California, here we come: uma ODE a The O.C | BEDA #07

Para ler ouvindo: 

Esse texto tem alguns spoilers de The O.C, caso você nunca tenha assistido à serie e tenha curiosidade, fica o aviso. 

Só fui assistir The O.C pela primeira vez no final de 2025/início de 2026, com a entrada das temporadas no Prime Vídeo. Em uma maratona que durou dos dias finais de Novembro até o meio de Janeiro, me surpreendi com os comentários que consideravam a quarta temporada ruim, quando para mim, que assisti cada episódio tão próximo um do outro, ela foi a melhor. 

Ryan finalmente conseguiu sair do ciclo da violência, perpetuado por ele ao ser adotado após uma vida de abusos, e que infelizmente, ainda se mantinha presente com o constante envolvimento do personagem com a Marissa. Não a vejo como de todo ruim, muito pelo contrário, ao longo da série é claro o quanto ser criada (ou no caso, não ser criada, já que não existe uma família de verdade ali) por Julie a afetou, mas durante as três primeiras temporadas eu não conseguia achar romântico ou envolvente a relação dela com o Ryan. Era só problemática. Um laço causado pela identificação clara entre os traumas deles, mas ainda assim, um laço que só fazia mal — e ver, na quarta temporada, a evolução do Ryan quando encontra alguém que não o afunda junto a ela, para mim é o suficiente. 



Também gosto de como a temporada explora, para o Seth, o contrário das outras três primeiras. Nelas vemos Ryan sendo a sua "salvação" de uma vida de solidão. Entre a terceira e a quarta temporada, no entanto, começamos a notar como o perfil introvertido e ansioso de Seth não pode ser corrigido pelo seu melhor amigo, e assistimos as consequências disso em sua vida. 



Summer, por outro lado, encontra no ativismo sua paixão e não fica presa no esteriótipo da garota rica, bonita e burra, tão explorado nas primeiras temporadas. 

A série tem muitas problemáticas, é claro, (a forma como o Seth trata a Summer é uma das principais), mas considerando que foi uma série teen dos anos 2000, assistir tantas questões de classe (e diversos comentários políticos, por vezes socialistas — obrigada por isso, Sandy), me surpreendeu MUITO. 



Só Acontece Comigo #95 | BEDA #06

Como eu nunca abri nenhum processo trabalhista vou usar o BEDA como uma válvula de escape. 

Outros episódios: mapeamento de cadeiras no trabalho & o cargo de assistente que na verdade era de recepcionista com pitadas de diretora de marketing. 

No mesmo emprego em que eu era-assistente-mas-fui-contratada-pra-ser-recepcionista-e-no-final-acabei-ainda-trabalhando-como-assistente-de-RH, era comum que na semana de aniversário de alguém, fôssemos comer em um restaurante próximo. 

Em um desses eventos, sentei em frente a outra assistente. Uma pobre menina que assim como eu, estava procurando um cargo como assistente de pesquisa (com um mestrado em neurociências em andamento) e acabou caindo no limbo de ser uma assistente faz tudo de RH. 

Deixei meu RG em cima da mesa, porque ele seria necessário para algum processo dentro do restaurante, e me distrai conversando com outra pessoa. 

Em um tipo de bullying que só existe no local de trabalho (e que costuma ser até pior do que o da escola, porque vai você falar pra outro adulto que a atitude dele não foi legal?), a sorrateira assistente pegou meu RG e sem meu consentimento, começou a rir da minha foto, chamando a atenção de muitas outras pessoas para fazerem o mesmo. 

Eu, tímida, fiquei corada. 

Minha gerente, não satisfeira com a sessão de humilhação do dia, ao ver minhas bochechas rosadas, soltou em alto e bom som: "Ai amor, você tem rosácea?". 

No que outra pessoa respondeu: "Não, ela tá com vergonha". 

Saí mais cedo do almoço pra fazer uma entrevista de emprego no meio do estacionamento da empresa. 

Missão da semana contra o vilão no BEDA: O Pergaminho Esquecido. Publique um dos seus rascunhos antigos (e informe desde quando estava parado). Rascunho guardado desde Abril de 2024, época do ocorrido. 


Só acontece comigo #94 | BEDA #05

Da série: péssimas experiências em locais de trabalho. 

Antes do fatídico emprego com mapeamento de lugares, passei um mês no que, na época, era meu primeiro emprego pós-faculdade. Sim, um mês. 

O anúncio da vaga correspondia ao que eu buscava naquele momento: um cargo de entrada na pesquisa clínica (área responsável pela testagem dos medicamentos em seres humanos antes da sua aprovação pelos orgãos regulatórios para venda). 

Após um longo processo de contratação, com direito a prova, comprovação de cursos, case, entrevista com RH e entrevista com a gestão direta, fui aprovada na seleção. YAY. 

Primeira semana de trabalho. Empolgação a mil. Sou apresentada à minha mesa, com computador, teclado e gavetas apenas para meu uso. Noto um detalhe estranho: o escritório em modelo "aberto" tem fileiras de mesas uma ao lado da outra. A minha, por um acaso, está afastada de todas e próxima aos elevadores. Apesar de estranhar, não dou muita atenção ao fato e sigo empenhada em meus dias de Onboarding. Apresentações daqui, dinâmicas dali, o Onboarding acaba e na sexta-feira da primeira semana de contratação, iniciamos nossos trabalhos em nossos postos. 

A mesa afastada? Seguia o objetivo da gestão: me colocar para trabalhar como recepcionista. 

A vaga anunciada? Assistente de Pesquisa. 

O cargo registrado na minha carteira? DIRETORA de Marketing. 

Em um mês muitas mais coisas aconteceram, mas vamos por partes. 

Missão da semana contra o vilão no BEDA: O Pergaminho Esquecido. Publique um dos seus rascunhos antigos (e informe desde quando estava parado). Rascunho guardado desde Abril de 2024, época do ocorrido. 


