Rua dos alfeneiros, nº 04. | BEDA #02


É na rua dos Alfeneiros, nº 4 onde tudo começa. O incrível mundo bruxo de J. K. Rowling é fundido com o mundo dos trouxas, digo, com o mundo dos Dursley, “[…] que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado.”; Harry é um garoto de apenas 10 anos, que na ausência dos pais, foi criado por seus tios, “[…] as últimas pessoas no mundo que se esperaria que se metessem em alguma coisa estranha ou misteriosa, porque simplesmente não compactuavam com esse tipo de bobagem.”
É sabido por aí que tanto trouxas como bruxos odeiam aquilo que não entendem, como uma forma de não aceitar a sua incapacidade diante de algo. Para os Dursley, a magia não era só abominável, era a marca registrada dos Potter, família composta pela irmã da Sra. Dursley, seu marido e seu filho, Harry, em quem a frustração de sua tia por ter visto sua irmã partir para uma escola de magia e ser o orgulho de seus pais é descontada.
Após 10 anos sendo trancado em um armário abaixo da escada, mal tratado pelos tios e pelo primo, excluído de passeios e escondendo ao máximo a horrível cicatriz em sua testa, quando completa 11 anos Harry descobre ser alguém admirado em um mundo paralelo ao que conhece. Após tantas cartas que chegavam por meio de corujas e um gigante com um coração maior que seu próprio tamanho chamado Rúbeo Hagrid o visitando inesperadamente, Potter descobre ser um bruxo, e assim como seus falecidos pais, é convidado para estudar na grande Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts pelos próximos anos.
A minha intenção inicial era voltar a reler a série de livros em Setembro (2016), mês em que as aulas oficialmente retornam a Hogwarts, mas se no mundo bruxo as aulas estavam só começando, no meu mundo as coisas estavam bem corridas, então resolvi adiar a releitura para Dezembro associando-a ao meu capítulo favorito d’A Pedra Filosofal: 12. O Espelho de Ojesed.
“O Natal se aproximava. Certa manhã em meados de dezembro, Hogwarts acordou coberta com mais de um metro de neve.”



É esse o capítulo em que mesmo com mais uma das muitas provocações de Draco Malfoy por Harry não ter uma casa para voltar e comemorar a data como muitos dos alunos, o natal na escola se transforma no melhor natal que Harry já teve, o que reforça a velha história de que estar com as pessoas certas é a chave para fazer qualquer coisa dar certo, e não estar necessariamente no local certo.


“Na noite de Natal, Harry foi para a cama pensando com ansiedade na comida e na diversão do dia seguinte, mas sem esperar nenhum presente. Quando acordou cedo na manhã seguinte, porém, a primeira coisa que viu foi uma pequena pilha de embrulhos ao pé de sua cama."

De todos os livros da série, A Pedra Filosofal certamente não é o meu preferido, mas na segunda, dia 31 de Julho, foi aniversário da J.K e do Harry, e eu, Lufana que sou -- portanto leal --, quis de alguma forma relembrar isso por aqui. As cartinhas de Hogwarts não chegaram em minha humilde residência, e creio que nem por ai, mas realmente espero que todos nós encontremos nossos respectivos locais onde sempre é melhor de se estar, assim como o Harry teve a sorte de achar. 

Não deixa o BEDA morrer, não deixa o BEDA acabar. | BEDA #01

O morro foi feito de BEDA, de BEDA pra gente BEDAR!

Em um ano que eu mal consigo dormir mais que 5 horas diárias, seria correto BEDAR? Graças a incrível tecnologia que nos permite programar posts para o futuro, eu, Tatiane do passado, que vos escrevo nesse sábado, 24 de Junho de 2017, digo que SIM, É POSSÍVEL.

O BEDA (Blog Everyday August) é quando a resistência bloguística, em meio as newsletters, vlogs e tantas outras redes sociais, se junta pra mostrar que ainda existe da melhor forma possível: postando durante todos os dias de Agosto. 

