Era uma quinta-feira comum. O único dia de presencial do meu antigo emprego.
Uma colega de trabalho, que aqui chamaremos de Virginia*, já vinha, a algum tempo, demonstrando não gostar tanto de mim, o que não me incomodava, já que era reciproco. Eu, no entanto, agia de forma minimamente educada: a respondia sempre que estritamente necessário, mas evitava ao máximo ter contato. Ela, por outro lado, sempre que possível, tecia comentários inapropriados, com a intenção de me atingir.
Virginia, por sua personalidade, no geral não era gostada pelas pessoas do escritório. Com exceção de sua amiga, que aqui nomearamos como Floflô Biruta*, uma persona extremamente política no mundo corporativo: sempre sorrindo para todos, interessada pelos assuntos gerais e vista como "a mais simpática e a mais inteligente" do local. Personalidade que não condizia com sua amizade tão fiel (e a nível pessoal) com Virginia, seu completo oposto.
Na hierarquia, meu trabalho respondia ao trabalho de Floflô Biruta. Mesmo assim, sempre que o dia de trabalhar presencial chegava, eu, como adulta que sou, escolhia meu lugar no escritório no completo oposto ao dela, por ser onde meus colegas de trabalho mais próximos estavam sentados. Foi quando a quinta-feira comum tornou-se um pouco estranha.
Floflô Biruta, sem conseguir impor seus próprios desejos, com medo de perder seu posto de princesa querida do local, insinuou para Virginia, sua amiga, que gostaria que nos dias de presencial eu sentasse mais próxima a ela. Para que ela vigiasse meu trabalho. Assim, sem motivo algum.
Como estávamos sendo remanejados de andar, Virginia aproveitou a deixa para, sem a minha permissão, colocar meus pertences na mesa entre ela e Floflô Biluta. Eu, que como já dito, estava em um cargo abaixo na hierarquia, não quis arriscar me posicionar.
Meus amigos de trabalho, no entanto, que nada tinham a perder, se solidarizaram com a minha situação e exerceram seu direito de expressão. Revoltados, retiraram minhas coisas de lá e as colocaram novamente próximas a eles.
Virginia, inconformada, passou o dia me perguntando quem tinha tirado minhas coisas de lá. "Não sei", eu respondia sabendo.
Na semana seguinte, um anúncio da liderença: todos podem escolher onde sentar. Somos adultos, não precisamos disso.
Virginia? Ficou com tanta raiva que ameaçou denunciar no compliance o amigo que me tirou de lá (sendo claramente desmotivada pela liderança).
Floflô Biruta? Ficou em completo silêncio todo o tempo.
Eu? Imediatamente comecei a enviar novos currículos. Foram longos nove meses de contrato.
*Os nomes foram escolhidos como forma de homenagear minhas colegas de trabalho, que passavam o dia acompanhando os stories da citada influencer. Neste blog não a veneramos.
Missão da semana contra o vilão no BEDA: O Pergaminho Esquecido. Publique um dos seus rascunhos antigos (e informe desde quando estava parado). Rascunho guardado desde Agosto de 2024, época do ocorrido.