Todos os cursos que já quis fazer como hobby | BEDA #04

  1. Cabeleireiro;
  2. Sushiman;
  3. Barman;
  4. Cêramica;
  5. Desenho;
  6. Aquarela;
  7. Pintura a óleo;
  8. Fotografia;
  9. Design Gráfico;
  10. Guitarra;
  11. Baixo;
  12. Bateria;
  13. Piano;
  14. Canto;
  15. Natação;
  16. Pilates;
  17. Yoga;
  18. Teatro.
O que fiz até agora: natação (e abandonei). 



Só acontece comigo #93 | BEDA #03


Era uma quinta-feira comum. O único dia de presencial do meu antigo emprego. 

Uma colega de trabalho, que aqui chamaremos de Virginia*, já vinha, a algum tempo, demonstrando não gostar tanto de mim, o que não me incomodava, já que era reciproco. Eu, no entanto, agia de forma minimamente educada: a respondia sempre que estritamente necessário, mas evitava ao máximo ter contato. Ela, por outro lado, sempre que possível, tecia comentários inapropriados, com a intenção de me atingir. 

Virginia, por sua personalidade, no geral não era gostada pelas pessoas do escritório. Com exceção de sua amiga, que aqui nomearamos como Floflô Biruta*, uma persona extremamente política no mundo corporativo: sempre sorrindo para todos, interessada pelos assuntos gerais e vista como "a mais simpática e a mais inteligente" do local. Personalidade que não condizia com sua amizade tão fiel (e a nível pessoal) com Virginia, seu completo oposto.

Na hierarquia, meu trabalho respondia ao trabalho de Floflô Biruta. Mesmo assim, sempre que o dia de trabalhar presencial chegava, eu, como adulta que sou, escolhia meu lugar no escritório no completo oposto ao dela, por ser onde meus colegas de trabalho mais próximos estavam sentados. Foi quando a quinta-feira comum tornou-se um pouco estranha. 

Floflô Biruta, sem conseguir impor seus próprios desejos, com medo de perder seu posto de princesa querida do local, insinuou para Virginia, sua amiga, que gostaria que nos dias de presencial eu sentasse mais próxima a ela. Para que ela vigiasse meu trabalho. Assim, sem motivo algum. 

Como estávamos sendo remanejados de andar, Virginia aproveitou a deixa para, sem a minha permissão, colocar meus pertences na mesa entre ela e Floflô Biluta. Eu, que como já dito, estava em um cargo abaixo na hierarquia, não quis arriscar me posicionar. 

Meus amigos de trabalho, no entanto, que nada tinham a perder, se solidarizaram com a minha situação e exerceram seu direito de expressão. Revoltados, retiraram minhas coisas de lá e as colocaram novamente próximas a eles. 

Virginia, inconformada, passou o dia me perguntando quem tinha tirado minhas coisas de lá. "Não sei", eu respondia sabendo. 

Na semana seguinte, um anúncio da liderença: todos podem escolher onde sentar. Somos adultos, não precisamos disso.

Virginia? Ficou com tanta raiva que ameaçou denunciar no compliance o amigo que me tirou de lá (sendo claramente desmotivada pela liderança). 

Floflô Biruta? Ficou em completo silêncio todo o tempo.

Eu? Imediatamente comecei a enviar novos currículos. Foram longos nove meses de contrato. 

*Os nomes foram escolhidos como forma de homenagear minhas colegas de trabalho, que passavam o dia acompanhando os stories da citada influencer. Neste blog não a veneramos. 

Missão da semana contra o vilão no BEDA: O Pergaminho Esquecido. Publique um dos seus rascunhos antigos (e informe desde quando estava parado). Rascunho guardado desde Agosto de 2024, época do ocorrido. 

5 coisas que me fizeram feliz em Julho | BEDA #02

 5. Usar o APP "Catzy"


Catzy é um APP de gamificação do seu autocuidado. A partir das suas tarefas diárias, como tomar água, praticar atividade física, tomar banho ou até escovar os dentes, você ganha moedas que ajudam a comprar roupas, móveis e comida para o seu gatinho (totalmente personalizado por você). É um aplicativo fofo e que não fica te pressionando a fazer as coisas, e me ajudou bastante a incluir bons hábitos na minha rotina com o objetivo de cuidar do Garfield, meu gatinho laranja, enquanto me cuido.

4. Comer no Z Deli

O Z Deli é uma rede de restaurantes com algumas unidades em São Paulo. Fui pela segunda vez na unidade do Itam Bibi, e repeti meus pedidos da primeira ida: a pastrami fries, o hambúrguer Lamb, e inovei pedindo Cheesecake de sobremesa. Pra quem for de SP, vale a pena conhecer, a comida é muito gostosa. 

3. Comer sushi sozinha


Sem grandes explicações. Às vezes ter um date com si mesmo é importante.

2. Visitar minha antiga Universidade + cortar o cabelo

Me formei em 2023 e apesar de não ser a pessoa que manteve vínculos com a Universidade, sinto muita falta de lá (um curso integral de alguns anos teve o poder de me deixar mais acotumada com meu campus do que com minha casa). Aproveitei que ia cortar o cabelo no bairro da faculdade e passei por lá para dar um oi para o meu antigo orientador e para rever o prédio em que eu estudava. Acabei ganhando um conchinha que meu orientador coletou durante o Caminho de Santigo que realizou esse ano.  

1. Ir na Together, Together Tour

O Harry Styles voltou ao mundo da música esse ano, e apesar de eu não ter sido fã da One Direction, desde o anúncio da carreira solo dele acabei me apegando bastante às suas músicas, ao ponto de hoje em dia ele realmente ser meu artista favorito. No desespero de ver ele anunciando a turnê no Brasil, acabei comprando ingressos para três dos quatro shows que seriam feitos no Brasil (mas um dos meus dias foi cancelado rsrsrs). Tive a oportunidade de assistir ao show da arquibancada e da PIT Circle — uma modalidade de pista com menos pessoas no espaço, de frente para o palco —, e não sei nem descrever o quão especial foi para mim. Sinceramente, ainda estou digerindo a sensação de tê-lo visto tão de perto, e confesso que desde o último show, fiquei até um pouco deprimida. Ainda assim, não deixa de ser a melhor coisa que fiz por mim no mês (e provavelmente no ano). 

