HOJE É UM NOVO DIA DE UM NOVO TEMPO QUE COMEÇOU NESSES NOVOS DIAS AS ALEGRIAS SERÃO DE TODOS É SÓ QUERER
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Mudança


No último dia 09 de Janeiro, mudei de casa. Foram 18 anos vivendo em uma mesma residência, acostumada com as pessoas a minha volta, com o bairro, e sem nem imaginar qual era a sensação de passar por uma mudança, já que na última eu tinha apenas seis anos. 

Enquanto estava na correria de procurar um novo lugar para morar, não me importei muito com o significado sentimental por trás de tudo, só me deixei levar pelos compromissos, mas assim que vi a antiga casa vazia e fiquei sozinha com minha mãe na nova, o peso que antes não existia, surgiu. 

Hoje, completando nossa primeira semana aqui, percebo que aquilo era medo. Do novo, de dar errado, do aperto para arcar com o aluguel e as contas, e que na verdade ele já não existe mais graças a uma sensação que antes eu não tinha: conforto. 

A nova casa é mais arejada, iluminada, sem tantos barulhos em volta. E de certa forma o novo encanta: uma árvore grande, um animal de estimação do vizinho, um comércio que antes passou batido. É engraçado notar que estamos com mais energia, sentindo menos sono e menos ranzinzas. Pode ser tudo momentâneo? Pode, mas tem sido gostoso. 


@atatchin um videozinho da minha mudança de casa com o coração mais calmo #CapCut #minivlog #fy #mudança ♬ Home - Edith Whiskers

2021


2021 não foi um dos melhores anos, né? Mesmo com algumas melhoras na pandemia, é como se tivessem deixado uma torneira aberta por muito tempo e todo mundo precisou pegar um rodo, um balde, e um pano para ficar secando o que vazou por tanto tempo. Apesar desse pequeno-grande detalhe, tenho tentado olhar para o outro lado das coisas sempre que possível, afinal de contas, o primeiro semestre, uma consequência de tudo o que eu ignorei em 2020, escancarou o quanto eu precisava cuidar mais da minha saúde mental e, de certa forma, parar um pouco de esperar tanto pelos outros. 


Lembro do dia em que as imagens da primeira vacina sendo aplicada no Estado de São Paulo foram liberadas. Enquanto eu realmente chorava de alívio (o que 2020 fez com a minha mente por causa da Covid foi pior do que eu pensava saber), ainda não imaginava que as minhas doses estavam tão próximas. Como faço enfermagem e tenho uma grade curricular muito mais voltada para estágios no hospital escola do que para aulas com teoria, em Fevereiro a universidade já estava vacinando os alunos que começariam (ou continuariam) a estagiar. Ainda é um pouco estranho pensar que tenho três doses e que tive toda essa oportunidade. Mais estranho ainda pensar que existem pessoas que não querem se vacinar. Se depender de mim, qualquer vacina é bota. 



Os estágios foram outro grande acontecimento. Como ainda estava no ciclo básico, só tinha visitado uma UBS em 2019 para fazer uma ação educativa com crianças sobre bullying, o que foi pouquíssimo considerando tudo o que uma enfermeira faz. Ao todo realizei estágios de quatro matérias, com diferentes professoras e em diferentes setores do hospital. Ainda tenho muito medo de acabar machucando algum paciente sem querer, mas nesses meses todos percebi o quão acertada foi a minha decisão de parar de insistir em prestar vestibular para um curso que eu achava ser mais compatível comigo, quando na verdade tudo o que eu esperava fazer me graduando nele, quem faz é a enfermagem (sim medicina, eu estou olhando para você). Também me surpreendi com muitas coisas, desde a descoberta de não querer me especializar em saúde mental, como eu pensava que seria, até a de entender que alguns medos meus nem faziam sentido (tinha muita resistência a cuidar de pacientes do sexo masculino, principalmente por medo de assédio, e acabou que meu estágio preferido foi justamente o que fiz na clínica médica masculina). 


