31 agosto 2017

Have courage and be kind. | BEDA #31


Ou: um manual para os dias de BEDA. 

A primeira vez que assisti ao filme live action da Cinderella sai da sala do cinema com a impressão de que poderia ter feito algo a mais com a minha vida do que aquilo, entendem? Apesar de não ter gostado muito da coisa toda, até hoje uma frase dele sempre ecoa na minha mente: "Have courage and be kind."

Muita gente diz que o Instagram distorce nossa visão da realidade. É fazer login ali e mais de 10 fotos surgem instantaneamente diante dos seus olhos e todas as protagonistas das fotos ali postadas parecem ter a vida melhor do que você jamais terá. Apesar de eu não ter o costume de seguir pessoas que sempre viajam ou que possuem alguma influência, o círculo de pessoas que de fato acompanho virtualmente é uma bolha bem restrita: mulheres, até 30 anos, apaixonadas por livros, papelaria, e principalmente, pela escrita. E foi assim que com o passar dos anos fui me reduzindo a uma filtradora: eu lia todos os textos de quem já acompanhava e os filtrava, com a completa certeza de que eu nunca seria capaz de escrever tão bem como elas. Ai surgiu a proposta do BEDA, e decidi por 31 dias seguidos escrever algo por aqui, me recusando a postar qualquer tipo de tag/meme, porque queria que o conteúdo tivesse sido produzido por mim. Bom, funcionou.

Se eu pudesse dar qualquer conselho para qualquer pessoa interessada em um dia tentar seguir essa loucura que é estar 100% viva na internet durante todo o mês de agosto, seria exatamente esse: coragem pra começar, pra manter, porque todo mundo sempre vai parecer estar se saindo melhor, mas você possui seu jeito único, e é arriscando que se descobre se dará certo ou não. Seja gentil, com quem visitar seu blog, claro, mas principalmente com você. Tudo bem estar muito cansada, tudo bem não postar um TCC completo todos os dias do BEDA, ainda é a sua escrita, e ainda é um exercício que vai te fazer bem, independente do tamanho. Continue, 31 dias podem ser desesperadores no inicio, mas quando passam se tornam a certeza de que ser corajoso e gentil é a chave. 

Meus posts publicados preferidos: [Dia 3] [Dia 5] [Dia 8] [Dia 10] [Dia 17] [Dia 19] [Dia 23] [Dia 26] [Dia 27] [Dia 30] 

Meu blogs que bedaram preferidos:


E não se esqueçam: "Have courage and be kind."



30 agosto 2017

Sai de casa sempre assim que der. | BEDA #30


Para ler ouvindo:


Nunca tive a experiência de morar fora da casa da minha mãe -- afinal, só tenho 20 anos --, mas desde muito nova a vontade de ver o mundo me traz um desconforto confortável. Meu primeiro emprego, aos 16, contrariando todas as vontades da minha "criadora", ficava na capital do estado (moro em um município, um pouco distante dali). O segundo também foi na capital, um pouco mais perto das grandes movimentações daqui; e finalmente, chegamos ao ano de 2017.

Sempre acabo comentando ali e aqui que passo muito tempo no transporte público, e não é nenhum exagero. Ao todo, são 4 horas diárias, e isso não se deve ao trânsito, é distância mesmo; são mais de 60 km contando ida e volta, e mesmo com o cansaço e a sonolência, me sinto bem. 

Galeria do Rock/Vila Mariana/Ipiranga/Jardins.
Me sinto bem porque mesmo que ser uma pessoa introvertida me faça ter a necessidade de me dar ao luxo da minha própria companhia com mais frequência, ver a cidade, o vai e vem de pessoas, e todos os lugares que mesmo morando aqui minha vida inteira ainda não tive a oportunidade de conhecer me faz pensar na imensidão do mundo, e em como existem tantas pessoas nele que eu jamais poderia dizer que "Todo ser humano é [insira aqui algo pejorativo]", porque vendo todos aqueles olhares e todos os sorrisos lendo mensagens e todas as escolhas de livros para ler no caminho eu consigo manter a esperança de que existem outras pessoas que também a sentem. Me sinto bem porque quando lembro de tudo o que já vivi, e como os piores momentos pareciam que iam durar pra sempre, enquanto agora tudo o que importa é prestar atenção nos muros do lado de fora do ônibus. As coisas vão ficar bem. Sempre ficam. 

Vila Mariana/FMUSP/Liberdade/USP São Francisco.
Me sinto bem porque mesmo sabendo qual é o meu lugar preferido no mundo, tenho completa certeza que não estarei lá pro resto dos meus dias. Porque o mundo é uma imensidão, com muitos prédios e muitas ruas e muitas árvores e muitas pessoas e tanta, mas tanta, coisa bonita pra se ver, que eu sei que não quero não vê-las. Não sei para aonde o futuro me levará, mas sei que é exatamente lá que eu quero chegar. 

Biblioteca Mário de Andrade/ CCSP/Parque da Luz.

29 agosto 2017

Só acontece comigo #65 | BEDA #29

Imagine você que está numa aula de Biologia. A matéria é ótima, mas não se pode dizer o mesmo do professor.

Como se pouco dotado de noção, apesar do clima da sala para com ele não ser dos melhores, o mesmo termina de cagar em tudo dizendo:

-- QUEIMEI MINHA LÍNGUA! -- larga seu copo de café e assopra. -- Isso não pode acontecer, na minha idade a língua é o órgão sexual mais importante.




28 agosto 2017

Melhor do que parece 4/4 | BEDA #28




Tudo está melhor do que parece
Eu olho e vejo tudo errado
Faz tempo que está tudo certo

Todas as vezes que me perguntaram se eu faria alguma tatuagem, a resposta foi a mesma. O desenho não vem à tona, mas o significado se relaciona muito com quem fui, e com quem diariamente me esforço para vir a ser. Deixar o pessimismo de lado e tentar mudar a minha linha de pensamentos foi um ato de coragem, que até hoje exige muito de mim, por isso, a tinta na minha pele seria responsável por lembrar-me até o fim dos dias que não preciso carregar a mochila pesada, com bolinhas amassadas muito além das minhas, e que tá tudo bem deixar todos os problemas externos de lado um pouco em nome da minha boa postura. 