P.S: Aparentemente todas as minhas fotos perderam a qualidade na hora das montagens, mas em nome do BEDA, vai assim mesmo. 

Aparentemente eu ainda sei escrever | BEDA #01

Durante muitos anos a história da minha vida cruzou seu caminho com a história da internet. Ainda pequena, por volta dos quatro anos, a incrível máquina branca no canto da sala só era acessada quando meu pai também estava em casa — naquela época ele era como o guardião da honrada chave de acesso, cujo portal atravessava os vastos campos da plataforma IG, tendo como companhia para sua travessia o sinal mudo no telefone e o som estranho que anunciava a conexão —, ou para imprimir desenhos para que eu os pintasse, ou para me deixar jogar no Portal do Sítio Amarelo. 

O meu crescimento no mundo real foi acompanhado por diferentes fases dela. Do jogo de guarda-roupas da Turma da Mônica ao Stardoll, das fanfics aos textos em blogs, dos vídeos no Youtube aos vídeos no Tiktok: nunca houve uma fase da minha vida em que realidade e o virtual não estivessem entrelaçados.

Quando criei esse blog, ainda em 2013, com o nome de Novembro Inconstante, estava vivendo uma adultização muito precoce. Aos 16 anos já conciliava uma escala de trabalho 6x1 com as noites na escola, um namoro não muito saudável, e todas as emoções da recém conquistada "vida adulta". Andava sozinha em São Paulo pela primeira vez, ganhava meu dinheiro e decidia como gastá-lo também pela primeira vez. Republicava imagens no Tumblr, acompanhava o blog do Depois dos Quinze, o Around Vanessa, o Wink e o So Contagius. Na internet, todos escrevíamos. Éramos vulneráveis, polêmicos, um pouco dramáticos, mas de alguma forma, estávamos todos o mais conectados possível para a época, sem nem desconfiarmos que em alguns anos, a internet estaria sempre no nosso bolso. Sem desconfiarmos que os blogs virariam nostalgia. 

Apesar de ainda ser muito cronicamente online (definitivamente mais do que o saudável), minha postura na internet mudou muito nos últimos anos. Os posts no blog são feitos a cada ano. O Instagram é um perfil privado com pouquíssimas fotos. De alguma forma, a internet continuou seu crescimento, mas deixou de me acompanhar, como sempre o fazia. Ela expandiu, eu diminui. Ainda assim, quando vi o site preparado pela Bá Moretti e pelo Igor Medeiroz para o BEDA desse ano, foi inevitável não querer retornar para cá. Não desejar fervorosamente ainda ser uma adolescente descobrindo a vida sem conseguir não compartilhar seus gostos e desgostos com os outros. Por isso, não garanto que serão 31 dias de posts, mas garanto que de alguma forma, durante agosto, eu vou estar por aqui. Como se ainda estivéssemos em 2010. 


Entreblogs | 5 coisas que me fazem feliz

 5. Chá Matte gelado

Não sei dizer em que momento a minha obsessão com o Chá Matte gelado começou, só sei que me tornei Testemunha do Chá Matte Gelado e que definitivamente é algo que me faz mais feliz. Por não gostar de café (além de não poder tomar mais que uma xícara por dia — e olhe lá , já que cafeína piora meu estado ansioso natural) e estar tentando diminuir meu consumo de Coca-Cola, em algum momento me peguei viciada em comprar Matte de 1,5 L para me distrair nas tardes de trabalho. Não importa se vai estar no sabor original, com limão ou com pêssego, o importante é estar gelado. No meu primeiro emprego pós faculdade a empresa também tinha um Carrefour Express dentro dela, e ali vendia uma lata de chá gelado gaseificado, que era MELHOR AINDA que o normal. Na viajem para o Rio de Janeiro que fiz para o show da Lady Gaga também experimentei o Matte Gelado da praia de Copacabana e meu deus... nunca tinha tomado nada igual. 

4. Visitar livrarias sempre que vou ao shopping (e não comprar nada)

Minhas compras de livros ficaram restritas a momentos de promoções (sejam elas presenciais, em feiras de livros, ou na Amazon Prime), e por isso, sequer lembro a última vez que comprei um livro em uma livraria de fato, mas sempre estou nelas olhando todas as capas, palpitando para quem estiver comigo sobre os preços, contando fofocas sobre os autores e as brigas do meio literário, mas nunca comprando nada. Os vendedores já nem me oferecem ajuda mais. 

3. Validação acadêmica

Problemático, eu sei. Não consigo me defender sobre essa, mas vale dizer que desde que terminei minha pós-graduação no meio do ano passado (que emendei com a graduação), venho sentindo um vazio no peito muito característico da falta que o ambiente acadêmico faz na minha vida. 

2. Observar a Paçoca existindo 

Ter um cachorrinho em casa pra apertar e cheirar sempre que possível acalma os nervos. 

1. Conversar

Sempre fui muito tímida e introvertida. Em algum momento da vida, me formar em Enfermagem despertou um interesse muito genuíno por pessoas e agora eu meio que desembestei e não sei mais não querer ouvir os outros e falar sobre qualquer coisa que for possível. Sei que é necessário cautela, porque nem todo mundo é confiável nesse sentido, mas realmente gosto muito de ser vulnerável e permitir que os outros o sejam também. 

Aloka das listas - 2025 edition

O Aloka das Listas apareceu nesse blog pela primeira vez em 2015, como uma página a parte em que eu inseri várias metas aleatórias que queria cumprir. Em 2016 fiz um post contando o que tinha sido cumprido, e em 2020 revisitei a lista para ver se algo a mais tinha sido feito. Inconscientemente estou retornando a esse post a cada cinco anos, então aqui estamos nós novamente olhando para essa lista. 