Ainda estou bem na dúvida se quero atuar na área hospitalar. Algo me diz que prefiro clínicas/UBS, mas ainda tenho muito para viver em diferentes áreas ao longo da graduação. Tenho me interessado muito pela área de saúde da mulher e obstetrícia, então espero ansiosa pelo estágio dessa matéria agora em 2022. Também estagiei em cirúrgica e acompanhei diversas cirurgias, e cheguei a conclusão que Grey's Anatomy mente muito, caso alguém aí ainda não saiba disso. A única parte ruim tem sido precisar voltar pra casa para ver aulas online a tarde, já que meu curso é em período integral, mas honestamente, estou muito feliz fazendo a parte prática. 


A Paçoca continuou sendo uma ótima companhia e a razão de muitas risadas aqui em casa. Ter um animalzinho mudou demais o meu jeito de viver e de enxergar algumas coisas. Aprendo muito sobre cuidado, afeto e responsabilidade com ela. Não consigo nem me lembrar de como era a vida há 3 anos quando ainda não a tínhamos. 


Durante minha quarentena os livros foram meu escape (de uma forma nada saudável, inclusive, o que impactou muito nas minhas leituras de 2021, que diminuíram). Como comprei vários enquanto ficava em casa desmotivada com a vida, a cômoda em que eu os deixava já não estava mais dando conta do serviço. Vendi um celular antigo e um secador de cabelo que não usava na minha lojinha do Enjoei e comprei uma estante de livros (essa história me faz rir um pouco).

Ter uma estante era um sonho de muitos anos. Sempre acompanhei muitos criadores de conteúdo literário, e por mais que se diga o contrário por aí, a gente sabe que eles são grandes estimuladores do consumo desenfreado, né? Ver aquelas estantes enormes e cheias de livros sempre mexeu com meu ponto fraco. Tenho menos livros do que eu realmente achava, já que a cômoda dava a sensação de estarem todos muito empilhados, mas estou muito feliz com a compra. Escolhi um modelo na loja Madesa, que além de barato, tem um material ótimo e é fácil de montar. Recomendo muito!


Com a vacinação voltei a sair de casa. Ainda não vou pra muitos lugares e recuso grande parte dos convites que recebo, porque apesar de vacinada, ainda não sinto como se "a minha parte já estivesse feita", mas revi alguns amigos e me permiti ver mais o mundo lá fora, já que o estrago mental do isolamento social de 2020 foi grande. 


Em Dezembro experimentei um Cinnamon Roll e achei que precisava compartilhar isso. Obrigada pela atenção. 


Acho que meu sumiço aqui do blog (um cantinho de quase 10 anos em que sempre me senti tão bem) e os poucos posts que fiz em 2021 mostram o quão mentalmente mal eu estava. Entender que eu precisava pedir ajuda foi muito difícil, principalmente para alguém que interrompeu o tratamento para ansiedade por conta própria depois de uma consulta horrível com uma psiquiatra, mas retomar a medicação e fazer terapia seriamente pela primeira vez na vida foram as melhores decisões que tomei por mim. Acho "engraçado" pensar que em 2020 escrevi muitos textos sobre saúde mental (primeiro, segundo, terceiro, quarto), quase como se esse fosse meu jeito de pedir ajuda indiretamente, mas só em 2021, com consecutivas crises de humor deprimido, fui aceitar que aquela não era minha personalidade e muito menos tinha só a ver com a pandemia. 

A pessoa que escreve aqui hoje não tem menos problemas do que minha versão passada (acho que tem até mais, na verdade rs), mas com certeza estou lidando melhor com tudo o que acontece, me abrindo mais a conhecer pessoas novas e a permitir que façam parte da minha vida, e até melhorando um pouco meu autocuidado e minha autoestima, que respiravam com a ajuda de aparelhos desde 2018. 

Não tenho esperanças de grandes melhoras em 2022. Bem pelo contrário, acho que vai ser um ano bem difícil, seja pela faculdade, pela impossibilidade de trabalhar por causa dela, pelo Burnout que minha mãe teve em agosto de 2021 e que segue a deixando em casa sem nenhum auxílio financeiro, como deveria, mas ao menos sendo tratada (não acho graça nenhuma nos milhares de memes que saíram nos últimos tempos com o tema, inclusive, porque só acompanhando de perto uma pessoa que tem a síndrome é possível ver o quanto ela afeta a saúde física e emocional), ou ainda pela mudança de casa que teremos que fazer agora em Janeiro (e que eu ficarei responsável pelo aluguel, e até que tudo se ajeite, por todo o resto \o/), mas percebo que 2021 me deu uma forma mais estável de lidar com tudo isso. Ainda não sabia como tudo o que realmente preciso está aqui, em mim, e o quanto sou capaz, mas fico feliz de ter feito essa descoberta nos últimos meses. 