Acredito que o grande problema do pessimismo e sua influência na minha vida, vem de uma insegurança com o dobro da minha altura, que sempre me causa essa falta de ar que sobe da barriga para o sistema respiratório em menos de 2 segundos e me paralisa por anos. 

Todas as vezes em que pego a caneta em cima da mesa, e começo a usar o papel após aquele traço definitivo que fiz, percebo o quão relativa a ideia do bem-estar pode ser. Em comparação ao passado, as coisas estão realmente melhores do que parecem -- e quanto ao futuro, desse nada saberei --, mas cada vez que as olho me sinto insatisfeita.

Eu não preciso de uma mochila com tantos problemas metaforicamente transformados em bolinhas de papel como fiz aqui; não preciso sempre usar o lápis grafite com a esperança de usar a borracha e o apontador sempre na frente da vontade de estar ali, participando em cada reta. Um dia os papeis podem acabar, mas eu sei que a caneta vai continuar escrevendo. 

*Melhor do que Parece faz parte de uma série de 4 posts semanais, baseada na música de mesmo nome da banda O Terno. Para entender cada parte, é necessário ler a anterior.

27 agosto 2017

Mulher, substantivo feminino. | BEDA #27

Hoje, quando penso em tudo o que significou crescer mais em meio à garotos que garotas, encontro muitos momentos que ficaram marcados no meu subconsciente, e para a surpresa de quem por anos falou que preferia ser amiga de homens -- ah, a falta do feminismo! -- do que de mulheres por tudo que as desavenças femininas traziam, grande parte dessas memórias não são tão boas como deveriam. 

Eu tinha 13 anos, estava na casa de um dos meus amigos, com muitos outros garotos. A mãe dele colocou um playstation 2 na garagem e nos deixou ali com algumas comidinhas. O jogo rodando era Crash Nitro Kart, e modéstia à parte, eu realmente era boa nele. Entre os revezamentos para jogar de dois em dois, chegou a minha vez, e bom, eu venci. Minha vitória significou muito pra mim, porque desde o momento em que sentei em frente a TV, falei várias vezes pra todos ouvirem que eu era boa naquele jogo, mas pra eles, nem foi tudo isso, foi sorte, e "Nossa fulano, perder de uma garota hein? Não é seu dia."

No segundo ano do ensino médio, ainda não percebendo o erro, lá estava eu novamente em um grupo apenas de garotos. Eles eram sim legais -- assim como os amigos do passado também eram, apesar do episódio do vídeo-game --, mas a amizade já tinha começado de um jeito errado. Era meu primeiro dia de aula em um lugar que eu não conhecia ninguém, no corredor das salas parei a primeira pessoa que vi: um deles. Perguntei se aquela era a sala 4, e depois de obter a resposta, escutei um outro garoto do grupo dizer sem considerar como eu me sentiria com aquilo, que "Olha o ciclano, conquistando todas!". Eu só. Perguntei. A sala. 

Em todo aquele ano que permaneci naquele grupo, tive minha inteligência questionada. Mesmo quando tirava alguma nota boa, ouvia que aquilo só tinha acontecido porque o professor gostava de mim, porque eu nem era inteligente. Eu não podia ser inteligente, porque isso significava ser como eles, ou ter uma nota mais alta, o que nenhum deles gostaria, já que saber menos significava estar para trás de uma garota. 

Todas essas lembranças voltaram quando esse ano conheci um garoto desses legais, sabe? Aqueles que são muito gente boa, tão gente boa que como assim você tem algo contra a me dizer só porque eu acredito mesmo que existem mulheres pra casar e pra ficar? Todo cidadão tem que andar armado sim, isso é o básico da segurança individual. E que pena que você não tá interessada em mim, porque eu com certeza daria um jeito em todos os seus problemas!

Ser mulher me trouxe muitas coisas. Boas, ruins, mas acima de tudo, me trouxe força. E a cada dia eu preciso mais e mais dela, simplesmente pra conseguir ser quem sou, inclusive mulher.

26 agosto 2017

Reabilitação. | BEDA #26


Lá no mês de Junho, recomendações médicas me foram dadas para largar a cafeína. A cena foi mais ou menos assim:

- Você tem um quadro de ansiedade muito sério, faz parte do tratamento evitar tudo o que te estimule a estar mais acelerada que o considerado saudável. 
- EU NÃO VOU PRECISAR PARAR DE TOMAR CAFÉ NÃO, NÉ?
- Então, seria bom evitar...
- POR FAVOR, NÃO!


Eu parei ou tentei evitar? Não, mas fui educadinha e diminui as quantidades, tomando apenas uma xícara com leite o dia todo (e consequentemente dormindo em qualquer lugar, a qualquer hora, mas faz parte.)

Apesar de não ter rompido relações com o café, eu, que era uma pessoa muito dependente de refrigerantes, em especial aquele de embalagem vermelha, decidi romper com todos eles. No último dia 17, completaram-se dois meses sem consumir qualquer gás adocicado, e venho aqui compartilhar as sabedorias adquiridas nesse tempo:

  1. Chá gelado pode sim acompanhar um hamburgão naquela rede de fast-food que não tem um palhaço;
  2. Beber 2 litros de água por dia faz com que você realmente se sinta menos cansada, e acaba sendo gostoso com o tempo;
  3. Melhores sucos naturais: melancia, maracujá, laranja, uva e limão;
  4. Se durante a tarde de domingo surgir a vontade errada de ingerir tais gases, iogurtes de 1 real e lactobacilos vivos podem colaborar;
  5. Chá de camomila ou erva-cidreira antes de dormir possuem a fórmula da plenitude dentro de um saquinho.


Acabem com as indústrias capitalistas vocês também, larguem os refrigerantes. #pas

25 agosto 2017

Melhor do que parece 3/4 | BEDA #25



Eu tenho achado tudo chato, tudo ruim
Será que o chato aqui sou eu?
Será que fiquei viciado em novidade
E agora o tédio me enlouqueceu?


Apesar dos esforços, antes marcados pela caneta permanente, nem todos os dias são suficientemente bons. As bolinhas de papéis que tanto carreguei nas costas, hoje parecem possuir o mesmo peso que fios de cabelo. É como se vários algodões estivessem postos dentro da minha cabeça. É como se tivessem jogado uma cola pegajosa lá dentro, dessas que nunca seca, e tudo estivesse paralisado por ela. 