 1. Dinheiro não nasce em árvore. 


  1. Tirar minha carteira de motorista. INCRÍVEL como fazem 10 anos que isso está na minha lista de coisas pra fazer. Nesses 10 anos eu realmente não tive dinheiro pra investir nisso, e agora que eu até conseguiria, estou esperando um pouquinho mais só por causa daquele projeto de lei que quer desvincular o processo de tirar a carteira das autoescolas. Não quero acabar pagando por algo e logo em seguida isso ficar mais barato.
  2. Comprar o batom Ruby Woo e Diva da MAC. Nessa época eu usava muitos batons em tom escuro. Ainda gosto bastante, mas passei a usar bem menos maquiagem no geral. Vou continuar com eles aqui na lista por enquanto só porque sim, mas sinceramente não lembro nem da cor desses que eu queria. 
  3. Revelar as fotos que tenho salvas. Ainda tenho vontade, mas tenho fotos digitais desde 2010 então não vai ser fácil. Talvez eu me desafie a revelar um ano a cada semestre, vamos ver. 
  4. Comprar um disco de vinil. Recentemente as pessoas tem voltado a aderir ao disco de vinil e eu realmente acho muito legal, mas no geral é um hobby caro, então vou continuar deixando ele aqui. 
  5. Viajar para Porto Alegre. Ainda tenho vontade de conhecer, mas nesse ano já fui pro Rio de Janeiro (eu não contei aqui, mas fui no show da Lady Gaga em Copacabana, fica pra um próximo post) e tenho vontade de ir pra outros lugares antes. 
  6. Ir a um festival de música. Ainda não fui. Todo ano eu flerto com a possibilidade de ir no Lollapalooza e todo ano eu acho um absurdo o valor. 
  7. Comprar o box de Friends. Com os streamings não faz mais sentido, e nos últimos anos eu desapeguei o suficiente da série também. 

2. Você sabe o que é ter tempo? Nunca vi, nem ouvi, eu só ouço falar. 


  1. Passear no Parque da Juventude. Continuo sem ter ido. 
  2. Passear no Villa-Lobos. Continuo sem ter ido. 
  3. Fazer uma trilha. Não fiz, recebi um convite esse ano mas foi no dia anterior da minha viagem pro Rio de Janeiro e ai não deu pra conciliar. Espero que mais pessoas me chamem pra fazer trilha, tenho vontade de verdade. 
  4. Ir à uma cachoeira. Também tenho muita vontade, mas ainda não consegui ir. 
3. Vamos deixar a meta aberta. 


  1. Aprender a andar de bicicleta. Gente que humilhação. Continuo sem saber. 
  2. Aprender a nadar (igual gente). Quando eu tava aprendendo, tive que sair das aulas. 
4. Tivemos problemas. 


  1. Largar a bendita Coca-Cola. Gente não tem como. Eu paro e volto três vezes pior. Já aceitei que é minha ruína. Pelo menos agora eu só tomo a zero e me convenço que é menos prejudicial. 
  2. Aprender (de verdade) inglês. Fiquei um tempo sem treinar e o speaking foi embora. Atualmente eu trabalho com o inglês como língua principal e tem sido bem difícil, mas estou fazendo aulas particulares. 

5. Cancelados.


  1. Ser voluntária de leitura para crianças. Ainda acho a ideia fofa, mas não dá mesmo. 
  2. Fazer resenha de 100 livros. A Tatiane do passado não imaginava o quão difícil está pra Tatiane do presente ler livros, quanto mais resenhá-los. 
  3. Fazer resenha de 100 filmes. A verdade é que eu nunca gostei de resenhar filmes. 
  4. Fazer resenha de 10 séries. Isso até daria pra fazer mas ai sabe.... pra que... 
  5. Aprender a tocar violão. A verdade é que eu tentei aprender e achei chato. 
  6. Aprender a fazer ilustrações. Mais ou menos, mais ou menos. A eu de 2020 tinha colocado como feito, mas eu não sei fazer ilustrações hahaha. Acho lindo quem faz, mas hoje também não tenho mais a vontade de aprender. 

6. FUNCIONOU!!!!!


  1. Comprar um banco imobiliário. EU COMPREI!!! E ai eu não percebi que veio faltando uma carta e agora eu tenho um banco imobiliário defeituoso. :D O pobre nunca tem vez, como pode né. 
  2. Fazer minha primeira e minha segunda tatuagem. No post de 2020 comentei que eu precisava fazer a primeira ainda, e agora já tenho três hehehehe.
  3. Fazer alguma atividade física ou esporte. Ano passado consegui fazer natação por um tempo e infelizmente tive que parar, mas gostava bastante. Esse ano eu comecei musculação, e entre trancos e barrancos, tem sido uma experiência (vou deixar aqui um lembrete pra Tatiane do futuro, também quero fazer um post sobre isso!).
  4. Ir a praia à noite. Acabei fazendo sem querer hehehe fui em Copacabana justamente pro show da Lady Gaga que comentei ali atrás. 
  5. Passear no Jardim Botânico de São Paulo. Fui esse ano!!! Acho que eu tinha expectativas maiores até, de tanto que esperei pra ir, mas é um lugar gostosinho pra ter contato com a natureza no meio de São Paulo. 
  6. Conseguir um emprego novo. LER ESSE FOI MUITO ENGRAÇADO, porque nesses últimos cinco anos eu já tive quatro empregos. Eu sei que quando eu escrevi isso ainda estava saindo do ensino médio e depois na faculdade, mas é engraçado olhar pra esse meta, fez eu sentir que a Tati do passado era muito fofinha hahah. 
  7. Comprar uma estante de livros. ISSO É UMA HISTÓRIA BOA DEMAIS, mas eu comprei, acho que em 2020. Vendi um secador de cabelo e uma impressora no Enjoei, e foi com esse dinheiro que realizei o sonho da estante de livros própria. 
  8. Ir à Bienal do Livro. Fui na edição de 2022 com duas amigas da faculdade. Eu tinha expectativas irreais sobre o evento, achei que era algo bem mais cultural e é mais focado em compras. Mas foi legal pelas pessoas com quem eu estava. 
  9. Ir a um show internacional. Nesses anos fui em alguns. Meu primeiro foi a Love on Tour do Harry Styles (no dia que ele tocou Fine Line!), depois fui no The Maine, nos Jonas Brothers (e no último Aloka das Listas eu comentava que eles tinham voltado com a banda e que eu esperava conseguir ir, achei bonitinho saber que deu tudo certo <3), no Bring Me The Horizon e no show da Lady Gaga em Copacabana. Em fevereiro do ano que vem também vou no My Chemical Romance. Ser fã sempre fez parte da minha vida, mas meus pais não conseguiam me levar em shows quando eu era adolescente. Ter meu dinheiro e conseguir investir nisso é algo muito importante pra mim e tem sido muito legal GRITAR minhas músicas preferidas em um estádio. 
7. Feitos desde o primeiro Aloka das Listas. 