Desejo chegar ao final de 2022 com essa mesma consciência. 

2019 pode ou não ser o último ano da década.

Não sei quanto tempo você que me lê gasta com a internet, mas eu, assumidamente, acompanho muita coisa por ela. Entre os assuntos aos quais me empenho em afundar, prestei bastante atenção na briga que envolveu muita gente no Twitter: 2019 é ou não o fim da década? E aí tem todo aquele papo de romanos criando calendários, e não existir ano 0 pra que 2020 seja considerado o inicio da nova década. Bom, eu não me importo. A década não acabou de acordo com os romanos, mas tem que acabar, e eu declaro que 2019 é o último ano da década.



Todo final de ano -- e agora que dei meu ultimato, de década --, apareço por aqui falando sobre como estou me sentindo, e nos anteriores sempre dei o meu melhor para manter uma visão positiva mesmo que o ano tivesse sido um chute no meu baço e um soco no estômago, ao mesmo tempo. Em 2019 optei por não fazer isso. Teve coisa bacana? Teve, mas o que deu errado, puta merda irmãozinho.

Acho que tenho me questionado mais sobre essa tentativa de aprender com coisas ruins -- eu preciso mesmo passar por maus bocados para aprender? Não dá pra entender a vida na beira de uma piscina, por exemplo? E além disso, sei que as coisas que me fizeram mal nesse ano estavam todas fora do meu controle (e que pedir para uma pessoa patologicamente ansiosa aprender a lidar com o caos e a destruição sem ter uma crise eterna de pensamentos é bem difícil), então talvez ficar refletindo sobre o que eu aprendi com aquele dia em que tomei no orifício anal seja afinal de contas, perder um precioso tempo da minha nova década.

Não sei mais sobre o que estou falando exatamente. Vamos aos fatos.

Coisas boas de 2019:

  • Encontrei (algumas) as meninas do Cilada -- nosso grupinho virtual de brogueiras -- pessoalmente.
  • Passei numa universidade pública.
  • Os Jonas Brothers voltaram.
  • Fiz coisas maneiras na faculdade.
  • Ganhei dinheiro.


Coisas doidas de 2019:

  • Fiz uma mecha roxa no cabelo quando me tornei caloura.
  • Experimentei corote (não façam).
  • Tive um estágio curricular em que ATUEI para crianças de até QUATRO ANOS. Elas me abraçaram horrores porque eu era a borboletinha que sofria bullying.
  • Toquei tamborim.
  • Mexi muito com gente morta (aula de anatomia, por favor não ligue para a polícia).


Ano passado eu morri, mas esse eu não morro.

2018: o anti-herói.




Na ficção o anti-herói é aquele que apesar de possuir certo protagonismo no enredo não vai salvar ninguém além dele mesmo e não será o responsável por beijos românticos na chuva, ou seja, o anti-herói é o ano de 2018 personificado.

Se for pra ser honesta, não posso dizer que foi um ano impossível, mas mexeu em tantas feridas, antigas e recentes, que quando não me deixou paralisada pela dor, me tornou incapaz de entendê-la e senti-la ao mesmo tempo, o que só a intensificou, e a falta de tal entendimento torna até o ato de escrever sobre tudo isso difícil demais.

Foi ano de perder muito e não conseguir ver o copo meio cheio. Na verdade, em uma metáfora, foi como se a pouca água do copo tivesse ficado exposta à temperatura de ebulição, levando o vidro a ficar todo embaçado, impossível de enxergar o outro lado: todo o meu segundo semestre é como um borrão.

Vi tudo o que construí de 2016 para cá, pra mim e pros outros, tornar-se nada. Não sei mais quem sou e nem quais são as subjetividades que me tornam um todo, não consigo entender se tenho um lugar para ocupar e um propósito a seguir. Sei quem fui e o que fiz e não fiz, mas em momento algum entendo o presente, e isso me assusta, porque o atual momento parece ser tudo o que tenho justo agora que não o reconheço.