E por esse motivo eu tinha aquela reta com um fim predestinado. Acreditar que tenho controle sob tudo o que me acontece ajuda muito nesse sentido. Estar sempre escrevendo, ou até rabiscando, uma folha de papel quando a cola parece travar meu sistema é a única solução. E é por isso que o traço fora da reta incomoda tanto: não sei lidar com o imprevisto. O ar falta, o coração acelera, o pânico se inicia e a sensação de desmaio/morte se mostram mais no controle do que eu. 

A apatia, a irritabilidade, o isolamento, pesam muito mais do que qualquer outra mochila.

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*Melhor do que Parece faz parte de uma série de 4 posts semanais, baseada na música de mesmo nome da banda O Terno. Para entender cada parte, é necessário ler a anterior.

24 agosto 2017

Eu sou a mother. | BEDA #24

Era aniversário de uma amiga, e eu, com o peso da sabedoria aos 19 anos quando todos recém completaram 18 -- ou menos --, percebi pela primeira vez esse fenômeno: eu sou a mãe dos meus amigos.

Precisa de blusa de frio porque esqueceu a sua? Abre a minha mochila, têm uma sobrando.

Sujou a mão e não consegue limpar? Pega meu álcool gel aqui.

Problemas com chuva? NÃO QUANDO ESTIVER COMIGO.

Ainda ofereço: condições seguras para os seus documentos, alimento em caso de fome, espaço sobrando na bolsa caso queira que eu leve algo, remédios e primeiros socorros.




23 agosto 2017

Home is a place of comfort. | BEDA #23


Durante muito tempo da minha vida, tive uma dificuldade imensa de encontrar um lugar em que pudesse sentir um conforto que independesse dos outros ali presentes, e assim vivi, por 19 anos. No ano passado, parte da minha rotina era composta por ir diariamente a pé para uma biblioteca pública próxima do local em que eu estudava, e ali passava minhas manhãs, o que eu considerava normal até um dia em que me sentindo mal durante a aula, levantei da cadeira e depois de comprar vários chocolates (pois sou dessas), me vi indo para o único lugar que poderia me confortar: a biblioteca.

Ela fica localizada no mesmo espaço que o paço municipal, o que faz com que a sua volta estejam dispostas praças, a prefeitura, a OAB da cidade, e um espaço bem amplo que te permite dar uma respirada. Exatamente para onde eu corri naquele dia que tudo parecia meio desalinhado. 

Não que eu costume guardar datas com facilidade, mas essa em especial ficou marcada na minha mente por ter sido na mesma semana do 7 de Setembro. Eu me sentia sufocada, não sabia se os caminhos que estava seguindo eram os que de fato eu deveria; hoje, quase próximo do um ano que isso aconteceu, percebo mais ainda a importância que aquele espaço tem na minha vida, já que não consigo mais ir pra lá sempre, e quando o faço, me sinto revigorada, como se todas as pessoas e todas as coisas que existem na Terra estivessem em perfeita harmonia e pelo menos naquele momento toda a minha vida parecesse estar muito além do que é certo. 

Existe sim um apego sentimental que tenho com o ano de 2016, que libertou e mostrou tanta coisa que eu já tinha apagado em mim, e é inevitável não conectar todos os sentimentos bons desse lugar com o que vivi nesse passado ainda tão recente, mas a certeza que de todos os lugares do mundo, aquele é o meu, só se faz certa por no presente ali ainda ser a minha válvula de escape. 

22 agosto 2017

Só acontece comigo #64 | BEDA #22

Eu falo tanto sobre o transporte público por aqui, que já associam tudo o que for relacionado ao assunto a minha pessoa, o que me faz muito feliz, já que pessoas lembrando de mim = amor. 



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Momento 1 de menina Tatiane no metrô.

7 horas da manhã, a pessoa com o corpo na estação e a mente ainda na cama. Essa estação em específico, possui duas portas: uma de proteção, na plataforma, e a do trem quando o mesmo está ali parado. Quando ocorre o embarque/desembarque de passageiros, uma espécie de apito é dado pelo trem para evitar que alguém sofra um acidente, e esse som peculiar costuma demorar uns 2 minutos após as portas abrirem. 

As portas abrem. Tatiane, com sua mochila nas costas, está passando entre as duas portas. O sinal toca antecipadamente. Tatiane fica entre as duas portas, sem saber se corre pra dentro do trem ou se volta pra estação. As duas portas se fecham e Tatiane está entre elas. As pessoas tentam puxá-la de volta pela mochila. A perna de Tatiane fica presa, e com um puxão volta à plataforma. Tatiane não morreu em um acidente grave, mas quase morreu de vergonha.

(***)

Momento 2 de menina Tatiane no metrô.

Calcule a equação:

Metrô lotado + 7 da manhã + Tatiane com sono + Tatiane na TPM + Tatiane querendo morrer (ou matar) + A minha estação chega + As pessoas não esperam o desembarque e já vão entrando no trem + Eu ficando na porta e sendo impedida de passar por todas elas.

(  ) Tatiane aguarda pacientemente, afinal as pessoas talvez não saibam que primeiro se espera quem vai sair para depois entrar no vagão.
(  ) Tatiane, meiga como é, fica presa no vagão e desce na próxima estação para em seguida voltar na que deveria ter descido.
(X) Tatiane está mais irritada do que já costuma estar antes das 8 da manhã e fala bem alto: "NÃO, NÃO, GENTE, EU NÃO QUERO DESCER NÃO!", e todo mundo para de entrar e a encara.

O que importa é que funcionou e eu saí. 