A primeira linha depois de cada meta aqui foi escrita pela Tatiane de 2015/2016. As com "EDIT" podem ter sido escritas em 2020 ou 2025. 

  1. Ter um aniversário decente.  Com direito a cotovelada, e acabei descobrindo que não gosto de comemorar aniversários. EDIT 2025: a verdade é que até 2020 eu nunca tinha tido um aniversário de verdade, e tentei considerar esse dia que citei em 2015 como um. A Tatiane do futuro vem aqui dizer que existem aniversários melhores e amigos que vão se preocupar com o seu dia. 
  2. Conseguir me sair bem no cursinho extensivo. Não entrei na faculdade, mas o resultado me mostrou que os estudos estavam me levando para o caminho certo EDIT 2020: TAMO NA FACULDADE, RAPAZ. EDIT 2025: sinto falta da Tatiane que só queria passar no vestibular. A de agora só queria nunca mais precisar trabalhar. 
  3. Decidir se quero Psiquiatria, Marketing, Direito, Jornalismo ou Publicidade. Psiquiatria wins. EDIT 2020: acabei na Enfermagem, a vida é DOIDA. 
  4. Fazer uma mudança radical (ou nem tanto) no cabelo. Cortei no ombro, serve? EDIT 2020: ano passado fiz uma mecha roxa. 
  5. Finalmente resolver pendências com c e r t a s p e s s o a s. Como é bom viver em paz. EDIT 2025. Eu não faço ideia de quem era a pessoa. 
  6. Controlar minha ansiedade. Na medida do possível. EDIT 2020: eu não sabia, mas mais tarde, no mesmo ano em que escrevi isso, comecei meu tratamento médico.
  7. Encontrar um shorts de cintura alta que me sirva!!! Não é cintura alta, mas SERVIU. Até fiz um post sobre o incrível dia em que consegui sair na rua pela primeira vez com ele.
  8. Fazer um layout maravilhosamente maravilhoso para o blog. O layout atual!
  9. (Se for o caso) encontrar O NOME para o blog. Não sei se vou mudar ainda, talvez sim... EDIT 2025: Mudei, aqui eu já sabia que queria chamar de Limonada. 
  10. Ter o hábito de passar protetor solar.  Minha pele agradece.
  11. Ser menos pessimista. Depois de uma tensão muscular é bom ver a vida com mais amor. 
  12. Reclamar menos.  Mas não perder o costume hehehehe.
  13. Conhecer pelo menos duas pessoas novas que possam ser mantidas na minha vida. Porque eu também posso ser sociável. 
  14. Fazer um post no fim dessa lista contando um pouco sobre todos os itens que consegui cumprir.   Aqui estamos. 
  15. Ser mais paciente.  Mas nem tanto.
  16. Superar o medo e comprar algo pela internet. Comprei 3 coisas e obtive sucesso em 2.
  17. Fazer algum projeto com outras blogueiras.  Círculo Secreto e Blogueiros Geeks
  18. Vender algo no Enjoei. Não só vendi como já tive problemas com o Correio, AMO.
  19. Chegar a 100 seguidores. Gostaria de agradecer a todos vocês que se arriscaram a isso, não sei porque o decidiram, mas obrigada.
  20. Chegar a 50 posts do "Só Acontece Comigo". Como desgraça não é pouca por aqui, temos exatamente 82 posts.
  21. Ter um cachorrinho. A Paçoca já apareceu por aqui várias e várias vezes, mas é sempre bom lembrar da existência dessa coisinha mais linda da minha vida!
  22. Tomar dois litros de água por dia. HIDRATEM-SE.
  23. Ir à uma exposição realmente legal. Ao longo desses anos todos teve Masp, Pinacoteca, Casa das Rosas... 
  24. Conhecer pessoalmente meus amigos virtuais. Aconteceu em Janeiro do ano passado, com pessoas que na época em que escrevi essas metas, eu sequer conhecia. A vida é DOIDA (um obrigada especial às meninas do Cilada). 
  25. Ler pelo menos 100 livros. De 2015 até aqui, foram 154 livros lidos. 
  26. Engordar. Fui uma adolescente abaixo do peso contra minha vontade e isso sempre me incomodou demais. Ano passado, com a entrada na universidade, ganhei 10 kg em menos de um ano, heh. 
  27. Viajar para qualquer lugar fora de São Paulo. Em 2018 saí do Estado pela primeira vez pra prestar um vestibular e passei exatas 17 horas em Curitiba. 
  28. Ir à uma festa fantasia. Em 2018 um amigo comemorou o aniversário assim, e eu agradeci muitíssimo mentalmente pela meta alcançada. 
  29. Ir a um show nacional. Sem nenhum planejamento acabei vendo o show da Fresno de graça.
  30. Passear no Ibirapuera. Todas as vezes que visitei o parque estava muito calor e não consegui achar graça em nada enquanto derretia lentamente. 
  31. Postar pelo menos 3 vezes na semana no blog. Aconteceu quando participei do BEDA
  32. Ver pelo menos 100 filmes. Pra ser bem sincera eu não sei se a conta dá 100, mas eu vou me convencer que dá sim. 
  33. Ver pelo menos 10 séries. Obrigada por tudo, serviços de streaming. 
  34. Sair sem rumo e fazer coisas legais nesse passeio sem rumo. Sei lá o que eu queria com isso, mas sair sem rumo eu já saí. 
  35. Sair para passear todos os dias com meu possível cachorro. E se eu não sair a Paçoca me deixa surda de tanto latir.
  36. Começar a faculdade. Demorou, mas aconteceu. Amém, universidade pública.
  37. Fazer o meu projeto para o blog cujo nome não vem ao caso. EDIT 2025: Era o Rata de Biblioteca e por um tempo durou, mas a pandemia veio, eu parei de frequentar bibliotecas, e ficou por isso mesmo. Acho que foi legal tê-lo e agora não faz mais sentido. 
  38. Ter um canal no Youtube. EDIT 2025: O adolescente dos anos 2010 tinha sonhos, sabe? Na pandemia eu estava lá falando de livros, mas depois não consegui continuar e também tá tudo bem. 
  39. Mudar o blog para .com. EDIT 2025:Eu fiz isso por um tempo na pandemia, mas acabei cansando. 
Quem sabe daqui cinco anos estaremos nesse mesmo blog revistando essa lista? :) 

