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1 blogueiro, 1 felicidade do dia | BEDA #20

O vilão dessa semana no BEDA é O Solitário, que tenta convencer os aventureiros de que escrever sozinho é suficiente. Sua fraqueza está nas comunidades, em compartilhar histórias e incentivar outros viajantes. Uma das formas de derrotá-lo é escrever uma postagem em união com outros participantes. 

Pensando nisso, o Instituto Brasileiro de Geografia da Tatiane (IBGT) PRESSIONOU gentilmente pediu aos participantes do EntreBlogs que compartilhassem em nosso grupo de WhatsApp uma coisa que os tivesse feito feliz hoje.



A Aline, do Inventando Assunto, conseguiu levar seu gatinho para um exame de sangue e deu tudo certo! Tanto ele quanto as veterinárias ficaram bem. Além disso, ela conseguiu a escritura do próprio apartamento. 

O Felipe, do A Grande Onda, encontrou Tapicurus (uma espécie de ave) voltando do trabalho para casa.

A Natália, do Erro 418, descobriu o curso de drift do Fiuk, com carga horária de 25 minutos (e online!), e ficou empolgada com a possibilidade de se formar e apresentar o certificado para a polícia, caso esteja praticando o que aprendeu nas aulas. 

A Bárbara Moretti, do blog BMRTT,  terminou a leitura do livro Gargoyle Game e achou "bom para caralho!". 

O Henrique Bispo, do Bispo, viu a melhor amiga se formar! 

E eu fiquei feliz de ter tido respostas pra minha pergunta no grupo. Obrigada, gente! 

O que achei da Sallve


No final de 2020 fiz minha primeira compra de produtos mais voltados para skin care, decidindo por experimentar a marca Sallve. Como já notei que a maioria das opiniões sobre a marca na internet são na verdade patrocinadas, pensei em fazer um post sobre minha experiência com ela, livre de dinheiro por trás para poder falar com sinceridade. :)


O sérum antiacne foi, na verdade, a minha principal motivação por trás da compra. Não tenho problemas sérios com acne, já que as minhas costumam estar relacionadas com meu período menstrual, e gosto de pontuar isso antes de qualquer coisa para quem está me lendo entender melhor como o uso do produto seria para seu tipo de pele.

Composição: 2% ácido salicílico, BHA (promete desentupir poros), melaleuca e 4-terpineol (bactericida e anti-inflamatório), niacinamida e extrato de buchu (controle de oleosidade e de dilatação dos poros).

O que a marca promete: secar espinhas em até 24 horas, não ressecar a pele, prevenir novas espinhas e cravos, desobstruir e diminuir poros dilatados, controlar oleosidade, melhorar cicatrizes e manchas de acne, reduzir bactérias que proliferam acne, reduzir inflamação e vermelhidão da acne, reparar a barreira de proteção da pele.

O que eu achei: no inicio, em um ponto especifico da minha bochecha, eu não podia passar o produto sem sentir queimação, e a área ficava rosada. Com o tempo isso não voltou a acontecer, mas recomendo que ao contrário do que eu fiz (hehe), visitem, se possível, um dermatologista antes do uso para não ter nenhum problema com alergias ou reações. No inicio ele de fato secava minhas espinhas muito rapidamente, hoje em dia, isso não acontece mais. No entanto, noto a diminuição dos cravos na área do meu nariz. Não tenho manchas de acne para opinar sobre essa promessa, e quanto a oleosidade, não achei que o uso a tirou da minha zona T.

Compraria de novo? Outras marcas tem produtos com a mesma proposta. Como tenho poucas espinhas, o produto está durando há 14 meses, mas assim que acabar, pretendo experimentar outros. Usaria de novo pelos cravos, mas pela proposta da acne em si, não voltaria a comprar.



O limpador facial tem apresentação em gel, que em contato com a água, se transforma em espuma, o que o faz render muito (uma gota média é o suficiente para limpar todo o rosto).

Composição: niacinamida, extrato de moringa, phytoesqualano e pantenol, que são responsáveis por limpeza e hidratação.

O que a marca promete: limpeza profunda da pele, maciez, não "repuxar" a pele, controlar oleosidade, reconstruir a barreira de proteção da pele.