Li e escrevi mais do que em qualquer outro ano, e ainda estou tentando reprogramar minha mente para outro modo de ver esse consumo de palavras um pouco desenfreado. Sei que só aconteceu porque eu precisava me inserir em contextos que não fossem minha realidade, mas ao invés de fazer disso algo ruim, quero olhar pra todos os livros lidos e tudo o que por mim foi escrito sabendo que nesse ano as palavras – mesmo quando gritadas e reverberadas apenas na minha mente -- me salvaram, assim como já fizeram tantas outras vezes.

Encontrei e desencontrei o amor em suas diferentes formas. O encontrei quando adotei uma cachorrinha que na época, com quarenta e cinco dias, era uma bolinha dorminhoca e chorona, e hoje, oito meses depois, é a alegria da casa; o encontrei quando pelo meu bem decidi tirar completamente da minha vida uma amizade cuja via não era de mão dupla; quando aceitei e pedi desculpas; quando reencontrei amigos depois de muito tempo e mesmo com tantas mudanças ainda me peguei desejando revê-los; quando pedi pra ser vista em um momento difícil e realmente fui, indo parar até em outro Estado por causa desse pedido, e o desencontrei, até doer e virar um choro desesperado de quem pelo amor pede pra que não doa mais, não em mim. Mas doeu, e ainda dói se me concentro em só pensar nisso. Não quero mais pensar, quero ser amada sem ter que amar de novo. Egoísta, eu sei, assim como foi todo acontecimento do meu 2018, que me ensinou a ser da mesma forma que ele: egoísta, não no sentido cru da palavra, mas naquele que se refere principalmente a fazer de si a prioridade, porque agora, enquanto escrevo, sei que estou sozinha e sou responsável por todos esses encontros e desencontros, cujas consequências apenas eu vou carregar, e tentar abraçar a todos que me cercam, por esse motivo, não vai funcionar.



Até ano que vem, um pouco menos confusa e dolorida, espero.

2017: vienna waits.



Ter um texto bonito sobre o ano de longe não é o objetivo, um pessimista, muito menos. Grande parte do meu ano foi sobre estar cansada demais pra sequer conseguir manter uma linha lógica de pensamento, seria injusto comigo mesma tentar passar uma imagem positiva justo no único dia em que junto com o calendário, posso dar um basta nisso. 

Passei muito mais tempo longe de casa do que gostaria, e deixo a nota mental para aceitar melhor isso porque a tendência é se tornar cada vez mais frequente. Me forcei a aguentar a vida muito mais que em anos anteriores e entendi que nem sempre vou estar bem o suficiente para ela -- e tudo bem, não preciso mesmo estar. 

Lidar com a minha mente, com o que estava ao meu alcance e com tanta gente diferente foi duro. O suficiente pra me fazer entender que as diferenças precisam sim ser aceitas, mas não engolidas, vão existir pessoas com quem não vou me dar bem e não preciso ficar me esforçando tanto para fazê-las gostar de mim. 

Vi que a estrada sempre continua, mas que o asfalto não é muito bem cuidado e por isso tênis confortáveis são melhores. De uma forma não metaforizada: é foda, e só eu posso me ajudar totalmente, mas se não me conhecer o suficiente e souber o que é melhor pra mim também posso ser minha própria inimiga.

Deixar de lado minha própria saúde mental só vai tornar tudo cada vez mais acumulativo e no fim a única a aguentar as consequências sou eu mesma. Colocar em primeiro lugar minhas vontades e ideais não é egoísmo.



Como já disse O Terno por ai: tudo está melhor do que parece, eu olho e vejo tudo errado, faz tempo que está tudo certo.

Que 2018 seja mais, independente do que isso signifique.

[Together] Wishlist natalina.

Como a propaganda das lojas Pernambucanas sempre faz questão de nos lembrar: Dezembro vem o natal etc. Não sou uma pessoa religiosa e muito menos com uma família que costuma se reunir na data, mas amo os enfeites e a ideia de que pelo menos por 1 segundo alguém deseje algo de bom ao universo ou a outra pessoa, afinal, se 2017 nos mostrou algo, é que a espécie humana prova cada dia mais que não está dando a mínima para além do próprio umbigo, né? Como é costume do mês, a Blogagem Coletiva do Together escolhida foi criar uma wishlist -- material ou não -- para 2018. 