Self image 2025

Enquanto minhas pernas são esquentadas por um grosso cobertor, doado por algum parente em um outro momento da vida, a luz amarela da cozinha invade a tela branca do notebook e evidencia minha postura um pouco torta após a minha primeira (e tomara, última) cirurgia  uma colecistectomia que precisou ser realizada após alguns episódios de cólica biliar confundida com gastrite. Na tela, começo a escrever o texto que anualmente me leva a olhar para dentro.

Nunca escolhi nenhum dos lençóis da minha cama. A mistura de fios de algodão e poliéster, em sua maioria, eram passados entre parentes da minha família até terminarem nas minhas mãos. Nesse ano, vivendo mais um dos muitos momentos desde que sai da faculdade em que me pergunto o que faço com toda essa liberdade financeira recém adquirida, me vejo tendo que "consertar" coisas que não eram exatamente minha responsabilidade, mas se não o forem, não serão de mais ninguém. Como as facas que faltavam no gaveteiro. A mesa de jantar que precisava ser trocada. A nova cadeira de escritório necessária agora que trabalho em modelo home office. Demorei alguns anos para conseguir entrar na universidade, e para enfim concluir a graduação, dado todo o contexto social da minha família, e agora, no auge dos meus vinte e oito anos, não posso mais decidir escolher gastar meu dinheiro com o que der vontade. Já tenho uma idade mais séria. Não posso fingir que não estou vendo as dificuldades da minha mãe. Não dá pra ignorar os problemas da casa em que vivo e que podem ser resolvidos com meu dinheiro quando passei tanto tempo focada no futuro em que eu finalmente teria como ajudar financeiramente. Mas voltando ao ponto de inicio: nunca escolhi meus lençóis, porque em um mundo em que poder de escolha é poder de compra, meus gostos nunca puderam ser favorecidos. Depois de todos esses anos aceitando, agradecendo, e obedecendo, pela primeira vez comprei lençóis. Um conjunto azul marinho com xadrez em branco e outro conjunto off-white com luas, estrelas e sóis. Ambos escolhidos a dedo. Ambos desejados. Sinto que durmo melhor quando estou neles. 

O mesmo aconteceu com meus cobertores. Sempre aceitei aqueles que porventura viessem parar na minha mão, mas nunca os escolhi. Pedi um de presente de dia dos namorados. Ganhei. Gostei. Mas não escolhi. Queria tanto ter tido mais anos de escolhas conscientes e menos anos de passividade frente ao que tenho que aceitar por "ser o que dá". 

Me prendi tanto ao que eu queria ser profissionalmente que esqueci de ser eu mesma. De continuar insistindo no que me fazia bem. De saber falar inglês de tanto ter visto séries e filmes e ouvido músicas. De entender de HTML e conseguir criar meus próprios layouts pro blog. De ter ideias para ficções e sonhar com livros publicados. Mesmo que em plataformas virtuais. Mesmo que mal lidos. 

Esqueci como escrever textos. Antes, em uma única "sentada" em frente ao notebook, incontáveis posts eram publicados por aqui. Hoje estou escrevendo parágrafos desconexos na esperança de que se eu os reorganizar, em algum momento saia daqui com algo que minimamente se adeque ao conceito de coesão textual. 

Engraçado como de todas as versões que já escreveram neste blog ao longo dos últimos doze anos, a de agora possui bagagens mais pesadas, e ainda assim, tem se sentido a mais leve. Também sinto que esse é o primeiro self image em anos em que não estou mentindo para mim mesma sobre como me sinto. 

Escolho não estar mais sempre do lado passivo por falta de poder. 

A ideia do self image é do Eric que os publica anualmente. No blog você encontra as versões de 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 201920202021/20222023 e 2024 


Ai de mim que sou nostálgica (e melancólica)

Vocês sabem viver o presente? 

(Nossa, mas já começa o post assim, não chama nem pra tomar um café antes).

Mas eu tô falando de viver o presente de verdade, sem ficar planejando o futuro, seja ele de curto, médio ou longo prazo, ou sem olhar pro passado enquanto pensa que "Ah, naquele tempo sim era bom!".

Percebi recentemente que tenho essa característica, que está bem mais para uma dificuldade: tô sempre torcendo pro futuro ser melhor, agarrada na esperança de que lá na frente, quando eu atingir tal coisa, aí sim eu vou estar feliz, ou que lá no ano passado, quando as coisas eram de tal e tal jeito, eu estava vivendo o melhor momento da minha vida (não estava, tava bem ruim e eu só me apego em lembranças boas e ignoro que em 95% do tempo eu tava é FODIDA) e não dei o devido valor. 

Achei que aos 27 eu seria uma pessoa tão mais adulta. Com tantas respostas. Estabilidade. E a verdade é que eu só fiquei com ainda mais perguntas, um pouco mais de estabilidade sim, não vou negar, mas tão mais confusa que antes. Uma vontade tão grande de que alguém valide que meu caminho tá certo. Que eu não tô (tão) maluca. 

Mas quando eu for mais velha vai ser melhor. Bom mesmo era dois anos atrás.

 


Self image 2024

Apareço por aqui faltando 10 dias para entrarmos em Dezembro apenas para dizer que não sei quem sou há um tempo. De 2021 até aqui, tenho a sensação de ter sido empurrada por um grande vendaval, que levou junto tudo o que eu sabia (ou fingia saber) sobre a vida, as pessoas, sobre eu mesma. 