O que eu achei: primeiro sabonete facial que usei na vida (eu sei). Realmente tirava a poluição e diminuía a oleosidade da minha pele. Deixa com a sensação de "pele esticada" logo após o uso, que eu gostava muito. O que acho ruim é o preço, bem destoante com outros sabonetes faciais mais facilmente encontrados. Depois dele testei um da Nívea, que cumpre com o que promete, mas me fez sentir falta da sensação de limpeza que o da Sallve deixava.

Compraria de novo? Se não fosse o preço, já teria comprado.



Estava bem cansada da sensação deixada pela manteiga de cacau nos lábios, e por isso comprei o hidratante labial da marca.

Composição: phytoesqualano (hidratação), manteiga de shorea (proteção), vitamina E e extrato de physalis (antioxidante, ação calmante e anti-inflamatória).

O que a marca promete: hidratação intensa, reparação, prevenir ressecamento, rachaduras, e descamação, maciez e ação calmante.

O que eu achei: devia ter ficado com a manteiga de cacau. Mais barata e com a mesma finalidade. Além disso, o hidratante deixa os lábios bem grudentos, pesados (tem uma consistência cremosa), e tem um odor amanteigado forte.

Compraria de novo? Pelos motivos acima, não.

No geral, compraria a marca novamente? Experimentaria os outros produtos e compraria novamente o sabonete facial.

Ah, todos os produtos são veganos!

Caso se interesse pela marca, cupom para primeiras compras: @CUPOMBACANA (só funciona com o @). 

Projeto Rata de Biblioteca: a influência das bibliotecas na formação de novos leitores.


Certo dia, ao comentar no Instagram do Projeto Rata de Biblioteca (@rbiblioteca) a importância de conhecer e ocupar os espaços das bibliotecas públicas, a Natália, do blog Lapsos, sugeriu a criação de um post colaborativo que mostrasse o quanto esses locais podem incentivar o hábito da leitura para aqueles que não possuem condições de comprar livros com frequência, além de proporem atividades culturais e infraestrutura adequada para quem precisa estudar. Comentei sobre a ideia no meu Twitter e de cara recebi mais duas pessoas dispostas a conversar comigo sobre as bibliotecas que frequentam/frequentaram e como elas foram essenciais para transformá-las em leitoras, e foi assim que o IBGT (Instituto Brasileiro de Geografia da Tatiane) voltou a ser acionado. Espero que gostem da conversa, e que ela sirva de incentivo para não abandonarmos os livros que estão disponíveis para todos, em uma época em que o conhecimento e a informação verídica se fazem tão necessários.

Carolina, 20 anos -- Blog Krahe Lake.


Como foi/é sua a experiência com as bibliotecas? De que forma ela te mudou como leitora? Se lembra de como a conheceu?

Moro em frente à biblioteca que ''me criou'', literalmente só preciso atravessar a rua pra chegar nela, e a conheci graças a minha mãe, que me levou lá quando eu ainda era pequeníssima e fez um cadastro pra mim. Desde então, ela é um ponto de referência na minha vida e não há um mês sequer em que eu não a visite. Hoje sou cadastrada em outra biblio, mas descobri minha paixão pela leitura graças à primeira e os livros estão fácil no top 5 das melhores coisas do meu mundo, eles tem um papel significativo na formação da pessoa que sou hoje, então posso dizer que eu não seria ''eu'' se não fosse por ela. Nem consigo precisar muito bem como a biblioteca/os livros me ''mudaram'' porque já nem lembro mais de como era a Carolina antes deles. :)

Lembra de até 3 livros importantes pra você que foram emprestados delas? Por que foram importantes?

Como comprei pouquíssimos livros ao longo da vida (só em 2018 eu passei a ser uma pessoa assalariada, amém), quase tudo o que li é proveniente dessa biblio de que falei, e três livros muito importantes pra mim encontrados nela são:

1- O Jogo do Anjo, que me apresentou ao meu autor favorito da vida, Carlos Ruiz Zafón, que pra mim é a referência suprema da literatura de boa qualidade, criador de livros que eu sempre digo que levaria pro espaço se só tivesse uma chance de mostrar aos aliens o que é literatura. “A justiça é uma questão de perspectiva, não um valor universal.”

2- O Nome do Vento, do Patrick Rothfuss, o primeiro livro da minha trilogia/saga favorita da vida (infelizmente ainda inacabada), A Crônica do Matador do Rei, um calhamaço que eu virei noites lendo e que traz o melhor do que a literatura e a fantasia podem oferecer em termos de entretenimento puro e simples. ''Somos mais do que as partes que nos formam.''