21 agosto 2017

Pequenino. | BEDA #21


Meus atos ao seu lado são quase sempre não pensados. Mesmo que pra chegar a essa conclusão eu tenha pensado e estruturado tudo muito bem, no momento, no toque, é sempre leve, espontâneo.
Sempre fui muito observadora, noto as pequenas coisas. E em todos os lados da cidade, em todas as pessoas, sempre enxerguei o mínimo: os pés batendo contra o chão enquanto o metrô não chega à estação, os olhos parados em um ponto fixo, o cansaço deixando a linha de expressão em volta da boca mais visível; e mesmo que eu não diga, com você ao lado não é muito diferente.
Quando algo te machuca sua cabeça pende para baixo e você segura a respiração por alguns segundos, como se aquilo fosse muito para aguentar e só por aquele momento você optasse por não existir. Quando você ri seus olhos se apertam e seu sorriso se abre gradativamente, acompanhando o som da gargalhada com o balançar do corpo.
Outro dia um amigo comentou que reparou quando comecei a arrumar seu cabelo no metrô e que pensou como seria bom ter o mesmo.
Eu sempre observei as pequenas coisas e sempre notei o que está por trás de cada uma delas, mas nunca percebi o quanto somos pequenos. Juntos.

20 agosto 2017

Livros que não preciso, mas quero mesmo assim. | BEDA #20

No fim do ano passado fiz aqui uma wishlist literária, e apesar de toda a boa vontade nela colocada, as energias parecem não ter funcionado muito, já que daquela lista, só cheguei a ganhar um dos livros: Carry On, da Rainbow Rowell. Mesmo sem ter conseguido alcançar a meta -- e dobrá-la --, percebi que dos que eu queria antes, grande parte já nem me chama atenção mais, e nada como unir isso a uma pauta pro BEDA, né? Fiquem com minha nova listinha de desejados meninas, mimos eu recebo na caixa postal. 


1. Fale! -- Laurie Halse Anderson | Drama.

"“Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia.

E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra - insultos e deboches, sim - ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir.

Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?"

2. O Ano em que Disse Sim. -- Shonda Rhimes | Não-ficção.
"Um livro motivador da aclamada e premiada criadora e produtora executiva dos sucessos televisivos Grey’s Anatomy, Private Practice e Scandal, e produtora executiva de How to Get Away with Murder.

Você nunca diz sim para nada. Foram essas seis palavras, ditas pela irmã de Shonda durante uma ceia de Ação de Graças, que levaram a autora a repensar a maneira como estava levando sua vida. Apesar da timidez e introversão, Shonda decidiu encarar o desafio de passar um ano dizendo “sim” para as oportunidades que surgiam. Os “sins” iam desde cuidar melhor de sua saúde até aceitar convites para participar de talk shows e discursos em público. Além disso, Shonda deu um difícil passo: dizer sim ao amor próprio e ao seu empoderamento. Em O Ano em que disse sim, Shonda Rhimes relata, com muito bom humor, os detalhes sobre sua vida pessoal, profissional e como mergulhar de cabeça no “Ano do Sim” transformou ambas e oferece ao leitor a motivação necessária para fazer o mesmo em sua vida. "

4. A Casa das Sete Mulheres -- Letícia Wierzchowski | Ficção baseada na história brasileira.

"Durante a Revolução Farroupilha (1835-1845) — uma luta dos latifundiários rio-grandenses contra o Império brasileiro —, o líder do movimento, general Bento Gonçalves da Silva, isolou as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas em conflito, com o propósito de protegê-las. A guerra que se esperava curta começou a se prolongar. E a vida daquelas sete mulheres confinadas na solidão do pampa começou a se transformar. O que não está nos livros de história sobre a mais longa guerra civil do continente está neste livro de Leticia Wierzchowski, um exercício totalizador sobre a violência da guerra e sua influência maléfica sobre o destino de homens e de mulheres."


3. The Kiss of Deception - Vol. 1 -- Mary E. Pearson | Fantasia. 

"Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? 

Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.

O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo."

*Todas as sinopses aqui utilizadas foram retiradas do Skoob. 

19 agosto 2017

*Screaming* | BEDA #19

Esse post contém gifs, referências, vídeos, alguns gritos e sentimentos em grandes quantidades. 


Dos 11 aos 15 anos, vivi no mundo paralelo dos fandoms, diminutivo da expressão fan kingdom, para dizer que um determinado grupo de pessoas é fã da mesma forma de entretenimento que lhe for mais agradável. Pra quem nunca fez parte de um, é um mundo totalmente sem sentido e visto com maus olhos, mas eu juro de pés juntos que foram meus melhores anos. Quando você ama uma banda/cantora(o)/livro/série/filme/WHATEVER com todas as suas forças e dedica horas diárias em busca de notícias dos últimos passos que tal pessoa deu, das últimas atualizações em redes sociais, do que foi dito em entrevistas -- e quando serão as próximas --, cria pastas e mais pastas no seu computador com fotos organizadas por ano, além das fotos de infância, dá nome para os casais que a respectiva pessoa vem a formar com suas namoradas(os), cria conta no Twitter destinada a amar e glorificar aquilo, conhece MUITAS pessoas virtualmente com esse amor em comum (e constrói boas amizades no meio disso), escreve fanfics cujos personagens são seus ídolos e já que estamos no capitalismo, consome qualquer produto que surgir com temática do seu amado-salve-salve. 


Como já deixei por aqui meu amor pela trilogia de filmes High School Musical, é fácil perceber que o que fazia minha cabeça estava sempre relacionado ao conteúdo infanto-juvenil da Disney, que na época, além de HSM, engatava a carreira de artistas como Miley Cyrus, Demi Lovato, Selena Gomez, e o motivo dos meus gritos e lágrimas, Jonas Brothers, banda de pop-rock formada pelos irmãos Joe Jonas (do meio) -- com quem eu sonhava encontrar casualmente no meio da rua quando estivesse com mais de 20 anos e trocaria olhares que naquele momento seriam completamente certos e ambos saberíamos que estávamos loucamente apaixonados e prontos para o nosso futuro em uma casa branca e grande nos Estados Unidos com nossos 12 filhos correndo em perfeita sintonia pelo jardim e o amor entre nós não apenas inabalável como também sempre maior --, Kevin Jonas (mais velho) e Nick Jonas (mais novo). Foram anos de loucura com letras de música espalhadas pelos meus cadernos, posters colados na parede do quarto, espaços intermináveis do meu computador ocupados pelos seus rostos, capas de cadernos customizados, 4 contas no Twitter -- em que eu vivia sendo bloqueada por tweetar demais --, fanfics escritas, e um conhecimento inútil que inclui até os hospitais em que cada um deles nasceu gravados na minha mente até hoje. Não que eu esteja obrigando alguém a algo, mas deixo aqui a minha coleção pessoal de:

 <3 <3 <3 Melhores momentos: Jonas Brothers <3 <3 <3

1. Quando Camp Rock estreou. 



Em 20 de Junho de 2008 era lançada a primeira versão do filme que acontecia em um acampamento musical. Se eu disser que não sei todas as coreografias até hoje, estarei mentindo, e com certeza todo aquele sonho de casualmente encontrar Joe Jonas e vê-lo me descobrir o amor da sua vida é culpa do filme, em que Mitchie Torres (Demi Lovato), antes fã da banda Connect 3 (Jonas Brothers), ao conhecer Shane Gray (Joe Jonas) no acampamento entra em um relacionamento com o vocalista da banda.