Eu vou acabar reclamando muito enquanto escrevo os posts? Vou sim, mas todo mundo sabe que no fim eu sempre fico emotiva e faço textão sobre como tudo foi muito especial (vide último post do BEDA 2016). E ah, não tenho uma programação certa e vou seguir o mantra de deixar a vida me levar e escrever o que tiver vontade. É o meu segundo BEDA, mas o primeiro com o nome do blog alterado para Limonada, então prometo tentar fazer bonito, afinal, se a vida me der limões, eu faço um blog com esse nome.

Vamos juntos? Vejo vocês amanhã!

*Como uma andorinha só não faz verão, as pessoas mais amáveis que essa internet já colocou na minha vida também vão participar do BEDA e me dar um pouquinho de esperança de que as coisas podem dar certo nesses 31 dias. Vão dar uma olhadinha no blog da Ana, da Manu, da Mia, e da Michas também. <3

Água Viva, muito além de um monólogo. | #MLI2017

Água Viva, monólogo ficcional escrito pela autora Clarice Lispector (1920-1977), publicado pela primeira vez em 1973, cumpre com 5 desafios da Maratona Literária de Inverno 2017, sendo eles:

  • Ler um livro com menos de 200 páginas;
  • Ler um livro que você comprou pela capa;
  • Ler um livro escrito por uma mulher; 
  • Ler um livro sem saber a sinopse ou do que se trata;
  • Ler um livro nacional. 
Ao longo do texto, Clarice "troca de pele" com uma pintora que começou a se aventurar na escrita, falando sobre seu processo de criação -- artístico ou até emocional, já que em muitos momentos do livro nos deparamos com a narração da morte interna da personagem que sempre cria-se novamente--, questões da vida, da morte, do instante-já, que aconteceu mas agora já foi e fez-se um novo instante-já, e do que é o ser e o é, tão pequeno, mas tão completo porque em meio a tudo ele simplesmente é!

Uma leitura densa que pode obter diversas interpretações de acordo com quem a lê e o momento vívido. O que inclusive foi feito pelo falecido cantor Cazuza -- que segundo sua mãe, leu a obra 120 vezes, fazendo tracinhos na última página cada vez que a lia --, em sua letra "Que O Deus Venha":

"Sou inquieto, áspero
E desesperançado
Embora amor dentro de mim eu tenha
Só que eu não sei usar amor

Às vezes arranha
Feito farpa
Se tanto amor dentro de mim
Eu tenho, mas no entanto
Continuo inquieto
É que eu preciso que o Deus venha
Antes que seja tarde demais
Corro perigo
Como toda pessoa que vive
E a única coisa que me espera
É o inesperado
Mas eu sei
Que vou ter paz antes da morte
Que vou experimentar um dia
O delicado da vida
Vou aprender
Como se come e vive
O gosto da comida"

"[...]O Deus tem que vir a mim já que não tenho ido a Ele. Que o Deus venha: por favor. Mesmo que eu não mereça. Venha. Ou talvez os que menos merecem mais precisem. Sou inquieta e áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor. Às vezes me arranha como se fossem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e no entanto continuo inquieta é porque preciso que o Deus venha. Venha antes que seja tarde demais. Corro perigo como toda pessoa que vive. E a única coisa que me espera é exatamente o inesperado. Mas sei que terei paz antes da morte e que experimentarei um dia o delicado da vida. Perceberei -- assim como se come e se vive o gosto da comida."

--Trecho de Água Viva, LISPECTOR, Clarice. 

Para quem nunca leu Clarice, não recomendo que comece com esse, livros como A Hora da Estrela e Laços de Família são melhores para se familiarizar com a escrita da autora, mas para quem já a conhece, recomendo a leitura com um toque de paciência para compreende-la. 

Em um quote:

"Será que isto que estou te escrevendo é atrás do pensamento? Raciocínio é que não é. Quem for capaz de parar de raciocinar -- o que é terrivelmente difícil -- que me acompanhe."

Nota:

Update 1: hoje o Victor Almeida prorrogou a Maratona Literária de Inverno 2017 até o dia 5 de Agosto (antes ocorreria só até 30 de Julho).
Update 2: se alguém se interessar, coloquei no menu lateral do blog (é só clicar nas três linhas horizontas ao lado do menu) uma imagem que direciona para o meu perfil no Skoob c:
© Limonada
Maira Gall