3- Toda Poesia, do Paulo Leminski, o livro de 2018 que fez com que eu me apaixonasse de vez por poesia, depois de uma vida torcendo um pouquinho o nariz e achando que nunca seria pra mim (sou definitivamente uma pessoa mais de prosa). É poesia marginal e foi o pontapé que eu precisava pra começar a ler outros poetas me derretendo de amor.

''ameixas
ame-as
ou deixe-as''

Mia, 25 anos -- Blog Wink.


Como foi/é a sua experiência com as bibliotecas? De que forma ela te mudou como leitora? Se lembra de como a conheceu?

Como sou de família pobre nunca pudemos comprar livros durante a minha infância. Porém, meus pais sempre incentivaram o hábito da leitura. No início, era com os livros antigos que tinha lá em casa, da época em que eles eram jovens. Depois, quando entrei na escola, já cheguei perguntando onde estava a biblioteca - da qual eu tanto ouvia falar em casa, aparentemente um lugar mágico onde se podia pegar qualquer livro emprestado e conhecer novas histórias. A primeira coisa que fiz ao chegar na escola, na 1ª série, foi ir até a biblioteca e pegar um livro. Como já era alfabetizada, peguei A fada que tinha ideias, da Fernanda Lopes de Almeida. A história da Clara Luz mudou completamente a minha vida porque, além de ser mágica, me introduziu ao hábito de frequentar bibliotecas.

O tempo passou e troquei de escola para frequentar o Ensino Médio. Na nova escola eles não sabiam da proibição à biblioteca, então retomei meu ritmo de leitura e explorei clássicos da literatura dos quais eu nunca havia ouvido falar. Foi maravilhoso.

Quando me formei no Ensino Médio, ingressei em um curso de biblioteconomia porque meu amor por aquele espaço repleto de livros era tão grande que eu queria trabalhar com isso. Apesar de ter cursado, minha veia literária se mostrou mais forte do que minha aptidão para organização de estantes e vim para o jornalismo, curso no qual estou me formando. Porém, nada disso teria acontecido se não fosse a mágica da biblioteca na minha vida. Apesar de ter passado por um período em que fui obrigada a socializar mais com os meus colegas ao invés de ficar lendo, aquele sentimento incrível que só a literatura nos desperta permaneceu e vive até hoje.

Mesmo podendo comprar livros agora, ainda frequento a biblioteca da faculdade e faço propaganda das preciosidades escondidas naquelas estantes para todos os meus colegas. Eu não seria quem eu sou se não houvesse bibliotecas públicas (escolares) que me acolheram quando eu queria conhecer o mundo sem poder sair de casa.

Lembra de até 3 livros importantes pra você que foram emprestados delas? Por que foram importantes?

É difícil escolher apenas três dentre tantos, mas certamente A casa dos espíritos, da Isabel Allende, Contato, do Carl Sagan e A face da guerra, da Martha Gellhorn foram muito importantes para mim porque me fizeram romper barreiras culturais e desenvolver empatia por outras pessoas.

A casa dos espíritos é a saga de uma família chilena desde o século XIX até a terrível ditadura nos anos 1970. Eu nunca teria ouvido falar sobre a ditadura chilena se não fosse por esse livro, o que já o tornaria importante. Mas ele também se destaca por ter me apresentado ao realismo mágico latino-americano, que é uma das coisas mais lindas que existem.

Contato foi o livro que fez com que eu me apaixonasse por ficção científica e percebesse que não é só porque um livro fala de ciência em termos técnicos que eu não possa entendê-lo ou amá-lo. Claro que Sagan é Sagan e tinha toda uma linguagem de divulgação científica única, o que nem sempre se encontra no gênero. Porém, esse foi o livro que fez com que eu buscasse outros e adentrasse no universo do sci-fi.

Já A face da guerra é uma coletânea de crônicas escritas pela Martha Gellhorn, a correspondente de guerra mais longeva do século XX. Suas crônicas falam sobre pessoas normais, cidadãos comuns, vivendo nos horrores das guerras. São tocantes e reflexivas, o tipo de jornalismo que me inspira e que certamente mudou a minha forma de pensar em texto jornalístico.

Natália, 24 anos -- Blog Lapsos.


Como foi/é a sua experiência com as bibliotecas? De que forma ela te mudou como leitora? Se lembra de como a conheceu?