2. Quando foi lançado o clipe de When You Look Me in the Eyes.



O clipe foi lançado no canal oficial da banda, no Youtube, em Janeiro de 2008. Ser parte do fandom envolvia não só dedicar tardes a fazer com que hashtags de divulgação da música entrassem nos assuntos mais comentados do Twitter, como também votar em enquetes e fazer ligações para estações de rádio/canais de tv musicais. Quem precisa de um assessor de marketing quando se tem um grupo de fãs, não é mesmo?

3. Quando eles vieram pro Brasil pela primeira vez.

Deixo apenas o vídeo:



4. Quando The 3D Experience foi lançado. 



Lançado em 2009, o DVD mostrava a turnê feita pela banda, com direito a 5 segundos de irmãos sem camisa que eram suficientes pra alegria das suas pobres fãs apaixonadas. Nunca cheguei a ter o DVD, mas lembro de em uma das muitas vezes que o aluguei na locadora do bairro (!!!) colocá-lo antes das 8 da manhã, já que acordava cedo quando minha mãe saía para trabalhar e ficar na sala assistindo-o.

5. Quando Joe Jonas namorou Demi Lovato.


Camp Rock despertou em alguns fãs esse lado que ignora o fato de artistas serem seres humanos com vontades próprias e deseja, de uma maneira quase obrigatória, que eles namorem pessoas com quem são shippados. Assim como Vanessa Hudgens e Zac Efron de High School Musical, Joe Jonas e Demi Lovato foram vítimas dessa parte obscura do fandom por anos, até que o momento mais aguardado por todos aconteceu: o shipp era real. (Durou poucos meses e terminou em tragédia, mas não falaremos disso.)

Não só fiz um post inteiro falando sobre essa parte da minha vida como também tomei a liberdade de criar uma playlist que provavelmente só eu vou ouvir com as músicas que marcaram essa época. Mas tá tudo bem.


(Não nego nem confirmo que ainda tenho CD'S da banda.)


18 agosto 2017

Só acontece comigo #63 | BEDA #18

O local em que estudo possui uma diversificação de público muito grande, o que te faz ser um estudante de pré-vestibular e mesmo assim conviver com proletários, graduandos, pós-graduandos, gente do MBA (MBAzistas? Fica ai a dúvida) e coisas do tipo.

Apesar do espaço consideravelmente vantajoso de sua localização, é fácil saber o que acontece em cada canto dali, inclusive os modos peculiares dos proletários com relação aos seus computadores.

FUI AO MOSSAR.
E eis que surgiu a vontade incontrolável de ser amiga dessa pessoa (porque eu seleciono quem me faz companhia com base em critérios seríssimos, como se pode notar).

17 agosto 2017

Talvez eu seja como a Cristina Yang pescando. | BEDA #17


Apesar de ter parado com minha terapia (longa história), meu atual local de estudos possui uma psicóloga cuja única função é fingir que ali não existe uma sala com 30 pessoas -- cujos cabelos caem em grandes quantidades -- se preparando pro vestibular e por tal motivo, SURTADAS, o que faz com que semanalmente ela venha nos dizendo como é bom ter uma rotina saudável com mais de oito horas diárias de sono, alimentação de 3 em 3 horas, lazer e todas as outras coisas que nenhum de nós de fato tem. Em um desse momentos motivacionais, fizemos uma atividade em grupo que consistia em ficar 5 minutos falando "Quem é você?" para a pessoa do seu lado e esperar a resposta dela. Nesse vai e vem de ficar sem saber como me definir, acabei soltando um: "Uma versão mais nova da Cristina Yang", e meu amigo, que me conhece desde 2014, não se segurou e ao invés de continuar dizendo "Quem é você?", soltou o "HAHAHA TOTALMENTE!" mais sincero e espontâneo que já ouvi na minha vida. 

Prazer, eu sou Cristina Yang. 

Em um dos muitos episódios das muitas temporadas de Grey's Anatomy, existe esse momento da vida da Yang em que as coisas saíram um pouco dos trilhos, porque apesar de todas as falas sarcásticas, da independência e do amor por cardio, Cristina ainda é humana e precisa de um tempo para se recuperar e se encontrar depois de um baque. Depois de muitos episódios "fora de si", em uma pesca ela desata a chorar e aquilo parece ser o fim de uma era: tudo o que aconteceu daquele dia para trás já não importa mais, há uma nova camada de pele para protegê-la.


Na página "Sobre" aqui do blog, até fiz algumas piadinhas dizendo que me esforço pra ser Izzie Stevens e sempre acabo sendo Cristina, mas realmente não vejo isso como algo ruim. É bom me ver em uma personagem muitas vezes egoísta, ambiciosa, sarcástica e saber reconhecer que eu não sou perfeita e nunca vou ser, mas também é ótimo perceber que assim como ela, eu tenho o lado "You're my person", e que realmente me dedico àqueles que amo -- muitas vezes, mais do que deveria/gostaria -- a ponto de acabar sim, com uma arma apontada na cabeça enquanto preciso operar um paciente que por acaso é o marido da minha melhor amiga, e assim como qualquer outra pessoa, Yang percebe que nem sempre o retorno vai existir e que algumas pessoas vão nos empurrar para baixo enquanto tentamos levantar, e que tudo bem você fazer o melhor pra si, porque no fim do dia o que importa é a sua satisfação consigo, e não com os outros -- ou a satisfação dos outros com você. 