A demora para escrever o self image de 2024 não tem relação nenhuma com a correria da vida. Foi consciente. Escolhi não postar nada porque estou há meses olhando para dentro sem saber onde me encontrar. 

Me formei na faculdade em Janeiro desse ano e os últimos 8 anos da minha vida haviam sido divididos entre estudar pro vestibular, sonhar com ser aprovada no vestibular, ser finalmente aprovada, viver intensamente a universidade (com as coisas boas e todas as ruins) até de repente me ver com um diploma na mão. Mas e agora? Se o meu sonho era cursar uma universidade pública e isso finalmente aconteceu, quem sou eu agora? 

Não sei. 

Sei que não gosto de viver para trabalhar. Sei que ainda sonho com o momento da vida que vou trabalhar com saúde pública&saúde coletiva&estratégia saúde da família&saúde mental. Sei que ainda quero fazer um mestrado. Um doutorado. Voltar pra academia lá na frente e devolver para outras pessoas tudo que me foi investido. Sei que não quero viver para trabalhar e ainda assim todos os meus sonhos atuais tem relação com realização profissional. 

Sei que não estou feliz com o hoje e isso me assusta. Quando então eu vou estar feliz? O que tem me causado essa sensação tão grande de estar perdida e de não saber qual é afinal de contas o grande porque por trás da existência? 

Não sei. Nada tem feito sentido.





A ideia do self image é do Eric que os publica anualmente. No blog você encontra as versões de 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 201920202021/2022 e 2023

Queria tweetar

Como pode uma única rede social como o Twitter - me recuso a chamar de X - ter moldado toda a minha personalidade? 

Por que as pessoas do Instagram estão sempre correndo em maratonas? Por que precisam acordar às 05 da manhã pra escrever em cadernos com deus pai? E qual é a da produtividade excessiva? 

Sinto falta do Twitter porque lá eu podia postar que a vida tava uma merda sem ser julgada. Quando entro no Instagram me sinto parecida com o Hozier em Too Sweet. 


Desaprendi a escrever

Mas sei de cor todos os áudios do Tiktok e sou viciada em pensar formas de estruturar um tweet engraçado. 

Gostaria mesmo de elaborar isso melhor, mas ia ser só mais uma crítica ao consumo desenfreado de mídias e tá todo mundo de saco cheio de quem só fica falando que rede social faz mal, né? No fim do dia pelo menos elas me garantem algumas risadinhas e muitos assuntos em comum com meus amigos. 

Quero muito conseguir voltar a escrever por aqui, mas acho que foram tantas as mudanças nesses últimos anos e tenho uma sensação tão grande de já nem saber mais quem eu sou atualmente que nem sei dizer se ainda sei e se ainda gosto de ter um blog. Parece tudo tão vulnerável. Assusta um pouco. 

Eu era bem mais corajosa quando mais nova. 




Só acontece comigo #92

Ter uma cachorrinha, mas não ter um carro, causa algumas perturbações aqui em casa, já que as quatro patas não aguentam longas distâncias como as quatro rodas automobilísticas. Agora que moramos em um local cujos veterinários estão mais longe, optamos por não forçar a Paçoca a andar até eles, então começamos a pedir para que motoristas de Uber/99 nos levassem até os médicos quando ela precisa, sempre perguntando antes, pelo aplicativo, se tudo bem levar um cachorro. Alguns fazem cara feia, mas a gente finge não ver e segue a vida, até que chegou esse dia, em que não deu mais pra seguir. 

Estávamos saindo do veterinário e fiz o que já é nosso padrão: ficar na calçada, pedir o serviço pelo aplicativo e perguntar pelas mensagens se a pessoa se incomoda em levar a cachorrinha assim que a viagem é confirmada. Recebemos um "Claro, sem problemas!" como resposta e por isso entendemos que claro, sem problemas

Até o carro chegar, parar no sentido contrário ao nosso em uma avenida movimentada, nos olhar e dizer "Vou fazer o retorno para vocês não precisarem atravessar a avenida!", ligar o carro e nunca mais voltar. 

Você teria coragem de negar uma carona para essa cachorrinha? 

Self image 2023

 

Para ler ouvindo: 



I have this thing where I get older, but just never wiser.

Hoje parei para ler o Self Image de 2021/2022 e não reconheci a pessoa que escreveu aquilo. Tive a sensação de que na realidade, a minha versão do ano passado não estava sendo sincera nem com ela mesma. Foi sim sincera no que dizia respeito às partes ruins do ano e da personalidade do momento, o que hoje entendo perfeitamente ser um traço que luto muito contra, mas que tenho cada vez mais abraçado e aceitado que faz parte de mim: o costume de olhar e relembrar e remoer o que machucou. Mas não foi sincera quando disse que não tinha mais tanta urgência em pertencer; não foi sincera quando disse que estava tentando ficar bem consigo – o restante de 2022 viria para confirmar o quão autodestrutiva eu posso ser, intencionalmente ou não. As dúvidas, porém, não só continuam as mesmas como também surgem em um looping incessante há meses (eugostodomeucurso?euvoufazeroutro?eugostodaspessoas?aspessoasgostamdemim?equemsoueualguémmediz?). Assim como a Taylor Swift em Anti-Hero, tenho a sensação de não ter ficado nem um pouco mais sábia apesar de mais velha. E velha é uma palavra que não sai do meu looping há um tempo, desde que ouvi todas as pessoas que, brincando ou não, reforçam como estou velha para estar em um curso de graduação. Encarar o calendário de 2023 e saber que esse ano faço 26, então, tem ajudado menos ainda a tirar de mim a sensação de estar fora do tempo perfeito. A vida não deveria ser outra quanto você já está mais perto dos 30 que dos 18? Se sim, porque eu ainda me identifico com a Olivia Rodrigo dizendo que "they say that this is the golden year but I wish I could disappear"?

Não gosto da forma como me alimento. 

Não gosto de como não pratico exercícios físicos. 

Não gosto de como não tenho tempo para nada. 