Aos 7 anos, quando entrei no ensino fundamental, fui estudar em uma escola muito grande e que ficava um pouco longe de casa. Minha mãe me incentivou a procurar a biblioteca de lá e pegar um livro emprestado - lembro que fiquei maravilhada, porque achava que só os funcionários podiam pegar os livros. Também lembro de ter medo de me perder enquanto procurava a biblioteca e não encontrar o caminho de volta para a sala e de ter ficado maravilhada quando a encontrei, porque ela era muito maior e mais organizada do que a biblioteca que eu conhecia. Tive a sorte de estudar em uma escola que recebia verba do município e do governo do estado. A biblioteca tinha uma quantidade excelente de livros - tanto de pesquisa quanto literários - e recebíamos livros novos todos os anos (as vezes alguns famosos).

Saí dessa escola para fazer o ensino médio em um Centro Federal. Outra vez fiquei deslumbrada com a biblioteca, que era ainda maior do que a outra. Eu, que antes eu só ia até a biblioteca para pegar livros emprestados, descobri que a biblioteca era um excelente espaço de estudo. Ela dispunha de algumas salinhas e sempre que podíamos, eu e meus colegas íamos até lá para adiantar os trabalhos e estudar para as provas. Essa biblioteca também assinava revistas e jornais, o que eu achava super chique. Consegui colocar em dia a leitura de diversos exemplares da Mundo Estranho - minha revista preferida.

Não tenho orgulho disso, mas aprendi a burlar o sistema da biblioteca durante a faculdade. Precisávamos de livros didáticos que eram usados por todos os cursos e que sumiam das prateleiras assim que o professor marcava a primeira prova do semestre. Por isso, pegava o livro no início e dividia o uso com uma colega. Devolvia no final do semestre, com um tempo de bloqueio que durava o restante do ano. Enquanto eu estava bloqueada, essa colega pegava os livros e dividia comigo.

Enfim, as bibliotecas fazem parte da minha vida desde sempre. Seja para estuda, para ler, para me divertir, para aprender - e até para tirar um cochilo no meio do caos do final do semestre.

Minha mãe trabalhava em uma escola e sempre pegava livros emprestados na biblioteca de lá para eu ler. Lembro que ela me levava para o trabalho de vez em quando e eu ficava sentada na biblioteca, olhando os livros.

Lembra de até 3 livros importantes pra você que foram emprestados delas? Por que foram importantes?

  1. A árvore que dava dinheiro - Domingos Pellegrini;
  2. O jogo do Camaleão - Marçal Aquino;
  3. Orgulho e preconceito - Jane Austen.
E vocês, possuem algum vínculo com bibliotecas? Lembram de livros que foram importantes na sua formação literária? Me contem!

Projeto "Rata de Biblioteca".


Os algoritmos que movem a internet muitas vezes nos dão impressões erradas sobre a realidade. Se você lê esse blog, provavelmente está inserido(a) em um grupo de pessoas que de alguma forma consomem literatura, apesar de estarmos em um país que comprovadamente não possui uma população leitora, como mostra a pesquisa “Retrato da Leitura no Brasil”, realizada pelo Instituto Pró-Livro, responsável por mostrar que 44% das pessoas não leem no tempo livre e 30% delas nunca comprou um livro. Porém, como as redes sociais tem cada vez mais selecionado o conteúdo que chega até nós com base em pesquisas e interesses, a impressão que temos ao acompanhar blogs, canais no Youtube e até perfis no Instagram, é que todos estão constantemente não apenas lendo, como também investindo dinheiro em livros como objetos de decoração para suas casas.

Inseridos nessa bolha de ávidos leitores que habitam a internet, muitas vezes não nos questionamos sobre os modos de consumir a literatura, e sobre quem são as pessoas que de alguma forma ainda movem o tão escasso mercado editorial brasileiro. Não é a primeira vez que dentro desse grupo de pessoas que tem acesso à leitura, surge o debate sobre a pirataria de livros. Realmente existe um déficit para autores e editoras devido à pirataria de ebooks em formato pdf na internet, mas o que muito me incomoda nisso tudo, é o tom que a discussão passa a ter quando pessoas com renda suficiente para investir em livros em um país como o nosso, onde as taxas de desemprego são altas, além do valor que possui o salário mínimo – responsável, vale salientar, por alimentar e pagar todas as contas de quem o recebe – criticam o lado que precisa – e aqui eu grifo o verbo precisar pra deixar bem claro que o ponto do meu texto é quem só consegue ler por meio do pdf, se você de fato tem renda pra investir em entretenimento e mesmo assim prefere piratear, entramos em uma discussão com a qual não quero me envolver –, utilizar esse método para ler.