1. LIVROS.


Não sou uma pessoa que costuma ganhar muitos livros -- muito menos comprá-los, porque sério, vocês já viram os atuais preços? --, e acredito que isso se deva ao fato de eu não costumar pedi-los a ninguém. Então se você me conhece, faça o favor de mudar isso em 2018, pois juntos somos a força (e se não me conhecer pode mandar também, ninguém tá reclamando não), e não há desculpas porque no Skoob tem até minha lista de desejados.

2. ESTABILIDADE PSICOLÓGICA.


Infelizmente o capitalismo ainda não nos consagrou com nada desse tipo para vender, com exceção duns remédios com prescrição médica, mas se tem algo que eu mesma preciso melhorar é o modo como lido com minha própria mente. Esse ano sofri bastante com relação a estresse e pressão que eu mesma faço, então se eu puder enviar uma cartinha para o Papai Noel só queria pedir uma cabeça menos desgraçada mesmo, é isto. 

3. AMIGUINHOS. 


Por mais que as coisas tenham sido difíceis, ter tido amigos que permaneceram do meu lado o tempo todo me ajudou muito. Não é como se eu conhecesse pessoas o suficiente para encher uma sala, e nem como se eu não tivesse me decepcionado com nenhum ser humano ao longo do ano, mas prefiro focar naqueles com quem tenho boas lembranças. Acima de qualquer bem material, o que eu desejo para o próximo ano -- e pra qualquer um que esteja lendo esse post --, são amigos, mas AMIGOS MESMO. 

Me contem nos comentários o que vocês desejam para o próximo ano, quem sabe não podemos nos ajudar?





Esta postagem faz parte da Blogagem Coletiva de Dezembro do Together, um projeto para unir a blogosfera! Para saber mais, clique aqui!

2016: o ano Amanda Palmer.



Depois que passei pelo processo chamado mundo afora de amadurecimento - não sei se como consequência dele ou se é uma mera coincidência - foi ficando cada vez mais difícil ver as coisas com bons olhinhos, sabem? A amargura me pegou, tentei escapar não consegui. Acredito que uma das cenas mais marcantes de Clube dos Cinco é a em que a Alisson diz "Quando você cresce, seu coração morre." justamente pela identificação que ocorre entre a vida real e o mundo cinematográfico; a gente vai crescendo e vai ficando tudo meio chato, inclusive nós. E depois de três anos seguidos vendo essa teoria se confirmar diariamente, 2016 me mostrou o contrário.

Foi o primeiro ano em que resolvi não me cobrar nada, eu sabia o que precisava ser feito e sabia como e quando correr atrás de tais coisas, e se hoje, enquanto escrevo esse texto, consigo sentir o alívio de ver que o caminho escolhido foi o certo, é graças a isso. Entendi que montar listas em um papel pode sim ser muito divertido, mas não me garante nada além de mais frustrações com o que não funciona, e que na maioria das vezes, essas metas estipuladas no papel costumam envolver dinheiro, e por incrível que pareça, o melhor ano dos últimos três consecutivos, conseguiu sê-lo apesar da pouca condição financeira.

Comecei aprendendo a confiar mais - nos outros, nas minhas ambições - e a estar disposta, algo simples, mas que muda todo o rumo das coisas. Falei aqui sobre usar nossos superpoderes e essa definitivamente foi uma característica marcante desses doze meses. Ajudei pessoas perdidas na minha cidade e confiei que se caminhasse lado a lado com elas não seria assaltada (e não fui!), superei a timidez e elogiei quem admirava enquanto olhava nos seus olhos e sentia a alegria delas, me permiti conhecer pessoas novas e rir com elas por qualquer coisa o que só trouxe a certeza de que as pessoas certas existem e nos fazem um bem danado.

Aceitei que não dá pra abraçar o mundo de uma vez só e que saber a hora de ficar e a hora de partir é difícil, mas benéfico. Os anos passam e nós não mudamos só fisicamente, a mente amadurece, os sentimentos sabem sua hora, as pessoas não compactuam mais com quem somos e isso não significa que você deixou de amá-las ou que tudo o que enfrentaram juntas foi uma mentira, só significa que a vida aconteceu e que agora as peças se desgastaram muito a ponto de não ter mais como encaixá-las. Existir é isso, ser notado na chegada e na saída.