Não gosto de ficar ouvindo os outros dizerem o que preciso fazer e como preciso melhorar. Porque eu percebo tudo o que está errado o tempo todo e reforçar isso é ver que o erro já sou eu. Que errei naquele ano em que escolhi um curso aleatório. Que errei quando decidi encarar a ansiedade de uma forma patológica mas sem o compromisso real de cortar tudo o que fizesse mal e a aumentasse. Que erro cada vez que priorizo o bem-estar que definitivamente não é o meu mas que de certa forma me dará paz por estar fazendo o melhor para o outro. 

Did you hear my covert narcissism lightly disguised as altruism.

Que o erro não está aqui. O erro já me fez ser quem sou. 

It's me, hi, I'm the problem, it's me.

A ideia do self image é do Eric que os publica anualmente. No blog você encontra as versões de 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 20192020, e 2021/2022.

Só acontece comigo #91

Eu demorei um tempo para entrar na faculdade. Passei bons quatro anos tentando um curso concorrido, e quando entrei, estava com 22 anos. O que nos leva para o momento atual, em que curso meu penúltimo ano de graduação aos 25 anos. 

Graduação essa que tem estágios obrigatórios ao longo do ano todo. 

Como faço enfermagem, o contato com o paciente acaba sendo muito maior que nas outras profissões da saúde. E consequentemente, fica muito mais fácil passar por ótimos momentos. 

Com tudo isso em mente, posso contar melhor o ocorrido da vez. Estava eu, conversando com um idoso recém saído do seu banho, quando ele diz que eu no máximo tenho 16 anos. Eu respondo dizendo que sou mais velha. Ele rebate com um "O que é mais velha pra você?", no que eu finalmente digo minha idade atual, e ouço um sonoro: 

– Nossa você entrou na faculdade meio tarde, né? Não gostava de estudar não?



Só acontece comigo #90

Como já comentei por aqui antes, mudei de casa. 


Até então, tudo estava indo bem, mas aparentemente, como um presente pelos 6 meses em que estamos morando aqui, a instituição "Casa Nova" decidiu que já era hora de começar a mostrar quem realmente é, e um problema peculiar surgiu: o banheiro do primeiro andar, logo acima do banheiro do térreo, tem algum problema que pode ou não ser de encanamento e pode ou não ser no piso, e com isso, o banheiro logo abaixo dele ganhou uma goteira (forma carinhosa de nomear a verdadeira cachoeira) em sua lâmpada. 


O banheiro do primeiro andar, assim, teve que ser interditado. Mas era nele que tomávamos banho, e por ser o banheiro do meu quarto, apesar da mudança do chuveiro, continuei usando a privada e a pia para escovar os dentes e lavar as mãos. 


O problema continuou, provando que a culpa não era do chuveiro. 


Mas eu, sempre um pouco sonolenta, tinha dificuldades de lembrar que não deveria mais usar esse banheiro assim que eu acordava. Até que um dia, quando voltei pra casa, descobri que minha mãe havia dado uma solução para a questão:


Trabalhamos apenas com instituições respeitadas. 

Self image 2021/2022


Digo que o atraso de dois anos seguidos para renovar meu self image está relacionado ao momento pandêmico, mas no fundo me pergunto: o quanto disso é verdade? Foi (e com menos intensidade, ainda é), um momento ruim para todos, mas pensando em retrospectiva, percebo que não sofri das grandes e principais dores pandêmicas: não adoeci, não perdi ninguém, fui triplamente vacinada com antecedência; no máximo, vi minha mãe contrair o vírus, mas ainda assim, ela sequer precisou estar internada nos meses em que o viver parecia ser um querer-se muito. 

Suspiro em frente ao computador. Também sei das verdades por trás da tela. Dos meses em que mal conseguia levantar. Do peso (mental e físico) crescendo. Da faculdade com aulas online que eu nada conseguia absorver. Da distância. Da ansiedade. Da falta de paciência. 

Da vontade de não existir mais.

Da casa demolida e que hoje é só um pedaço de concreto guardado em uma caixa, dentro da minha cômoda. Da responsabilidade financeira que assumi com os dez dedos das mãos sem imaginar que também fosse precisar segurá-la com os dedos dos pés. Do adoecimento mental da única pessoa que até então, eu enxergava como uma rocha, e do consequente entendimento de que nem as mais duras pedras deixam de ser o que são: pó, e que se batidas com mais força, danificam-se. 

Ainda acho muito difícil viver o hoje. Estou sempre no que foi e no que pode vir a ser. Já nem sei mais se isso pode ser mudado. Penso em aceitar tal característica como eternamente minha e aprender a olhá-la no espelho como apenas mais uma pinta em minha pele. Uma pequena alteração química que pode ou não crescer como um problema com o qual realmente devo me preocupar. 

Já estou preocupada. 

Acho que muito do que já escrevi por aqui falava sobre pertencimento. Não sobre o pertencer em si, mas sobre o querer pertencer. Aprendi em uma matéria da faculdade que a Síndrome do Adolescente Normal envolve querer fazer parte de um grupo e ser aceito por este, e que a adolescência, para alguns estudiosos da saúde, atualmente vai até os 24 anos, quando há o amadurecimento frontal do cérebro. Neste ano faço 25 e coincidentemente parei de querer pertencer. Não vou mentir: tentei até pouco tempo atrás. Mas depois de perceber que minha autoestima, já não muito boa, estava ainda pior ao me esforçar tanto para me dar bem com pessoas novas, um novo botão parece ter sido pressionado aqui dentro e tudo parou de fazer sentido. Tenho buscado muito mais estar bem comigo mesma do que estar bem com qualquer outra pessoa do mundo. Serei minha casa até meu último dia de vida, afinal de contas. 

Ninguém havia me contado que o autoconhecimento também envolve tantos momentos de não se compreender. Eu gosto do meu curso? Eu gosto da função social do meu curso. Eu quero estar nesse curso? Ai já é outra história. O que eu quero para mim? O que quero ter daqui 5 anos? Que lugares conhecer? A quem devo manter, e de quem me despedir?

Penso mais em negativas do que em afirmações para cada uma dessas perguntas. 

Não me conheço. E assim estou me entendendo. 

A ideia do self image é do Eric que os publica anualmente. No blog você encontra as versões de 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019 e 2020.
© Limonada
Maira Gall