Entre todos os argumentos utilizados na discussão, muito se falou sobre as bibliotecas e a possibilidade de ler livros gratuitamente sem precisar piratear (e eu tenho algumas questões com esse lado, porque realmente bibliotecas são ótimas, mas: 1. O livro que está na biblioteca foi comprado apenas uma vez e repassado pra frente sem que o autor ou a editora recebesse cada vez que ele é lido, assim como é com o caso dos pdf’s, já que alguém em algum momento comprou aquele ebook e depois repassou, mas quem sou eu para dizer isso, não é mesmo?, e 2. As mesmas pessoas que apontam as bibliotecas como alternativa estão todo mês recebendo livros sem custo algum de editoras, parcerias, caixa postal, mostrando estantes pessoais cheias de livros, muitas vezes com mais de uma edição da mesma obra por puro capricho, e bom, não doando nenhum deles para bibliotecas porque o ato de obter livros tem sido muito mais gratificante do que o de lê-los, mas reitero: quem sou eu para dizer isso, não é?), mas nada se faz para que haja o incentivo em visitar e consumir o que guardam as bibliotecas.

Antes de eu de fato me interessar por bibliotecas, o contato que tinha com elas era bem pequeno, e de certa forma um privilégio, já que eu estudava em uma escola que mesmo pública, possuía um acervo de livros disponível para os alunos. Quando terminei a escola, achei que as bibliotecas públicas fossem bem diferentes do que encontrei, imaginava-as como lugares velhos demais, abandonados, e com livros que não interessavam a ninguém. Bom, me enganei.

Porém, sei que teria ficado no achismo se não tivesse sido apresentada da forma correta ao acervo gratuito de livros e com toda certeza leria muito menos do que atualmente. Por isso, ao invés de ditar quem pode ou não ler, preferi optar por outro caminho, e hoje inicio aqui no blog o projeto “Rata de Biblioteca”, porque não consegui pensar em um nome melhor.


*:・゚✧*:・゚✧ O que é? *:・゚✧*:・゚✧


Como muito do que leio vem de bibliotecas, decidi usar esse espaço que tenho na internet para promovê-las falando sobre os livros que pego e tentando de alguma forma, mostrar que nelas existem muitos livros legais e inesperados. É a maneira que encontrei de promover a literatura sem entrar na mesma falácia comercial, e muitas vezes elitista, que vemos por ai.


*:・゚✧*:・゚✧ Como vai ser? *:・゚✧*:・゚✧


Não consigo planejar dias certos para as postagens, mas sempre que eu terminar alguma leitura vinda de biblioteca vou postar aqui e no Instagram do projeto (@rbiblioteca) sobre o que falam os livros e como foi a experiência de lê-los. Lá no Instagram também pretendo utilizar as ferramentas do stories e do IGTV para conversar durante as leituras.

O hábito de ler é algo que consome tempo e energia, além de ser muito solitário e pouco incentivado, mas se com esse projeto eu conseguir chamar atenção de pelo menos uma pessoa para o mundo da literatura sem precisar entrar naquele debate privilegiado que a grande bolha literária costuma cair, já vou estar feliz. Espero que gostem, sigam o Instagram e me ajudem nessa. Quem sabe mais pra frente isso não se torne algo bem maior?



P.S: “Mas é só separar um dinheirinho que dá pra comprar um livro por mês”, que bom que na sua casa isso é possível, mas na minha e na de muitos outros brasileiros gastar dinheiro com entretenimento é um luxo.
“O Kindle Unlimited é baratinho”, o que é barato pra você, pode não ser pro outro.
“Eu compro livros com o dinheiro que nem tenho”, se tá comprando é porque tem sim.
PAZ.

Você pode substituir "papel de trouxa" por "tentativa", por exemplo.