Aprendi que não há problema algum em cantar de repente, porque sempre vai ter alguém pra continuar a música com você, que ter ataque de riso no meio da rua deveria ser rotina, que pedir abraços e chorar um pouco quando tudo é pesado demais é mais fácil do que querer carregar o mundo sozinha, que às vezes todo mundo precisa se cuidar mais, tanto fisicamente como emocionalmente e me tornei praticamente a versão feminina do Schmidt de New Girl com o mantra "I try to set a good example. Treat your body like a temple."

Foi um ano de dedicação aos estudos, com resultados que não poderão ser aproveitados por outras questões, mas que me mostraram o potencial que tenho. Foi ano de newsletter, de 31 dias seguidos de BEDA, de um Blogmas que não deu muito certo, mas que se supera pela tentativa pra sempre registrada aqui, ano de conhecer gente nova não só na vida real, porque o virtual também existe e está cheio de pessoas incríveis com quem troquei e-mails, tweets e mensagens pelo Facebook (e cara, eu tenho pessoas de outros Estados no meu Facebook!!! Pessoas que nunca vi!!! E tenho total liberdade para falar com!!!).

Se eu pudesse escolher qualquer coisa pra fazer nessas últimas cinco horas que restam do ano, tentaria mandar um e-mail pra Amanda Palmer agradecendo (e ao mesmo tempo xingando, mas de uma maneira boa) por me fazer perceber que os outros são só pessoas, e que estar disposta ao que, e a quem vier, é a única coisa necessária para ser sempre melhor. E já que é preciso encerrar esse texto de algum jeito, que seja citando Drummond.

"[...]Teus ombros suportam o mundo 
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda. 
Alguns, achando bárbaro o espetáculo, 
preferiram (os delicados) morrer. 
Chegou um tempo em que não adianta morrer. 
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. 
A vida apenas, sem mistificação." 

Os Ombros Suportam o Mundo, Carlos Drummond de Andrade.

Até 2017!

Ceia de natal fictícia.



Que o meu Blogmas falhou vocês já perceberam, mas falhar com os posts coletivos é algo que não vai acontecer. Como comentei no post das crushes, me juntei com as meninas (Ana, Manu, Mia, Michas) e até a próxima semana estaremos fazendo posts coletivos em nossos respectivos blogs. Nessa eterna dúvida para saber se é TAG ou meme, digo que montamos um esquema para criar nossa ceia de natal fictícia com convidados especiais de séries ou livros. Segurem os garfos, escolham seus lugares, abram os botões da calça e venham comigo.

Um personagem para preparar a ceia.



Como boa fã de Friends deixo as honras de escolher o que preparar para nosso banquete nas mãos de Monica Geller. A vemos trabalhando como chefe em toda a série, com exceção, é claro, da época em que usou peitos falsos e dançou em cima de um balcão, e baseado nas mesas que a personagem apresentou nos episódios de Ação de Graças tenho certeza que o natal com ela na função será ótimo. Só espero que não convide o Joey para vir junto, pois temos muitos convidados e precisamos dividir a comida. 





Um personagem para ser o anfitrião.

Como anfitrião, não consegui pensar em personagem melhor que Mrs. Darcy. Ele certamente saberia receber todos os convidados de forma honrosa, e o som do piano tocando ao fundo de sua mansão não deixaria a desejar de forma alguma.


Um personagem que pode causar uma cena.


Se antes comentei que Joey poderia ser um problema, mudei completamente de ideia quando pensei que talvez Monica pudesse convidar Will Colbert. Personagem interpretado por Brad Pitt no episódio "The One with the Rumor". Ross com toda certeza tentaria apoia-lo por serem amigos de longa data, acabaria em mais uma discussão com Rachel para saber se eles estavam ou não dando um tempo e tudo isso levaria Mrs. Darcy a educadamente retirar os convidados. Tempo suficiente para Joey comer o peru sozinho. Sem dúvidas uma má ideia.

Um personagem para ser o papai noel.