Não tenho passado por momentos muito bons atualmente, e mais do que nunca me sinto nessa eterna pesca em que qualquer movimento brusco me faz perder um peixe, mas eu continuo. Continuo porque nem sempre os ventos vão estar a favor do barco, nem sempre a maré vai estar pra peixe, e nem sempre eu vou querer pescar, também. Continuo, e lá na frente talvez eu consiga em meio ao silêncio necessário, no momento certo, pescar da maneira certa e voltar ao meu lugar não como antes, mas mais forte ainda. 


16 agosto 2017

Só acontece comigo #62 | BEDA #16

Da série de posts: meu pai speak english.


Realmente virou uma série porque já criei até o marcador com "meu pai speak english", aguardem os próximos.

(De nada.)

15 agosto 2017

Nós. | BEDA #15


Me permiti. E venho me permitindo — e te permitindo — desde o primeiro momento em que te beijei. Se eu preciso de espaço é simples e puramente por ser essa minha personalidade, eu gosto de estar sozinha, gosto de fazer minha vida acontecer um pouco longe de você, porque te acho bom demais e não quero que tudo sempre se funda ao que temos um com o outro, principalmente as obrigações, as responsabilidades, e tudo que é tão problemático a ponto de me fazer achar que estou sem saída (e sempre a encontro nos seus braços).
Todas as vezes em que eu preciso desatar, ficar com uma ponta do cadarço arrastando brevemente na calçada só para poder sentir como é ter o chão raspando ali, só para me sentir viva, você parece precisar apertá-lo ainda mais. Então eu volto. Volto porque te vejo mal, volto porque quero te confortar, quero te ajudar, quero te mostrar que olha, eu saio um pouco, mas não tô indo embora, eu sei que as pessoas da sua vida costumam partir sem um aviso prévio, mas eu não sou assim, só tenho essa mania de independência mesmo que às vezes grita mais alto do que os meus ouvidos podem aguentar e então eu preciso atendê-la só pra que ela cale a boca um pouco.
Mas sempre que eu volto, não sei se por não estar acostumado com o retorno, você parece fazer o possível para que eu me afaste de novo, e eu só consigo pensar que talvez eu não devesse estar ajudando quando o pedido de socorro nunca veio e que talvez eu devesse mesmo olhar mais pro meu próprio umbigo e que talvez, só talvez, eu esteja correndo atrás de alguém que já partiu e não está mais ali para ouvir o que eu tenho a dizer.
É por você que eu sempre paro de bater minhas pontas na calçada. É por você que eu paro o que estou fazendo para ver uma série, falar um pouco, fazer qualquer coisa que faça eu sentir que apesar da minha breve ida você ainda está lá, mas parece que eu nunca te encontro.
Nós são feitos de duas partes. E enquanto você não estiver na parte disposta a dar o nó, eu vou ficar aqui, em contato com a calçada.

14 agosto 2017

Melhor do que parece 2/4 | BEDA #14




Vou procurar em todo canto até
Achar onde eu perdi
Minha vontade, o meu desejo ou o prazer de conseguir
E a paciência que eu preciso pra curtir

Desci da mesa. Mesmo irritada com o lápis, com a linha torta, com a borracha, com o apontador, e todas as bolinhas acumuladas dentro da mochila, decidi levar a sério duas frases que todos ouvimos em algum momento da vida: 1) "Se a montanha não vai a Maomé, vai Maomé à montanha."; 2)"Se a vida te der limões, faça uma limonada."; apesar de parecer estar cada vez maior, e de carregar o peso do mundo, abri a mochila, me pendurando em uma das alças pra evitar que todos aqueles papéis caíssem, e pegando primeiro os que estavam mais no fundo e segurando o mínimo possível por vez, compreendi que a única forma de sair daquela situação seria entendendo meu próprio passado -- que afinal, fez o meu presente -- e assim, desamassei as duas primeiras bolinhas para lê-las.

Em uma delas, vi o exato momento em que conquistei posições que me interessavam. Vi a cena da dança no meio da cozinha, vi o primeiro dia de aula, vi cada momento com cada pessoa que ali conheci, e por alguns dias me perguntei o porque de não estar mais encontrando os pontos positivos de antes. Na outra, vi esse meu problema enorme, com o triplo do tamanho das outras bolinhas que ainda estavam dentro da mochila: a necessidade de obter aprovação. Minha e dos outros. Percebi que em meio a todo esse receio de errar, de precisar ser sempre o ponto forte e de fazer o possível e o impossível pelas outras pessoas só para obter um mérito que obviamente só existia na minha cabeça, esqueci que o principal não é estar fazendo o certo pela visão dos outros -- ou tentando fazer o certo por eles -- e sim pela minha.

Vão sim existir pessoas que não vão gostar de mim, eu vou errar muitas e muitas vezes, e em alguns momentos, vai ser difícil até para mim gostar de quem sou, mas eu vou sobreviver. Vai doer, vai render algumas crises, mas não é nada pelo que eu já não tenha passado, e olha só: me sai bem. Não é que tenha dado certo o tempo todo, mas foi isso que me fez crescer um dia, e se eu quiser voltar ao meu tamanho normal, talvez esse seja um bom início. 

Retornei para a mesa com os dois papéis que retirei da mochila, os estiquei em cima do móvel, deixei o lápis de lado e peguei uma caneta e uma régua, cruzando um traço em cada folha abaixo da história antiga. A mudança era permanente, e não sairia com borracha, nem que eu quisesse.
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*Melhor do que Parece faz parte de uma série de 4 posts semanais, baseada na música de mesmo nome da banda O Terno. Para entender cada parte, é necessário ler a anterior.

13 agosto 2017

Só acontece comigo #61 | BEDA #13


A pessoa sonolenta se torna um perigo para si mesma, né? Estava eu, depois de uma madrugada acordada graças a um maravilhoso pesadelo (meninas que ainda perdem o sono quando sonham coisas ruins, me add), levantando da minha confortável cama por achar que estava disposta a começar meu dia com um café.

Foquem na parte em que eu digo achar.

O processo de fazer café é simples, só não é mais fácil que fazer gelo, certo? Pois lá fui eu, esquentei água, coloquei o bule com o coador, algumas colheres de café, coei o pó, e fui pegar o açúcar para adoçar minha bebida. 