Ligados no piloto automático diário deixamos de perceber que viver é basicamente sobre tentar. Tentamos pegar o transporte mais vazio, chegar no horário certo, sorrir para outras pessoas, nos alimentar melhor e tantos outros exemplos que caberiam aqui. De tanto tentar automaticamente, quando o fazemos com consciência de que não é algo exato, se torna três vezes mais difícil, em alguns casos pela preguiça de planejar tudo até quem sabe conseguir colocar em prática, e em sua grande maioria pelo medo dos resultados ruins. Tentar não significa ser mais fraco que seu adversário (sempre associamos o papel de trouxa ao ato de demonstrar afeto romântico para com alguém, e apesar de eu também estar abordando isso no texto, quero deixar claro que o ponto aqui são todas as tentativas que a vida nos proporciona, podendo seu adversário ser uma entrevista de emprego, o sonho que sempre ficava para trás, um esporte jamais praticado por medo e etc) e sim ser mais corajoso, já que é preciso muita segurança para dar a cara à tapa.

Em A Arte de Pedir, Amanda Palmer fala muito bem sobre a vulnerabilidade, sempre vista por todos como fraqueza, quando na verdade, é um ponto extremamente forte que se bem trabalhado, nos leva à resultados incríveis.

"Cacete. Eles não têm nada de assustadores. São só... um monte de gente. [...] E, quando a gente tem medo dos julgamentos dos outros, não dá para se conectar com eles. Ficamos preocupados demais com a tarefa de causar uma boa impressão."*

Estar vulnerável, nesse contexto, não significa estar pronto para receber uma facada nas costas, mas sim estar pronto para uma vida leve apesar de todas as durezas que suportamos nesse processo. Aceitar que somos todos humanos que acertam muito, mas que erram o dobro, é essencial para conseguir absorver a ideia de que nem tudo está no nosso controle, e tudo bem, porque seria horrível se estivesse. Se aceitar como um ser vulnerável significa entender que assim como você tem suas inseguranças, o outro também têm, o que nos leva ao centro do texto: as tentativas. É horrível imaginar como vai ser tentar o emprego que você sempre sonhou e poder ser rejeitado por não estar qualificado? É sim. É péssimo visualizar a cena em que um grupo de pessoas ri ao te ver tentando algo diferente? Claro que é! Dói muito se declarar pra alguém e receber um "Olha, você é uma pessoa muito legal, mas..."? E como dói, amigo! Isso não significa que você é menos, que a vida acabou ali, que toda a sua reputação foi perdida naquele momento, porque o que realmente define tudo é o que te levou até ali: a tentativa. E por mais que seja difícil crer, por mais que todos os seres da Terra pareçam irradiar a luz da confiança, na verdade tá todo mundo querendo chupar o dedão em posição fetal enquanto chora por ter levado um "não" da vida, o que poderia doer menos se todos nós nos abríssemos uns com os outros e aceitássemos que tá tudo bem, apesar de não estar.

"Realmente não há honra nenhuma em provar que você pode carregar sozinho todo o peso nas costas. É algo... solitário."*

Na terceira temporada de How I Met Your Mother, episódio 16, a Robin leva o segundo fora da sua paixão de colegial. Ela tenta mostrar que não se importa, que poucas horas depois já está tudo bem outra vez, até que fica sozinha na mesa de um bar e chora. A cena em questão me marcou muito por mostrar nada mais do que tentativas: a primeira, quando a Robin se entrega outra vez para o cara que a fez gravar um clipe melancólico em uma praia; a segunda, quando ela tenta se mostrar mais forte que aquilo e a terceira, quando ela sabe que tentou e se mostra mais humana do que nunca.  


E já que estou citando How I Met Your Mother, existe exemplo melhor de vulnerabilidade e mestre das tentativas do que Ted Mosby? Ted não é um personagem profissional em ser trouxa, é um personagem que persiste em tentar apesar de todas as desculpas que poderia ter dado para se fechar pra vida.

Não sei quem foi o primeiro a categorizar algo como "papel de trouxa", mas quem começou, tenha a fineza de parar. Há uns dias atrás, notando minha mania de permanecer no "E se..." por pura insegurança de lidar com as infinitas possibilidades que agir pode me dar, resolvi colocar o IBGT (Instituto Brasileiro de Geografia da Tatiane) em ação no Twitter, e o que era pra ser uma enquete simples, me surpreendeu muito.

Quem está dizendo não sou eu, e sim as estatísticas: mesmo que a maioria aplauda quem tenta, grande parte ainda vê como trouxice. Se você ainda está lendo isso e se perguntando aonde eu quero chegar, prepare-se, pois a partir de agora, nesse mesmo post, nós vamos desconstruir o papel de trouxa.