Isso tá quase virando um post inteiro sobre Friends? Talvez até esteja, mas fica impossível não pensar no Ross para isso. Se com o Ben ele não pode acertar de primeira e já chegar no apartamento vestido de Papai Noel, espero que com a Emma tudo tenha dado certo.

Um personagem que é super popular.

Rachel Green é pioneira nisso. Tenho certeza que em poucos minutos estaria sentada ao lado da Elizabeth questionando como ela e Mrs. Darcy se conheceram, e provavelmente inventando histórias românticas entre ela e o Ross para contar.



Uma vilã ou vilão que merece um pouquinho de compaixão.

No meu ponto de vista, não é exatamente de uma vilã que vamos falar, mas levando em conta alguns feitiços lançados no passado, creio que Regina, a bruxa má de Once Upon a Time mereça uma cadeira na mesa de jantar e até uns presentinhos por bom comportamento.

Um casal.

Imaginar isso me deixou muito feliz, então decidi convidar Cath e Levi, de Fangirl (Rainbow Rowell). Tenho certeza que a Cath ficaria encantada por estar conhecendo Elizabet e Mrs. Darcy, e imagino uma amizade entre Levi e Joey que daria certíssimo. 

Um herói.



Oportunista que sou, chamaria ninguém menos que o Flash para depois das festas ter quem me ajudar à arrumar todas as coisas de uma maneira rápida e pratica. Juro que em troca colocarei presentes melhores para ele. 

Um personagem que ainda seja criança.

Cocei os dedos para incluir os filhos da Monica e do Chandler nessa parte, mas lembrei que o último episódio foi ao ar em 2004, e se eles nasceram naquele ano, hoje estão com 12 anos e já são pré-adolescentes (imaginem o Chandler lidando com filhos pré-adolescentes!). Sendo assim, criei um universo paralelo onde a Phoebe se tornou mãe de lindas crianças com os cachinhos do Mike que estão correndo por todos os lados e preocupando Mrs. Darcy.

Um personagem subestimado.



Contrariando todo o rumo que a ceia tomou até aqui, escolho citar Ted Mosby, de How I Met Your Mother, apesar de toda a série girar basicamente sobre ele e sua perspectiva, creio que ninguém gostaria da ideia de convidá-lo para o natal. Ele definitivamente é o tio que pega álbuns de fotos com você bebê, pelado na banheiro, e conta para quem estiver do lado sobre como você era fofo até beber muito champagne e começar a refletir sobre a vacuidade da vida em um momento em que todos só querem comer. 

Um personagem de sua própria escolha.

Sem dúvidas Gunther. A essa altura acredito que ele já tenha superado a Rachel, e o convívio deve estar bem mais fácil. Quem sabe ele até não encontrou um novo amor! Depois de tantos cafés servidos, convidá-lo para o natal é um ato muito bonito.

E vocês, como organizariam suas ceias? Me contem nos comentários, e boas festas!

2015 e o shake it off (and out).


Sempre digo que o meu melhor ano foi o de 2011 (mesmo que o meu critério na época não fosse dos mais exigentes, já que eu só tinha 14 anos) o que não é mentira, já que de 2012 para 2014 a sequência de tapas na cara que a vida me proporcionou foi incontável. O que explica meus textos de fim de ano para 2013 e 2014 serem peculiarmente depressivos, e justamente por isso não recomendo a leitura de ambos.

Mas 2015 com seu jeito todo especial conquistou um pedaço do meu coração, um pedaço do lado bom, o que me faz repensar se 2011 foi mesmo esse ano incrível ou se eu apenas sinto falta de não ter tantas responsabilidades, de rir por qualquer coisa e de saber todas as coreografias da Disney. Considerando que em todas as redes sociais que eu entro as pessoas estão implorando pelo fim desse ano e eu só consigo pensar que o que eu mais queria agora era voltar pra Janeiro e viver tudo de novo, posso dizer sem nenhum tipo de arrependimento: 2015, QUE ANO! E o mais estranho nisso tudo é que eu tenho muitos motivos pra me jogar no chão e chorar até o carnaval, foram tantas coisas acontecendo que cheguei a comentar com várias pessoas que em um ano eu sinto que na verdade vivi dois.