Adocei, adocei bastante.

Mas não com açúcar.

Com achocolatado.

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12 agosto 2017

O incrível mundo das notas musicais. | BEDA #12


Não, esse não é um post sobre nenhum filme ou série musical, apesar do nome. No mês passado, comecei a fazer parte do Together, um projeto da Shana para postagens coletivas, sempre muito bem-vindas. No caso de Agosto, o tema das postagens são os métodos que cada uma de nós possui para conhecer músicas novas.

Sempre tive esse pequeno problema de não ter paciência pra ouvir nada novo. Mesmo quando cantores ou bandas que já gostava lançavam algum trabalho, eu era sempre a última a de fato ouvir tudo e começar a surtar pela internet. Este ano, por exemplo, recebi enxurradas de newsletters e postagens em blogs falando sobre o novo álbum da Lorde e os SENTIMENTOS nele contidos, e bom, mesmo assim não ouvi, e por tudo o que li, não consegui enxergar uma futura conexão entre ele e eu pelos temas das músicas, essa coisa de festas jovens e fracassos, sabem? Mesmo no auge dos meus 20 anos, não é o que me move, enfim.

Esse pequeno "déficit" musical começou a melhorar no ano passado, quando decidi baixar o Spotify gratuito no notebook e comecei a montar minhas playlists, além de ser notificada por e-mail quando as bandas e cantores que sigo por ali têm novidades, o que ajudou MUITO. Além disso, a plataforma possui algorítimos maravilhosos que sugerem músicas novas com base naquilo que você mais ouve. Apesar de errar ser humano, o querido aplicativo de símbolo verde que não se chama WhatsApp, às vezes sugere algumas coisas que enquanto ouço penso "meh", mas até que costuma ter boas apostas. Dos artistas que conheci por ele:

Catfish and The Bottlemen. 

Atualmente entre minhas bandas favoritas, foi sugestão dos tais maravilhosos algorítimos e chegou até a entrar no meu Ninguém Se Importa Awards de 2016. Minhas músicas preferidas são: 7, Twice, Soundcheck e Kathleen.

Oxen.

Ao contrário de Catfish, não me aprofundei muito no trabalho do trio, mas conheço apenas uma música deles que muito me agrada: Luck. 

Wannaba Jalva.

Mesmo caso de Oxen, mas sei que se trata de uma banda porto-alegrense com músicas em inglês. Única música que toca por aqui: Down The Sea.

Foals.

Não tenho orgulho nenhum de mais uma vez dizer que só me mantive em uma música que o Spotify me apresentou, mas fazer o quê. A que sempre toca é Mountain At My Gates. 

Vocês também podem encontrar as minhas playlists clicando nas imagens abaixo:



Me recomendem músicas? Vou adorar!




Esta postagem faz parte da Blogagem Coletiva de Agosto do Together, um projeto para unir a blogosfera! Para saber mais, clique aqui!

11 agosto 2017

Só acontece comigo #60 | BEDA #11


Um problema que acomete meus pais, é a mania de falar Inglês. Nenhum deles é fluente, então vira e mexe saem algumas pérolas (minha mãe, por exemplo, me apelidou de "my frô"). Meu pai, como sempre um homem faminto, estava aguardando sua vez em uma rede de fast-food ao meu lado, quando começou a reclamar que estava com fome e que a fila não andava. 

-- O nome não é fast-food?
-- É, pai.
-- Então por que tá demorando tanto? -- fez um bico ótimo para sua postura de pessoa com 44 anos. -- Food não é rápido?
-- Pai... Food?
-- AH NÃO, RÁPIDO É FAST.

10 agosto 2017

Eu, escritora. | BEDA #10

Não nasci em uma família leitora, muito menos com tendências para a escrita. Foi natural, intrínseco a minha personalidade. Até os 10 anos foram os diários, que infelizmente joguei fora, mas ainda lembro de um deles, um caderno brochura médio de capa vermelha, em que muito feliz contei para absolutamente ninguém que tinha passado minha roupa pela primeira vez sem minha mãe saber. A roupa que passei era uma meia. 

Apesar das constantes descrições dos meus dias na infância em cadernos espalhados pela casa, a primeira vez que senti como a escrita me fazia bem e o que eu podia fazer com ela foi em uma tarde da quinta série, durante uma aula de Português com uma professora substituta, que passou como tarefa a produção de um texto, podendo ser ficcional ou não, que envolvesse um tema de sustentabilidade. Lembro de ficar desesperada nos primeiros minutos por ver toda a minha sala escrevendo e eu ali, sem nenhuma ideia, até que olhando pra um ponto fixo na mesa a ideia veio e duas páginas foram tomadas com uma história em que o planeta estava em colapso ambiental e um grupo de crianças conseguia salvá-lo. A professora perguntou se por acaso aquilo tinha sido copiado de algum livro, e eu, que na época só tinha lido alguns do Monteiro Lobato e outro chamado As Aventuras de Floribella, respondi muito encabulada que não, a ideia era toda minha. Tenho as duas folhas guardadas até hoje.

Na sexta série, uma professora também de Português, passou a estimular mais a leitura dentro da sala, foi quando li A Droga da Obediência e tive a certeza de que as palavras precisavam fazer mais parte da minha vida. Naquele mesmo ano, um trabalho em grupo tinha como proposta escrever um livro. Com duas colegas de sala, dei vida a minha segunda ficção. Foram mais de 5 folhas de caderno, e uma mãe que precisou digitar tudo reclamando que minha história parecia que nunca ia ter fim. O livro final não ficou comigo, mas minha história impressa continua guardada.

Aos 13 anos descobri as fanfics. Me encantei por esse mundo paralelo virtual e comecei a escrever a minha própria em um caderno, mais tarde passei a digitá-la em um blog, que com o passar do tempo esqueci a senha de login mas vira e mexe ainda visito pra me sentir nostálgica. Ao todo, foram 11 fanfics escritas distribuídas em 5 blogs diferentes.