Tutorial: como substituir o "papel de trouxa" por "eu tentei". 


1 - Tenha em mente o que você quer e com isso planeje como pode chegar até o seu propósito (se por acaso o objetivo envolver outra(s) pessoa(s), não se esqueça: faz parte da vulnerabilidade a conexão com o outro. Se a pessoa discordar com o que você propôs, respeite-a, e vá para o passo 4).

2 - Respeite seu próprio tempo. Não adianta fazer algo no impulso e se sentir culpada(o) depois, aceite que o passo a ser dado é grande, e que por isso você mesma(o) precisa saber quando será o seu momento certo (não confunda isso com procrastinar, ok?).

3 - Tente. Não tem explicação nenhuma não, vai que é tua Tafarel.

4 - Siga o esquema abaixo:
5.1 - Talvez tenha sido horrível passar por cima do orgulho ou de qualquer outro fator que antes te impedia de tentar, a voz repetindo "Trouxa, trouxa, trouxa, trouxaaaaaa!" na sua mente pode ter te ameaçado muitas vezes, mas agora você sabe que ela é só um modo que você mesma(o) encontra para se proteger de um "perigo eminente". Tentar é ótimo e ver dar certo é mais ainda.

5.2 - Você tentou e não há nada mais admirável que isso. As respostas negativas sempre vão estar por ai, e todos nós nos deparamos com elas durante a vida. Tentar é aceitar que a probabilidade de dar certo é a mesma de dar errado. Não faça disso uma experiência ruim, transforme-a em aprendizado, e não esqueça: você tentou, e tentar é humano.

Tudo o que conhecemos hoje só existe porque alguém tentou quando podia ter se limitado. Que você aí do outro lado continue tentando, aceitando o que a vida te dá e desconstruindo o papel de trouxa. 

*Todos os quotes citados nesse post foram retirados do livro A Arte de Pedir, da Amanda Palmer.

Meio termo.

"Ah! Mas que sujeito chato sou eu, que não acha nada engraçado. Macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco."

Há todo um orgulho em ser pessimista, você crê que isso te protege, e até que está um pouco melhor que os outros por não ser tão iludida como eles, acha que ver a vida de um jeito alegre é ilusão. Mal sabia que na verdade, já estava iludida.

Acreditar que sempre está tudo ruim difere completamente de querer melhorar e crescer cada vez mais. Sempre vai melhorar, a vida é isso, uma melhora atrás da outra com vários momentos ruins no caminho, mas que vão construir sua história e te mostrar o que você realmente quer ser, o que não quer ser, o que quer e não quer ter, quem quer conhecer melhor, quem quer manter por perto e quem precisa manter longe. Quanto tempo passamos mandando tudo para o inferno e exclamando com convicção que as coisas só dão errado? Como se ter problemas e cometer erros só acontecesse conosco. Não precisa abaixar a cabeça com vergonha, nem dar esse risinho disfarçado, olha pra mim e escuta isso: todo mundo é assim! Acredite, a maioria das pessoas está passando por coisas semelhantes, que as machucam na mesma intensidade, mas acontecem de formas diferentes com cada um, porque ninguém é igual, e você sempre soube disso, mas é tão fácil jogar a culpa nas próprias costas e dizer que tudo sempre dará errado com você, não é? Eu te entendo, mesmo. 

Conselhos nem sempre são bons, mas eu vou deixar um aqui e cabe somente a você decidir se ele te ajuda ou não. Preparada? Larga esse pessimismo, para de fazer disso um motivo para se orgulhar de si, você não precisa perder tudo por causa desse teu jeito pra só então perceber que as coisas ruins acontecem porque você mesma faz isso. Aconteceram coisas ruins? Eu sei que sim, mas você lembra de todas as coisas boas que vieram junto, não adianta tentar se enganar, não preciso cita-las, só de ler isso você lembrou de inúmeras. Não estou falando pra você acreditar que a vida é um conto de fadas, que todas as pessoas do mundo são boas e merecem sua confiança, muito menos que tudo sempre vai dar certo, só estou pedindo pra você considerar a ideia de que em algumas coisas nós ficamos melhor em cima do muro. Se der errado, você pula pra trás e encontra um caminho melhor, afinal, você sempre fez isso sem nem perceber, mas se der certo, você já está bem ali, a um passo do que é certo, do que é seu. Você achava que ser otimista era como acreditar na Terra do Nunca, mas olha só, é tão real que parece até mentira! Posso te contar mais uma coisa? Muitos problemas ainda vão aparecer, mas com essa visão nova, você vai conseguir passar por eles e encontrar coisas boas. 

