29 dezembro 2018

2018: o anti-herói.




Na ficção o anti-herói é aquele que apesar de possuir certo protagonismo no enredo não vai salvar ninguém além dele mesmo e não será o responsável por beijos românticos na chuva, ou seja, o anti-herói é o ano de 2018 personificado.

Se for pra ser honesta, não posso dizer que foi um ano impossível, mas mexeu em tantas feridas, antigas e recentes, que quando não me deixou paralisada pela dor, me tornou incapaz de entendê-la e senti-la ao mesmo tempo, o que só a intensificou, e a falta de tal entendimento torna até o ato de escrever sobre tudo isso difícil demais.

Foi ano de perder muito e não conseguir ver o copo meio cheio. Na verdade, em uma metáfora, foi como se a pouca água do copo tivesse ficado exposta à temperatura de ebulição, levando o vidro a ficar todo embaçado, impossível de enxergar o outro lado: todo o meu segundo semestre é como um borrão.

Vi tudo o que construí de 2016 para cá, pra mim e pros outros, tornar-se nada. Não sei mais quem sou e nem quais são as subjetividades que me tornam um todo, não consigo entender se tenho um lugar para ocupar e um propósito a seguir. Sei quem fui e o que fiz e não fiz, mas em momento algum entendo o presente, e isso me assusta, porque o atual momento parece ser tudo o que tenho justo agora que não o reconheço.

Li e escrevi mais do que em qualquer outro ano, e ainda estou tentando reprogramar minha mente para outro modo de ver esse consumo de palavras um pouco desenfreado. Sei que só aconteceu porque eu precisava me inserir em contextos que não fossem minha realidade, mas ao invés de fazer disso algo ruim, quero olhar pra todos os livros lidos e tudo o que por mim foi escrito sabendo que nesse ano as palavras – mesmo quando gritadas e reverberadas apenas na minha mente -- me salvaram, assim como já fizeram tantas outras vezes.

Encontrei e desencontrei o amor em suas diferentes formas. O encontrei quando adotei uma cachorrinha que na época, com quarenta e cinco dias, era uma bolinha dorminhoca e chorona, e hoje, oito meses depois, é a alegria da casa; o encontrei quando pelo meu bem decidi tirar completamente da minha vida uma amizade cuja via não era de mão dupla; quando aceitei e pedi desculpas; quando reencontrei amigos depois de muito tempo e mesmo com tantas mudanças ainda me peguei desejando revê-los; quando pedi pra ser vista em um momento difícil e realmente fui, indo parar até em outro Estado por causa desse pedido, e o desencontrei, até doer e virar um choro desesperado de quem pelo amor pede pra que não doa mais, não em mim. Mas doeu, e ainda dói se me concentro em só pensar nisso. Não quero mais pensar, quero ser amada sem ter que amar de novo. Egoísta, eu sei, assim como foi todo acontecimento do meu 2018, que me ensinou a ser da mesma forma que ele: egoísta, não no sentido cru da palavra, mas naquele que se refere principalmente a fazer de si a prioridade, porque agora, enquanto escrevo, sei que estou sozinha e sou responsável por todos esses encontros e desencontros, cujas consequências apenas eu vou carregar, e tentar abraçar a todos que me cercam, por esse motivo, não vai funcionar.



Até ano que vem, um pouco menos confusa e dolorida, espero.

3 comentários

  1. 2018 foi muito ruim, mas ao mesmo tempo nos ensinou muito!

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  2. Morte ao fascismo e a 2018, mana. 💪👊

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  3. 2018 foi um ano complicado. Acho que emocionalmente fazia um tempo que não sofria um desgaste tão grande como sofri ano passado. O medo da solidão foi uma marca presente. Verdades vieram à tona que abalaram as minhas estruturas durante o ano inteirinho. Não foi um ano de muita paz, mas parece que a balança entende que precisa se equilibrar: foi um ano que conquistei muitas coisas. Meu apartamento (alugado), meu trainee, reconhecimento no trabalho... Sei que tudo o que passei foi necessário para o meu crescimento, ainda que fosse absolutamente dolorido. Você teve um lado bom da moeda também, todos tivemos. Se agarre a isso e siga em frente. Tudo o que saiu da sua vida é porque já cumpriu o tempo que precisava cumprir para te ensinar algo.

    Pelo lado bom, estamos muito mais sábias para 2019. Desejo que você plante e colha muitas coisas boas. <3

    Beijo, Tati <3

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