Logo após o fim do meu blog de fics mais recente, comecei o antigo Novembro Inconstante. Puxando nos arquivos, tenho 202 (com esse, 203) posts aqui publicados. Continuei escrevendo no Trupica, Mas Não Cai, no Wattpad, em um blog privado que uso mais para desabafos, e até no Valkírias já apareci. O antigo costume de fazer diários voltou quando decidi no ano passado, manter um Bullet Journal, e agora, quando olho pra cada letra digitada ou escrita em caligrafia ruim, percebo que sou sim, uma escritora.

Escrever não é sobre ter livros publicados, reconhecidos e premiados. É simplesmente sobre permitir. Deixar que tudo o que já foi, que é e até mesmo aquilo que pode vir a ser, se torne um conjunto de palavras que dizem muito mais do que eu seria capaz de falar em uma conversa pessoalmente. Ser escritora é nada mais que uma consequência da escrita. E eu escrevo.

Escrevo quando a felicidade é grande a ponto de não saber me expressar; quando a vida parece estar um pouco fora do lugar é a escrita que torna tudo mais leve e muitas vezes consegue até mesmo me trazer soluções. Escrevo quando preciso ser. E escrevendo sou.



09 agosto 2017

Mayombe -- #MLI2017 | BEDA #09

Apesar de o fim da Maratona Literária de Inverno ter sido no dia 05 de Agosto, o BEDA atrapalhou um pouco meus planos de falar fielmente sobre todas as minhas leituras feitas nela por aqui, já que achei que seria chato começá-lo com muitos posts seguidos sobre livros. Como não sou boba nem nada, esperei um pouco para continuar falando sobre minha TBR durante Agosto.

Mayombe, romance publicado por Pepetela, autor angolano, em 1980, foi escrito enquanto o próprio participava da guerra de libertação da Angola, mostrando o convívio, a organização, e as individualidades de cada guerrilheiro do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). O nome da obra, que pode soar estranho em um primeiro contato, remete a floresta Mayombe, onde as operações são realizadas. Além de cumprir o desafio "7. Ler um livro que se passe durante um período histórico importante.", é leitura obrigatória para quem presta o vestibular da Fuvest -- foi inserido na lista em 2016 -- e em 1997 rendeu o prêmio Camões para o autor. Como comentei no post em que apresentei minha TBR da Maratona, o livro seria lido em pdf, já que não o encontrei em nenhuma biblioteca próxima e não disponho de situação financeira avantajada, mas se tem algo que não posso deixar de agradecer, são as pessoas que conheci nessa longa jornada de pré-vestibular. Uma amiga do cursinho que tem o livro me emprestou seu exemplar, o que tornou minha leitura mais proveitosa.



Contexto Histórico. 

Para se entender o enredo, é interessante que antes da leitura se faça um estudo da participação do autor no MPLA, e do contexto histórico em que a libertação de Angola se deu, visto que a obra é muito fiel a esses detalhes. Um dos pontos verídicos mostrados no livro, são os nomes de guerra que cada participante do Movimento obtém. O nome real do escritor, é Carlos Maurício Pestana dos Santos, mas quando serviu na guerrilha angolana, ganhou a alegoria de Pepetela, que curiosamente significa pestana -- assim como vemos na obra, com personagens nomeados como Teoria, Sem Medo, Verdade, Lutamos, Mundo Novo e Ingratidão. 

Quanto ao serviço por ele prestado no MPLA, considerado um grupo anticolonial, socialista-comunista, sabe-se que no ano de 1971, Portugal era governado pela ditadura de Salazar, afetando suas colônias -- como Angola, que com o apoio do Movimento Popular de Libertação de Angola obtém sua independência em 1974, explodindo a seguir em uma guerra civil. As revindicações por uma nação mais justa e igualitária no pós-Segunda Guerra Mundial, têm seus ideais disseminados por intelectuais e artistas, como é o caso de Mayombe.

Atualmente, o MPLA tornou-se um partido que comanda a Angola. 


A Obra.

O enredo é dividido em seis capítulos -- A Missão; A Base; Ondina; A Surucucu; a Amoreira e o Epílogo. Além de contar detalhadamente o cotidiano dos guerrilheiros contra as tropas portuguesas, e de possuir uma boa análise psicológica de seus personagens, em que conhecemos os motivos que levam cada um a lutar por tais ideais de libertação -- e em alguns casos, acompanhar até mesmo a falta dos ideias apesar da participação no Movimento -- é interessante notar a democratização da voz por meio do narrador personagem com foco múltiplo, o que faz jus a igualdade pregada pelos guerrilheiros até certo ponto, visto que Ondina, a única mulher citada no livro, não possui voz na narrativa, mostrando assim a desigualdade de gênero durante a luta.

A crítica as lutas de grupos que mesmo com ideais comuns, participam cada um a sua maneira sem se preocupar em obter um consenso, causando desproporções enormes e distorções aos olhos daqueles que ainda não os seguem se faz presente do início ao fim.

"— Vocês ganham vinte escudos por dia, para abaterem as árvores a machado, marcharem, marcharem, carregarem pesos. O motorista ganha cinquenta escudos por dia, por trabalhar com a serra. Mas quantas árvores abate por dia a vossa equipa? Umas trinta. E quanto ganha o patrão por cada árvore? Um dinheirão. O que é que o patrão faz para ganhar esse dinheiro? Nada, nada. Mas é ele que ganha. E o machado com que vocês trabalham nem sequer é dele. É vosso, que o compram na cantina por setenta escudos. E a catana é dele? Não, vocês compram-na por cinquenta escudos. Quer dizer, nem os instrumentos com que vocês trabalham pertencem ao patrão. Vocês são obrigados a comprá-los, são descontados do vosso salário no fim do mês. As árvores são do patrão? Não. São vossas, são nossas, porque estão na terra angolana. Os machados e as catanas são do patrão? Não, são vossos. O suor do trabalho é do patrão? Não, é vosso, pois são vocês que trabalham. Então, como é que ele ganha muitos contos por dia e a vocês dá vinte escudos? Com que direito? Isso é exploração colonialista. O que trabalha está a arranjar riqueza para o estrangeiro, que não trabalha. O patrão tem a força do lado dele, tem o exército, a polícia, a administração. É com essa força que ele vos obriga a trabalhar, para ele enriquecer.”

Classificação:



© Limonada.
Maira Gall