09 novembro 2019

Só acontece comigo #81


A vida anda corrida, bem mais do que antes, e a única alternativa pra conseguir conciliar as obrigações rotineiras com as que surgem espontaneamente, é a pior de todas: abdicar das horinhas de almoço pra resolver problemas. 

Eis que em uma dessas abdicações, como realmente não queria ir pra outro lugar sozinha, chamei alguns amigos para irem junto comigo por livre e espontânea manipulação sentimental, em um local que ficava à algumas estações do metrô de distância. Para que eles não acabassem tendo que pagar mais de uma passagem, combinei de me esperarem dentro da estação, deixei minha mochila com eles e levei só o que ia precisar. 

Em dez minutos estava de volta e poderíamos retornar para nosso lindo e belo almoço. A não ser pela parte em que eu esqueci meu cartão de passagem dentro da mochila. E eles sumiram. Com a minha mochila.

Rodei a estação inteira, pensei em maneiras de pular a catraca sem ser notada, em gritar o nome deles pro vento, em procurar um banco 24 horas perto da estação pra tirar dinheiro, em sentar no chão e chorar, em ligar pra minha mãe avisando que nunca mais voltaria pra casa, e ai, finalmente, meu lado racional agiu e chamei uma jovem aprendiz do metrô pra me ajudar.

-- Moça... Desculpa... Meus amigos ficaram ai dentro... E eu saí... Mas eles tão com meu cartão e eu tô presa aqui fora... -- a moça perguntou como eles são, olhou pros lados, conversou com um segurança e voltou pro meu lado.
-- Ai, só se você esperar uns quinze minutinhos, não tem como a gente te ajudar...

Passaram-se os quinze minutos em que eu me visualizei nunca mais encontrando minha família outra vez e nenhum sinal dos benditos. Voltei pra perto da funcionária.

-- Oi, então... Eles não apareceram... Não dá pra anunciar o nome não...?
-- Ah, eu posso ver... -- chamou o segurança, que curiosamente era um senhor de bigode grosso que contribuía muito para a comicidade da situação.

Enquanto eu olhava pros dois com desespero, eles fingiam que eu sequer estava ali e começaram o seguinte diálogo:

-- Tem certeza? -- o segurança.
-- Tenho... Não tem ninguém aqui... -- a funcionária.
-- É que às vezes é gangue, né? Perigoso... Tentando entrar na estação...

PORQUE É CLARO QUE EU TOTALMENTE SOU DE UMA GANGUE DE JOVENS QUE MENTIRIA SOBRE ESTAR SEM O CARTÃO PRA FAZER SABE-SE LÁ O QUE NA ESTAÇÃO.

-- Qual o nome do amigo que é pra anunciar? -- falei o nome que por motivos de não tenho advogados para lidar com processos não será exposto. O segurança virou as costas e foi até a cabine do alto-falante. -- Senhora ******, favor procurar um funcionário do metrô.

E EM CINCO SEGUNDOS ME SURGEM OS BENDITOS.
PORQUE ELES TINHAM SENTADO.
ATRÁS DE UM MURO.
DO LADO DA CATRACA.

Nem capacidade de fazer parte de uma gangue a gente tem, sabe? Primeiro que eu esqueci meu cartão na mochila, segundo que eles sentaram no chão, nem vitalidade tem pra fazer parte do crime, pelo amor.

Mas eu voltei pra casa. Tá tudo bem. 

3 comentários

  1. Motivos pelos quais eu não conto com as pessoas pra nada: isso certamente aconteceria comigo se eu contasse com elas. HAHAHAHAHAH!

    Sinto muito pelo desespero, tho, parece ter sido horrível! Mas que bom que você voltou pra casa no final do dia, tudo certo :) Beijo!

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  2. Tenho pavor dessa sensação de constrangimento, de me sentir sozinha, mas eu sei que faz parte passar por essas situações e que ainda vou passar por muitas nessa vida. Hoje eu sou bem mais esperta. No fim das contas, que bom que deu tudo certo, Tati!

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  3. Ainda bem que no final deu tudo certo!!

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