua semelhança com a mãe por agir impulsivamente sem medir as consequências de seus atos - o que já pode ser visto no Piloto da série. 



Depois do encontro com Dean e de perceber que o mesmo estava interessado nela, Rory se fecha com sua mãe que através de outra personagem (Miss Patty) descobre o verdadeiro motivo para sua filha repentinamente não querer mais ir para Chilton (algo que desejava MUITO). Ao contrário do que a garota diz, a mudança não está ligada ao dinheiro que será gasto no processo, nem mesmo as longas viagens de ida e volta diárias. Rory não quer mais ir para Chilton porque conheceu Dean, e para uma garota de 16 anos que nunca foi notada por um cara, descobrir que alguém a quer é capaz de fazê-la deixar para trás muitas coisas. E é essa a cena que nos mostra toda a base da série: uma filha que mesmo sendo diferente de sua mãe quando tinha a mesma idade, por ter uma personalidade muito parecida acaba tomando decisões no mesmo nível, uma mãe que carrega traumas de sua criação e por isso realmente acha que a filha precisa compartilhar tudo o que acontece em sua vida com ela, e uma avó que por sempre ter sido impedida de cuidar da própria filha o faz em todas as brechas que encontra. O que nos leva ao Revival lançado pela Netflix, e esse texto não terá spoilers do mesmo, mas para quem já assistiu: o rumo que a vida da Emily toma, o fato de a Lorelai continuar sendo a birrenta que se recusa a enxergar as coisas boas que seus pais fizeram por ela e o modo como a Rory administra sua própria vida além das quatro últimas palavras estavam esse tempo todo na nossa cara.

Gilmore Girls é uma série sobre pessoas, e pessoas cometem mais erros que acertos, nós sabemos muito bem disso, só é difícil quando a ficção joga essa verdade no nosso colo e não nos deixa outra escolha, né?

Gilmorização. | BEDA #30



Comecei a assistir Gilmore Girls em Agosto do ano passado, e atualmente, um ano após o início dessa empreitada, se tornou a minha segunda série favorita, continuo empacada nos últimos episódios por achar que talvez seja melhor descobrir o que acontece quando for assistir o Revival (o que no meu caso vai acontecer só depois do natal, a vida, ela é agitada). Pra uma série se tornar uma das minhas favoritas são necessárias duas coisas:
  1. Me fazer sentir aquele aperto saudável no coração.
  2. Me fazer pensar (o que não é muito difícil, mas quando digo pensar me refiro a conseguir analisar a série em conjunto com a minha vida).
Foi assim com Friends, desde a primeira vez que nos encontramos, e é assim com Gilmore Girls, não desde a primeira vez que nos encontramos, mas desde a primeira vez que nos aceitamos. 

Há um ano atrás, apesar de nunca ter falado isso com todas as letras na internet, a minha vida passou por uma mudança muito estranha, do dia pro noite. Resumidamente, eu já estava uma pilha de nervos com o cursinho, com o meu antigo emprego e de repente presenciei um divórcio dentro da minha casa e tive que engolir tudo o que já me fazia mal há alguns meses pra poder segurar minha mãe, e olha, não foi nada fácil deixar tudo de lado e fingir que eu estava bem só pra não piorar mais as coisas, viu?

Foi quando comecei a ver Gilmore Girls e me deparei com uma mãe solteira, que trabalhava pra sustentar a casa sozinha, enquanto a filha tentava entrar na Universidade, com parentes manipuladores que só apareciam quando convinha e um pai distante que até tentava, mas não dava muita conta do recado. Qualquer semelhança é mera coincidência, mas creio que a partir desse ponto todos já entenderam o que fez da série uma das minhas favoritas. Era o enredo certo, na hora certa.

Vira e mexe, quando o assunto no Twitter ou em outros blogs se torna a série, percebo como ter passado por uma situação semelhante enquanto a assistia me fez enxergar cada acontecimento de uma forma diferente. Quando as críticas a personalidade da Lorelai surgem não consigo ser tão dura como todo mundo, é claro que ela acaba sendo infantil demais em alguns momentos, mas ela foi a mulher que segurou tudo o que podia e mesmo assim não se tornou uma pessoa amarga, e quando hoje eu olho pra minha mãe e a vejo fazendo piada atrás de piada dentro de casa ou tirando sarro do que eu conto pra ela não consigo deixar de associar uma coisa a outra. Quando vejo comentários sobre como a Rory é chata em algumas temporadas não consigo entender o que as pessoas realmente queriam que acontecesse, era pra ela sempre tomar atitudes maduras? Na vida real tá todo mundo fazendo tudo certo o tempo inteiro? 

Gilmore Girls não foi uma distração, foi uma identificação em um momento que me marcou muito, uma época em que eu podia ter jogado tudo pro alto e desistido de cursinho, de faculdade, de ser legal com meus amigos mesmo que as coisas não estivessem tão bem, de levantar da minha cama e sair de casa mesmo quando tudo o que eu queria era me trancar e pensar em como as coisas são erradas nesse mundo, foi o que eu precisava pra entender que tá tudo bem errado sim, mas que sempre tem como acertar com o tempo. 




Para Richard. | BEDA #16



Richard Burke, amigo de longa data de Jack Geller, 21 anos mais velho que a filha de seu amigo, Monica Geller, divorciado, médico com vida estável e aparentemente, com poucas coisas não conquistadas. Quem já assistiu Friends sabe: Monica e Richard eram reais, até toda a verdade vir à tona. Um sentimento pode ser o mais forte possível, mas quando duas pessoas querem coisas diferentes na vida, não há amor que dê certo. E mesmo que um dos lados resolva ceder, sempre fica a dúvida do que poderia ter sido: a outra vida, as possíveis outras pessoas, as conquistas diferentes das atuais.

Às vezes somos um Richard na vida de alguém.

E chegamos com propostas erradas em momentos certos, o sentimento existe, preenche o peito e dá nó na garganta só de olhar pra pessoa e saber que é recíproco, porque ela te diz isso, ela faz ser real, ser palpável. Até seus amigos sabem que aquela é a pessoa, e dão total apoio ao relacionamento.



De tanto dizer, chega o dia em que você ouve o que não quer e se dá conta: por que eu continuo nisso? Qual o meu futuro aqui? Uma vibe um pouco Radiohead te faz pensar: "What the hell am I doing here? I don't belong here!", até que você vai embora. Sem pensar nos anos marcados no calendário ao lado da pessoa, sem pensar nos presentes que continuam no seu quarto, sem pensar no que poderia ser porque você sabe que aquele futuro não é seu.



Às  vezes conhecemos um Richard.

E não conseguimos entender porque a pessoa partiu, já que nos ensinam que amar é ceder, quando não, amar é saber a hora de ir por não ter mais jeito, reconhecer que a liberdade do outro vale mais, que o futuro pode ser melhor com alguém tão especial quanto. 

Se você conheceu um Richard, ainda pode conhecer um Chandler.



E se você foi um Richard, força, talvez também exista um Bing pra você.


© Limonada
Maira Gall