04 abril 2019

Para Paçoca, com amor.

Crescer sendo filha única fez com que, principalmente na infância, eu sentisse falta de companhias que não fossem mais adultas. A primeira lembrança que tenho relacionada a isso é de quando tinha quatro anos e pedi um cachorro para os meus pais. Tive o pedido negado, o que me levou a guardar uma formiga em uma caixinha de Tic Tac para ser minha melhor amiga, mas por algum motivo ela não gostou tanto da ideia e acabou sumindo. Depois disso houve um momento de "pena" vindo dos meus genitores e ganhei um peixe. Ele morreu em poucos meses porque já tinha vindo pra casa doente, então alguns anos depois, ganhei outro peixe, que viveu por quatro anos, e após um tempo, minhas tentativas de acolher peixes acabaram com a morte do casal Ping e Pong -- ela morreu, ele se sentiu solitário e em pouco tempo também faleceu. 

Apesar de todos esses casos, a minha vontade de ter um cachorro continuou existindo. Cachorros são meus animais "domésticos" preferidos, então parar de desejá-los era algo impensável, mesmo que com os anos eu simplesmente tenha parado de insistir para ter um.

No entanto, quando os vinte anos bateram na minha porta, a vontade pareceu crescer de uma forma incontrolável, e eu voltei a permitir que a vontade se manifestasse em voz alta. Pedi, mostrei vídeos de cachorros fazendo palhaçadas todos os dias para a minha mãe, corri atrás de feiras de adoção só para cutucar com indiretas como "Tal dia tem feira, vários filhotes fofos", e bem próximo ao meu aniversário, minha mãe cedeu e fomos juntas a única feira de adoção em que já estive. 

Não aconteceu no primeiro momento. Vi muitos outros cachorros antes, brinquei com eles e os acariciei, mas não pensei em levar nenhum até então. Olhei para a frente e vi um montinho de pelos pretos que dormia, e enquanto me aproximava, a vi sendo esmagada por outro filhotinho que a fez resmungar e andar para outro cantinho, onde se enrolou de novo e voltou a dormir. "Posso pegar no colo?", "Pode", e ela se aconchegou e dormiu. 



Não nos conhecemos no seu aniversário, mas o dia 4 de Abril é tão importante quanto o dia 26 de Maio. Eu estava em um momento muito difícil e solitário, e saber que um espaço de tempo tão curto foi o suficiente para que eu encontrasse a Paçoca quando eu mais precisava de companhia sempre me faz ver significados intangíveis. 

Nesse um ano de vida dela e quase um ano de convivência eu já a defendi muito -- filhotes dão trabalho e ter paciência nem sempre é fácil --, chorei quando a vi doentinha, mas ri o triplo de tudo isso com cada descoberta, curiosidade e brincadeirinha dela. A Paçoca não sabe, mas me salvou de um lugar muito feio, para o qual eu não quero ter que voltar nunca mais -- e sei que com ela, não irei. 

Dizem que quando as coisas são boas, o tempo passa rápido. Nem acredito que hoje você faz um ano, Paçoca.

4 comentários

  1. Essa foi a coisa mais fofa que eu li nos últimos meses. Muito obrigada!!

    Martina

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  2. Que texto lindo!
    Ao contrário de você, eu nunca quis ter um cachorro (moria de medo) ou qualquer tipo de animal, mas no ano retrasado o meu noivo cismou que queria pegar um cachorro pra fazer companhia pra ele (na época ele morava em SP e eu em Ouro Preto, hoje já moramos juntos) e eu acabei cedendo. Hoje eu não imagino a minha vida e a casa sem a Saori (nome da nossa pastora alemã) e acho incrível como que ela (e os outros cachorros) tem o dom de alegrar o nosso dia e de ser uma super companheira.

    Beijos
    gabepinheiro.com.br

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  3. Coisa mais linda o que você escreveu. Animais são mesmo anjos neah... uma sensibilidade que falta em muitos humanos. Tenho uma gata e ela sempre fica mais próxima quando estou triste... Impressionante ♥

    www.blogflorescer.com

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