Agora, você não acha que tudo sempre vai dar errado, você luta pelo que pode, abre mão quando sabe que em breve algo vai escapar e o melhor de tudo, você descobriu que o otimismo te fez achar o passado chato e por isso você correu atrás de novas coisas. E o pessimismo? Ah, ele só te fez ficar parada por muito tempo em algo cômodo, mas ainda bem que você me ouviu.

"É você olhar no espelho, se sentir um grandessíssimo idiota, saber que é humano, ridículo, limitado, que só usa dez por cento de sua cabeça animal, e você ainda acredita que é um doutor, padre ou policial que está contribuindo com sua parte para nosso belo quadro social. Eu que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar." (Raul Seixas - Ouro de Tolo.)


1 º Esse texto foi escrito para o meu eu do passado, e foi difícil ler tudo isso...
2 º A pesquisa do IBGT teve seis votos, todos positivos. Preciso só de um tempo pra conseguir gravar algo, perder um pouco da minha timidez e encontrar alguns temas com base no que vocês pediram pelo formulário e logo, logo o canal no Youtube estará pronto.
3 º Quero agradecer pelos elogios enviados nos formulários e por todas as coisas meigas que me mandaram, eu salvei o formulário no computador pra sempre ler aquilo, algumas pessoas foram muito gentis na resposta, obrigada mesmo! Obrigada também pelos elogios ao layout, faltam algumas coisas pequenas, mas passar três semanas fazendo algo e descobrir que as pessoas gostaram é ótimo, vocês são ótimas(os)!

Só acontece comigo #20

A blogueira que vos fala pede desculpas pela falta de atualizações na última semana. Informamos que estamos em planejamento para melhor atendê-los.

Pensamentos de transporte público.

Foram inúmeras ás vezes em que contei BA-BA-DOS ocorridos no transporte público. Para a alegria de vocês podem passar anos que eles simplesmente não param de acontecer, e eu sempre preciso compartilhar com alguém, ou seja: post novo no blog.

Mais um dia na cidade de São Paulo, onde quando não estamos sem água certamente estamos em um transporte público lotado. E lá estava eu, jovem estudante, trabalhadora, amiga dos animais, ás três da tarde entre um braço gordo e uma catraca machucando meu quadril. O que a maioria das pessoas não imagina é que eu não estava ali porque queria, e a vida sempre muito bondosa comigo resolveu colocar do outro lado da catraca justamente esse tipo de pessoa.

Haviam mais de sete pontos (ou paradas, não sei como vocês chamam, vou até fazer enquete) até que a
c e r t a p e s s o a retirasse sua massa corporal do meio de transporte, e os motoristas, pessoas muito felizes com seu trabalho, já estão acostumados a deixar as pessoas que não conseguem passar da catraca pagar a passagem e sair pela porta da frente, o que já é uma regra básica de convívio em sociedade praticamente. Mas esse ser iluminado que por ironia do destino estava do meu lado parece ter sido abduzido por um longo período de tempo porque ele simplesmente não sabia disso. Acompanhem o diálogo a seguir, se não for incomodo.

- Vamos espremer ai que eu tenho que descer daqui a pouco! - um jovem senhor não tão jovem assim fala com simpatia porém não muita enquanto empurra a catraca e balança todos os órgãos presentes em meu corpo. Detalhe: a catraca estava vermelha, não sei se todo mundo sabe mas ela só roda ao aparecer uma luz divina verde.
- Senhor, não tem pra onde ir.
- COMO NÃO TEM PRA ONDE IR - gotículas de cuspe hidratam minha pele no momento - EU PRECISO DESCER MINHA FILHA SE VIRA AI!
- É só pagar o motorista e pedir pra ele deixar descer pela frente.
- Ah é?
- É... 
- Será que ele deixa?
- Eles SEMPRE deixam.
- Pois bem, eu vou pedir. E se ele não abrir você que me pague!

AMIGA ME SEGURA QUE EU VOU PUXAR OS CABELOS DESSE HOMEM.

Resultado: o motorista abriu, começou a chover e o homem ficou parado na calçada no meio da chuva sem saber o que fazer.
Se eu falar que não desejei uma pneumonia estarei mentindo.
© Limonada
Maira Gall