Esse foi oficialmente meu primeiro ano longe do Ensino Médio, o ano em que parei de achar que não tinha capacidade para um c e r t o c u r s o c o n c o r r i d o na faculdade e investi minhas economias em um pré-vestibular, o que foi de longe a melhor decisão que já tomei na vida, apesar das séries e filmes não assistidos, dos amigos perdidos, dos livros não lidos e de todas as vezes em que eu chorei resolvendo exercícios aprendi muita coisa que em três anos dentro de uma escola pública fui privada de saber. Nesse ritmo louco de estar trabalhando há dois anos seguidos sem férias tive uma tensão muscular tão forte que por uma semana inteira fiquei ouvindo minha nuca gritar que eu precisava desacelerar.

E eu desacelerei, guardei dinheiro pra conseguir pagar as mensalidades do cursinho e me dei o privilégio de ficar o segundo semestre inteiro desempregada, o que foi ótimo mas não está sendo mais, porque eu infelizmente me descobri uma dessas pessoas que precisa trabalhar pra sentir que a vida vale a pena.

Tive problemas reais, problemas de gente grande, completamente inesperados, mas desde que eles aconteceram me permiti chorar quando sentisse vontade, me permiti escrever sobre como é estar ligada a alguém pelo resto da vida mesmo não morando mais na mesma casa e a apesar da dor simplesmente continuar; um mês depois já estava tudo bem outra vez, o que nomeei de filosofia Shake it off (and out): 

Deixe para lá o que estão dizendo e siga sua vida, esqueça os demônios do passado porque é impossível dançar com esse peso nas costas.


Foi um ano tão bom, que o melhor livro que eu já li foi encontrado sem querer em uma prateleira e comprado por apenas R$ 10, 90; como se já não bastasse toda a graça alcançada foi um dos meus melhores anos vivendo na internet, com direito a entrar para o falecido Círculo Secreto e para os Blogueiros Geeks, além de me sentir uma completa idiota falando com uma câmera lá no meu canal, sem falar da incrível experiência de ter riscado muitas coisas completamente banais da minha lista loka (que inclusive vai ser meu primeiro post de 2016, porque além de tudo esse ano eu aprendi a ser organizada!).

E eu lhes pergunto: um ano com direito a banheiros que falaram comigo, a conversas sobre signos em filas de livrarias, a polêmicas em transportes públicos e motoristas que não sabiam o que estavam fazendo da vida, pessoas que não sabem ter conversas normais, uma cotovelada no olho no mesmo dia da aguardada maioridade, e graças a maioridade tirar meu título de eleitora virou mais um incrível momento da minha vida para questionar qual a minha dificuldade em ser alguém normal e apesar de todas as inconveniências ter a certeza de que se alguém mexer comigo, vão mandar matar TINHA COMO SER RUIM? A sensação de chegar no penúltimo dia do ano completamente feliz comigo mesma é maravilhosa, e saber que isso só aconteceu porque eu decidi que iria ser diferente é melhor ainda! Além da incrível aceitação com o meu corpo do jeitinho que ele é.

2016 é o primeiro ano desde que adquiri um pouco de maturidade em que eu não sei absolutamente nada do que vai acontecer comigo, e essa vontade de chorar por isso me faz querer viver ainda mais (?).


Eu espero que o ano de vocês tenha sido tão bom quanto o meu, e se não tiver sido essa Coca Cola toda, calma que fazer 2016 ser maravilhoso só depende de você, e eu sou a prova viva disso. Obrigada por tudo, vejo vocês em breve! ♥ 




Jingle bells.


Todo fim de ano é igual. Não no sentido literal, claro. Mas aqui é sempre a mesma coisa. Novembro acaba sendo meu último momento para respirar, Novembro costuma ser o fim dos tempos, dos meus tempos.
É como se minha vida parasse e fosse o tempo certo de tudo o que não é bom acontecer, o mau humor deixa de ser uma característica e se torna um peso que eu não consigo levar.
Eu olho as luzes e quero apagá-las.
Eu vejo sorrisos e me esquivo.
Eu ouço conversas e não participo.
Eu olho a ceia, e queria estar sem cabeça como aquilo que você come.
É incrível como um acontecimento antigo consegue transformar uma data comemorativa em um dia que se eu pudesse escolheria não precisar viver.
© Limonada
Maira Gall